Garota Problema
5 Capítulo 5 — Hemofobia, hm?
Notas iniciais
Quinta-feira
Não teve jeito, Bella não conseguiu persuadir seu pai de que não era uma boa ideia convidar os Cullen para um jantar, não conseguiu persuadir justamente por não ter um bom motivo do por que não ser uma boa ideia.
Nesse exato momento Charlie, ignorando aos pedidos de Bella, estacionou a viatura em frente ao colégio.
— Ah, pai, por favor, não faça mais isso. — Choramingou por todos estarem olhando.
— Querida, todos sabem que você é filha do xerife, não tem com o que ficar envergonhada, motivo de vergonha é se eu fosse um ladrão ou assassino. — Retrucou desfivelando o sinto.
— Onde você vai? — Perguntou aterrorizada.
— Vou falar com Edward Cullen.
— Não! — Quase gritou.
— Já falamos sobre isso.
— Eu sei, pai, mas deixa eu falar com ele primeiro, por favor.
Charlie a estudou, ela realmente parecia desesperada para que ele fosse logo embora.
— Acho bom você ser educada e não essa garota grosseira que tem se mostrado.
Bella suspirou aliviada.
— Claro, serei a criatura mais doce do mundo. — Ela lhe estralou um beijo no rosto e saiu do carro, fazendo Charlie sorrir e em seguida voltar a colocar o sinto e partir em direção a delegacia.
Bella respirou fundo e ajeitou a alça da mochila no ombro.
— Vamos lá, você consegue. — Caminhou em direção ao estacionamento onde não foi difícil achar o carro mais chamativo do lugar. Os Cullen realmente eram ricos, pois notara que sempre escolhiam entre três carros para irem a escola ou um Jeep preto ou uma BMW conversível vermelha ou um Volvo prata. O carro da vez era a BMW.
Bella conseguiu ver enquanto a loura estacionava e logo os cinco irmãos saiam do carro. Ela sentia seu estomago revirar enquanto caminhava na direção deles. Se sentia indo para o matadouro. Sua pele queimava e seu coração estava acelerado.
Jasper, o louro, arqueou a sobrancelha para ela e depois olhou para Edward, que franziu o cenho e logo olhou na direção da morena, assim como os outros três.
“Maldição, ele não podia estar sozinho?” Bella praguejou e parou em frente a eles.
— O-oi. — Gaguejou notando que sua garganta estava seca e então deu uma leve pigarreada.
— Tudo bem? Você parece que vai vomitar. — Emmett, o maior entre eles, comentou com sua voz de trovão.
Bella ficou vermelha ao fitar Edward, ele a estudada com os olhos semicerrados, parecia estar muito furioso.
— Eu ‘to legal — balançou a cabeça negativamente —, eu posso falar com você? — Direcionou a pergunta para Edward.
— Se for um pedido de desculpas acompanhado de um “obrigada por ter me salvado” não precisa perder seu tempo. Suponho que você não conheça essas simples palavras.
Bella travou o maxilar e apertou a alça da mochila. Ela sabia que havia sido grossa com ele, mas ele não precisava trata-la daquele jeito, principalmente na frente dos irmãos. Ela começava a ficar com mais raiva dele assim como ficava com raiva do seu pai por obriga-la a fazer aquilo.
A morena olhou para o rosto dos outros Cullen, que a olhavam com curiosidade e certa empatia como se sentissem muito pela grosseria do irmão.
— Meu pai, Charlie Swan, convida vocês para jantarem em nossa casa no domingo. — Disse olhando para eles e ignorando Edward.
— É mesmo? — Edward sorriu sem humor.
Ele estava enfurecido pela reação de Bella, de certa forma ele se culpava, pois devia se manter longe dela e não ficar atrás dela como se fosse um maldito cachorrinho. Ele odiava o fato dela ter esse domínio sobre ele e odiava ainda mais o fato de essa raiva gerar nele uma sede terrível, vê-la corada, ouvir seus batimentos cardíacos bombeando sangue por suas veias... Aquilo era torturante. Sentia sua garganta queimar, precisava se alimentar, mas não era de qualquer coisa, era dela. Ele precisava se afastar, mas como? Ele não conseguia, estava vivendo um verdadeiro paradoxo!
— Ele quer te agradecer por ter me salvado — cuspiu a palavra —, será às 07:00PM.
Antes que Edward pudesse falar alguma coisa, Alice interveio:
— Será um prazer. Falaremos com nossos pais, diga a seu pai que é muita gentileza. — Sorriu e Bella devolveu o gesto.
— Ficamos felizes. — Ela deu uma última olhada para Edward, que parecia nem respirar, e então deu meia volta, indo para o portão principal.
Emmett estava certo, ela iria vomitar a qualquer momento, nunca mais gostaria de passar por uma situação tão constrangedora como aquela.
~*~*~
Antes do almoço a aula seria de biologia e Bella se arrastou até lá, não queria de jeito nenhum ver Edward, mas o destino estava contra ela, contudo, para sua felicidade ele não estava lá. Ela respirou aliviada e foi feliz até seu lugar, logo o sinal bateu e a aula começou.
— Hoje vamos fazer aula pratica. — Disse o professor animado e Bella logo franziu o cenho, não gostando do rumo daquela conversa.
Nada que envolva sapos, por favor, nada que envolva sapos. Era seu mantra.
— Iremos retirar amostras de sangue um do outro e estuda-las pelo microscópio. — Sorriu.
Bella fechou os olhos “sapos, por favor, que ele mude de ideia e vá para os sapos”.
A morena tinha pavor de sangue, não conseguia nem mesmo pensar na palavra sem ficar tonta. O cheiro, a cor, a textura. Deus, aquele estava sendo um dia bastante difícil para seu estomago.
— Senhorita Swan, como seu parceiro não veio eu farei dupla com você. — Após alguns minutos o professor disse, se aproximando dela com uma seringa.
Os pelos de seu corpo se eriçaram e ela olhou ao redor. Os alunos furavam uns aos outros e puxavam o sangue. Sua boca secou e suas pernas pareciam gelatina.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Não estou bem.
O professor colocou a seringa sobre a mesa e tocou em seu braço.
— O que foi? Você tem fobia de sangue? — Ela assentiu. — Tudo bem, você pode se retirar, quer que eu a acompanhe até a enfermaria?
— Não é necessário. Só vou ficar lá fora e tomar um pouco de ar. — Se levantou. — Desculpe, professor.
— Não se preocupe, senhorita Swan. Tem certeza que não quer ser acompanhada?
— Tenho. Obrigada. — Ela saiu e andou pelos corredores. Estava zonza. Continuou andando e foi para o estacionamento, onde se sentou no meio fio e colocou a cabeça entre os joelhos, puxou o ar e soltou.
Seu dia estava péssimo. Não tinha como piorar.
— Tudo bem? — Ela levantou a cabeça rápido demais e isso a deixou tonta, mas antes que tombasse para o lado Edward a amparou, sentando-se ao seu lado.
Sim, o dia dela podia piorar.
— Não, mas vou ficar. — Ela se afastou dele e continuou puxando o ar e o soltando. Edward a estudou, ela estava mais branca do que papel.
— Quer ir para enfermaria?
— Não, eu vou ficar bem. — Reforçou. — Por que você não vai para a sala e me deixa aqui sozinha? Tenho certeza que está louco para ficar longe de mim.
— Sou hemofóbico. — Sorriu torto, fazendo o coração de Bella acelerar. Aquele sorriso dele simplesmente a deslumbrava e ela odiava isso.
— Sério? — Franziu o cenho.
— Sim, por que o espanto? É mais comum do que pensa.
— Eu sei. — Apontou para si mesma. — Eu também sou.
Edward arqueou as sobrancelhas surpreso e sorriu ironicamente.
— Que coincidência.
Bella sabia que precisava fazer as “pazes” com ele, se seu pai soubesse que ela o tratara daquele jeito não sabia do que ele era capaz.
— Escuta, Edward, desculpa por ontem. Não derrubei o café de propósito.
— Vai me dizer que não sentiu nem um pouco de prazer nisso?
— Claro que eu senti. — Respondeu rapidamente e Edward arqueou uma sobrancelha e ela logo continuou: — Mas eu realmente sinto muito, não quis te machucar.
Os olhos de Edward brilharam. Ele também não queria machuca-la, mas estar sozinho com ela era tão tentador. Sua vontade era de leva-la para longe e tomar até a última gota de sangue de seu corpo, assim como desejava sentir sua pele, seus lábios, seu toque...
— E obrigada por ter me salvado ontem. — Concluiu.
— Se eu te desculpar você promete nunca mais tocar nesse assunto? — Ela abriu a boca para retrucar e ele voltou a arquear a sobrancelha, intimidando-a a ir contra sua condição.
— Tudo bem. — Disse por fim em um suspiro.
— Obrigado pelo convite do jantar, fale para seu pai que será um prazer. — Bella sorriu com suas palavras, graças a Deus tinha resolvido aquele problema.
~*~*~
Ao chegar em casa depois do trabalho, Bella se deparou com um Charlie ansioso, mas logo ele se aquietou ao ouvir que os Cullen compareciam ao jantar. Ela até que ficou animada, claro, se não fosse por pensar que todo o trabalho seria dela, afinal de contas seu pai é um desastre na cozinha, não sabia como ele tinha conseguido sobreviver a todos esses anos sozinho.
Sexta-feira passou lentamente, praticamente se arrastando e Bella não sabia se isso se dava ao motivo de não ter visto Edward no colégio. Ela não sabia por que se via ansiando tanto pela presença dele.
~*~*~
Bella trabalharia apenas de tarde no sábado, então durante a manhã decidiu arrumar a casa para não deixar tudo para o domingo. Ela acordou cedo e um pouco antes do almoço já estava quase terminando, em sua testa o suor era nítido. Tomou banho e se arrumou para o trabalho, mas antes preparou um sanduiche e tomou um copo de vitamina, ela já pensava no que iria cozinhar para os Cullen, admitia que estava um pouco nervosa por conhecer os pais de Edward, era estranho, mas não tinha para onde fugir, seu pai já havia decido.
Sua tarde passou tão rápida quanto sua manhã, a lanchonete encheu com crianças e adolescentes, mal teve tempo tomar agua. Ao dar 9:00PM alguns clientes ainda saiam, então ela chegaria um pouco mais tarde em casa.
Jacob mais uma vez a acompanhou.
— Obrigada, quileute.
— Não há de que, garota. — Sorriu e Bella devolveu o gesto, Jacob era um cara muito legal. — Sabe, se você não for fazer nada amanhã, estou querendo ir em Port Angeles ver um filme no cinema, se você quiser ir comigo.
Bella estreitou os olhos.
— Jacob Black está me convidando para sair? Vão me chamar de papa anjo.
Jacob revirou os olhos.
— Sou só um ano mais novo que você, não se acha, não.
— Ainda assim é mais novo. — Zombou. — Vamos de ônibus?
— Não — disse como se tivesse o ofendido —, vamos na minha moto.
Os olhos de Bella brilharam.
— Você tem uma moto?
— Tenho. — Gabou-se e depois riu. — Por quê? Tem interesse? Por eu ficaria muito feliz.
— Por quê? — Perguntou confusa.
— Tenho um amigo, Paul, ele está com duas motos para vender, ele precisa do dinheiro com urgência e eu disse que o ajudaria a vender.
— Vai receber uma comissãozinha? — Levantou as sobrancelhas de forma engraçada fazendo Jacob rir.
— Pode ter certeza.
Bella pensou a respeito.
— Moto não é o mais apropriado para uma cidade como essa, mas olha, eu acho que vou aceitar. Se meu pai estacionar aquela viatura mais uma vez em frente ao colégio eu me mato. — Sorriu e Jacob voltou a rir.
— Então amanhã quando eu te buscar para irmos ao cinema a gente pode passar na casa do Paul e eu te mostro a moto, se você ainda estiver interessada fechamos negócio.
Bella assentiu convencida.
— Por mim tudo bem, quileute, eu só... — De repente ela se lembrou do jantar.
— O que?
— Oh, Jake, desculpa, eu esqueci que meu pai convidou os Cullen para jantarem aqui amanhã. — Lamentou e Jacob fez uma careta.
— Ah, os Cullen, hm? Tudo bem, a gente vai outro dia. — Ele se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha. — Boa noite, garota. — Sorriu, aquele sorriso caloroso, e então se foi.
Bella ficou um tempo parada, absorvendo o beijo e o jeito como Jacob pronunciou o nome dos Cullen, ela sabia que tinha alguma coisa ai, já era a segunda vez que sentia hostilidade na voz de Jacob ao falar dos Cullen.
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