Garota Problema
6 Capítulo 6 — Cometerei erros melhores amanha
Notas iniciais
Charlie fez uma carranca ao assistir Bella descer os degraus, ao alcançar o penúltimo ela pulou até o assoalho e sorriu de orelha a orelha – ela precisava admitir que estava feliz, mas não era pela visita dos Cullen, a memória disso fazia seu estomago revirar na verdade.
— Que roupa é essa, Bella? — Charlie a analisou o all star impecavelmente branco e foi subindo até a calça destruída, Deus, o que houve com aquela peça de roupa que agora não passava de farrapos? Depois ele fitou a barriga dela a mostra e notou que ao lado direito da costela dava pra ver uma coisa... ah, não. — Que diabos é isso, menina?
Bella franziu o cenho, ficando assustada quando seu pai a virou, deixando-a de lado para ele, por fim ele se abaixou um pouco e leu o que estava escrito em sua pele alva:
“I will make better mistakes tomorrow” (Cometerei erros melhores amanha).
— Você tem uma tatuagem? Desde quando? Sua mãe sabe disso? — A fitou com os olhos arregalados. — Você fez quando chegou aqui?
Bella fez uma careta, sabia que seu pai enlouqueceria quando visse, não havia se lembrado desse detalhe ao vestir aquela blusa de manga longa que ia até a metade de sua barriga.
— Hã — ela engoliu em seco —, vejamos, não é tão ruim quanto você pensa. — Sorriu amarelo.
Charlie balançou a cabeça negativamente.
— E essa frase é ridícula. — Frisou seu descontentamento. — Você está toda mudada, se tatuando, usando roupas de mendigo. Deus — exasperou-se —, vão achar que não tenho condições de te comprar uma calça completa!
A morena riu alto com a preocupação do pai.
— Está na moda — sorriu divertida —, e além do mais é só uma roupa casual e uma tatuagem, não é como se eu estivesse — tocou o dedo indicador no dedão e encostou-os aos lábios — puxando um ou bebendo, não sou a adolescente mais rebelde do mundo por ter feito uma tatuagem que, sim, minha mãe sabe e não, eu não fiz aqui.
Charlie fez uma careta amarga, não queria admitir, mas estava estampado em sua cara: sua pequena ex-bailarina desastrada havia crescido, não só fisicamente – se tornara uma linda mulher –, ela amadureceu e ele tinha medo de perde-la para as aventuras que a vida reservava para ela ou de ela fazer alguma loucura (acabou rindo), sua filha era bem maluca quando queria, mas também era esperta, sabia se virar, ele tinha orgulho de quem ela estava se tornando.
— O que? — Perguntou curiosa pelo riso dele. — Não está pensando em pegar o ralador e passar em mim pra ver se isso sai, né? — Questionou apontando para a tatuagem.
— Não me dê ideias.
— Então vou logo dizendo que não funciona. — Cruzou os braços, empinando o queixo.
— Foi a primeira coisa que sua mãe fez quando viu?
Bella colocou o dedo indicador no lábio inferior, refletindo.
— Hm... talvez.
Charlie riu e a puxou para um abraço, deixando-a tonta com o atitude, eles não eram muito de afeto físico, mas ela acabou o abraçando de volta.
— Eu te amo, pirralha.
Bella sorriu.
— Eu também te amo, coroa. — Charlie revirou os olhos, a soltando e ela riu.
— Vejo que está muito animada, quer dizer, mais do que o normal. — Comentou caminhando com ela novamente até o sofá, onde ele estava antes de ela descer a escada.
— Sim — suspirou em êxtase —, o email que a mamãe me mandou ontem a noite me animou muito.
Charlie sabia que Renée era danada para fazer promessas que muitas vezes não cumpria, então não queria que Bella criasse muita expectativa.
— Ela disse se era certeza?
— Ela disse que só faltava alguns detalhes, então pode-se dizer que sim: é certeza. Eu sei que estou aqui há pouco tempo, mas já morro de saudades dela e ela ter conseguido algumas folgas para vir aqui me ver me deixa muito feliz. O senhor não se importa mesmo, não é? O Phil não vem e ela vai ficar em uma pousada aqui perto, mas vai ser bom demais e... — Bella não parava de falar, Charlie amava ver a filha tão feliz, esperava realmente que tudo desse certo.
A campainha tocou e os dois olharam na direção da porta. De repente ela sentiu seu estomago revirar com mais intensidade, não sabia por que estava tão nervosa com aquele jantar, mas a verdade é que ela estava. Não sabia se era por que havia cozinhado e estava apreensiva de talvez ter salgado de mais ou talvez fosse por que Edward estaria ali. Não, não, com certeza era por causa da comida.
Charlie se levantou rapidamente e passou pela sala de jantar, que Bella havia preparado especialmente para aquela noite. A mesa comprida estava com uma bela toalha creme e vermelha, sobre ela estavam postos nove pratos e nove taças. Bella havia preparado steaks, batata assada, salada de repolho e baked beans. Charlie comprara vinho mais cedo. Haviam feito tudo de muito boa vontade.
Bella se colocou atrás de seu pai no momento em que ele abriu a porta. A família Cullen estava ali, dois deles Bella não conhecia, ele era louro, olhos ocres e sorriso gentil, a outra possuía o rosto em formato de coração, o cabelo castanho avermelhado e... os olhos ocres.
— Boa noite. — Charlie os saudou com um sorriso enorme no rosto.
Bella não prestou muita atenção às saudações, seus olhos caíram rapidamente sobre o ruivo, que a media dos pés à cabeça (ela estava tão linda, tão exposta, tão suculenta, sua boca salivava para sentir seu sabor), assim como ela fazia com ele. Edward usava jeans preto, sapatênis, camisa de algodão azul bebê e casaco cinza por cima. Estava deslumbrante, todos estavam, mas ele em especial, ela não sabia se isso se devia ao seu olhar que parecia queimá-la.
Céus!
Sentia-se tonta apenas com a presença dele. Aquilo era insano.
— Vamos entrar. — Charlie deu passagem e eles foram entrando, um por um, com suas belezas deixando o lugar mais iluminado e menor.
Logo se reuniram na sala de estar. Alice, Jasper, Emmett e Rosalie sentaram-se em uma parte do sofá e na continuação dele (era um enorme L), seguia Carlisle, Esme e Edward. Charlie sentou-se em sua poltrona e Bella ficou em pé, ao seu lado, mas estava se sentindo muito vulnerável desse modo, então acabou sentando-se no braço da poltrona, junto a seu pai, como se ele pudesse a proteger do olhar voraz de Edward sobre ela.
— Fiquei muito feliz por terem aceitado o convite. — Charlie começou. — Tenho que dizer que vocês tem um herói na família — continuou falando com Carlisle e Esme, mas seu olhar caiu sobre Edward, que desviou – pela primeira vez – seus olhos de Bella e o olhou —, muito obrigado, Edward, por ter salvado minha garota. — Charlie deu algumas batidinhas na coxa de Bella, que corou furiosamente.
Droga, se sentia muito desconfortável com todos eles ali e Edward não ajudava voltando a olhar para ela com aquele sorriso torto.
— Não precisa agradecer, Charlie, qualquer um faria o que eu fiz se estivesse ao alcance. — Respondeu gentilmente, mas a verdade é que ele não se controlaria ao ver Bella mergulhada em sua própria poça de sangue, ele perderia o controle ali mesmo, no estacionamento do colégio, só a ideia fazia-o se arrepiar.
— Ficamos orgulhosos dele por ter feito isso. — Esme comentou sorrindo para o filho.
— E aliviados por Isabella estar bem, fiquei um pouco preocupado quando Edward me contou que ela não foi ao hospital, mas ele me assegurou de que ela estava bem. — Carlisle mencionou, sabia que a garota estava segura, mas não custaria nada ter feito um check up.
— É mesmo? — Charlie olhou para Bella. — Não sabia que ela não havia recebido atendimento médico.
Carlisle olhou sem graça para Esme, que disfarçou um sorriso. Parece que alguém estava prestes a se encrencar.
— Você o ouviu, Edward o assegurou que eu estava bem e eu estou bem. — Respondeu, acalmando o pai, ela pedia com os olhos para que ele parasse de envergonhá-la daquele jeito e ele acabou acatando ao seu pedido, voltando a fitar os Cullen.
— Seus filhos são muito bonitos, na verdade, toda sua família é muito bonita e Edward provou que são muito bons também, pois ele não pensou duas vezes antes de salvar a Bella.
Carlisle sorriu agradecido pelos elogios.
— Sua filha é adorável também. — Esme respondeu e Edward segurou o riso, recebendo de Bella um olhar assassino.
— Bem, então vamos para a... — Charlie foi interrompido pelo toque do telefone.
— Eu atendo, com licença. — Bella pediu e atravessou a sala, indo até um canto próximo da janela e atendendo o mesmo.
Carlisle, Esme e Charlie continuaram conversando enquanto Alice comentava algo com Rosalie e Emmett ria de algo que Jasper dizia. Edward, por outro lado, estava imerso ao que falavam, seu foco estava na bela paisagem da bunda de Bella. Aquela calça estava tão colada ao seu corpo, moldando-o perfeitamente, sua vontade era alisá-lo, sentir sua textura.
— Alô? — Bella agradecia internamente por ter saído daquela situação desconfortável, passaria o resto da noite pendurada no aparelho se fosse necessário, principalmente ao ouvir a voz que vinha do outro lado.
— Alô? Bella? Oi, querida, sou eu, a mamãe.
— Mãe. — Bella sentiu o coração acelerar, com certeza ela ligou para dizer o dia em que chegaria. — Tudo bem? Eu recebi seu email ontem. Quando você vem? — Estava tão animada que as palavras saíram meio atropeladas, mas sua mãe as entendeu perfeitamente.
— Oh, querida — Renée começou fazendo Bella perder o sorriso —, eu sinto muito, mas não vou poder ir.
Seu coração que antes não se aguentava de felicidade doeu pela notícia. Sua garganta fechou.
— Por quê? — Engoliu em seco. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Phil foi convidado para um evento e eu preciso acompanha-lo. — “precisa ou quer?”, Bella pensou, mas o que respondeu foi diferente:
— Ah, sei, hm, tudo bem. — Jogou de ombros e passou a mão pelo rosto, expulsando as lágrimas que ameaçam cair.
— Tudo bem mesmo?
Bella forçou um riso.
— Claro, tudo bem. Haverá outras oportunidades para nos vermos, não é mesmo?
— Com certeza, meu amor, você é a melhor. Te amo, agora eu tenho que desligar. Chloe está aqui. — Bella apertou o telefone na mão sentindo raiva atravessar seu corpo.
— Prefere ficar com Chloe a conversar um pouco mais comigo? — Vociferou.
— Querida, Chloe está nos fazendo uma visita, não posso ser mau educada com ela, afinal de contas ela é minha enteada.
Bella sempre foi muito gentil com todos e fazia amizade fácil, mas Chloe a tirava realmente do sério, sabia que por um lado era ciúmes, Chloe era exatamente a cópia de filha que Renée sempre sonhou: bailarina, culta, extremamente educada e, na opinião de Bella, metida. Deus, a odiava, felizmente ela morava com a ex-esposa de Phil, mas quando chegava os finais de semana tinha que suportá-la, e suportar a adoração de sua mãe pela coisinha.
— Claro, mãe — sem notar aumentou o tom de voz, chamando atenção de seu pai e dos outros —, desculpe atrapalhar, não se importe comigo, fique com ela, não ‘to nem ai! — Bateu o telefone com força e respirou fundo, controlando sua respiração.
De repente, como se nada tivesse acontecido, Bella se virou para as visitas e abriu um lindo sorriso que não alcançou seus olhos.
— Vamos para a sala de jantar. Espero que gostem de batatas assadas.
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