Garota Problema
4 Capítulo 4 — Agradecimento com essência de café
Notas iniciais
Irresponsável? Isabella sabia que não. Afinal de contas não havia acontecido nada de grave no tal acidente, claro, graças a Edward. Então não, ela não foi direto para o hospital como muitos insistiram, ela apenas ajeitou a mochila nas costas e marchou para a lanchonete do senhor Johnson.
Ela não conseguia tirar da cabeça a imagem da van de Tyler amassada, como Edward conseguiu fazer aquilo? Como ele conseguiu desamassá-la tão rápido?
Sim, porque as únicas opções eram ela está louca ou ele ter super poderes e ter desamassado a lataria em milésimos e ela sabia que não estava louca, claro, sabia também que super poderes não existiam, mas então, o que diabos havia acontecido?
— Isabella! — A voz do senhor Johnson a chamou, ela o olhou assustada. — Saia do mundo da lua, garota. Estou te chamando a tempos.
— Desculpe, estava pensando na alge.
— Alge?
— Álgebra, somos tão intimas que lhe dei um apelido.
Na janelinha que tinha atrás do balcão (servia para Isabella entregar os pedidos e logo depois pegá-los para levar as mesas) Jacob ria enquanto fritava hambúrgueres.
— Engraçadinha. Anda, anda, a mesa 07 está chamando.
Ela rapidamente marchou em direção a uma mesa nos fundos, quando se deparou com alguns fios de cabelo cor de cobre. Não podia ser.
— Você! — Ela acusou.
Edward a olhou com falsa surpresa atravessando seus rosto perfeito. Ele sabia que devia ficar longe de Isabella, mas era como se ela fosse um imã e ele não conseguia se afastar.
— Pensei que estivesse no hospital.
— Talvez eu devesse está no necrotério, mas graças a você estou aqui, sã e salva. Parece que você é meu super herói. — Suas palavras saíram carregadas de veneno.
— Você não parece muito feliz. — Respondeu amargo. — Esperava mais — arqueou uma sobrancelha — gratidão e menos julgamento.
Ela se sentou de frente para ele.
— Te julgo sim, porque você sabe que não estou delirando.
— Não sei do que você está falando.
— Não se faça de idiota.
Edward riu.
— Meu Deus, é assim que vocês tratam os clientes? Quanta hostilidade. — Bella semicerrou os olhos. — Você não tem que criar casos, só Bella, eu te salvei e não estou pedindo nada em troca, a não ser uma bebida quente, claro. — Sorriu gentilmente e ela se levantou, pisando duro.
— Um café. — Sibilou para Jacob através da janelinha.
— É para o Cullen? — Perguntou mirando seus olhos negros sobre o rapaz que olhava através da janela da lanchonete.
— Você o conhece?
— Claro, conhecemos os Cullen. — Pegou uma xícara e despejou a bebida preta.
Isabella mediu a intensidade das palavras de Jacob. Não soou apenas como “ah! Os Cullen!”, não, pelo contrário, seu comentário sim parecia hostil como se ele realmente os conhecessem, os conhecessem tão bem ao saber de coisas, coisas ruins.
— O que você quer dizer com isso?
Jacob a olhou como se tivesse tomado conta do que suas palavras poderiam ter significado.
— Ah, você sabe, eles são ricos, elegantes, pessoas assim não passam despercebidos. — Tentou contornar o verdadeiro significado de suas palavras.
— Ah. — Ela capturou a xícara, ainda com o cenho franzido, não acreditou muito nas palavras dele. — Obrigada. — Jacob assentiu.
— As suas ordens, madame.
Isabella voltou para a mesa e colocou a xícara em frente a Edward.
— Está dizendo que sou louca, então? — Ela ainda estava muito irritada com ele por toda aquela situação. Não, ela não era mal agradecida, estava realmente feliz de estar ali, vivinha, mas ela sabia o que tinha visto.
— Ainda estamos nesse assunto? — Ele sorriu torto, fazendo o coração da morena acelerar.
— Não me venha com esse sorrisinho e me responda.
Edward alargou o sorriso.
— Você gosta do meu sorriso?
Ela sentou-se outra vez na cadeira de frente para a dele.
— Não mude de assunto, anda, admita que você parou o carro com a mão.
Ele riu de suas palavras.
— Você acha mesmo que sou uma espécie de super herói. — Tomou um gole do café. — Imaginava algo mais como bombeiro ou policial, nada comparado a super man.
Isabella respirou fundo.
— Vai mesmo negar?
— Estou dizendo apenas que talvez você acha que tenha visto uma coisa que não aconteceu.
— Está insinuando que fiquei louca?
— Não. — Umedeceu os lábios, o café estava ótimo. — Mas a situação nos trouxe bastante adrenalina, medo, pânico, talvez...
— Talvez nada, vou provar que você parou o carro com a mão.
— É? Com quais provas?
— Tem um amassado na lataria da van no formato da sua mão. — Sorriu vitoriosa, mas logo se lembrando que ele desamassou assim que ela se distraiu. — Mas você desamassou. — Sussurrou.
Edward arqueou as sobrancelhas.
— Desculpe, como é?
— Você desamassou. — Respondeu o encarando com raiva.
— Eu acho mesmo que você deveria ir ao hospital. — Ela separou os lábios para rebater e ele continuou com um sorriso brincando nos lábios: — Agora sim estou insinuando que você ficou louca.
Isabella cerrou os punhos e se levantou abruptamente, mas acabou batendo na mesa e derrubando o café que escorreu por essa última indo direto para a calça jeans de Edward.
— Meu Deus. — Ele se afastou a cadeira. — Olha o que você fez.
— Acho que agora os dois deveriam ir ao hospital. Você por queimadura de primeiro grau e eu por insanidade. — Respondeu marchando para longe dele, que a olhava com o maxilar travado e os olhos, que escureceram, semicerrados.
~*~*~
Depois Bella acabou se sentindo mal pelo que fez com Edward, talvez ela tivesse exagerado ou talvez ele tivesse merecido por insinuar que ela estava louca depois de ela ter dito que ele parou um carro com uma mão e depois desamassou a lataria e, é, pois é... Ela suspirou frustrada. Sim, sentia-se mal e estúpida. Ele a salvou e como ela agradecia? Com café quente nas regiões baixas.
— Tudo bem, querida? Se não estiver muito boa essa lasanha pode deixar no prato. — Charlie comentou enquanto via a filha fazer caretas enquanto mastigava.
— Não é isso, pai. — Ele estava em pé na soleira da porta com seu pijama.
Bella acabou resolvendo comer algo depois que chegou do trabalho, tentou não fazer muito barulho para não acordá-lo, mas todo seu desempenho em ter derrubado a abajur, batido o cotovelo na panela a fazendo cair e fechado a porta do micro-ondas com força desnecessária foi por agua abaixo e lá estava ele acordado, não foi dessa vez que ela conseguiu ser sútil ao chegar, quem sabe numa próxima?
— Desculpa, não quis acordá-lo.
— Eu não estava dormindo, estava te esperando na verdade. Achei que fosse um ladrão tentando invadir, mas notei que era só você.
Bella riu falsamente.
— O senhor é hilário.
Charlie riu divertido e serviu suco para sua filha.
— Só não sou muito boa no escuro. — Se defendeu.
— Por isso descontou sua raiva no pobre abajur?
— Tentei acendê-lo.
— Tentou mesmo, por que — começou a rir — fracassou miseravelmente.
Bella acabou rindo também.
— Desculpa, depois te compenso com uma lâmpada nova.
Charlie sentou-se ao lado da filha.
— Não se preocupe. — Serviu-se de um pouco de suco também. — Você não viu que te liguei algumas vezes?
A morena franziu o cenho e balançou a cabeça negativamente enquanto colocava na boca uma garfada de lasanha. Não estava muito boa, seu pai não era lá essas coisas na cozinha, mas estava com tanta fome que era grata por aquela gororoba.
— Soube que você sofreu um acidente na escola. Por que não me contou nada ou não foi ao hospital?
— Soube foi? Cidade pequena... — bebericou o suco. — Estou bem, pai, não foi nada.
— O que houve?
— Nada graças a Edward Cullen.
— Cullen? Filho de Carlisle Cullen?
— É o que dizem. — Sorriu se levantando e colocando as louças na pia, em seguida começou a lavá-las.
Não queria falar de Edward ou qualquer Cullen que existisse no mundo. Só queria enfiar a cara no travesseiro e nunca mais ter que olhar para o seu herói novamente. Ele devia odiá-la, acha-la que realmente era louca e... argh! Ele não devia tê-la chamada de louca.
— O que aconteceu?
— Nada, pai. Estava distraída e um carro vinha na minha direção, Edward me deu um empurrãozinho e tcharam — se virou para Charlie com um sorriso de orelha a orelha — cá estou eu, vivinha da silva. Sem estresse, sem velório, sem lagrimas.
Charlie prendeu a respiração só de imaginar o que poderia ter acontecido se Edward não tivesse dado o tal “empurrãozinho”.
— Deus, Bells, você não pode ser um pouco mais atenta as coisas a sua volta? Um dia você ainda vai se matar e me levar junto. — Charlie se colocou de pé e beijou o alto da cabeça de Bella, que sorriu minimamente.
— Desculpa, pai, não vai voltar a acontecer, eu estou bem. — O assegurou.
— Sim, graças a Edward Cullen — Bella estremeceu ao ouvir o nome dele, não poderiam mudar de assunto? Viu uma propagando super engraçada sobre hemorroidas, estava louca para comentar com alguém a respeito e... —, já sei! Vou convidá-lo para jantar conosco em agradecimento.
Bella engasgou com a própria saliva e ficou vermelha igual pimentão.
— Não. — Sussurrou, mas Charlie não a ouviu, já andava pela cozinha pensando em sua ideia.
— Você pode cozinhar algo bem gostoso para a gente, você sabe que eu não sei me virar muito bem na cozinha, provavelmente espantaria o garoto. Quer saber? Poderíamos chamar a família dele também.
— Não, pai. Que isso. São muitos. Muitas bocas para alimentar. — Sorriu amarelo, seu estomago revirava só de imaginar ver Edward novamente, a lasanha ameaçava voltar.
— Ah, Bella, que grosseria. — Charlie sorriu achando graça. — Está decidido, amanhã irei falar com Edward e lhe agradecer pessoalmente e então você poderá fazer o convite.
— E-eu?
— Claro, filha. É preciso mostrar um pouco de gratidão, não é mesmo? Como você disse, nada aconteceu graças a Edward Cullen.
Bella queria cavar um buraco, se enfiar lá dentro e nunca mais sair.
Ela já havia mostrado gratidão, sim, gratidão com essência de café. Hm, delicia!
— Sabe, eu acho que...
— Não acha nada. — A cortou sorrindo animado.
— Pai — a olhou ansioso, ele estava tão feliz, não queria estragar aquele sorriso coberto por aquele bigode —, o senhor viu a nova propaganda sobre hemorroidas?
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