Garota Problema
27 Capítulo 27 — Faça parar
Notas iniciais
Raign — Don't Let Me Go
Charlie tentava acalmar Bella, que não conseguia parar de chorar. A única coisa que passava pela sua cabeça naquele momento era a última vez que tinha falado com a sua mãe.
Flashback On
— Chloe se mudou para cá há duas semanas.
Bella ficou em choque, não sabia o que pensar, as lágrimas vieram com força total, ela sentia seu coração se destroçar em mil pedaços. Nunca havia sentido dor igual àquela, ela sabia que um dia alguém partiria seu coração, mas nunca imaginou que esse alguém fosse ser sua própria mãe.
— Por isso você insistiu para que eu viesse para Forks? Por isso, mãe? Pra vocês terem a chance de colocar essa garota no meu lugar? Esse sempre foi o plano, não é? — Sua voz aumentou uma oitava e seu peito subia e descia rapidamente. — Ela sempre foi a filha perfeita! Você sempre a preferiu! Eu não danço, eu não tenho bons modos, eu não sou uma princesinha!
— Bella, calma, não é assim, eu... — Suspirou, sabia que a filha não teria a melhor reação do mundo, mas também não precisava daquilo tudo.
— Eu te odeio! — Vociferou e jogou o celular na cama com força, fazendo-o quicar e em seguida cair no chão.
Flashback Off
A última frase que disse a sua mãe foi “eu te odeio” e aquilo a estava matando, saber daquilo a estava corroendo por dentro.
— Não, pai. — Caiu no choro mais uma vez. — Não, pai, por favor, diz que é mentira, por favor. Eu fui tão má com ela, a última coisa que eu disse pra ela foi que eu a odiava, mas é mentira, eu não odeio ela, pai. Por favor, diz pra ela que eu não odeio ela, diz que eu amo muito e que eu não quis dizer aquilo eu... — Um intensa crise de choro tomou conta dela, fazendo com que sua respiração ficasse presa em sua garganta.
— Calma, Bells, por favor, amor, fica calma. — Ele sabia que era idiotice dizer aquilo, mas não sabia o que fazer. Ficou em choque quando Phil ligou para ele avisando do ocorrido. Felizmente a filha dele, Chloe, que estava com Renée, havia sobrevivido. — Eu sinto muito.
Bella deixou o copo d’água sobre a mesa de centro e abraçou o pai. Agora eles estavam sentados no sofá, então se abraçaram meio de lado, contudo não importava, ela só queria sentir os braços dele ao seu redor, como se pudesse a proteger da dor que a consumia.
Nada se comparava a angustia que estava sentindo. Céus! Como aquilo doía, como aquele sentimento era cruel e devastador.
— Não, pai. — Clamava para que Charlie lhe dissesse que tudo não passava de um grande engano, mas ele não podia, pois estaria mentindo.
Charlie também chorava, ele e Renée não estavam mais juntos, mas foram anos casado com ela, é claro que ele ainda sentia alguma coisa pela ex-esposa, mas sabia que grande parte de suas lágrimas era por ver sua garotinha sofrendo tanto. Ninguém merecia perder a mãe daquele jeito, ninguém e muito menos Bella.
Ela se agarrou a ele como se sua vida dependesse daquilo. Até então ela estava com os olhos fechados, mas então os abriu, dando de cara com a janela da sala de estar e do outro lado estava James, sorrindo maliciosamente.
Bella sentiu seu estomago revirar e seu coração parar de bater.
— Não. — Sussurrou, o medo a tomando para si, e então se afastou de seu pai em um pulo.
— Bella. — Charlie a olhou inquisitivo pelo ato abrupto e ela o puxou pela mão.
— Vem pai, vem! — Ele a obedeceu, mas ainda confuso.
— O que foi?
— Pega sua arma. — Gritou desesperada e automaticamente ele sacou sua arma, procurando algum perigo que estivesse os rondando. Agiu institivamente por seu espirito policial.
— O que está haven... — Charlie foi interrompido, pois caiu desacordado no chão da sala de estar.
— Não! — Bella gritou desesperada e colocou a cabeça de seu pai sobre seu colo.
Foi tão rápido que nenhum dos dois conseguiu ver o que havia acontecido.
James entrou na casa e deu um soco na cabeça de Charlie, fazendo-o desmaiar.
As lágrimas de Bella aumentaram e suas mãos tremiam. Ela olhou para a arma de seu pai e a pegou.
— Que criatura, ingênua. — Ela ouviu James dizer, ele estava encostado à lareira e Bella se colocou de pé, mirando a arma nele.
— Sai! Agora! Sai! — Suas mãos ainda tremiam, mas não sua voz. Sua voz era firme e carregada de ódio e dor.
— Isso não pode me mat... — Ele foi interrompido por um tiro que Bella deu em sua barriga.
— Mas pode machucar! — Rosnou.
James respirou fundo e travou o maxilar.
— Vadia, idiota! — Ele foi até ela, mas ela atirou novamente, a bala pegou em seu peito dessa vez.
Bella se afastou, correndo para a cozinha. Ela pegou uma faca de prata e tentou enfiá-la em seu coração, mas foi impedida por um tapa que James lhe deu, fazendo a cair no chão, contudo ela ainda estava com a arma e então ela lhe deu um tiro na cabeça, fazendo-o cair no chão.
Ela não sabia quanto tempo tinha, visto que vampiros se curavam rápido, então voltou para a sala e tentou acordar seu pai, mas como não conseguiu, colocou a arma na barra da calça e o puxou pelos braços até a porta, felizmente no percurso, Charlie deu sinal de vida e piscou os olhos.
— Pai. — Bella disse aliviada. — Vem, a gente preci... — Ela se interrompeu com um grito, pois James apareceu atrás dela e a puxou pelo cabelo, jogando-a para trás, fazendo-a bater as costas na parede e, ao sentir o impacto do chão em baixo de si, caiu de mau jeito sobre o pé, o torcendo.
A morena reprimiu um grito e socou o chão. Maldição! Como aquilo doía.
— Desgraçado. — Charlie vociferou e se colocou de pé, meio cambaleante e avançou em James, contudo o louro pegou uma garrafa de cerveja que estava no criado mudo, ao lado do sofá, e a quebrou na quina da mesinha.
— Não! — Bella gritou no mesmo instante em que James enfiou a garrafa quebrada no pescoço de Charlie, fazendo-o levar suas mãos até a perfuração e arregalar os olhos.
— Bella. — Sussurrou e em seguida caiu no chão.
— Não! — Gritou desesperada, enquanto se arrastava até seu ele.
— Mande lembranças à Edward. — Sorriu diabolicamente, puxando um isqueiro do bolso da calça jeans. — Isso se ele chegar a tempo, o que eu acho difícil. — Bella o olhou com tanta raiva, uma raiva inexplicável, uma raiva que nunca imaginou que pudesse sentir em sua vida. — As coisas vão ficar um pouco quentes por aqui — comentou e no mesmo instante ela sentiu um cheiro forte no ar —, eu tive a liberdade de pegar um frasco de álcool na cozinha, mas sem querer deixei cair algumas gotas por lá e por aqui — disse apontando para a sala e então acendeu o isqueiro —, foi um prazer te conhecer, boneca. — Dito isso ele jogou o isqueiro no tapete, no centro da sala, e então rapidamente o fogo se alastrou.
Bella arregalou os olhos e começou a chorar. Precisava sair dali. Precisava salvar seu pai. Ela olhou ao redor e James havia sumido, então seus olhos achocolatados caíram sobre o homem em seu colo.
— Pai, por favor, não! Por favor, você não. Por favor! — Implorava enquanto tirava sua blusa de frio e amarrava por cima da mão dele, que ainda estava sobre o pescoço, ela fez pressão com a mão por cima da dele.
Ela não sabia o que fazer, o fogo começava a se aproximar da porta, onde estavam, e a fumaça estava demais. Algumas partes do teto começavam a cair e o calor estava intenso.
— Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Não! Não! Alguém me ajuda! Socorro! Socorro! Alguém me ajuda! — Seus gritos eram envolvidos pelo terror e medo. Desespero guiava suas palavras através de sua garganta.
A porta foi aberta e, como estava de costas para ela, Bella não viu quem era, mas tinha certeza que James havia retornado para terminar o serviço, então ela sacou a arma que estava na barra de sua calça e virou o torso, mirando a arma, contudo, antes que atirasse, ela viu que não era James.
— Edward! — Ela ofegou e largou a arma.
— Bella, meu Deus! Eu pensei que estivesse morta, eu...
— Edward. — O interrompeu. — Edward, meu pai. Por favor, me ajuda, meu pai. Pelo amor de Deus! Ajuda meu pai!
Edward olhou aquela cena a sua frente e sentiu suas pernas fraquejarem. Não era possível. Não! Não! James não podia ter envolvido Charlie naquilo.
Bella estava suja com o sangue do próprio pai e chorava descontroladamente. Ela o tinha em seu colo e pressionava a ferida na garganta dele. Edward prendeu a respiração e se abaixou, ficando na altura dela.
— Por favor, ajuda ele.
Edward havia feito faculdade de medicina na década de 80, estava entediado e queria tentar algo diferente, ele e Alice fizeram juntos, queriam ver até que ponto conseguiriam ficar perto de sangue humano, claro que Carlisle sempre os supervisionava. Então Edward tinha uma noção de medicina e sabia que Charlie não iria sobreviver por muito mais tempo.
— Eu sinto muito, Bella, mas acho que...
— Não! Não! Não! — Ela se proibia de ouvir o que Edward queria lhe dizer. — Por favor, Edward, salva ele! Me ajuda! Por favor, me ajuda! Não deixa ele morrer, pelo amor de Deus! — Ela implorou, olhando dentro dos olhos dele com tanta intensidade que ele sentiu um frio percorrer sua espinha ao compreender o que ela lhe pedia.
— Bella. — Ele ofegou. — Eu...
— Por favor, Edward! Por favor! Me ajuda! — Soluçava de tanto que chorava. — Me ajuda! — Edward sentia seu coração despedaçado.
Ela havia acabado de perder sua mãe não tinha nem sequer uma hora, não aguentaria perder seu pai também, não suportaria. Ela não podia perdê-lo. Tinha que salvá-lo. Suas feridas estavam abertas e cobertas de sal grosso. Sentia seu coração queimando em brasa e o oxigênio arranhava seus pulmões.
— Por favor, Edward, faz parar essa dor que eu estou sentindo. Faz parar! Faz parar! Por favor, se ele morrer eu não vou conseguir. Por favor, me ajuda e faz isso parar! — Olhou para Charlie em seu colo, ainda mais pálido e quase sem vida, depois mirou seus olhos mais uma vez em Edward. — Transforme-o em vampiro.
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