Garota Problema
12 Capítulo 12 — Dançando com o medo
Notas iniciais
Bella caiu sentada no chão e empurrou o rapaz com as plantas dos pés, em seguida engatinhou para longe dele e levantou cambaleando. Correu em direção a moto, mas alguém a puxou pela mochila, a jogando para trás, ela sentiu seus pés saírem da estrada e seu corpo ser arremessado em direção as arvores que cercavam a BR.
Ela gemeu ao sentir o impacto em suas costelas, notou que bateu a cabeça e seu couro cabeludo começou a sangrar.
— Não, não. — Ela começou a chorar em desespero e tentou procurar seu celular, mas tinha caído no chão, onde o estranho estava caído, mas já não havia mais vestígios dele.
Bella se levantou, com certa dificuldade, apoiando-se nas arvores e voltou para a BR, precisava alcançar sua moto. Viu que estava sozinha, mas sabia que aquilo não era verdade, ela sentia olhos sobre ela. O desespero tomou conta de seu corpo e ela correu como pôde em direção ao celular e ao capacete no chão, depois foi até a sua moto.
Contudo, algo – alguém – a empurrou novamente, antes que chegasse na moto, e ela voltou para o chão; olhou assustada ao redor, mas não tinha ninguém, porém ela sentiu alguém a empurrando sim.
— Quem está ai? — Gritou. — Me deixa em paz. — Se levantou novamente e dessa vez alcançou a moto, mas antes que a ligasse, o rapaz apareceu, em pé ao seu lado, e colocou a mão por cima da dela, no guidom da moto.
— Olá. — A voz aveludada trazia consigo um tom de morte.
Bella gritou e ele sorriu, aquilo era som para seus ouvidos. Suas presas surgiram e ele a puxou para mais perto de si, com a intenção de cravar seus dentes no pescoço da morena, mas antes que a perfurasse, o rapaz foi abruptamente lançado para longe.
Bella estava confusa, assustada e em choque. Olhou na direção do rapaz e ele estava caído no meio da estrada.
— Vá. — Sibilou seu salvador.
Ela olhou para o lado e notou que quem havia arremessado o rapaz para longe fora Edward, ele estava ensopado e em sua camisa havia largas manchas de sangue. Bella abriu os lábios, mas nenhum som saiu deles, ela estava aterrorizada. O que aquilo tudo significava? O que estava acontecendo? Quem era aquele rapaz que a atacou? Por que Edward estava sujo de sangue?
— Vá! — Edward gritou ao notar que o rapaz já estava em pé.
Bella colocou o capacete e ligou a moto, saindo da BR 19 as pressas, as lágrimas ainda banhavam seu rosto e seu coração acelerado lhe dizia que ela corria grande perigo.
— Você. — O rapaz disse, se aproximando, com os olhos semicerrados.
— Será a última vez que nós nos veremos e eu prometo que farei valer a pena. — Edward sorriu diabolicamente. — Apreciarei sua morte da melhor forma possível. James.
~*~*~
Bella estacionou a moto e entrou em casa, ela subiu as escadas correndo e se trancou no quarto, jogou sua mochila no chão e fechou a janela, colocando a tranca e puxando as cortinas.
Ela foi para seu banheiro privativo e retirou as roupas ensopadas, a agua do chuveiro se misturou com o sangue em sua cabeça, fazendo uma pequena poça rosa ao redor de seus pés descalçados. As lágrimas ainda desciam por seu rosto e suas pernas pareciam gelatinas, seu estomago revirava loucamente e ela tinha a sensação de que desmaiaria a qualquer momento.
— Bella?
Ela prendeu o grito que ameaçou sair de sua garganta ao ouvir seu nome, mas respirou, controlando-se.
— Oi, pai. — Ele estava atrás da porta do quarto. — Estou no banheiro.
— Eu ouvi a porta da frente, o que houve?
— Nada. — Gritou de volta. — Eu achei ter escutado um barulho, mas não era nada, está tudo bem.
— Quando for assim me chama, Bella, pode ser perigoso. Deus! — Ele se afastou, chateado pela falta de cuidado da filha.
Bella suspirou, escorregando pelo azulejo e abraçando as próprias pernas enquanto a agua lavava seu sangue e suor, mas não seu medo e agonia.
Aquela foi a pior noite da vida de Bella, por um momento ela cogitou a ideia de ir até o quarto do pai e pedir para que dormisse com ele, pois seu coração não desacelerava e suas mãos continuavam geladas, os sintomas do medo ainda percorria cada célula de seu corpo.
Já passava das três da manhã e ela não conseguia tirar as imagens da noite horrenda que tivera. Ela resolveu pegar seu notebook, ignorando seu estomago que reclamava por comida, mas de jeito nenhuma ela conseguiria sair de seu quarto, ela tinha a sensação de que a qualquer momento um demônio fosse aparecer e toma-la para si. Só a ideia fazia cada pelo de seu corpo se eriçar.
Ela buscou por coisas sobrenaturais na internet e, sinceramente, não sabia por que estava fazendo aquilo, pois a cada relato que lia ela ficava mais aterrorizada.
Por fim ela alcançou um artigo sobre vampiros, mas ela não aguentou ler até o fim e fechou o notebook com agressividade. Sua garganta secou, ela precisava de água, mas não sairia de debaixo das cobertas.
Aos poucos foi sentindo seu corpo clamar por descanso, assim como sua mente – ela tinha medo de ter pesadelos –, porém não pôde mais ir contra o sono e acabou sendo derrotada.
~*~*~
Charlie chamava Bella do andar de baixo há 5 minutos e nada dela aparecer, então resolveu subir e checar se estava tudo bem.
— Filha? — Bateu na porta, mas não obteve resposta. — Bella? — Falou mais alto e puxou a maçaneta, entrando no quarto.
Tudo estava quieto e bastante escuro, ele acendeu a luz e caminhou até a cama dela.
— Bella? — Ele franziu o cenho. Sua filha não se atrasava para o colégio, pontualidade era seu forte, então ela ainda estar deitada na cama, coberta até a cabeça, realmente era muito preocupante. — Bella? — Ele a cutucou e ela gemeu. — Filha, perdeu a hora? O que houve?
— Apaga a luz. — Pediu.
— Vou abrir a cortina então e...
— Não! — Gritou, retirando o edredom do rosto e cobrindo os olhos com a mão, por conta da claridade.
— O que aconteceu?
Ela tossiu e ele se aproximou, colocando a mão na testa dela, estava queimando.
— Deus, Bella, você está com febre.
— Acho que estou um pouco resfriada.
— Vou te levar para o hospital.
— Não precisa, pai. Só preciso descansar, me traz uma aspirina. — Voltou a deitar. — E água, muita agua.
— Nada disso, você vai para o hospital.
— Por favor, pai. — Gemeu em desgosto, não queria sair de casa por um bom tempo. — Eu só quero dormir, estou cansada. — Sua cabeça ainda latejava no local onde havia machucado, contudo, felizmente, notou que não precisaria de pontos.
— Vou ficar com você, então. — Ele sentou na beirada da cama e ela sentiu seu coração se aquecer.
— Obrigada, pai. — Se jogou em cima dele, fazendo-o se debruçar na cama na diagonal.
Ela não queria sair, não queria ficar sozinha, só precisava do seu pai na mesma proporção em que precisava que tudo aquilo fosse um pesadelo.
~*~*~
Infelizmente, Charlie só pôde ficar o período da manhã com Bella, pois ele precisava comparecer à delegacia, pois surgiram duas ligações de pessoas desaparecidas e sobre ataque de animal na floresta. Estava um caos a cidade e ele precisava fazer muita coisa. Mas antes de deixa-la, ele lhe trouxe remédios, lhe preparou uma coisa liquida e muito salgada, que Bella tomou sem reclamar, apesar de querer muito jogar aquela tigela na parede, mas tudo bem, com a fome que estava...
Charlie também foi até a lanchonete e avisou ao senhor Johnson que Bella não iria aquela tarde ao trabalho. Ele deixou o celular dela ao lado da cama, pois qualquer coisa que acontecesse era para ela ligar pra ele sem pestanejar. Ele também deixou sobre seu criado mudo um sanduiche e suco de laranja, que comprara na lanchonete, isso sim Bella comeu com bastante gosto.
Ela acabou dormindo depois que seu pai saiu e quando acordou já passava das três da tarde. Ela sentia seu corpo dolorido e muito suado, seu quarto estava todo trancado, nenhuma brechinha de ar, pois ela ainda temia pelo pior. Resolveu tomar um banho, mas antes sentiu uma forte necessidade de ouvir a voz de uma pessoa.
Pegou o celular e discou o número rapidamente, enquanto chamava, uma ideia piscava em sua mente. Talvez fosse a hora de voltar para Jackson, sim! Ela e seu pai sabiam que seria por pouco tempo sua hospedagem, ela estava apenas dando privacidade aos recém casados, Phil e Renée. Já fazia um pouco mais de um mês, talvez fosse um bom tempo, isso, talvez ela pudesse sair daquele lugar e fazer com que seu pai a visitasse sempre, pois nunca mais pisaria os pés em Forks.
— Alô?
— Oi, mãe. Sou eu, a Bella.
— Oi, querida. — O coração da morena pulou e seus olhos arderam, era tão bom ouvir a voz de sua mãe.
— Tudo bem?
— Tudo sim e com você? Sei que da última vez que nos falamos...
— Tudo bem, tudo bem. — Bella a interrompeu, não queria falar sobre aquilo, não queria lembranças ruins, não mais. — Estava pensando se já não seria uma boa hora para eu voltar. — Fungou, limpando as lágrimas que molhavam seu rosto.
Renée fez silencio do outro lado da linha. Ela apertou o celular na mão, aquele não era o plano.
— Mas mal faz um mês, Bella.
— Ah, mas eu acho que já ‘tá bom. — Sorriu nervosamente. — Lua de mel de um mês, acho que...
— Bella. — Foi a vez de Renée interrompê-la, não aguentaria ouvir mais nada, precisava contar de uma vez.
— Está tudo bem, mãe?
Renée respirou fundo e olhou na direção da sala de estar, onde Phil ria com a linda garota de cabelo louro.
— Chloe se mudou para cá há duas semanas.
Bella ficou em choque, não sabia o que pensar, as lágrimas vieram com força total, ela sentia seu coração se destroçar em mil pedaços. Nunca havia sentido dor igual àquela, ela sabia que um dia alguém partiria seu coração, mas nunca imaginou que esse alguém fosse ser sua própria mãe.
— Por isso você insistiu para que eu viesse para Forks? Por isso, mãe? Pra vocês terem a chance de colocar essa garota no meu lugar? Esse sempre foi o plano, não é? — Sua voz aumentou uma oitava e seu peito subia e descia rapidamente. — Ela sempre foi a filha perfeita! Você sempre a preferiu! Eu não danço, eu não tenho bons modos, eu não sou uma princesinha!
— Bella, calma, não é assim, eu... — Suspirou, sabia que a filha não teria a melhor reação do mundo, mas também não precisava daquilo tudo.
— Eu te odeio! — Vociferou e jogou o celular na cama com força, fazendo-o quicar e em seguida cair no chão.
Bella chorava tanto que soluçava. Se sentia traída!
Seu celular tocava insistentemente, mas ela ignorou, nunca mais queria falar com a sua mãe, ela já havia feito sua escolha, agora ela que a esquecesse.
A campainha tocou e ela prendeu a respiração, sentindo sua pele queimar e seu coração acelerar. Não, ela não iria se mover, ela não iria abrir a porta para ninguém, precisava se esconder seja lá do que existisse no mundo.
Tocaram mais uma vez.
E mais vez.
Contudo, desistiram.
Ela soltou a respiração lentamente e tentou se acalmar, no entanto, um barulho na janela a fez soltar um grito.
— Bella, sou eu. Abra. — Edward sibilou do outro lado.
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