Vietnã tinha reencontrado seus antigos amigos que eram também a sua “família”. Ninguém tinha esquecido o período negro de suas histórias e por isso, ela não sabia ao certo se ainda eram amigos ou se um dia ela conseguiria fazer tudo voltar como era antes. Com China foi diferente, pois ele era animado e era o que mais queria estabelecer e reconstruir relações, mas ainda assim havia certa desconfiança sobre seu superior.

Superiores, eles é que impedem as nações de fazerem alguma besteira ou eles é que fazem a merda e as nações têm que se virar para repará-las. Se não fosse pelo superior de China, ele conseguiria restabelecer suas antigas amizades com mais facilidade e se não fosse pelo superior de Coréia do Norte, ele poderia voltar a ser irmão do Coréia do Sul, sofreria menos e seria menos ridicularizado, se bem que com seu novo superior era praticamente impossível.

Apesar de China, Coréia do Sul, Tailândia e Taiwan praticamente implorarem para ela sentar com eles, ela preferia sentar perto de Coréia do Norte. Talvez por que fosse mais realista ou talvez por pena.

- Você sente falta do seu irmão? – Percebendo o total silêncio do norte coreano, resolveu mudar de tática. – Tudo bem, eu entendo que não queira responder, afinal, passamos por tanta coisa ruim que o que mais queremos é enterrá-las no passado e nunca mais olhá-las, mas por mais que a gente tente, não conseguimos esquecer, certo? – Ela deu um sorriso triste.

- Nós somos diferentes, Vietnã. Você ainda tem chance de voltar a falar com os outros. Até com aquele porco americano você tem chance. Já eu sou diferente. Se mesmo dividindo um apartamento com o meu irmão não nos olhamos nos olhos, com o resto do mundo não será diferente.

- E não esqueçam, quero esse relatório de custos para amanhã. – Anunciou Gália fazendo a sala inteira parar de conversar.

- Que relatório?! – Desesperou-se Coréia do Sul.

- É para amanhã?! – Perguntou Tibet já nervoso.

- Mas é muito pouco tempo! – Reclamou Mongólia.

- Vou ter que ficar acordada à madrugada toda e perder o meu sono! – Disse Taiwan.

- E eu não entendo muito de custos, ah cara! – Resmungou Tailândia.

- Fudeu! – Exclamou Nepal.

- Só assim para vocês pararem de conversar e prestarem atenção, seus safados. – Disse Gália em tom de brincadeira, mas depois ficou séria. – Não tem relatório nenhum.

A classe não sabia se respirava aliviada ou se reclamava para a professora nunca mais assustá-los daquele jeito. Gália riu das expressões dos alunos. Com certeza era mãe do França, não precisava nem de exame de DNA.

Quando a aula terminou e tiveram que se encaminhar para a aula de economia doméstica, descobriram que o corredor principal estava em obras, pois alguém tinha bombardeado o corredor e teriam que ir por outro caminho. Os outros estavam lotados, porém eram os mais curtos. Vietnã preferiu pegar o caminho mais longo, assim teria menos trânsito. Não demorou para que se ficasse sozinha e tivesse que parar para deduzir qual caminho deveria seguir.

A escola era enorme, cheia de salas, corredores e até mesmo passagens secretas que ninguém sonhava que existiam. Nem Roma e nem Cartago sabiam disso. A escola tinha sido projetada e construída por Suméria e ela amava passagens secretas, câmaras ocultas e lugares grandes que convidavam os outros a explorar e só ela conhecia todos esses lugares.

- Está perdida? – Perguntou um garoto aparecendo atrás dela, literalmente saindo do nada, fazendo-a de virar e encará-lo.

- Não se preocupe, não vamos te fazer mal. – Disse uma garota atrás dela aparecendo da mesma forma que o outro.

- Eu sou Ártico!

- E eu sou Antártida!

- E nós somos os padrinhos mágicos da World Academy! – Disseram os dois em uníssono se juntando e fazendo pose.

- Por nos encontrar, você ganha um prêmio. – Disse Antártida entregando uma moldura a Vietnã.

- É só virar à direita e descer a escada que você volta ao seu caminho normal. – Disse Ártico indicando o caminho.

- Até a próxima!

Os dois entraram em um corredor e sumiram de vista, deixando Vietnã incrédula com o que acabou de acontecer. Ela olhou moldura que tinha em mãos e viu que nela havia uma foto de dois garotinhos brincando e pareciam ser muito unidos. Um deles tinha cabelo curto, um fio de cabelo enrolado de forma estranha para cima e usava um hanbok predominantemente branco e o torso azul e ou outro tinha o cabelo comprido preso em uma trança, um fio de cabelo enrolado de forma estranha para baixo e usava um hanbok predominantemente branco e o torso vermelho. Eram Coréia do Sul e Coréia do Norte quando mais novos.

Os dois pareciam muito unidos e agora se comportavam como estranhos. Foi então que Vietnã decidiu. Iria fazer esses dois fazerem as pazes nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. Guardou a moldura e seguiu a direção que Ártico informou.

Seychelles estava na sala, que mais parecia um campo de guerra. A professora Saxônia tinha ido resolver um problema e Classe África tinha ficado trancada na sala. Ela queria sair, mas tinha medo porque antes da professora sair de sala, ela ouviu o barulho de bombardeio e tiros pesados.

A Classe África mergulhou em um caos sem tamanho. Os países queriam resolver seus conflitos na base da porrada. Ela não sabia mais o que fazer.

- Hei, garota. Vai ficar debaixo da mesa até quando? – Perguntou Somália. – Venha comigo.

Sem entender, ela foi com ele. Somália pulou pela janela, seguido de Seychelles, que teve muita dificuldade. Ambos estavam do lado de fora.

- Finalmente, agora é só matar aula e tomar cuidado com o Anglos.

- Quem é Anglos?

- O inspetor geral dessa joça. Bem, agora eu vou ver o que de fato aconteceu. Te vejo por aí.

Somália se distanciou e Seychelles se viu sozinha. Ela pensou em explorar o resto da escola. Ela voltou para o prédio e começou a explorar os corredores.

- Hei você! Não devia estar na aula? – Disse Anglos, o inspetor.

- É que a professora Saxônia saiu, então...

- Pensou que podia andar pelos corredores sem ser notada?

- Desculpe senhor.

- Vai pegar detenção.

- Eu sou nova aqui e não conheço nada daqui.

- Vou ter que te levar para a detenção e aproveito e te mostro o lugar. Eu poderia deixar passar, mas tivemos grandes problemas hoje e o vice-diretor não quer mais nenhum problema, mesmo os irrelevantes.

Seychelles pensou em perguntar a ele que tipo de problemas, mas Anglos foi mais rápido e mostrou a escola a ela. Ele teria que voltar ao trabalho. Seychelles foi deixada na sala da detenção e novamente foi trancada. Na detenção, ela encontrou um monte de gente usando turbante e gritando uns com os outros e dois rolando pelo chão. Num canto tinham dois homens também de turbante e arrependidos de estarem ali. Em outro canto tinha um trio morrendo de dores musculares, formado por um loiro de olhos azuis, um moreno de olhos verdes e um albino de olhos vermelhos. Ela sentou perto do trio.

- Hei, novata, o que faz aqui? – Perguntou o albino.

- Como sabe que eu sou nova?

- Você é nova no colégio? Ele quis dizer nova na detenção. – Disse o moreno.

- Hã? – O cérebro da pequena estava demorando a processar as informações.

- O que ele quis dizer petit, é que conhecemos todos os alunos que vêm para a detenção porque estamos entre eles. – Esclareceu o loiro.

- Entendi. – Disse Seychelles por fim.

- E propósito, eu sou França, o sorridente é o Espanha e o albino é o Prússia.

- Prazer, eu sou Seychelles.

- Nós não te vimos na sala. – Começou Prússia. – Você está aqui há quanto tempo?

- Dois dias.

- De que Classe você é? – Perguntou Espanha.

- Classe África, mas me deram esse uniforme porque os uniformes da Classe África são grandes demais.

- Fala aí, trio. – Um moreno mascarado se aproximou do grupo.

- Turquia, o que você fez dessa vez? – Perguntou França.

- Eu não fiz nada! Quando cheguei na sala, recebi a notícia de que Germânia estaria fora o dia todo e Israel e Palestina resolveram se matar.

- Novidade. – Disse Prússia revirando os olhos.

- Para mim, isso é falta de sexo. Esses dois podiam ir para a cama de uma vez. – Falou França antes de ser acertado por um tijolo e uma granada.

- Israel e Palestina são aqueles dois rolando pelo chão tentando matar um ao outro. Palestina usa turbante e Israel usa um kipá. – Espanha explicou a Seychelles.

- Equipar o que? – Ela tinha entendido errado e Espanha capotou.

- Kipá é aquele chapeuzinho que os judeus usam.

- Ah ta.

- Como se não bastasse isso, Irã e Iraque tiveram que se lembrar da guerra Irã-Iraque e bombardear um ao outro! – Continuou Turquia. – Esses quatro destruíram a sala e o corredor e eu que não tenho nada a ver com isso, estou aqui.

- Não só você, vejo gente nova lá no canto. – Disse Espanha.

- Líbano e Iêmen? – Disse Turquia. – Aqueles dois estão no mesmo barco que eu. Malditos Arábia, Emirados e Bahrein. Eles devem ter visto a notícia pelos I-Phones e vazado antes de vir a público. As garotas vazaram depois que receberam. E vocês?

- Tentamos matar aula da Assíria. – Começou Prússia. – Mas ela nos descobriu e além da aula, nos deu detenção.

- Até que a sala está vazia hoje. – Comentou França. – Está faltando Somália, Argélia, Líbia, Índia, Paquistão, Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Dinamarca, Sudão, Sudão do Sul, Serra Leoa e Ruanda.

- Quem é a novata? – Perguntou Turquia reparando em Seychelles.

- É a Seychelles, ela está aqui por que... – Espanha parou por um instante. – Por que está aqui mesmo?

- Fui pega fora da sala de aula.

- Só isso?! – Espanha arregalou os olhos.

A porta foi destrancada e por ela entrou Assíria de mau humor. Ela seria o carrasco deles durante toda a detenção.

Enquanto isso, o resto da Classe Europa estava na enfermaria. Celtic odiava quando Assíria dava aula de mau humor, pois ela massacrava os alunos e a ruiva tinha muito trabalho. Por mais que sua magia celta a ajudasse, a enfermaria não dava conta de tantos alunos e alguns tinham que esperar do lado de fora. Seria um trabalho demorado, mas ela não se importava.

Irlanda tinha aprendido muito com sua mãe e também fazia uso da magia celta. Ela não precisou ir para a enfermaria e aproveitou para cuidar de Irlanda do Norte e Gales. Inglaterra e Escócia que ficassem com os ossos quebrados. Os três iam para casa descansar.

- Eire, eu ainda não acredito que você não cuidou do Scott e do Arthur.

- Irlanda do Norte, você não viu que sua irmã está esgotada tanto da aula de educação física quanto de fazer uso da magia para nos curar? – Disse Gales carregando Irlanda no colo, pois ela mal conseguia andar.

- Ah é, eu esqueci que isso exige muito do usuário. – Disse Irlanda do Norte com um sorriso bobo.

- Só você mesmo, Tuais. – Disse Irlanda.

- Tuais?

- É parte do meu nome. Assim como minha irmã é conhecida por Eire e não Irlanda pelos irlandeses, eu sou conhecido por Tuaisceart Eireann.

- Tuais para simplificar. – Disse a garota ao galês.

- Vocês são inacreditáveis.

- Isso por que não sabe como ele é conhecido em scots de Ulter. Norlin Airlann.

- Eire, você sabe que eu não gosto desse nome!

- Sério? Não reparei Norlin.

- Eire!

Irlanda do Norte estava com o rosto vermelho de vergonha. Se Gales contasse a Inglaterra, sua futura vida amorosa estaria perdida, e se contasse a Escócia, sua vida social estaria perdida. Claro que Irlanda adorava provocar o irmão com esse nome e o outro se envergonhava. Gales estava literalmente no meio de duas crianças, pois tanto Irlanda quanto Irlanda do Norte estavam agindo com infantilidade. Depois os dois começaram a rir que nem uns retardados. Eles se entendiam.

Finalmente veio o fim das aulas e o tão esperado fim das detenções. Iêmen pôde buscar Egito no apartamento de Omã. Ao contrário de Egito, Iêmen não ficou surpreso pelas roupas da omani, para ele era normal.

- Quem diria, Sibila. Vizinhos de novo.

- Pois é. Coincidência, não? Por que você ficou na detenção?

- Irã e Iraque resolveram bombardear um ao outro pelo que aconteceu na Irã-Iraque. Juntando esses dois com as brigas de Israel e Palestina, era óbvio que o corredor e a sala seriam destruídos. Sorte que a Suméria reconstrói tudo rapidinho.

- É a professora de Arquitetura, engenharia e infraestrutura, não? Jordânia me falou dela.

- É sim. Foi ela quem construiu a escola. Ela poderia ter construído esse complexo também, mas não a deixaram. Bem, como está o Egito?

- Melhor. Basta descansar o resto do dia e amanhã de manhã vai estar saudável.

- Seus remédios fazem milagres.

- Não foi nada. O que ele teve não foi grave.

- Também ele se mata de trabalhar, estudar e dorme muito mal. Eu já cansei de falar para ele que não precisa fazer isso e me deixar pagar as contas sozinho.

- Eu ainda estou aqui. – Disse Egito ainda no sofa.

- Eu sei e volto a dizer, pare de se matar! Eu posso pagar as contas sozinho, se preocupe com você.

- Não quero ser um fardo enquanto você faz tudo sozinho. Eu insisto em te ajudar.

- Eu admiro isso, sério, mas se você continuar se esforçando desse jeito e exigindo mais do que seu corpo pode aguentar, vai acabar se matando. Falo isso porque eu me preocupo com você.

- Se Yusuf está falando isso é porque é verdade. Ele não se preocupava com ninguém além de mim.

Iêmen corou e arregalou os olhos, Egito teve que se conter para não rir da cara que ele fez. Os dois se despediram da garota e foram embora.

Notas finais
Gália era como a França era conhecida no passado.
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Somália se parece com um pirata por causa dos recentes casos de pirataria em sua costa.
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Kipá é o chapeuzinho que os judeus usam nas sinagogas e apenas os homens usam.
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A guerra Irã-Iraque ocorreu entre 1980 e 1988 e teve disputas políticas e territoriais. O Irã foi apoiado por Síria, Líbia e Coréia do Norte e o Iraque foi apoiado por Arábia Saudita, Egito, Brasil e Estados Unidos (acreditem se quiser). A União Soviética inicialmente apoiava o Iraque e vendia arma para ele, mas após o crescente apoio dos EUA, a URSS passou a apoiar o Irã. Iraque e Irã só se reconciliaram e estabeleceram relações diplomáticas em 1990, quando o Iraque resolveu invadir o Kuwait.
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Eire é o nome que está na constituição da Irlanda e os próprios irlandeses chamam o país assim. Também pode ser chamada de República da Irlanda ou Ireland (em inglês).
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A Irlanda do Norte tem 3 nomes oficiais e mais conhecido Northern Ireland (em inglês), Tuasceart Eireann (para os irlandeses e alguns norte irlandeses) e Norlin Airlann (pelos scots de Ulter, também conhecidos como os escoceses das terras baixas).