Gakuen Hetalia 2.0
31 Capítulo 31
Era domingo, dia de descanso, mas para os estudantes da World Academy nenhum dia era dia de descanso. Não havia um dia que tivesse alguma complicação.
Groenlândia tomava café com seu irmão. Nenhum dos dois tinha tocado no assunto da noite anterior, embora Dinamarca estivesse ansioso para isso e sua cara não fosse das melhores.
– Bror, você está chateado?
– Chateado? Por que você acha isso?
– Por ontem.
– Eu não estou chateado, Green. – Disse dando um grande e acolhedor sorriso.
– Desculpe por ter feito você correr atrás de nós como um louco.
– Ora, que isso. Ao menos foi divertido. Pude escutar a sua risada algumas vezes.
– Sim, foi divertido.
– Para ver você feliz, eu não me importo de rodar pelo shopping feito um peru. Você voltou para casa sozinha?
– Não, eu voltei com o grupo, depois nos separamos, Ice me trouxe aqui e... – Nessa hora, ela inconscientemente levou as pontas dos dedos até os lábios.
– Greta, você está bem? Aconteceu alguma coisa?
– O Emil me beijou.
Nessa hora, Dinamarca tinha ficado em choque, mas quando se recuperou, a calmaria que ele tinha adquirido tinha ido para o espaço. Ele se levantou espumando pela boca.
– EU VOU MATAR ESSE FILHO DA MÃE! – Ele só não correu para a porta porque Groenlândia o abraçou firmemente pelas costas, como ela tinha força para carregar baleias, conseguiu contê-lo. Dinamarca virou um chibi raivoso.
– Bror, se acalme!
– Como ele ousa beijar a minha pura e inocente irmã! Eu vou matá-lo!
– Mathias Køhler, você não irá matar ninguém!
– Então o Hewie mata! Pega ele, Hewie!
– GRRRRRR AUWF! – Rosnou correndo para a porta.
– Hewie não! – O lobo branco parou imediatamente. – Bror, por que você está tão enciumado assim?
– Eu não estou com ciúmes!
– Está sim! Está até gritando comigo!
– Desculpe, Green. – Disse parando de se acalmando e voltando ao tamanho normal. Em seguida ele se virou para Groenlândia e afagou sua cabeça. – É que eu não consigo imaginar um garoto com você. Eu sou o seu irmão mais velho, meu trabalho é cuidar de você e te proteger.
– O que de pior pode acontecer?
– Vocês podem transar, ele pode te magoar e você vai ficar grávida, depressiva e vingativa!
– Você andou vendo novela de novo?
– Eu digo por experiência própria.
– Você engravidou alguém?!
– Não! É que... Ah, como eu vou te explicar?
– Bror, eu não estou entendendo nada. Se você quer falar algo comigo, pode falar.
– Está bem. – Disse se soltando dela, a sentando no sofa e ficando de frente para ela. – Vamos falar sobre sexo.
– O-O que?! – Disse ultra-vermelha e com os olhos arregalados.
– Eu queria esperar mais um ou dois séculos, mas pelo visto você está crescendo rápido demais, daqui a pouco vai me pedir independência.
– Eu jamais faria isso!
– Está falando de sexo ou independência?
– Dos dois! – Disse abaixando a cabeça e ficando mais vermelha ainda, como se fosse desmaiar a qualquer momento com o rumo daquela conversa, mas Hewie subiu no sofa e acomodou suas patas e sua cabeça no colo da dona.
– Ah, sim. Bem, eu não sei se tem algum livro de autoajuda que possa explicar, mas eu gostaria de conversar com você sobre isso antes. Green, uma hora isso vai acontecer. Pode não ser agora, pode não ser com o Ice, mas um dia você vai fazer sexo. Se esse dia chegar e não estiver pronta para isso ou não quiser, quebre o infeliz ao meio e se ele te magoar, lembre-se, você sempre terá a mim e ao Hewie para caçar o infeliz até o inferno.
– Eu vou me lembrar disso. – Disse dando um pequeno sorriso e afagando a cabeça do lobo, que tinha a cabeça levantada como se estivesse concordando com Mathias. – Que jeito estranho de começar o dia.
– Pois é. Vamos falar disso mais tarde, está bem?
Greta assentiu. Conversar com Mathias não era fácil, mas também não era impossível, como os outros nórdicos acreditavam.
Vietnã acordou no quarto de América sem roupa alguma. O lugar estava todo quebrado, inclusive a cama. Eles tinham tido sorte de não quebrarem outra parede ou o chão. ela se vestiu e foi para a cozinha, onde encontrou América, Canadá e Wy sentados à bancada e Zealand cozinhado algo.
– Good Morning! – Disse América.
– Bon jour. – Disse Canadá.
– Morning! – Disse Zea no seu melhor humor.
– Bom dia! – Disse Wy.
– Bom dia. – Disse Vietnã se sentando na cadeira.
– Prontinho. – Disse Zealand pegando os pratos. – Ovos com bacon e rosquinhas para o América, panquecas para o Canadá, arroz para a Vietnã, sugestão do América, suco de laranja todo mundo e pavlova de kiwi para mim e para a Wy.
– Oba! –Exclamou a micronação devorando a pavlova.
– KIWI?! – Exclamou o americano.
– A fruta, não a ave. – Explicou o canadense.
– Ah!
– Alice, isso é o que vocês comem de café da manhã? – Perguntou Matthew.
– Não, é uma sobremesa, mas é que adoro pavlova de kiwi, depois da batata doce. Será que se eu fizer uma pavlova de batata doce fica bom?
– Tudo o que você cozinha de bom humor fica uma delícia, Alice! – Disse Kaelin.
– E o que acontece quando ela cozinha de mau humor? – Perguntou Lien.
– Ela explode o fogão e a cozinha pega fogo. – Os olhos de Canadá e Vietnã se arregalaram com a resposta de Wy.
– Dude, isso está uma delícia! — Exclamou América comendo feito um esfomeado. – Hei, Alice, você deveria dormir aqui mais vezes.
– Pode deixar! – Disse batendo continência enquanto Canadá quase derrubou o vidro de mapple syrup enquanto pensava o quanto estaria ferrado.
– Você não tinha medo dela? – Perguntou a vietnamita.
– Mas ela cozinha bem. – Respondeu o americano.
Austrália e New tinham acordado com o cheiro e atravessaram o buraco.
– Isso é pavlova de kiwi? – Perguntou New.
– Sim. – Respondeu Zea. – Quer um pouco?
– E ainda pergunta? – Disse se sentando ao lado da irmã e pegando um prato.
– Amantes de kiwi. – Resmungou Austrália. – O que tem para mim?
– Se vira folgado! – Dessa vez quem exclamou foi Wy, arrancando risos de todos e deixando Austrália resmungando e tendo que se virar na cozinha.
Na casa dos Irlandas, Gales tinha sido recebido por Irlanda. Para a sua felicidade, ela tinha voltado ao normal.
– Casey, que surpresa. Já ia sair e encontrar a Bella. Vamos ao shopping devolver as roupas que alugamos.
– Deveriam incinerar.
– E perder a chance de traumatizar o Iggy e o Scott de novo? Nem pensar.
– Seu irmão está?
– Sim, está no quarto dele. Eu vou indo. Beannacht.
Irlanda andou rumo ao elevador enquanto Gales entrava no apartamento. Ele foi até o quarto do mais novo.
– Casey, o que faz aqui?
– Vim ver se está tudo bem com você.
– Claro, e por que não estaria?
– Você tem evitado a mim e ao Inglaterra.
– Isso não é verdade! – Disse desviando o rosto.
– Você não sabe mentir. O que está te incomodando?
– Nada.
– Você ouviu a nossa discussão, não ouviu?
– O que te faz pensar nisso?
– Porque foi depois que ela ocorreu que você decidiu evitar ao máximo a nossa presença. Bem, eu já vou. – Disse se encaminhando para a porta do quarto.
– Espere. – O outro parou. – Você não tem nada a dizer?
Gales foi pego de surpresa. Lógico que ele estava curioso e queria saber o que Irlanda do Norte achava daquilo tudo, mas ao mesmo tempo estava preocupado com o menor e não queria causar desconforto ao outro ou pressioná-lo. Ele não sabia o que dizer e isso o deixava louco, pois Gales sempre sabia o que dizer e resolver até as situações mais complexas. Por que justamente seu meio-irmão caçula o fazia se sentir assim? E desde quando ele sentia alguma coisa?
– Não. – Disse por fim.
– Vovô tem razão. – O mais novo deu um riso curto. – Você tem muita dificuldade em lidar com sentimentos e às vezes parece o robocop.
– Eu não pareço o robocop! – Disse se virando. – E não tenho dificuldade em lidar com meus sentimentos. – Disse cruzando os braços e fazendo o mais novo rir.
Nunca tinha visto Gales assim antes. Geralmente ele só deixava sua expressão impassível quando alguém falava da cor do seu cabelo ou quando o caçula ou sua irmã usavam Goch como um Pokémon. O que o seu avô disse sobre os Kirklands? Ah, sim. Disse que ou eram pau no cu ou eram cu doce, já que desconhecia o termo tsundere. Será que todos os Kirklands eram, de alguma forma, tsunderes? Se fosse o caso, Irlanda do Norte estava grato por ser meio Rosemond.
– O vovô disse que os Kirklands não sabem lidar com sentimentos. Talvez você tenha herdado isso.
– Se eu herdei, você também, já que temos o mesmo pai.
– Mas devo lembrá-lo de que sou meio Rosemond e minha mãe e minha irmã são muito mais emotivas que o nosso pai e a sua mãe também não é um exemplo de emoção. – Disse dando um sorriso travesso que fez o coração de Gales disparar.
O mais velho não pôde deixar de reparar que aquele sorriso era o mesmo que Irlanda dava quando implicava com um deles e até mesmo sua tia chegou a dar um sorriso como esse uma vez. Será que todo Rosemond era assim? Se fosse, os Kirklands que se cuidassem.
– Vovô disse que os Kirklands são tsunderes.
– Charlie, o vovô não conhece esses termos.
– Os termos que ele usou foram pau no cu e cu doce, mas acho que estava tentando dizer tsundere.
– Por que eu fui falar? E eu não sou pau no cu, cu doce ou tsundere!
– Não é o que está parecendo.
Gales avançou de tal forma que quando Irlanda do Norte teve tempo de raciocinar, ele estava encostado na parede com o maior prendendo seus pulsos e com o rosto muito próximo do dele. O menor corou com tamanha proximidade, suas pernas começaram a tremer e seu coração acelerou.
– Você não está tão valente agora. – Zombou o maior.
Ele teve que morder o lábio inferior com força, mas não a ponto de sangrar, para não xingar o outro impulsivamente. Não seria ganhar fama de tsundere como os irmãos, não, tsunderes fazem muita merda e magoam as pessoas por causa de sua impulsividade. Tinha que pensar como o outro lado da família.
– O que tem a dizer? – Disse o cor de cabelo indefinida.
– Isso é tudo que consegue fazer?
Dessa vez era o outro que não tinha resposta. Esperava que o ruivo o xingasse, gritasse, esperneasse, fizesse um barraco, mas não, ele tinha que ser provocativo. Gales sorriu, então isso era algum tipo de jogo? Ele também sabia jogar. Aproximou os lábios do ouvido do mais novo e sussurrou com a voz rouca.
– Você não tem ideia do que eu posso fazer.
O mais novo se arrepiou e antes que se desse conta, o mais velho tomou seus lábios em um beijo. Não demorou para que a velocidade aumentasse e ambos tivessem que se separar em busca de ar. Não demorou para o galês retomar os lábios do norte irlandês enquanto grudava ainda mais seus corpos. Aquilo o estava excitando, mas tinha que lembrar que, apesar das tentativas frustradas de Inglaterra, ainda era a primeira vez do outro. Novamente se separaram em busca de ar. Ambos estavam vermelhos e ofegantes.
– Se você quiser parar, eu vou entender. Não irei fazer nada que não queira. Você quer mesmo fazer isso?
– E-Eu...
Ele não sabia responder, na verdade nem sabia o que queria. A pergunta o pegara de surpresa. A porta se abriu num estrondo e uma bola de pelos gigante entrou, fazendo ambos se assustarem e o mais novo se agarrar ao mais velho.
– Peguei!
– Vovô! – Gritaram os dois completamente vermelhos. – Você está pelado?! – Gritaram só notando isso agora, mas como o avô era muito peludo, os pelos cobriam boa parte do Jr monstruoso, menos a cabecinha.
– Eu gosto de andar pelado, mas esqueçam isso! Porra, de novo Charlie?! Quando é que você vai parar de fazer merda?!
– Vovô, não é isso! Casey disse que se eu quiser parar, ele vai entender.
– Eu não vou fazer nada que ele não queira. Não sou como Arthur. Eu me importo com ele.
– Finalmente você entendeu o que eu quis dizer e seguiu o meu conselho.
– Que conselho?
– Não pergunta. Ganhei alguns traumas na última conversa que tive com o vovô.
– Já que vocês dois estão se resolvendo, chegou a hora do vovô contar algumas coisas sobre sexo com vocês.
– NÃO PRECISA NÃO! – Berrou o mais novo morrendo de medo do que ia ouvir.
– Já sei de tudo acerca do assunto. Não precisa... – Disse o mais velho, mas foi interrompido pelo avô.
– Claro que precisa! Eu tenho mais experiência que vocês. Já até quebrei uma casa inteira transando com a sua avó. Três vezes.
– A gente não precisava saber. – Disseram os dois derrotados e com todas as esperanças perdidas.
– Para começar, se não querem que seus irmãos mais velhos saibam, vão para um motel, uma sala escondida da escola, um canto no jardim da escola, qualquer lugar menos aqui ou eles vão pegar vocês.
– Esse até que não foi traumático. – Disse o ruivo.
– Sala escondida? Canto no jardim?
– A escola foi construída por Suméria e os jardins foram restaurados por Babilônia. Lógico que essas duas fizeram isso com algum propósito. No caso da Suméria é desde matar aula, pegar atalhos e escapar de salas trancadas até se pegar sem ninguém saber. Já no da Babilônia é admirar a natureza, passar mais tempo ao ar livre e namorar.
– Como é que você sabe disso? – Perguntou o indefinido.
– Quem conhece Mesopotâmia e suas quatro filhas já pode imaginar o que elas pensam. Ah e usem camisinha ou então...
– Vovô, somos homens! – Protestou o mais novo. – Nós não engravidamos!
– Alguém aqui falou em engravidar? Estou falando de doenças.
– Nenhum de nós tem AIDS.
– Que mané AIDS! Estou falando de gonorreia, sífilis e herpes! Essas fodem com o pau e com o cu! Vocês vão ficar com um monte de feridas no pau e no cu, coça que é uma beleza e incomoda quando usa calça ou cueca.
– Já entendemos. – Disseram como se tivessem visto um fantasma.
– E vê se não façam merda, mas se fizerem e seus irmãos descobrirem me chamem imediatamente.
– Pode deixar.
– Ótimo. Isso encerra a nossa conversa.
– Ainda bem.
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