Era um novo dia na World Academy. Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia tinham saído de casa e encostado na parede do corredor para esperarem Dinamarca. Eles viram que a porta do apartamento de Dinamarca e Groenlândia estava entreaberta e logo em seguida ouviram a garota gritar o nome do irmão e depois iniciou-se uma discussão.

Com exceção de Islândia, ninguém nunca tinha escutado Groenlândia falar e gritar daquele jeito assustou a todos, inclusive ao sueco e ao islandês. Islândia e Finlândia foram ver o que estava acontecendo, mas Suécia puxou Finlândia pelo braço, o impedindo de se aproximar da porta. O menor entendeu que não deveria entrar e recuou para perto dele.

Noruega ficou encostado na parede fingindo que nada estava acontecendo e Islândia entrou no apartamento. Ele viu Dinamarca no meio da sala, Hewie estava em uma poltrona encarando os dois e Groenlândia furiosa em frente à porta do quarto dela. A cabeça da moça estava ereta, permitindo que visse seus olhos azuis como os do seu irmão. Ah, aqueles olhos! Como realçavam a beleza da moça! Foram poucas as vezes que Islândia foi-lhe concedido essa graça. Tão bonita, tão fofa, tão...

- MATHIAS! Onde foi que você escondeu as minhas calças?! – Os pensamentos de Islândia foram interrompidos e seus olhos se arregalaram.

- Eu já disse, søster. Eu não peguei.

- Deixa de ser mentiroso! Onde foi que você colocou as minhas calças?!

- Como você pode desconfiar de mim? Seu querido bror?

- Porque você já fez isso várias vezes.

- Hehe... – Coça a parte de trás da cabeça e nota Islândia. – Hei, Ice, há quanto tempo está aqui?

Islândia se assustou, Dinamarca parecia aliviado e Groenlândia abaixou a cabeça. Ele não sabia o que dizer e o fato que mais o incomodou foi que a garota abaixou a cabeça e escondeu os olhos.

- Eu acabei de chegar. – Respondeu Islândia.

- Ah, sim. Hora de irmos. Greta, vá se vestir. Te vejo depois! – Dinamarca saiu a passos largos.

- Odeio quando ele faz isso.

Ela foi até seu quarto e começou a procurar suas roupas. Islândia ainda estava envergonhado com a situação e o que o deixou inquieto foi que Groenlândia ignorou sua presença na sala.

- MATHIAS! CADÊ O MEU CASACO?!

- Corre negada! – Gritou Dinamarca do corredor.

Dinamarca pegou Noruega pelo braço e começou a correr. Suécia e Finlândia fizeram o mesmo antes que mais alguma frigideira fosse atirada. Islândia ia sair, mas foi impedido pela voz de Groenlândia.

- Ele já foi, não foi?

- Sim.

- Odeio quando ele faz isso.

Ela retornou ao quarto. Islândia decidiu esperá-la e acompanhá-la até a sala para tentar se redimir. Quando Groenlândia saiu do quarto, estava usando saia jeans, camisa social branca e gravata vermelha, como exigia o uniforme da Classe América, mas estava sem o blazer e seus sapatos eram botas marrons claras de frio.

Islândia não sabia o que dizer e nem pôde dizer nada, pois a garota tinha pegado sua mochila e o esperava do lado de fora para trancar a porta. Após saírem e deixarem o complexo habitacional, Islândia decidiu puxar assunto.

- Eu nunca te vi de saia.

- Eu pouco uso saia e vestido, geralmente uso mais dentro de casa. Eu ainda mato o Den.

- O que ele te fez?

- Escondeu as minhas calças, de novo, e o meu casaco também. Ele sabe que eu não gosto de ir para a escola de saia e que odeio assistir aula sem o meu casaco.

- Mas não tem um blazer no seu uniforme?

- Ele o escondeu também, além de esconder todos os meus casacos.

- Oh.

- Às vezes eu tenho vontade de colocar uma saia tão curta que possa ser considerada um cinto e sair na rua, só para ele parar de esconder minhas calças e de me obrigar a usar saia fora de casa.

Islândia olhou para as pernas dela e imaginou a cena. Além de ficar vermelho, teve que limpar o sangue que escorria do nariz e desviar o olhar.

- E por que não o faz?

- Porque eu não tenho coragem e se fizesse isso chamaria atenção das outras pessoas e eu odeio chamar muita atenção, mais até que multidões.

- Você não fala com muitas pessoas, não é?

- Claro que não. Gente estranha me apavora. Só falo com quem eu convivo mais, como foi no seu caso quando éramos crianças, das Ilhas Faroé quando Den se separou do Noruega, e América e Canadá na Segunda Guerra, fui praticamente obrigada a negociar com eles e pressioná-los para obter notícias do meu irmão.

- Mas e Dinamarca? Ele não era um estranho quando se conheceram?

- Era, tanto é que eu fugia dele, mas após algum tempo parei de fugir.

- Então por que não ergue a cabeça e me encara? Nos conhecemos há tanto tempo e...

- Apesar disso não tivemos tanto contato assim e muito menos intimidade.

- Green, não é preciso intimidade. Você precisa vencer esse seu medo e encarar as pessoas nos olhos.

- Está parecendo o meu irmão falando.

- Você confia em mim, não confia?

- Não tanto assim. – Disse tomando um pouco de distância.

- Não precisa ter medo. – Segura os ombros dela. – Eu não vou te machucar. Só basta uma olhada. Juro que não vai doer.

- Tudo bem, eu acho.

Ela tentou levantar a cabeça, mas teve muita dificuldade a ponto de Islândia colocar uma mão de cada lado de sua cabeça e erguê-la de forma que o encarasse.

- Viu, não é tão ruim assim.

Ela ficou completamente vermelha, se soltou e correu. Entrou no colégio, correu por um labirinto de corredores e se trancou no armário do faxineiro. Estava completamente envergonhada. As únicas vezes que tinha encarado um estranho ou um conhecido foram quando ela estava irritada com ele, o que era raro, mas nunca quando estava calma. Demorou um bom tempo até que pudesse encarar Dinamarca, mas só conseguia encará-lo. E agora? Como iria se desculpar com Islândia?

- Hei, é você! – Exclamou Antártida assustando Groenlândia, que achava estar sozinha.

- Por nos achar, ganha um prêmio! – Ártico deu a ela um pano todo embrulhado.

- Isso vai ajudá-la, eu espero.

- Se quiser se desculpar com alguém, sugiro que faça isso antes das aulas começarem, ou ficará ainda mais difícil se desculpar.

- Até a próxima! – Eles viraram flocos de neve e sumiram.

Ártico e Antártida podiam ser maluquinhos, mas seus conselhos eram melhores do que seu trabalho como cupidos. Groenlândia saiu do armário do faxineiro e correu para fora na esperança de encontrar Islândia. Por sorte, o encontrou na porta do colégio.

- Você está bem? Eu estava te procurando.

- Eu sinto muito.

- Não, a culpa foi minha. Não devia ter insistido para que você me encarasse. Bem, é melhor eu ir para a sala. – Começou a andar.

- Espera! – Groenlândia segurou o blazer de Islândia, o que o fez se virar e arregalar os olhos. Ao encará-la, ela não estava mais de cabeça baixa e nem escondia os olhos com a franja. – Obrigada.

- Pelo que? – Perguntou confuso.

- Por ter insistido. – Disse gentilmente antes de andar rumo a sua sala.

Liechtenstein queria apresentar Omã às suas amigas da Classe Europa e faria isso no intervalo enquanto Suíça e Iêmen se estranhavam. Omã aproveitou para apresentar Liechtenstein a Qatar e a convidou para a reunião do dia seguinte.

- Você viu a Jô? – Perguntou Qatar.

- Ela não estava com você? – Disse Omã.

- Quem é Jô? – Perguntou Liechtenstein.

- É a Jordânia, uma amiga nossa. – Respondeu a omani.

- Depois aquela desgraça aparece. – Falou Qatar. – Qualquer coisa é só mandar o Iraque procurá-la.

- O Iraque? – Perguntaram as outras duas.

- É uma longa e complicada história. – As palavras foram praticamente cuspidas por alguém que antes não estava ali.

- AAAAAAAAAAAHHHHHHHH!

- Síria, seu fantasma sem alma! Custa avisar antes?! – Exclamou Qatar.

- Fantasma sem alma? – Liechtenstein estava confusa quanto ao termo.

- Qatar fala sem pensar quando se assusta. – Explicou Síria. – Alguém viu o Líbano?

- Não.

- Nem eu.

- Quem é Líbano?

- Cadê a Jordânia numa hora dessas? – Perguntou Qatar.

- Deve estar com Iraque. – Cuspiu Síria. – Aqueles dois só não são mais unidos porque não nasceram grudados.

- Não está com Iraque. – Disse Qatar. – Acabei de vê-lo correndo atrás do Kuwait de novo.

- Alá dê-me paciência! – Exclamou Síria. – Um dia eu mato esses dois!

- Mudando de assunto, ouvi alguns comentários sobre a nossa reunião pela escola. – Comentou Qatar.

- Isso é ruim? – Perguntou Liechtenstein.

- Se chegarem aos ouvidos errados sim. É capaz dos meninos quererem nos espionar.

- Por que acha isso, Qatar? – Perguntou Omã.

- Sibila, tem gente nessa escola que daria a alma para ver o que tem debaixo dos nossos véus. Isso é um grande ultraje!

- É verdade.

- Eu cuidarei desses insolentes. – Disse Síria em um tom tão fantasmagórico que arrepiou a espinha das outras.

- Olhem só, está quase na hora da aula. – Disse Omã ao olhar para o relógio e tentar amenizar o clima.

- Quase na hora da aula e aquela desgraça ainda não chegou?!

- Que bicho mordeu a Qatita?

- Qatita é o caralho, meu nome é Qatar, porra! E onde você estava?!

- Nem te conto. Quem é fofura?

- Jô, essa é Liechtenstein, Liech, essa é a Jordânia. – Apresentou Omã.

- Olá, Liech, não se importa de eu te chamar de Lili, não é? Claro que não!

- Mas Lily é o meu nome humano.

- Que fofa! Lilizinha, vamos nos dar bem. Vai na reunião da Omanita comigo, a Qatita e a Siriazinha?

- Jordânia e sua mania de apelidar os outros. – Disse Síria antes de sair de perto delas.

- Vou sim.

- Legal! Juro que você não vai se arrepender. Meninas, aonde vocês vão?

- Jô, está quase na hora da aula. – Disse Qatar com uma veia sobressaltando na testa. – Onde foi que você estava?!

- Prefiro não comentar.

- Meninas, é melhor irmos ou a professora Suméria vai nos fazer resolver puzzles infinitos. Te vejo mais tarde, Liech. – Falou Omã arrastando as outras duas para a sala.

- Ok, até mais tarde. – Liechtenstein se despediu e foi para a sala.

Enquanto isso, em outro lugar.

- Mas Viet, como é que a gente vai reconciliar os gêmeos? – Disse América desanimado.

- Podemos começar tentando fazer com que um tente falar com o outro.

- Falar o que?

- Eu não sei. Eu vou tentar falar com o Coréia do Norte e você tenta falar com o Coréia do Sul.

- Mas tem que ser agora?

- Só faça isso.

- Como?!

- Dá o seu jeito.

Irlanda estava na sala, mas a professora ainda não tinha chegado. Ela estava conversando com Espanha.

- Eu e meus amigos vamos beber nesse domingo. Quer vir com a gente?

- Que forma de se convidar uma garota para sair. Romano vai ficar com ciúmes.

- HAHAHA, você é engraçada, Irlanda. Não é um encontro, vou apenas beber com os meus amigos e queria saber se você quer ir.

- E por que não? Só espero ter que voltar inteira para casa.

- Isso eu não garanto.

Notas finais
O Tratado de Kiel estabeleceu a separação da Noruega e da Dinamarca e deu as posses da Islândia, da Groenlândia e das Ilhas Faroé para a Dinamarca.
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Jordânia e Iraque têm um histórico de alianças, apesar de Jordânia não ter se pronunciado na guerra Irã-Iraque.
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Irauqe correndo atrás do Kuwait é uma referência à Guerra do Golfo e a invasão do Kuwait.
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É, pessoal, planos para o fim de semana, muita curtição e muita dor de cabeça. Veremos no que isso tudo vai dar.