Gakuen Hetalia 2.0
19 Capítulo 19
Finalmente era sábado. Um pequeno grupo composto por França, Prússia, Espanha, Turquia, Grécia, Iraque, Líbano, Bahrein, Brasil e Coréia do Sul foram para o terraço do Bloco D, onde tinha um andaime estrategicamente posicionado. Eles embarcaram e desceram a ponto de verem o que se passava na sala de Omã e ficaram gratos por elas estarem sentadas de costas para eles e pelas cortinas estarem abertas.
Liechtenstein estava na cobertura de Omã com uma pequena mochila com o essencial. Ela reparou que mesmo com aquelas roupas retas, sendo que as únicas curvaturas salientes eram as dos seios, que não eram nada pequenos, era perceptível que as islâmicas eram bonitas. Ela não pôde deixar de reparar nas cores vibrantes da vestimenta de Omã, no azul profundo da vestimenta de Qatar, no lilás delicado da vestimenta de Jordânia e como Síria era assustadora de preto. Outra coisa que chamava atenção eram os olhos.
Os batons de Jordânia, Omã e Qatar eram em tons claros, o que não interessava Liechtenstein, mas as sombras eram simples, mas coloridas e a forma como usavam o delineador ou o lápis de olho atraía ainda mais o olhar da pequena para os olhos das outras. Os de Qatar eram azuis que eram destacados por sua sombra azulada. Os de Jordânia eram cor de mel e contrastavam com a sombra lilás. Os de Omã eram castanhos que combinavam com quaisquer sombras que ela colocasse, mas no momento ela usava verde, como sua roupa. Os de Síria eram verdes, mas esses não possuíam nenhuma sombra, apenas o delineador era presente em forma egípcia, que dava um ar assustador aos seus olhos, mas ao mesmo tempo fascinante.
– Lilizinha, está tudo bem? Parece que está com a cabeça nas nuvens.
– Desculpe, eu estava pensando em outra coisa.
– Sei. Quem é o gato?
– Que gato?
– Ah, para com isso! Para ficar distraída assim é porque tem um gatinho na parada. Quem é sortudo?
– Mas você só pensa em sacanagem! – Exclamou Qatar.
– Eu não penso em sacanagem, Qatita, apenas descubro o que os outros estão pensando. Não é culpa minha se os outros pensam o que não devem.
– Mas você não nega que é filha da sua mãe! – Exclamou Síria cuspindo as palavras. – Só muda a cor dos olhos!
– Conhece a mãe dela? – Perguntou Omã.
– Infelizmente.
– Síriazinha é a minha prima.
– O que?! – Exclamaram as garotas.
– O QUE?! – Exclamaram os garotos quase tendo um infarto.
– Ambas somos netas da Mesopotâmia, assim como o Iraquito e o Kuwaitito.
– O Kuwait e o Iraque são seus primos?! – Perguntou Omã espantada.
– São.
No andaime.
– To fudido. – Sussurrou Grécia.
– O que disse? – Perguntou Prússia.
– Nada.
– Eu não acredito nisso. – Disse Líbano incrédulo.
– HAHA! – Começou Bahrein imitando o Nelson dos Simpsons. – Você vai virar parente do Iraque.
– Cala a boca.
– Parente! – Iraque abraça Líbano.
– Você não está preocupado se o Líbano um dia dormir com a sua prima? – Perguntou Espanha.
– De jeito nenhum! Quem vai aguentar o mau humor da Síria será ele e não eu. Nós não dos damos bem, por isso que eu não me importo, mas se fosse a Jordânia...
– O que tem a Jordânia?
– É a minha prima preferida. Se alguém encostar nela, é bom rezar.
De volta à sala.
– Expliquem isso direito. – Exigiu Qatar.
– Mesopotâmia tem quatro filhas: Suméria, Acádia, Babilônia e Assíria. – Começou Síria. – Suméria, a mais velha e sábia das irmãs, é mãe do Iraque; Acádia, a mais vaidosa e patricinha, é mãe do Kuwait; Babilônia, a queridinha louca por jardinagem que só pensa e fala merda, é mãe da Jordânia; e Assíria, a caçula e a mais cruel, é a minha mãe.
– Quer dizer que a Jordânia é grande aliada do Iraque porque é prima dele, o Iraque quer invadir o Kuwait, que é primo dele, e você não liga para nenhum deles, apesar de serem seus primos?
– Exatamente.
– Que horror! – Exclamaram Qatar e Omã.
– E ainda tem o Iranito.
– O que tem o Irã com isso? – Perguntou Qatar.
– Iranito é filho da Pérsia. Nossas mães tiveram que trabalhar como conselheiras para a Pérsia quando ela tomou seus territórios. Iranito cresceu com a gente, então não podemos matá-lo e nem ele pode matar a gente.
– O Irã é praticamente da família, as regras se aplicam a ele também. – Resumiu Síria.
– Cacete! – Exclamaram Qatar e todos do andaime menos o Iraque.
– E quem são os pais de vocês? – Perguntou Liechtenstein.
– Sei lá, foda-se o meu pai! – Cuspiu Síria.
– O dos outros eu não sei, mas o meu era o reino de Edom, um reino cuja principal cidade era Petra. Cidade que recebi de herança. Síriazinha, e se ele for o seu pai também?! Podemos ser irmãs!
– Alá me livre disso!
– Como? – Perguntaram as outras.
– Bem, as terras do meu pai foram invadidas por vários povos, incluindo os assírios e os babilônicos, foi assim que ele conheceu a minha mãe e depois eu nasci. Se ele conheceu a minha mãe, é capaz de ter conhecido a minha tia Assíria também.
– Vish! – Exclamaram os garotos no andaime.
– É melhor a gente mudar de assunto. – Sugeriu Omã.
– Ok. – Respondeu Qatar. – Jocasta! Onde você esteve ontem, mulher?!
– Prefiro não comentar. – Respondeu Jordânia sem graça.
– Jocasta? – Perguntou a menor sem entender muito bem.
– Meu nome humano. Minha mãe era viciada em teatro grego e me deu o nome de uma das personagens.
– Ah, sim. Teatro é legal. Fui algumas vezes com o meu irmão.
– Eu também gosto muito!
– Eu também. – Comentou Omã.
– Eu nunca fui. – Mencionou Síria.
– Como não, Dahlia?
– Porque eu treinei a minha vida inteira e é bom não encher o meu saco ou vai respirar por um tubo.
– É a primeira vez que eu não te vejo fazendo uma ameaça de morte. – Comentou Omã.
– Porque é parente e minha mãe, minhas tias e minha avó nos ensinaram a não matar meus parentes por mais que merecessem.
– Ainda bem. – Suspirou Jordânia aliviada.
– Matar não, mas torturar, mutilar e escravizar pode.
– Jordânia, não fuja do assunto! – Exclamou Qatar. – Onde é que você estava, mulher?!
– Está bem, eu falo, mas vocês vão me prometer guardar segredo. Prometem?
– Prometemos. – Disseram as outras.
– Ok. Eu estava em uma sala vazia com o Grécia.
– VOCÊ O QUE?! – Exclamaram Qatar, Omã e Iraque.
– Você e Grécia sozinhos em uma sala? Coisa boa não pode ter saído. – Disse Síria cruzando os braços.
– Fiquem calmas, garotas. Não aconteceu nada de mais. Só trocamos alguns beijos.
– VOCÊS O QUE?! – Exclamaram todos.
– Mas não passou disso. Não foi nada sério e não passamos dos limites.
– Jô, você é louca! – Gritou Qatar.
– Eu sei.
– Se Jordânia escrevesse um livro sobre sua vida, colocariam classificação para pessoas com mais de 21 anos e seria proibido em 115 países, no mínimo. – Disse Síria.
Enquanto isso no andaime, os garotos estavam desesperados, pois Iraque tentava partir para cima de Grécia. Alguns tiveram que segurá-lo. O andaime balançava tanto, que uma das cordas, já em péssimo estado, arrebentou e eles foram obrigados a segurar uns nos outros para não caírem. A outra também estava arrebentando, aumentando ainda mais o desespero.
Enquanto isso, Iêmen estava de bobeira no sofa enquanto Egito lia um livro.
– AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!
– Ou viu isso? – Perguntou Egito.
– Deve ter sido o vento.
– Vento que nada. São alguns dos nossos colegas pendurados em um andaime de frente para a janela da Omã.
– Problema deles.
– Iêmen, temos que tirá-los de lá.
– Por mim, eles que morram. Eu não vou levantar daqui para ajudar um monte de vagabundos que estavam espionando as garotas.
– Aquele é o Líbano?
– Foda-se o Líbano.
– Iêmen!
– O que foi? Eles fizeram a merda, agora eles que resolvam.
Egito suspirou, abriu a porta e saiu. Iêmen esperou algum tempo para ver se o outro voltava, mas ele não voltou. Iêmen respirou fundo e foi atrás dele. Ele foi até o terraço atrás do outro, pois sempre que um dos que estavam no andaime estavam envolvidos, tirando Bahrein e Líbano, sempre sobrava para o outro. Para Iêmen, Egito era como se fosse o seu irmão.
Ambos conseguiram puxar o andaime pela corda restante e trazer todo aquele povo de volta. Já em terra, Iraque tentava matar Grécia. Bahrein explicou a eles o motivo.
– A Jordânia, o Iraque, o Kuwait e a Síria são primos?! – Exclamou Egito.
– Por que eu fui perguntar? – Disse Iêmen arrependido.
– E tem o Irã também, que é praticamente parente desses quatro. – Disse Brasil.
– Preferia não saber disso. – Retornou a dizer Iêmen.
– Acho que nunca mais vou dormir na vida. – Disse Egito assombrado.
– Seu filho da puta, eu vou te rasgar ao meio! – Berrou Iraque.
– Dá para ajudar aqui?! – Gritou Turquia segurando o Iraque com outros mais.
– Não. – Respondeu Iêmen seco.
– Qual é, Iêmen!
– Vocês fizeram a merda, agora limpem. Vamos, Egito, antes que as garotas percebam o tumulto, resolvam subir aqui, achem que estamos com eles e nos matem.
– Ok.
– Hei, vocês não podem nos deixar assim! – Exclamou Brasil.
Iêmen e Egito saíram do terraço e voltaram para casa. Os outros conseguiram acalmar Iraque após quebrarem alguma coisa na cabeça dele e apagá-lo, e saíram de lá. As garotas perceberam a movimentação por debaixo da porta. Eles tinham ido embora.
– Eu mal acredito, prima, deu certo! – Exclamou Jordânia.
– Do que vocês estão falando? – Perguntou Liechtenstein.
– Lembra que eu disse que ia dar um jeito neles? – Disse Síria. – Descobri os planos deles, contei para Jocasta e ela me pediu para sabotar o andaime. Mais tarde eu descobri o que Jordânia tinha feito.
– A ideia era causar um pequeno tumulto entre os garotos.
– Eles poderiam ter se machucado. – Disse Omã piedosa.
– Mas não se machucaram, o que significa que Egito e Iêmen devem ter ajudado ou do contrário não passariam em frente a sua porta. – Síria concluiu seu raciocínio.
– Pior foi a ideia da Dahlia. Ela queria subir e metralhar todo mundo. – Revelou Jordânia.
– Por que eu não me surpreendo? – Disse Qatar com uma poker face.
– Nossa, até que enfim. – Disse Jordânia tirando o hijab e mostrando a cabeleira negra presa em uma trança.
– Jô! – Gritou Qatar.
– Estamos entre amigas e todo mundo que já me viu bêbada, já me viu assim.
– Você é um caso sério.
– Qual é o problema de andar sem o véu? – Perguntou Liechtenstein.
– Motivos religiosos. – Respondeu Omã. – Acreditamos que ele proteja a honra e a modéstia da mulher. Não é obrigatório usar dentro de casa, mas algumas nações islâmicas preferem assim. Ele é a nossa identidade cultural.
– Identidade cultural?
– É como se fosse Itália sem pasta, França sem vinho, Japão sem mangá, Rússia sem Vodka...
– Entendi.
– Só não conte para ninguém que você nos viu sem ele.
– Ou vai se arrepender de ter me conhecido. – Cuspiu Síria.
– Pode deixar. – Disse Liechtenstein com uma pontada de medo na voz.
– Ótimo. É bom saber que podemos confiar em alguém do ocidente. – Qatar retirou o seu revelando seu cabelo preto, que estava solto.
Omã também retirou o seu. Ela tinha longos cabelos negros, sedosos e volumosos presos em uma espécie de trança que nada mais era do que um rabo de cavalo com três ou quatro elásticos vermelhos formando uma espécie de corrente de balões, e brincos e assessórios para cabelo de ouro. Para Liechtenstein, ela parecia uma princesa do deserto tirada dos contos de fadas.
– Dahlia, não vai tirar o seu? – Perguntou Jordânia.
– Por que eu deveria?
– Porque eu nunca vi o seu rosto, nem mesmo quando éramos crianças!
– Nem quando eram crianças? – Perguntou Qatar surpresa.
– Dahlia praticamente nasceu de niqab. Nem eu, Iraquito e Kuwaitito que somos primos dela vimos o que tem por debaixo do niqab. Acho que nem ela sabe como é por debaixo!
– Lógico que eu sei como sou por debaixo, mas já que insiste tanto, é melhor estarem sentadas.
Síria se levantou e tirou o niqab revelando sua pele clara e seu cabelo preto preso em um rabo de cavalo. As outras ficaram estáticas, ainda mais quando ela soltou o cabelo.
– Minha prima é uma gata! – Exclamou Jordânia.
– Você é a cara da professora Assíria! – Exclamou Qatar.
– Realmente, é muito parecida com ela, só alguns traços diferenciam as duas. – Disse Omã.
– E ainda assim continua assustadora. – Disse Liechtenstein.
– Eu sei. – Cuspiu Síria, afinal, quando essa garota fala sem cuspir as palavras?
– Quem quer comer? – Perguntou Omã com uma bandeja de sobremesas omanis.
– Eu quero! – Gritaram as outras.
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