O resto da semana passou tranquilamente. As micronações tiveram suas primeiras aulas. Seu uniforme masculino era um macaquinho azul, camisa branca, gravata azul e sapatos marrons enquanto o uniforme feminino era uma jardineira vermelha, camisa branca, gravata vermelha e sapatos vermelhos.

O prédio das Ilhas Britânicas teve que aprender a dormir com protetores de ouvido, pois Caledônia estava dormindo no sofa dos netos e roncava feito uma motosserra com problemas de óleo ou lubrificante.

Finalmente era sábado, dia de descansar ou sair.

– Greta, o que você está fazendo? – Disse Dinamarca entrando no quarto da irmã e a vendo jogar um monte de roupas em cima da cama.

– Vendo o que vou usar hoje a noite, mas eu não tenho ideia de como me arrumar para um encontro.

– O QUE?! – Gritou quase tendo um treco. – Você tem um encontro e nem me avisou! Quem é o sujeito? Eu conheço? Ele é bonito? Ele tem emprego? Eu quero saber! – Disse virando um chibi enciumado e que não parava de agitar braços e pernas.

– Na verdade foi Mesopotâmia que sugeriu que eu saísse com Islândia para afastá-lo das geladeiras.

– É? – Fez uma longa pausa.

– Bror, eu não tenho ideia do que fazer em um encontro! Você pode me ajudar?

Dinamarca ficou pensativo. Os encontros sempre terminavam em um motel, não é mesmo? Odiaria pensar em sua irmãzinha em um motel. Não, ela sairia correndo de lá só de ler o nome. Talvez algo mais leve, mas não, sairia correndo do mesmo jeito. Ele não sabia lidar com garotas e muito menos aconselhá-las. É, estava complicado.

– Bror, você está bem?

– Claro que estou. Seu bror não fica mal por nada nesse mundo. – Falou saindo da forma chibi e deixando o ego tomar conta.

– Então, o que eu devo fazer? – Ele congelou e caiu duro no chão. – Bror!

– Eu estou bem! – Disse se levantando em um pulo.

– Você está bem mesmo?

– Green... – Disse olhando-a carinhosamente e afagando o topo da cabeça da menor. –Não se preocupe com nada, você vai se sair bem.

– Mas o que eu devo vestir?

– É pra isso que estou aqui, para te ajudar! – Voltando a inflar o ego. – Vamos ver algo que não seja muito curto, está bem?

– Bror, eu moro em um lugar que só tem tundra e gelo, não tem como usar algo muito curto.

– Ah, é verdade.

Enquanto isso, no apartamento da Grã-Bretanha.

– Por que o vovô tem que dormir aqui e não no apartamento dos Irlandas? – Perguntou Inglaterra.

– Não reclame, Rock Lee oxigenado. – Disse Escócia. – Ele é nosso avô e dorme onde quiser.

– Talvez se eu pintar de loiro não fique tão ruim assim. – Disse Gales se olhando no espelho.

– Ainda com essa história de pintar o cabelo?

– O que vocês acham?

– Vai ficar legal de loiro.

– Vai parecer irmão gêmeo do Inglaterra se eu pintar de loiro. Só faltam as taturanas no meio da testa.

– Porra Escócia!

– Hei, pessoal, o que estão fazendo? – Perguntou Irlanda aparecendo do nada.

– Como entrou aqui, desgraça?! – Exigiu Inglaterra.

– Tenho a chave extra do apartamento de vocês.

– Como conseguiu a chave extra?! – Perguntou Escócia.

– Isso é segredo. – Respondeu travessa. – Por que o Casey está se olhando tanto no espelho?

– Pensando em ter uma cor de cabelo definida.

– Nem eu sei a cor do meu próprio cabelo.

– Ah, pare com isso! – Exclamou a garota. – Não tem nada de errado com a cor indefinida do seu cabelo. Veja o Iggy, ele tem esses tapetes persas no meio da cara e não pensa em removê-los.

–HEI!

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Por que não pensei nisso antes?!

– Antes ter essas sobrancelhas do que ficar preso no passado, Irlanda.

– O que está querendo dizer com isso, sarnento?

– Sarnento?

– Ora, com sobrancelhas desse tamanho é capaz de abrigar mais pulgas que um cão de rua.

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

– Cala a boca, Scott!

– Eu posso detestar a Irlanda, mas tem vezes que eu adoro essa garota.

– Uma garota que se veste como se ainda estivesse na idade média.

– Está dizendo que eu não sou moderna?

– Sim, você é muito antiga, nem a vovó se veste mais assim.

– Ah, mas você vai engolir o que disse.

Irlanda saiu de lá irritada, pegou o celular e ligou para Bélgica. Escócia deu uma bela de uma pedalada em Inglaterra.

– Ouch! Por que fez isso?!

– Graças a você, a Irlanda vai de dar um novo trauma.

– Desde quando ela te traumatiza? – Perguntou Gales.

– Ela já cortou o cabelo de forma que parecesse um menino para entrar na taverna e beber, já pintou o cabelo de preto e quase me deixou surdo. Se eu pegar mais um trauma dessa garota, eu juro que te mato, Arthur.

No apartamento dos Irlandas, Caledônia estava lá, pois seu neto caçula queria dizer algo, mas não conseguia.

– Desembucha logo! Até parece que eu vou gritar com você ou algo assim!

– Mas você já está gritando comigo.

– Porque você não diz logo qual é o problema! Minha novela já vai começar.

– Você vê novela?

– Casos de família.

– Mas isso não é novela!

– Como não? Tem barraco, merda familiar, maldade, gente fingida, falsidade, pau no cu, viadagem, FDP, pra mim isso é novela sem aquele melodrama chato pra caralho.

– Vendo por esse lado...

– Mas o que você quer me dizer?

– Eu estou com um grande problema.

– Emocional ou relacionamento?

– O que?

– Você é meio Kirkland e meio Rosemond. Os Rosemond têm problemas emocionais e em relação aos seus corpos, eu sei disso porque a sua mãe e a sua irmã são assim e é normal. Já os Kirkland têm problemas com relação a sentimentos ou relacionamentos, eu sei disso porque a sua avó, o seu pai e o seu irmão mais velho, e provavelmente seus outros irmãos também, têm problemas em lidar com sentimentos, principalmente quando se trata de relacionamentos, tanto que podem ser pau no cu, cu doce ou qualquer merda dessas, se bem que seu irmão Casey parece o Robocop.

– Valeu por me traumatizar pelo resto da vida.

– Mas afinal, qual é a droga do problema?!

– Vovô, eu tenho um amigo que tem um amigo que...

– Um amigo? Sei...

– Vovô!

– Ora essa, Charlie, sem rodeios. Já estou velho demais para isso. Se for algo muito grave, pode falar, já vi coisa pior mesmo.

– Você que pediu. E-Eu amo o Arthur, mas não da maneira que está pensando...

– Lusitânia e Hispânia são meios-irmãos, no entanto casaram e tiveram dois filhos. Você não é o único.

– Mas no dia em que te conheci ouvi a conversa entre ele e Casey e não sei o que fazer.

– Pode começar me contando o que ouviu.

O menor respirou fundo e começou a contar o que tinha acontecido. Lógico que o avô perguntou o que tinha acontecido para ocorrer aquela briga e o neto se viu obrigado a contar sobre a noite que seus irmãos mais velhos não voltaram para casa.

– Eu não sei se você tem muita merda na cabeça ou você tem uma sorte de Leon Scott Kennedy.

– Vovô!

– Saiu sem querer. Mas diga, como você se sente em relação ao Arthur e ao Casey?

– Como eu disse antes, eu amo o Arthur, mas depois que descobri sobre o Casey eu não quero magoá-lo, ele legal e se abre comigo... Ah, eu não sei o que pensar! Qual é o meu problema?!

O avô agarrou a camisa do neto e a puxou para cima, aponto de ver o tórax do mais novo.

– Hei!

– Aí está o seu problema, você é a união perfeita entre os seus pais!

– Isso lá é problema?

– Garoto, você não entendeu ainda. Você tem o corpo definido como o do seu pai, porém ao mesmo tempo você tem o corpo delicado como o da sua mãe. Você é a fusão perfeita entre o masculino e o feminino! – Disse largando a camisa do outro. – Por isso que os outros se afeiçoam a você, você é fofo e delicado, mas ao mesmo tempo não deixa de ser másculo.

– Eu realmente não sei como lidar com isso. – Disse com mais um trauma para a lista.

– Já te contei como você foi concebido?

– Não precisa dizer! – Gritou envergonhado. – Eu já sei de onde vêm os bebês!

– Quem aqui falou em bebê? Eu estou falando de como seus pais começaram a namorar!

– Mais um trauma para a minha lista.

– Tudo começou quando a sua tia Saxônia encheu a porra do saco do seu pai dizendo que ele não era irmão de verdade da sua mãe por ela era adotada. Acontece que o seu pai realmente via a sua mãe como irmã, mas depois de ter ouvido o discurso da ex-mulher 300 vezes, ele parou de ver sua mãe como irmã e passou a vê-la como mulher.

– Ok, e depois disso eles começaram a namorar, casaram e me tiveram.

– Não. Sua mãe ainda o via como um irmão e tinha sofrido uma grande decepção por causa do Hibernia e não queria se relacionar com mais ninguém.

– Quem é Hibernia?

– O pai da sua irmã, mas não mencione este nome perto dela e nem do Scott. Sua irmã tem um ódio mortal por esse cara a ponto de considerar que 99% da raça masculina não presta.

– O que aconteceu?

– Não é da sua conta. Onde eu estava? Ah, sim! Seu pai se separou da sua tia e começou a insistir que o que ele sentia era verdadeiro, e até se atrapalhou também, pois como eu disse, Kirklands não são bons com sentimentos. Ele insistiu tantas vezes que sua mãe de saco cheio acabou cedendo, eu não sei como aconteceu porque não tive acesso a essa informação, mas depois namoraram, se casaram, deixaram seus irmãos putos e a sua avó louca e tiveram você.

– Ta, e como isso vai me ajudar?

– Charlie, às vezes a pessoa certa, a que realmente quer nosso bem e que nos fará feliz a todo custou está do nosso lado o tempo todo e a gente não percebe e quando percebe já é tarde demais. Foi o que aconteceu com a sua mãe, mas depois que ela percebeu isso, casou com o seu pai, foi feliz até a hora de partir e teve você. Entende?

– Acho que sim.

– Eu só percebi que a sua avó era a pessoa certa para mim depois que a gente caiu de um penhasco depois de uma briga e eu tentei salvá-la achando que ela tinha morrido.

– E o que isso tem a ver com a pessoa certa?

– As pessoas são diferentes. Algumas se importam mais e demonstram isso abertamente, ou no caso do seu pai tentam demonstrar, mas só fazem merda. Outras parecem que não se importam, mas no fundo se importam muito e querem o seu bem, como Scott e Emily em relação a você quando faz merda. E tem pessoas que negam, parecem frias e até mesmo distantes ou loucas até a morte e parecem que querem te ver mal, mas na verdade não sabem como demonstrar o que sentem e quando demonstram é de forma negativa, como eu e a sua avó e seus irmãos mais velhos.

– Mas vovô, como eu vou saber disso?

– Você pode saber por sinais.

– Que sinais?

– Alguém é mais atencioso com você do que deveria, que não sejam seus pais? Se sente a vontade com a sua presença ou fica nervoso? É mais aberto contigo do que com os outros? Você é um rapaz espeto, garanto que vai encontrar a resposta sozinho.

– Eu não sei, mas obrigado, vovô. Você me deu muito em que pensar.

– Ótimo, mas vá refletir no seu quarto porque aqui eu vou ver a minha novela.

Notas finais
Hibérnia era como a Ilha da Irlanda era conhecida pelos romanos, mas aqui é o pai da Irlanda e abandonou suas terras, deixando-as para a sua ex-mulher com medo do pai dela. A história do que aconteceu ainda será mostrada. # # # Dinamarca enciumado, Gales pensando em pintar o cabelo, Escócia tentando se preparar para mais um trauma e Irlanda do Norte precisando de terapia intensiva para o resto da vida. O que mais pode acontecer?