Ainda naquela tarde, Seychelles iria para a doceria encontrar Tunísia e Argélia, só teve um contra tempo, Espanha e Prússia decidiram acompanhar os dois. Ela não era boa com planos, esperava que Tunísia pudesse dar um jeito na situação.

Quando ela entrou na doceria com o trio, viu Tunísia e Argélia em um canto conversando alegremente e comendo doces. Argélia se deliciava com algum doce qualquer e parecia outra pessoa, ainda mais usando um vestido e all star.

Tunísia viu o grupo entrar. Os outros dois não estavam nos planos, mas achou melhor assim, pelo menos teria mais gente para segurar a sua prima caso ela pirasse. Ela se levantou e foi em direção ao quarteto.

– Sey, que surpresa te ver por aqui!

– Olá Tunísia. Conhece França, Espanha e Prússia?

– Sim, sim e quem?

Prússia caiu duro no chão e os outros dois começaram a rir.

– O que faz aqui? – Perguntou como se já não soubesse a resposta.

– Vim passar um tempo com a minha prima. O que acham de sentarem com a gente? Não aceito “não” como resposta.

Tunísia empurrou todos para a mesa em que ela estava com Argélia. Lógico que a cara da argelina mudou de boa para desagradável quando viu o francês. Argélia ficou frente a frente com França, Tunísia com Espanha e Seychelles com Prússia.

– Que cara é essa, França? Parece que nunca me viu antes. – Provocou Argélia.

– Bem, eu nunca e vi sem uniforme militar e hijab, na verdade eu nunca te vi de vestido!

– Você usa hijab com uniforme militar? – Perguntou Seychelles.

– Sim, ela usa. – Respondeu Tunísia. – Angel gosta de manter a tradição islâmica, se bem que ela parece mais uma guerrilheira do que qualquer outra coisa.

– Quer calar a boca, Tunísia?!

– Calma, Angel. Só estava respondendo à pergunta da nossa colega.

– Vocês são primas, não são? – Perguntou Espanha tentando amenizar o clima.

– Sim. – Respondeu Tunísia. – Nós e o Marrocos.

– Dessa eu não sabia.

– Pouca gente sabe. Vocês são netos de Roma, não são?

– Sí, além de mim e Francis tem meu irmão Afonso e os netos mais conhecidos.

– Feliciano e Lovino. Libby nos contou.

– Francis me contou no último encontro que teve com a Angelina que ela era neta de Cartago. Você e Marrocos também são?

– Claro que sim, mas isso não significa nada.

– Lógico que não. As disputas dos nossos avôs não interferem em nada nosso.

– Por um acaso vocês combinaram esse encontro? – Perguntou Argélia desconfiada da conversa dos dois.

– Hei? – Perguntou Espanha não entendendo porra nenhuma.

– Que isso, Angel. Você tem que ser menos desconfiada.

– É combinaram.

– Eu não estou sabendo de nada. – Defendeu-se Prússia.

– Mas seria ótimo que vocês dois pudesse ficar frente a frente para conversar e sem brigas. – Disse Tunísia.

– É sério isso? – Perguntou Argélia desinteressada.

– Ninguém mais aqui está aguentando as briga de vocês dois.

– Mas eu não tenho culpa se ela não pode me ver que já querer me matar. – Disse França fazendo beicinho.

– Hei, você também tem culpa no cartório, seu bastardo!

– Pra começar, você teve que colonizar logo a mais vingativa do Norte da África. – Disse Tunísia.

– Porra, mas tu só faz merda! – Exclamou Prússia.

– Não temos nada para conversar. – Reclamou Argélia cruzando os braços e virando a cara.

– Se não vão por bem, vamos arrastá-los até a sala da Mesopotâmia na segunda para uma terapia. – Disse Tunísia decidida. – Ah, algo roçou na minha perna! – Disse saltando para trás.

– Epa... – Disse França.

– Ora seu...!

Argélia saltou para a frente e começou a estrangular França como o Homer estrangula o Bart. Os outros quatro tiveram que separá-los.

– Está decidido, vocês dois vão para a sala da Mesopotâmia na segunda feira. – Finalizou Prússia.

Ainda de tarde, Bélgica foi ao apartamento da Grã-Bretanha para mostrar a eles a nova Irlanda. Irlanda do Norte e Caledônia também tinham ido para lá ver o que estava acontecendo.

– Cumprimentem a nova Irlanda. – Disse a loira com um de seus belos sorrisos.

– Olá, família! – Disse a ruiva atravessando a porta.

Irlanda tinha pintado o cabelo com mechas verticais azuis e rosas e usava um top preto sobreposto por uma camisa justa roxa de mangas laterais, saia branca, bermuda colada preta, botas brancas com detalhes cor de rosa e estrelas, luvas pretas que mostravam os dedos, pulseiras rosas, azuis e roxas em ambos os pulsos e brincos vermelhos.

Ninguém conseguia acreditar no que via. Escócia ficou de boca aberta e deixou cair o cigarro no chão, Inglaterra tinha ficado paralisado com o terror estampado na face, Gales parecia que tinha tido um curto circuito, Caledônia já ia perguntar “Que porra é essa?!”, mas ao ver que Irlanda do Norte tinha desmaiado achou melhor socorre o caçula, até Nessie e Goch estavam surpresos.

Irlanda do Norte já estava no sofa e acordou com um jato de água disparado por Nessie. Ele viu Bélgica e Caledônia ao lado dele e Nessie e Goch em cima dele.

– Charlie, você está bem? – Perguntou o peludo.

– Eu tive um sonho estranho. Sonhei que minha irmã tinha entrado para os Vocaloids e saído em turnê.

– Voca o que?

– Acho que esse sonho é mais real do que imagina. – Riu a belga.

– Eire! O que significa isso?!

– É implicância, Charlie. – Respondeu o avô. – Seus irmãos mais velhos têm muita implicância.

– A culpa não foi minha dessa vez! – Exclamou Escócia já recuperado do choque e socando Inglaterra.

– Hei! Por que você fez isso?! – Reclamou o inglês.

– Eu te avisei que se a Irlanda me desse mais um trauma, eu te mataria. E é o que eu vou fazer. – Disse dando um mata leão no irmão.

– Scott, pare com isso. – Ordenou Caledônia e o neto mais velho o fez. – Agora, alguém pode explicar que merda está acontecendo?!

– O Iggy disse que eu era muito atrasada e que me vestia com séculos de atraso. Vim mostrar que também sei ser moderna.

– Chama isso de moderno?! – Exclamou o ruivo mais novo.

– Tuais, isso está se usando no extremo oriente.

– Charlie, sua irmã faz isso de propósito para fazer alguém se arrepender. – Disse Escócia, que logo se voltou para Irlanda. – Que você já parecia um Vocaloid eu já sabia, mas não imaginava que iria virar um.

– Alguém me explica o que é um Vocatoid! – Brandiu o avô.

– É Vocaloid, vovô. – Disse Arthur.

– É a mesma merda!

– Gente, Gales não se move. – Disse Bella cutucando Gales e ele caiu duro como uma estátua.

– Toma. – Escócia dá um cascudo em Inglaterra.

– Por que fez isso?

– Isso é pelo que eu vou fazer a seguir e odeio isso, mas graças a você serei obrigado. Nessie, water gun!

Nessie disparou um jato de água em Gales. Ele não tinha se recuperado totalmente, mas ao menos se movia. Irlanda e Bélgica saíram morrendo de rir do acontecimento. Os meninos já tinham aprendido a lição e agora ela voltaria ao normal, mas se lembraria da cara deles pelo resto de seus dias.

À noite, Islândia foi buscar Groenlândia para ir ao cinema. Ela não usava suas roupas habituais que consistiam em seu casaco de esquimó, blusa vermelha e branca, calça branca e botas marrons. Ao invés disso ela usava um vestido azul claro, uma jaqueta branca e botas brancas.

– Você está linda.

– Tak (tak: obrigado em dinamarquês). – Disse vermelha. – Meu bror que me ajudou a escolher.

– Você chama o seu irmão de bror?

– Sim, você não chama o seu assim?

– Não sou mais criança para chamá-lo assim.

– Mas o que isso tem a ver? Chamo meu irmão assim e não sou criança, na verdade sou até mais alta que você.

– É só um centímetro! – Disse emburrado.

– Calma, Ice. Você sabe que eu sou tida como a maior ilha do mundo.

– Mas você pode chamar o seu irmão de bror porque é menina.

– Isso não tem nada a ver também.

– E porque é fofa.

– E-Eu sou?

– Mas que papo é esse?! – Disse Dinamarca que tinha acabado de surgir do nada com o machado e só tinha escutado a última parte.

– Bror, o que faz com esse machado?

– Estava polindo quando ouvi a conversa. Greta, posso falar com o Ice um pouco no meu quarto?

Dinamarca e Islândia entraram no quarto do mais velho e ele começou.

– Ouça, eu não tenho nada contra você Emil, pelo contrário, gosto muito de você. – Começou calmo, mas mudou para um tom severo. – Mas se tentar alguma coisa com a minha irmã ou magoá-la, você vai se ver comigo.

– P-Pode deixar. – Disse suando frio.

– Ótimo.

– Auwf! – Ladrou Hewie olhando feio com um olhar capaz de penetrar a alma.

– Ah, e vai ter que se ver com Hewie também. Ele gosta demais da Greta para vê-la magoada.

– Pode deixar.

O que tinha dado na cabeça do mais velho para agir daquele jeito? Aquilo eram ciúmes, mas de que? Falaria isso com sua psicóloga na segunda feira. Quando ele saiu, encontrou Noruega e Groenlândia na sala. Após um sermão do seu irmão sobre responsabilidade, os dois partiram. Eles nem imaginavam que Noruega e Dinamarca os seguiriam de lá até o shopping.

– Estamos sendo seguidos. – Disse a garota.

– Hum? Como sabe?

– Você não pode ver, mas eu sim.

– Ver o que?

– Ice, não sei se você sabe, mas eu posso ver espíritos.

– Espíritos?!

– Eles são parte da minha mitologia. Meu povo acredita que tudo tem uma alma, uma inua, desde pessoas e animais a plantas, rochas, rios e acidentes geográficos perigosos como as geleiras e os vulcões.

– Mas você não tem vulcões.

– Não, mas se lembra que já visitei as suas terras com o meu irmão e os outros nórdicos quando éramos mais jovens?

– Você viu essa “inua” no meu vulcão?!

– Na verdade eu me conectei com a inua dele.

– E isso quer dizer...

– Que posso usá-la em batalha se precisar.

– Tudo bem. – Inner Ice: WTF?! – Mas como sabe que estamos sendo seguidos? Algum espírito te disse?

– Não com palavras. Você não está vendo a rena fugindo à nossa frente e voltando para nós. Sempre que ela aparece é sinal de que estou sendo seguida.

– Não vejo... – Ele se virou para trás e viu Dinamarca usando técnicas de espionagem nada discretas e Noruega batendo com a mão na própria cara. – Não acredito, são os nossos irmãos!

– O que?

– Vem, por aqui.

Ele pegou a mão da garota, que fico completamente vermelha, mas só não a puxou de volta porque Islândia corria que nem um queniano e a puxava pela multidão. Groenlândia inverteu os papéis e acabou puxando o rapaz para o mais longe possível das pessoas na velocidade da luz. Ela só parou quando entraram em um banheiro feminino. Ela tremia e tinha se escondido debaixo da pia. Islândia teve que se ajoelhar na frente dela.

– Você está bem?

– Multidões me apavoram.

– Você tem medo de gente? – Ele piscou os olhos algumas vezes tentando acreditar enquanto ela assentiu com a cabeça. – Eu sinto muito. Isso tudo é culpa minha.

– Nada disso foi culpa sua, Ice. Foi a Mesopotâmia que marcou esse encontro.

– Eu sei, mas ainda é culpa minha. Eu só queria te chamar para sair, mas acabei estragando tudo com medo de que você rejeitasse. Se não fosse por isso não estaríamos aqui.

– Você queria me chamar para sair?

Islândia tomou um susto tão grande que arregalou os olhos e começou a gaguejar tanto que Groenlândia não entendia nada, nem sabia que língua ele falava e sua expressão confusa não ajudava o rapaz em nada. Se tivesse uma geladeira por perto, Islândia já teria corrido para ela da mesma forma que Groenlândia corre para fugir das multidões.

– Ice, por que eu? Tem tantas garotas na escola que adorariam sair com você e que são bem melhores e mais bonitas do que eu, então por que justamente tinha que ser eu?

– Não diga isso, Green! Você também é bonita e é legal e além do mais, é fácil conversar com você. – Corado.

– Você está vermelho.

– E você também. Ainda quer fazer isso? – Disse segurando as mãos dela e aproximando seu rosto do dela.

– Eu tenho que ser forte como o meu irmão. Vamos nessa! – Disse se soltando dele, saindo debaixo da pia e fazendo uma pose digna de América. – Ice?

– Perdi a oportunidade perfeita. – Disse no cantinho da depressão.

Groenlândia ficou confusa, mas o tirou de lá e ambos deixaram o banheiro. Eles estavam na fila do cinema quando avistaram Canadá e Nova Zelândia do Sul. Groenlândia se escondeu atrás de Islândia quando de aproximaram dos outros dois.

– Parece que vocês não se desgrudam. – Disse Islândia.

– É uma longa história. – Disse Canadá.

– Vocês também não se desgrudam. – Disse Zealand. – KYAHHHHH! Vocês estão namorando! – Disse rodopiando que nem uma doida e deixando os outros dois vermelhos.

– Como você consegue namorar essa garota?

– Eu nem sei qual é a nossa relação e tenho até medo de perguntar para ela.

– E você, por que não fala nada? – Zealand aparece do nada na frente de Groenlândia, fazendo-a correr e se esconder atrás de uma planta. – Eu sou uma nação horrível! – Vai para o canto da depressão.

– Até já sei por que você não pergunta a ela. – Disse com cara de quem havia visto um fantasma.

– Zea, ela é tímida mesmo. Não fique assim.

– Não precisa ficar assim. – Manifestou-se Groenlândia pela primeira vez para uma pessoa estranha.

– Você falou?! – Disse Zea assustada com o fato.

– Hei, Ice e... Quem é você? – Disse Seychelles.

Ela tinha acabado de chegar depois de um dia exaustivo na doceria. O BTT e a Tunísia estavam planejando a visita de França e Argélia à sala da conselheira e ela tinha ficado livre, então decidiu ir ao shopping tentar tirar a tensão daquele dia da cabeça.

– Ele é o Canadá porra! – Gritou Zea zangada. – Ah, eu fiz de novo. – Volta para o cantinho.

– Qual é o problema dela?

– É bipolar. – Disseram Canadá e Islândia.

– Bipolar é a mãe de vocês!

– Alice?

– Sam, Moa, o que fazem aqui?

– A gente tinha combinado de vir, lembra? – Perguntou Samoa.

– Ah é, eu esqueci. – Disse coçando a cabeça com uma cara fofa, mas não impediu que as duas capotassem.

– Veio com o namorado? – Perguntou Samoa Americana.

– Matthie, a gente está namorando? – Perguntou inclinando com a cabeça de forma fofa. – Não minta pra mim! – E finalizou com outra alteração de humor.

– Eu não sei dizer, Zea.

– Eu também não sei se a gente está namorando ou não. – Todos menos Groenlândia, Zea e Seychelles capotaram.

– Só você mesma Zea! – Disse Samoa.

– Como é que eu vou saber, Sam?

– Sei lá, alguém já fez o pedido de namoro?

– Nós fizemos isso?

– Não. – Negou o canadense.

– Alice, como é que você não se lembra? – Perguntou Samoa Americana.

– Mas é preciso fazer o pedido?

– Moa, ela nunca namorou na vida! Isso tudo é novo para ela. – Reclamou Sam.

– Não reclama, Samoa Ocidental.

– Já disse que é só Samoa!

– Só uma pergunta, Sam e Moa são os nomes delas? – Perguntou Seychelles.

– Não, são apelidos. – Explicou Zea. – Sam é apelido da Samoa e Moa é apelido da Samoa Americana.

– Mas por que Sam é apelido da Samoa e Moa é apelido da Samoa Americana e não o contrário? – Perguntou Islândia.

– Porque o nome da Samoa é Samantha Parker e o apelido de Samantha geralmente é Sam e o nome da Samoa Americana é Monica Parker, o apelido dela deveria ser Mon, mas o pessoal da Oceania acabou apelidando ela de Moa.

– Só não somos piores que o Marshall e o Cook. – Disse Moa.

– Marshall e Cook? – Perguntaram Islândia, Canadá e Seychelles.

– Os nomes das Ilhas Marshall e Ilhas Cook são John Marshall e James Cook. – Explicou Sam. – Eles foram nomeados pelos capitães de mesmo nome quando os descobriram, se tornando homônimos deles.

– Mas nós só os chamamos de Marshall e Cook. – Concluiu Moa.

Era melhor não falar nada, pois se chamassem os países da Oceania de complicados, poderiam acabar irritando Alice e as irmãs Parker. Após as apresentações (já que com a conversa toda se esqueceram de se apresentar), o grupo comprou os ingressos e foi assistir ao filme. Eles tinham escolhido um de terror.

Notas finais
Irlanda é conhecida por manter seu estilo tradicional, tanto é que a terceira língua oficial é o celta. Para aparecer assim, lógico que queria traumatizar a família. # Vocaloids são softwares de computador que cantam e dançam e possuem suas próprias músicas. Como são muito atuais, nossos avós não têm ideia do que são. # Groenlândia é tida como a maior ilha do mundo, apesar de achar que o título deveria ser da Austrália. A Austrália não é um país continente, é parte de um continente chamado Oceania, que possui Austrália e Nova Zelândia como as maiores ilhas, o resto é formado por ilhas que mal aparecem no mapa. # Irmãos mais velhos são ciumentos em relação às irmãs mais novas. Cuidado com eles. # Os espíritos fazem parte da cultura e da mitologia inuit, por isso que Groenlândia pode vê-los e Islândia não. # Inua é a alma, seja de animal, planta, rochas, rios e até mesmo acidentes geográficos como as geleiras. Se serve para a geleira, pode servir para vulcão, pois como foi dito em Avatar: "o fogo é um elemento vivo". Ele emana calor, energia e precisa de oxigênio para queimar. # Mais informações: http://mitographos.blogspot.com.br/2013/05/a-mitologia-inuite.html # # # Vamos ver no que isso vai dar.