Notas iniciais
Antes, quero agradecer a quem recomendou essa FanFic e também, certa vez, deu a ideia de escrever Félix e Niko novinhos! Muito obrigada! Fiz do jeito possível para não fugir da lógica da história deles, espero que gostem! Esse episódio também foi inspirado na música Velha infância - Tribalistas.

Mais um dia Félix tomava o café da manhã vendo uma cena caseira e familiar na casa de Niko. Como o namoro estava ficando mais sério e eles já haviam assumido isto a um bom tempo para todos, Félix sempre arrumava um tempinho para ficar com seu carneirinho, apesar de toda a tensão com que vivia cuidando do papi soberano. Afinal, Niko era o único que conseguia aliviar suas tensões. Tanto que Félix já estava pensando seriamente em uma possibilidade que mudaria sua vida, já que Niko havia lhe confirmado durante a festa de renovação de votos matrimoniais de Paloma que falou com razão e coração quando lhe disse: "Aonde você for... Eu vou!"

Pensando nessas palavras, Félix guiava seus próximos passos, passos para sua nova vida. Mas, para não tomar uma decisão precipitada e acabar magoando quem ele mais amava, Félix tinha que se acostumar a conviver com aquelas cenas em família, que ele achava tão engraçado, ao mesmo tempo tão encantador.

– Jayminho, filho, você vai se atrasar de novo... Tá vendo, a van da escola já está aí! Corre... – Dizia Niko pegando a mochila de Jayminho enquanto o menino corria pegando algumas bolachas que não tinha dado tempo de comer no café da manhã.

– Tchau papai Niko! Tchau Félix!

– Tchau Jayminho! – Respondeu Félix, rindo da situação.

Adriana apareceu com Fabrício. – Pronto, seu Niko, esse aqui já tá de banho tomado e com a barriguinha cheia!

Niko voltava da porta depois de ver Jayminho saindo. – Tá bom, Adriana! Agora, me dá aqui meu filhote lindo e você pode ir ao supermercado viu! Faz a feira porque tá tudo acabando!

– Tá, seu Niko! Já vou indo! – Adriana saiu.

Niko voltou para a mesa e Félix o observava com a mão no queixo e pensativo.

– Que foi Félix? Porque tá me olhando assim?!

– Nada carneirinho... Só estava observando essa cena familiar, tentando me acostumar...

– Acostumar?

– É... Ah, deixa pra lá carneirinho, é coisa minha!

Eles acabaram o café e foram para o sofá. Começaram a brincar com Fabrício, quando Félix soltou: — Gostaria de ver quando ele ficar maiorzinho, carneirinho... Acho que vai ficar sua cara!

– Acha mesmo Félix?! Ah... Eu também gostaria que você acompanhasse o crescimento do Fabrício... Eu o tenho comigo graças a você... Seria ótimo se você estivesse conosco sempre... Se entrasse de uma vez para minha família...

– Ah carneirinho, isso foi quase um pedido de casamento! – Félix riu e fez um carinho no rosto de Niko e na cabecinha de Fabrício. Depois, pensativo, falou: — Se der certo o que pretendo... Quem sabe se...

– Porque você não fala logo o quer dizer?! Félix, você deixou no ar que gostaria de me incluir nos seus planos lá na festa da Paloma, mas não me explicou ainda que planos são esses!

– Depois eu te explico carneirinho! Primeiro, quero ver se sou capaz de fazer isso dar certo!

– Isso, o quê?!

– Nós dois! Quero ter certeza que tenho capacidade para fazer parte da sua família carneirinho! E aí sim, quando eu tiver certeza que sou a pessoa que você merece, que você e seus filhos podem confiar, só aí, eu poderei te levar comigo para onde eu for... E ficar tranquilo, sabendo que não vou te magoar nunca!

– Félix, não sei por que você ainda tem dúvidas sobre você mesmo... Eu não tenho nenhuma dúvida sobre você!

Félix sorriu para ele com certa tristeza no olhar. – É por isso que você é ingênuo carneirinho... Sabe Niko, ainda tem coisas que... Apertam aqui... – Félix pôs a mão no lado esquerdo do peito.

– Como o quê Félix?!

– Sei lá... Quando a Paloma anunciou que estava grávida de novo, na hora eu estava com você e nem pensei em nada... Depois, sozinho, eu comecei a me lembrar da Paulinha, que me pediu para ser amigo dela, e... Pensar que a tirei da Paloma...

– Félix...

– Não carneirinho, é que é incompreensível para mim mesmo... Hoje, eu aprendi a cuidar de criança com a Merijayne, que eu adoro, aprendi a gostar do Fabrício... Ah, eu gosto tanto desse menino, carneirinho... E quando eu o vejo aqui com você e tudo que aconteceu para que ele pudesse estar aqui... Ah, Niko, é como se eu entendesse cada lágrima que a Paloma derramou...

Félix já estava com os olhos vermelhos, mas Niko derramou a primeira lágrima.

– Félix... Você gosta mesmo muito do meu filho?

– Ah, demais carneirinho... – Félix pegou Fabrício no colo. – Ele até ri para mim! É como se fosse meu...

Félix parou de falar ao notar que Niko começou a chorar com suas palavras.

– Félix, você não sabe como me sinto feliz em te ouvir dizer isso! Você me ajudou a ter o Fabrício e... Ele pode ser seu filho também, é só você querer!

Félix sorriu para Niko, ajeitou Fabrício em seu colo e olhou bem para ele, dizendo depois: — Quer saber... O Jonathan já tá grande... Até que não seria nada mal um bebê...

Niko olhava para ele perplexo. – T-tá falando sério, Félix?!

Félix deu um beijinho em Fabrício e o menino novamente sorriu para ele.

– Estou! Acho que não tem outro jeito carneirinho... Esse menino me ama... Não é Fabrício?! – Félix terminou a frase brincando com os pezinhos de Fabrício o que fazia o pequeno sorrir.

Niko não sabia se sorria ou chorava, então fazia os dois ao mesmo tempo. Estava muito emocionado por Félix estar finalmente aceitando fazer parte de sua família.

Félix tratou de cortar aquele clima emotivo.

– Ih carneirinho, chega de chororô por que o Fabrício precisa trocar a fralda de novo! Vê se não se emociona tanto, por que eu não quero ter que trocar a sua também!

Ambos riram e foram trocar a fralda de Fabrício. Agora, Niko observava Félix. Cada vez que ele tratava seus filhos com tanto carinho, brincando com eles, trocando as fraldas de Fabrício, ajudando Jayminho com o dever de casa, tudo era um bálsamo para Niko.

Depois, voltaram os três para a sala.

– Félix, como hoje é segunda-feira e eu não vou para o restaurante, você bem que podia ficar mais tempo aqui comigo e com os meninos...

– Eu só posso ficar agora de manhã carneirinho, porque tem gente cuidando do papi, senão... Acho que só volto hoje à tardinha ou só à noite...

– Tá então, eu queria mesmo que você voltasse ainda hoje para você ensinar um pouquinho de aritmética para o Jayminho! Ele vai ter prova essa semana Félix...

– Carneirinho, eu lá tenho cara de professor?!

– Não, Félix... Você tem cara de pai!

Félix olhou para ele sem entender. Niko continuou: — Ah, você não acabou de dizer que gosta dos meus filhos? Poderia ser como um pai para eles também... O Fabrício sorri mais para você do que para mim, o Jayminho te acha super divertido e te admira... E você sabe o que eu sinto por você, então, por que não?!

Félix ficou por uns segundos olhando nos olhos de Niko e falou:

– Eu me faço a mesma pergunta todo dia, meu querido carneirinho! – Ao dizer isso, deu-lhe um beijo carinhoso que fez Niko ficar com as bochechas rosadas.

– Você ainda fica todo vermelhinho quando te beijo carneirinho?!

– Ai Félix, eu não consigo evitar... – Ambos riram.

Félix lhe deu outro beijo. – Daqui a pouco eu vou embora, só vou esperar a Adriana voltar, tá bem?!

– Tá Félix! Mas, você volta mais tarde né?! O Jayminho tá precisando mesmo de uma ajudinha em matemática...

– Vai dizer que você quer que eu volte só para bancar o professor para o Jayminho?! – Perguntou em leve tom malicioso.

– Ah, não né Félix! Depois de você ensinar matemática ao Jayminho, pode ensinar umas coisinhas a mim também... – Respondeu em tom mais malicioso ainda.

– Ah ah carneirinho, você é pior do que imaginei... Sempre arruma uma desculpa para me dar o bote!

– Não dou bote Félix, para! Mas, falando sério, eu tenho medo de o Jayminho ser reprovado mesmo ainda estando no primeiro semestre... Quando eu perguntei qual era a aula que ele mais gostava, ele disse que gostava mais do recreio!

Félix riu. – Ah carneirinho, ele tem razão, na idade dele também era a hora que eu mais gostava... Se bem que eu só tirava dez em matemática!

– Sério?! Você era assim meio nerd?

– Pose de nerd eu não tinha carneirinho, mas era, tenho que admitir... Só que eu não gostava muito de estudar não, minha inteligência sempre foi uma coisa natural!

– Nossa, que modesto... E, por que você não gostava de estudar?

– Ah, carneirinho... Falta de incentivo, eu acho... Eu tirava as melhores notas em matemática, língua portuguesa, redação, até nas aulas de arte, mas meu papi nem ligava... Mas, era só a Paloma chegar com um dez em ciências que ele ficava todo orgulhoso...

– E você ficava com raiva da Paloma...

– Ah, carneirinho, queria o quê?! Eu ficava revoltado mesmo... A Paloma não passava das notas sete, oito, na maioria das matérias, meu boletim vinha com vários dez e, às vezes, o papi reclamava de um nove!

– Eu entendo, ele te cobrava muito não é?! Eu aposto que você se vingava na Paloma... – Félix o olhou sério e Niko continuou: — Ai desculpa Félix, não queria dizer isso...

– Você quis dizer exatamente o que disse Niko... – Félix falou calmo. – E é verdade! Quando eu era criança eu aprontava para a Paloma sim, mas era só para ela... Eu não tinha grandes amigos, mas também não fazia mal a ninguém!

Niko sorriu. – Você devia ser um menino tão lindo na época de escola... Se eu conhecesse me apaixonaria...

– Naquela época carneirinho?! Além disso, minha época não é a mesma da sua, você é quase seis anos mais novo!

– É mesmo! Quando eu estava no primeiro ano, você já estava no sétimo né?!

– Sabe, isso me faz lembrar uma coisa que eu fiz... Uma boa ação para um menininho mais novinho que eu... Eu tinha dez anos...

Niko levantou. – Espera aí Félix se vai falar da infância me deixa colocar uma música que eu gosto e tem tudo a ver...

Niko ligou o aparelho de som e pôs um CD com a música Velha Infância, que ele logo começou a cantar indo em direção a Félix.

– Félix... Você é assim, um sonho pra mim, e quando eu não te vejo... Eu penso em você, desde o amanhecer, até quando eu me deito...

Félix deu uma gargalhada. – Ai carneirinho, você é impossível! Até que você canta bem, mas vem, senta!

Niko sentou ao seu lado colocando Fabrício na cadeirinha entre ele e Félix.

– Continuando o que você dizia Félix, sabe... Uma vez um menino mais velho que eu, que eu nem conhecia, me salvou numa excursão...

– É? Pois foi justamente numa excursão carneirinho, que eu ajudei esse menininho! Ele devia ter uns quatro ou cinco anos, não sei, nem perguntei o nome dele, mas se não fosse eu tê-lo visto, o maluquinho teria se dado muito mal!

– Nossa! Por quê?!

– Por que o moleque caiu num buraco no parque e se chovesse aquilo lá ia encher de água...

– Num buraco?! – Niko começou a ouvir atentamente o que Félix lhe contava.

– Foi... Bom, eu estava num acampamento promovido pelo último ano do primário, que era o que eu estava acabando! Só que eu já estava com raiva porque o papi quase não me deixava ir, porque eu havia quebrado uma boneca da Paloma no dia anterior... Enfim, a mami o convenceu, mas eu não estava gostando muito de ficar lá, além de achar muito chato o tal acampamento, estava havendo uma excursão de uma escolinha do interior, escolinha mais humilde sabe... Aí, uma hora eu me afastei de onde os meus colegas estavam e saí caminhando quando ouvi um choro baixinho, procurei e vi um menininho, provavelmente dessa outra escola, que tinha caído e não conseguia sair porque o buraco era mais alto que ele! Eu disse para ele esperar que eu fosse pedir ajuda, mas, ele era pequeno, estava assustado, estendeu os braços para mim... Eu fiquei com pena e o tirei de lá!

Niko o olhava com os olhos cheios de lágrimas, mas não conseguia dizer uma só palavra.

Félix sorriu e lembrou: — Você não sabe como aquele garotinho ficou carneirinho... Assim que eu o puxei, ele me abraçou, eu o afastei e saí andando, mas ele agarrou minha perna, eu mandei: me solta, garoto! Ou me larga ou eu te chuto para dentro do buraco de novo! Ele me soltou e esfregou os olhinhos e...

Niko foi ao chão agarrando as pernas de Félix, emocionado.

– O que deu em você carneirinho?!

– E... O menininho esfregou os olhos e olhou para você e sorriu... Sorriu dizendo: obrigado por me salvar menino! E, você passou a mão na cabeça do menininho lhe assanhando os cabelos e indo embora, deixando aquele menininho lá olhando para você sem nem saber quem você era...

Félix foi ao chão lentamente, ficando frente a frente com Niko. Ele não precisou perguntar, já havia entendido por que Niko sabia o final de sua história. Mas, Niko ainda completou:

– Félix, esse menino que você salvou... Era eu!

Eles se abraçaram emocionados. Niko lhe contou que, quando pequeno, brincava no parque com os coleguinhas da excursão quando resolveu se esconder, correu, mas não viu o buraco e caiu. Ficou assustado e chamou seus coleguinhas e a professora, mas ninguém o ouviu. Começou a chorar quando um menino mais velho apareceu para salvá-lo.

– Era você Félix... Aquele menino que me salvou era você... – Niko repetia emocionado abraçado a Félix.

Eles se afastaram e Félix passou a mão em sua cabeça lhe assanhando os cabelos. Niko sorriu para ele e Félix se lembrou do menininho loirinho de olhos verdes sorrindo para ele.

– Ah carneirinho... – Félix riu. – Se eu soubesse que aquele menininho fofo cresceria e ficaria assim eu teria levado comigo para criar!

Eles riram e depois Niko voltou a lhe abraçar.

– Eu devo minha vida a você Félix!

– Então, estamos quites, carneirinho! Eu devo minha nova vida a você!

Olharam-se profundamente e se beijaram. Niko sorriu e mesmo que a música já tivesse parado a um bom tempo ele cantou baixinho para Félix:

– Você é assim, um sonho pra mim, quero te encher de beijos... – Niko o beijou novamente.

Nesse momento, Adriana voltou do supermercado. Viu os dois no chão e Fabrício perto deles no sofá e perguntou: — Ih, gente, atrapalhei alguma coisa?

– Não Adriana, a gente só estava aqui brincando com o Fabrício e relembrando nossa infância! – Respondeu Niko.

– Então tá, seu Niko! Eu vou guardar as coisas lá na cozinha viu!

Adriana foi para a cozinha e Félix levantou dizendo: — E eu já vou que já está ficando tarde carneirinho! Pode ser que o papi precise de alguma coisa...

– Ah Félix já?! Mas, você volta mais tarde né?!

– Claro que volto carneirinho! Tchau Fabrício! – Félix deu um beijinho no bebê e foi em direção à porta. Niko foi atrás.

Já na porta, Félix o agarrou pela cintura e beijou seu pescoço, sussurrando em seu ouvido:

– Carneirinho... Eu gosto de você, eu gosto de ficar com você... – Olhou-o nos olhos e continuou: — Seus olhos... Meu clarão... Me guiam dentro da escuridão! Seus pés me abrem o caminho... Com você carneirinho, eu nunca me sinto só... – O beijou novamente e saiu.

Niko fechou a porta em êxtase. Era tanta felicidade que parecia que não cabia em seu peito.

Ele voltou a sentar perto do filho e continuou lembrando aquela fase de sua infância e uma parte da história que Félix não conhecia.

...

...

– Nicolas, meu filho, como você foi cair e se sujar assim?! – Perguntava sua mãe.

O pequeno respondeu: — Mamãe, eu caí num buraco grandão assim... – Ilustrou exageradamente o tamanho do buraco com as mãozinhas.

– Que perigo, meu filho! E como você saiu de lá?!

– Um menino alto me puxou e me salvou!

– Sério? Esse menino é da sua escola?

– Não mamãe...

– E quem é?

– É meu herói!

A mãe de Niko riu. – Seu herói querido?! Mas, você nem sabe o nome do menino?

– Não! Mas, quando eu for do tamanho dele quero que ele seja meu melhor amigo!

...

...

Niko brincava com Fabrício e sorria com essa lembrança, cantando o trecho que mais cabia com a revelação.

– Meu riso é tão feliz contigo... Meu melhor amigo é o meu amor!

Notas finais
FIM... de uma manhã inesquecível! Mas, Félix voltou mais tarde! Ensinou aritmética a Jayminho que tirou 9,5 na prova... E à noite, deu outras aulas ao seu carneirinho... ;-) Comentem...!