Félix & Niko - Dias Inesquecíveis
22 Águas de Março - Carta de Amor -- parte 1
Notas iniciais
Chovia. A chuva fria de março escorria pelos vidros da janela. Era a primeira noite de outono. Aquela rua era calma, silenciosa... Até o silêncio ser quebrado pelo pedido gritado que vinha do jardim e atravessava surdo as paredes do quarto. De lá de dentro ele não podia ouvi-lo bem, mas, podia ler seus lábios... E seus olhos... Pedindo, implorando quase, para deixá-lo entrar.
– Não, não vou... Ou será que devo... Não! – Ele estava indeciso entre ouvir sua cabeça e ouvir seu coração. Seu coração mandava deixá-lo entrar, explicar, perdoar e dormir em seus braços. Sua cabeça mandava acreditar no que seus olhos haviam visto.
Lá fora, o outro já cansava de esperar por uma decisão e voltava para dentro do carro. Mas, por alguma razão, ele não foi embora... Porque ficou lá? Porque havia lágrimas demais em seus olhos para que ele pudesse enxergar para dirigir... Ou, talvez, porque não tinha outro lugar para onde quisesse ir que não fosse para dentro daquela casa... A casa do seu amado carneirinho!
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– O verão está acabando, daqui a pouco começa o friozinho...
– Pois eu só sinto calor quando estou aqui com você, carneirinho! Quer que eu te esquente?! – Falou com um sorriso malicioso, deitado ao seu lado.
Niko retribuiu o sorriso, puxando seu parceiro para mais perto.
– Me esquentar?! De novo?! – Ambos riram. – Vem, Félix, dorme de conchinha comigo!
Sentido os braços quentes de Niko em volta de si, Félix exclamou antes de adormecer: — Eu nunca dormi tão bem quanto agora!
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No dia seguinte, Félix acordou cedo junto com Niko. Ia dar-lhe uma carona até o restaurante, pois o carro de Niko estava na oficina. Depois de levar seu carneirinho, ele voltou para a casa de Pilar. Tinha muito trabalho com o pai, pois se dedicava a cuidar de César, mesmo que na casa de Pilar ele tivesse os empregados e quase todos os dias uma enfermeira do San Magno ajudando-o.
Félix ainda sentia uma profunda tristeza quando via a amargura que se instalara em seu papi soberano, enquanto ele mesmo havia conseguido se livrar das mágoas de seu coração, o qual se preencheu com aquele sentimento lindo e inexplicável que sentia por Niko.
Ele sabia que precisava de seu querido carneirinho cada dia mais. Que não podia mais viver sem ele. Ele ainda não tinha certeza se, pela primeira vez em sua vida, estava amando de verdade. Mas, havia entendido o que Niko quis dizer com:
– Sentimento não tem explicação... É assim mesmo... Só existe!
E aquele sentimento inexplicável existia dentro de Félix como se uma flor crescesse em sua alma exalando um perfume inebriante de felicidade. Aquele entusiasmo, aquela alegria, aquele desejo de estar sempre junto, fazia Félix ver toda a vida de outra forma. Agir com bondade, ou como bobo, como ele preferia achar, mas, sempre vendo um lado bom em tudo. Tinha algo que Félix nunca havia sentido, por isso nunca havia vivido plenamente. Era mais que otimismo, era diferente de ansiedade, era esperança. Esperança que nem ele sabia de quê... Mas, essa tal esperança sempre brotava dentro de si quando lembrava que agora era, finalmente, feliz.
Depois das semanas que passara em seu primeiro relacionamento sério e estável, Félix sabia que estava perdidamente apaixonado, mas, ainda não sabia distinguir o desconhecido amor. Muitas vezes, se pegava pensando em como, agora, não tinha nada do que sempre quis e no final das contas, tinha tudo que mais queria ter: alguém que o respeitava, o compreendia, o admirava, o adorava, e, possivelmente, o amava. Mas, como Félix corresponderia o amor se nunca havia sentido o mesmo, se nem sequer sabia se o que sentia era amor? As questões, por bem ou por mal, lhe faziam não parar de pensar em Niko nem por um segundo. Mas, no fim, tudo que lhe fizesse lembrar o seu querido carneirinho lhe fazia bem.
No entanto, uma questão era prioridade e esta martelava sua cabeça tanto que doía. Como contar sobre Niko para César?
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– É... Papi soberano, já tomou o café da manhã?
– Não!
– Como, não te trouxeram? Eu vou reclamar agora...
– Não, já me trouxeram, eu que não quis comer nada!
– Mas, papi, o senhor fez uma cirurgia delicadíssima na cabeça e ainda é recente, tem que se alimentar...
– Não sei por quê! Deviam ter me deixado morrer de vez, assim evitariam o trabalho de cuidar de um inútil!
– Pai, por favor, não repete mais isso! Todo dia diz a mesma coisa, parece CD arranhado...
– Não estou com humor para suas piadinhas, Félix!
– Ah não me diga! E quando o senhor está?!
César ficou calado. Félix continuou:
– Bem, se o senhor não quis comer nada agora, daqui a pouco, toma pelo menos um suco!
– Suco não, Félix! – O tom de voz de César soou mais como um pedido do que como uma ordem.
Félix entendeu que o pai estava provavelmente enjoado de sucos por conta do que Aline fazia. Ainda mais depois de tudo que a piranha havia lhe dito na cadeia a ponto de provocar um AVC, César tinha mesmo mais que esqueça-la.
– Tá, papi, suco não... Então, o que vai querer? Por que o senhor tem que comer alguma coisa para tomar os remédios...
– Traga um chá!
– Tá! Um chá... Alguma preferência?...
– De qualquer coisa, Félix! Vá logo! – A sua voz voltou ao tom ríspido de costume.
– Ok, papi soberano! Eu já trago seu chá... E espero que esteja calmo porque tenho uma coisa para contar!
Félix saiu do quarto deixando César curioso. Voltou com o chá colocando sobre a cômoda. Ajudou César a se sentar e se ajeitar na cama e colocou a bandeja com o chá em seu colo, tomando até o cuidado de virar a asa da xícara para o lado esquerdo para César poder pegar com a mão boa.
– Pronto! Cuidado que está quente papi!
– Eu sei! O que você queria me contar Félix?
Félix olhou para os lados para tomar coragem, mas, ao mesmo tempo era como uma tentativa inconsciente de evitar aquela conversa, da qual ele sabia que não sairiam palavras agradáveis da parte do pai.
– É... Papi... Eu... Você sabe que...
– Fale logo! Deixe de rodeios!
Félix pigarreou e titubeou um pouco para encontrar as palavras certas para começar.
– Sabe papi, eu tenho um... Um amigo... É... Se lembra daquele rapaz loirinho que estava aqui no dia do casamento simbólico da Linda, sabe Linda, filha do Tio Amadeu, com aquele advogado novinho do San Magno, o doutor Rafael?!
– Não, não lembro Félix...
– Papi, foi... Foi no mesmo dia que a lacr... O doutor Eron veio te buscar para te levar na cadeia para... Ver a Aline!
César engoliu em seco e falou sério: — Sim... Lembrei! Tinha um rapaz mesmo, que eu até mandei não se intrometer!
– É... O Niko... Eu... Eu te disse que ele era um amigo da família, lembra? Então... – A coragem lhe faltou na hora e ele tentou desconversar. – Papi, ele é dono de um restaurante japonês, olha, tem uma comida ótima, se o senhor quiser eu trago um dos pratos deliciosos para o senhor provar aqui em casa mesmo e...
– Félix! Se você não está trabalhando para esse rapaz não vejo motivo para tanta propaganda, portanto, diga logo o que você quer dizer!
Félix fechou os olhos e respirou profundamente tirando a coragem da imagem de Niko que vinha a sua cabeça.
– Não pai, eu não trabalho para o Niko! Ele é meu amigo...
– Você tem amigos Félix? – A pergunta do pai soou levemente irônica.
– Tenho pai... Pra falar a verdade, Niko é meu único amigo! Além da Márcia, que me trata como um filho, o Niko foi o único que me estendeu a mão!
– E porque está me falando dele?! Não me importa...
– Mas, ele é importante para mim, papi! – Félix gelou ao dizer isso, e seu pai ficar em silêncio. Respirou profundamente e continuou: — É... Pai, o... O Niko é... É muito importante para mim! Ele... Ele e... Eu... Nós...
– Desembucha, Félix! – César falou impaciente.
– Nós temos um relacionamento! – Félix falou rapidamente.
A ansiedade aumentava com o silêncio de César. Mas, o pai, depois de alguns segundos e uma expressão que Félix não conseguiu compreender, falou:
– Relacionamento?! Existem muitos tipos de relacionamento, Félix...
– Sim, papi, mas...
– Mas... Não precisa me explicar! Do jeito que você enrolou para dizer, no mínimo... – César fez uma expressão que parecia de nojo. – Imagino que tipo de relacionamento você deve ter com outro homem!
Félix abaixou a cabeça, mas levantou de novo com mais coragem dessa vez.
– Papi, eu... Eu tenho uma pessoa que é muito importante para mim, é alguém de quem eu finalmente gosto de verdade, e eu achei que deveria te contar, por que... Por que você também é importante para mim, pai!
Félix pegou no seu braço, mas César pediu:
– Solte senão não posso terminar de tomar o chá!
Félix soltou confuso por não entender o que o pai estava pensando.
– Papi, você ouviu o que eu te disse?!
César pôs a xícara com o resto do chá ainda quente no pires na bandeja.
– Claro que ouvi! É minha visão que está ruim, não minha audição!
– N-não vai dizer nada?!
O silêncio de César estava lhe dando nos nervos. Félix levantou-se de perto dele e caminhando pelo quarto, disparou:
– Pai, eu sei que você nunca vai me aceitar como sou, mas eu já nem ligo mais para isso, sei que é perda de tempo esperar que o senhor goste de mim... Mas, todos da família já sabem e eu queria que o senhor soubesse também de uma vez, que eu... E-eu estou namorando...
– Namorando?
– Sim, papi! Eu tenho um namorado! E é aquele rapaz que eu te falei, o Niko, o que estava aqui em casa naquele dia... Aliás, nós já estávamos juntos naquela ocasião... Já estamos juntos há mais de um mês!
– E por que me contou isso, Félix? – Para sua surpresa, César falou calmamente.
– É... Papi... Eu... Eu já disse... A família toda já sabia e eu achei...
– E você achou que assim como sua mãe e os outros aceitaram eu iria aceitar essa... Essa... – César falou com raiva, cada vez mais nervoso.
Félix se aproximou dele para pegar a bandeja, mas César a puxou de vez derrubando tudo no chão. O resto do chá ainda respingou pela perna de Félix.
– Papi... Porque fez isso?!
César respondeu com raiva: — Você acha que eu ficaria orgulhoso de saber o motivo de você sair tantas vezes à noite?!
Félix suspirou e seus olhos ficaram vermelhos.
– Não, não pai! Muito pelo contrário! Eu sei que o senhor nunca vai aceitar que seu filho tenha um namorado... Que o filho do grande doutor César Khoury seja gay... Mas, eu não estou nem aí! Eu só queria que o senhor soubesse por mim antes que alguém acabasse comentando... E é isso! Bem, eu vou pedir para alguém vir limpar isso...
Félix foi saindo, mas César ainda resmungou: — Eu nunca vou gostar que você seja assim... Nunca! Eu tentei te mudar, mas foi em vão... Você terminou sendo tudo que eu não queria, e quando digo tudo, é tudo mesmo!
– Ah... Eu sei papi... Até por que, você mesmo disse um dia que se pudesse trocaria minha vida pela do Cristiano não é?! Você preferia que eu estivesse morto para não ser sua vergonha... Mas... Nós temos uma coisa em comum doutor César... Nós dois queríamos mudar o passado! Infelizmente, o passado não se pode mudar... Mas, o futuro, pai, eu farei diferente! Pode ter certeza disso!
Félix saiu batendo a porta. Foi até a cozinha e pediu para alguém ir limpar o quarto de César. Bernarda estava lá.
– Félix, estou testando uma nova receita para o almoço... – Ela estranhou a expressão do neto. – O que foi? Te vi chegar tão sorridente e agora está quase chorando... O que o César te disse?!
Félix suspirou: — Ah vovó... Não importa o que eu faça o papi nunca vai gostar de mim! Eu vou para o meu quarto...
– Não quer conversar um pouco comigo, Félix?
Ele sorriu para a avó e lhe deu um beijo na testa.
– Obrigado vovó... É melhor eu descansar um pouquinho...
Félix foi, mas a tristeza permanecia em seu olhar e Bernarda sabia muito bem que seu neto precisava de palavras de carinho, diferentes das que César lhe dava todos os dias, apesar do reconhecido esforço dele para cuidar do pai.
Bernarda deixou suas receitas com a cozinheira e se dirigiu para o quarto de Félix. Bateu á porta.
– Félix, posso entrar?
Félix estava sentado na cama. – Pode vovótrix! Entra!
– Félix, não gostei nada da sua cara...
– Por quê?! O que tem de errado?! – Perguntou se dirigindo ao espelho.
– Não é nada disso Félix, volte aqui... – Bernarda sentou na cama e ele voltou sentando de frente para ela.
– Estou falando de algo que não se vê no espelho, Félix... Você dormiu fora de casa e chegou com um sorriso no rosto e um brilho no olhar, parecia tão contente... E agora está assim, quase chorando...
– Ah, vovó... É o papi... Mas, já estou acostumado com o desprezo dele...
– Félix... – Ela segurou em suas mãos. – Ninguém se acostuma com o desprezo!
Félix baixou a cabeça, mas Bernarda continuou: — Ei, Félix, você já aguentou tantas coisas vindas do César... Você é forte... O melhor para superar as dificuldades, Félix, é o sorriso... E você chegou sorrindo hoje, continue assim... E, eu sei o que lhe traz felicidade, ou melhor, quem... É o Niko não é?!
Félix sorriu. – É... É sim vovó... O Niko me faz feliz...
– Eu sei, eu vejo nos seus olhos quando você fala dele, quando volta da casa dele... Aliás, você voltou a sorrir agora só por falar nele...
Félix sorriu mais. – Ai vovótrix... É que o Niko... Sei lá, é incrível...
– O que você sente por ele é muito especial não é Félix?
– Ah vovó, eu nem sei o que eu sinto...
– Mas, você está apaixonado pelo Niko, não está?!
Félix sorriu e apenas balançou a cabeça confirmando.
– Então?!
– Então, o quê, vovó?
– O que o Niko significa para você?
Félix suspirou sorrindo. – Ah vovó... O Niko... É a coisa mais sincera que me aconteceu!
Bernarda sorria para Félix e ele continuou:
– Sabe vovó... Antes de eu aceitar o carneirinho, ele já queria ficar comigo...
– Sério?! O Niko que tomou a iniciativa?
– Ah vovó, não se engane por aquela carinha de santo, aquele lá já me deu cantadas inúmeras vezes... – Eles riram, mas Félix voltou a ficar mais sério. – Mas, eu dava um jeito de escapar das investidas do carneirinho!
– Por quê? Porque você ainda não sentia nada por ele?
– Não sei vovó... No começo era só uma amizade muito importante pra mim... Depois, a amizade foi virando algo mais e... Eu não sei explicar... Nas duas últimas vezes que ele me convidou para dormir na casa dele, eu... Eu queria muito ficar... Mas, eu fugia...
– E por que você fugia do Niko, hein, Félix?!
– Não vovó... Eu fugia de mim!
Bernarda tinha um olhar compreensivo para o neto e isso fazia Félix se abrir para falar.
– Eu... Eu fugia, pois tinha medo de... De decepcionar o carneirinho... Assim como decepcionei todo mundo... – Félix se pôs a chorar e a avó logo tratou de puxar sua cabeça para repousar em seu colo.
Ela o acalmava como se fosse um menininho chorando por um machucado.
– Shh... Shh... Calma, Félix... Você tem que deixar cicatrizar suas feridas...
Félix levantou a cabeça e enxugou as lágrimas, já mais calmo.
– Sabe vovó, eu falei para o papi sobre o Niko! Eu tomei coragem e contei para o papi que estou namorando... Claro, já esperando todas as bombas que ele ia soltar em cima de mim... Às vezes, eu acho que não vou ter paciência, mas, eu juro vovó, que eu estou tentando o máximo que posso... O único alívio que tenho é esperar para ver o Niko de novo, ele é um bálsamo pra mim!
Bernarda lhe fez um carinho nos cabelos, sorrindo, compreensiva como sempre. – Sabe o porquê desse alívio Félix?! Por que você gosta desse rapaz mais do que você pode imaginar... Eu vejo nos seus olhos quando você fala dele... Você não disse que o Niko é o que de mais sincero aconteceu na sua vida? Então?!
– Então o quê, vovó?
– Você já disse para o Niko o quanto o ama?
Félix olhou um tanto confuso para a avó. Como ela podia afirmar isso, se nem o próprio Félix conseguia afirmar? Ele tentou falar qualquer coisa, mas nenhuma palavra cabia ser pronunciada.
Bernarda, que continuava segurando suas mãos, pôs a mão no lado esquerdo do peito de Félix.
– Meu neto, me ouça... Eu já vivi muito, sei quando um coração está acelerado, descompassado como o seu está agora, é porque se está amando... Você pode não saber ainda como explicar esse sentimento dentro de você, mas, eu não tenho dúvida alguma de que você ama o Niko! Trate de aprender a amar logo e mais nada te fará ficar triste assim, nem mesmo as palavras rudes do César!
Félix sorriu emocionado e pegou nas mãos da avó com mais força, beijando-as em seguida.
– Ah... Como é sábia essa minha vovótrix!
Ambos riram e Bernarda saiu para deixá-lo descansar. Félix ficou a manhã inteira pensando no que sua avó lhe disse. O que ele mais queria era aprender a amar seu já amado carneirinho.
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Mais tarde, quando foi levar o almoço para César, Félix tentou não tocar mais no assunto, fingir como se nunca tivesse dito nada ao pai, mas César quebrou o silêncio.
– Olha aqui Félix, eu nunca vou aceitar essa vida que você leva, mas... Também não posso te mudar... Já tentei antes e não deu em nada, agora, mais do que nunca, não posso fazer nada... E também, mesmo que pudesse, não adiantaria! Você é o que é e eu tenho que engolir isso! Então... Vamos os dois nos contentar... Você tem me ajudado e eu reconheço, mas, não quero saber sobre você com esse rapaz, viva sua vida com ele como quiser! Só... Avise-me quando for sair, pelo menos, eu saberei onde você está; não será preciso que ninguém invente desculpas para explicar suas saídas!
Félix se contentou com aquilo, afinal, era o mais gentil que seu pai poderia ser com ele.
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À noite, Félix já havia dado o jantar de César. Estava chovendo e Félix decidiu sair.
– Papi, precisa de mais alguma coisa agora?
– Não, vou continuar assistindo TV, apesar de não enxergar direito o que está passando!
– Tá, eu vou pedir para o mordomo ficar por aqui por perto e qualquer coisa você chama! Eu vou... Vou sair...
– Sair? Ah, sei... Vá!
– É... Pai, eu acho que não volto hoje!
– Como se fosse a primeira vez que passa a noite fora... Vá, vá de uma vez!
Félix obedeceu desta vez, afinal, era o que ele mais queria. Pegou o carro e saiu. No meio do caminho, comprou um pequeno buquê de flores e foi até o shopping onde ficava o restaurante de Niko.
A chuva estava aumentando. De dentro do carro, Félix ligou para Niko do celular.
– Alô Félix! – Atendeu Niko todo alegre.
– Oi, carneirinho! Queria saber se você já vai sair agora, já está anoitecendo e estou aqui de frente te esperando!
– Ah, você veio me buscar Félix? – Perguntou todo carinhoso.
– Claro carneirinho! Esqueceu que seu carro tá quebrado, eu não te deixaria voltar a pé... Ainda mais nessa chuva!
Niko ficava cada vez mais contente. – Tá Félix... Eu saio rapidinho, é só dois minutos para eu terminar uns pratos aqui! Porque você não entra?
– Hã... Não, carneirinho... Vou te esperar aqui mesmo!
Félix não queria entregar no restaurante o que havia comprado para Niko.
Enquanto esperava, Félix recebeu uma mensagem no celular. Quando ia ler, bateram na janela do carro.
– Niko! – Félix se apressou em abrir a porta, largando o celular.
Niko entrou e eles logo se beijaram.
– Ai Félix, que bom que você veio! Eu até me preocupei quando vi que a chuva estava ficando mais pesada!
– Eu não ia te deixar ir assim carneirinho... Só quero te ver encharcado se for embaixo do chuveiro!
Ambos riram. O toque de mensagem do celular de Félix alertou outra vez. Niko pegou o celular, pois Félix já estava dirigindo.
– Você tem mensagem Félix!
– Ah, olha aí, carneirinho! Esqueceu que agora eu tenho celular pré-pago?! Só vem mensagem da operadora, é o apocalipse!
Niko leu a mensagem, e aquilo lhe encheu de ciúme. Ele pôs o celular de volta onde estava, claramente chateado, cruzando os braços e ficando sério.
– Que foi carneirinho?
– Félix! Isso aqui não é mensagem de operadora!
– Hein?! E é de quê... De quem?!
– Você vai ver! Afinal, é pra você!
Félix não estava entendendo o motivo daquela raiva repentina. Assim, que chegou em frente a casa de Niko, este saltou do carro sem mais explicações e Félix continuava sem saber o motivo.
– Mas, o que deu nele?
Félix pegou o celular e leu a mensagem:
“Félix, q saudade! Quero q veja essas fotos, espero resposta! Do sempre seu _Anjinho.”
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