Funk-se Telma!

16 Pagando com o corpo


— Ai, estamos ferradas!

Foi o que disse Telma ao ver que suas roupas haviam ficado inacessíveis. Tinha graça agora ela chegar na casa da tia Justina vestida de funkeira! As lágrimas já lhe vinham aos olhos.

— Bom, agora não tem jeito, gata, amanhã você pega! – Replicou Josias, já subindo na motocicleta.

— Não, eu não posso aparecer vestida desse jeito!

— Ah, então fica aí esperando! Até amanhã!

Telma escutou o ronco da motocicleta se afastando. Atrás ia o namorado de Francielly. Como não percebera antes que Josias era um grosso e bruto? Bem, na verdade sempre soubera, constatou Telma com tristeza, o caso era que justamente isso a atraía em Josias. Sem palavras, ficou olhando para Francielly, que longe da poderosa que tinha saída para tudo, agora chorava amedrontada.

— Ai, Telma, o que é que a gente vai fazer?

Telma rebuscou desesperadamente a mente em busca de alguém que pudesse ajudá-la. De repente veio-lhe a imagem de alguém que lhe dissera que estaria sempre acompanhando seu caso. Sem pensar duas vezes, pegou e celular e ligou para dona Elizete do conselho tutelar.

— Ai dona Elizete, me salva, eu estou aqui no meio da rua sem nem saber aonde estou! – Disse Telma em lágrimas.

— Calma minha filha, eu vou te salvar! Mas primeiro você vai me contar direitinho essa história do início ao fim, que eu não estou entendendo nada!

Telma teve que confessar todo o engodo que ela e Francielly haviam armado, sem omitir nada, e nervosa demais para sentir vergonha. Dona Elizete escutou impassível, e depois pediu indicações de onde estavam. Telma disse o nome da rua que leu em uma placa, depois sentou-se com Francielly na calçada esperando dona Elizete chegar. Ao redor, o funk havia recomeçado após a saída dos policiais, mas agora Telma não sentia vontade nenhuma de dançar.

Mais de uma hora se passou até que o carro de dona Elizete encostou na esquina. Ela estava muito calma, até sorridente, mostrando ter experiência com casos do conselho tutelar.

— Vamos embarcando, suas arteiras!

— Ai dona, será que não podia arrumar para a gente uma roupa para vestir? – Perguntou Francielly.

— Na-na-ni! Vão aparecer em casa assim mesmo!

E virando-se para Telma, anunciou:

— Eu já falei com a sua tia e expliquei tudinho! Ela vai determinar uma disciplina apropriada para você.

Telma achava graça no linguajar empolado de dona Elizete. Uma disciplina, sim. Sabia muito bem que estava precisando de uma boa sova, mas a presença de dona Elizete passava-lhe uma sensação de segurança e conformismo. Estava ciente de que não ia ter nada que não tivesse feito por merecer. Deixaram Francielly na casa onde estava hospedada, e pouco depois atravessavam o portão de tia Justina, que as esperava de braços cruzados.

— Achei essa funkeira na rua, é sua? – Perguntou dona Elizete em tom de brincadeira.

Tia Justina riu da ironia. Uma coisa que deixava Telma desconcertada era como a tia nunca perdia a calma, o que sinalizava que ela sempre sabia exatamente o que estava acontecendo e o que ia fazer. Esperou calada que ela agradecesse a dona Elizete o favor que havia feito, e quando finalmente a tia se virou para ela, tinha as mãos na cintura, mas ainda mantinha o sorriso irônico nos lábios.

— Então você estava com esse tal, como é mesmo o nome? Josias. Me diga exatamente o que vocês fizeram!

Telma sorriu sem jeito, e gaguejou. Não era preciso dizer nada.

— Então vamos lá para cima que eu vou dar uma olhada. Vamos rápido, menina, que eu preciso passar o relatório para a sua mãe!

Telma acompanhou a tia até um quartinho de costura apertado no final do corredor, onde só havia um divã e uma cadeira. Obedecendo a uma ordem, despiu-se e deitou-se no divã para ser examinada. Sem perder a calma, a tia inspecionou cada pedaço de seu corpo atrás de marquinhas de amor. Viu atrás do pescoço, virou seus seios de um lado e do outro, depois pegou seus tornozelos, empurrou-os de encontro aos quadris e afastou seus joelhos como quem abre um livro. Telma sentiu uma aflição quando a tia abriu-lhe a vulva, mas sabia que tinha que aguentar.

— Hum... mas que serviço porco, o desse rapaz!

Telma sentiu o rubor na face, mas teve que ficar calada. A tia fazia-a ver que ela não passava de uma moleca que pagava de poderosa, mas que não sabia nem transar. Passou-lhe um algodão molhado em suas partes íntimas, e ordenou:

— Agora vamos ver a porta dos fundos! Anda, menina, bota as costas das mãos encostadas na beirada e ajoelha em cima da palma!

Telma fez o ordenado, torcendo para que o exame acabasse logo. Escutou outro murmúrio de desaprovação, e em seguida a tia mandou que ela se sentasse. Agora queria conversar. Telma fez menção de vestir-se, mas a tia pegou a roupa que estava em cima da cadeira.

— Não senhora! Isso aqui eu vou jogar fora!

Telma baixou a cabeça, e a tia prosseguiu:

— Vamos ver, moça: você faltou com a minha confiança, mentiu, foi a um lugar proibido e fez coisa errada lá. Quatro faltas! O que você tem a me dizer?

Telma pensou consigo, perdidos por um, perdidos por mil. Já que o plano dera errado, agora era sofrer as consequências, e ela ia mostrar para a tia que podia aguentar. Respondeu:

— Eu fiz errado mesmo.

Percebeu que a tia não gostara muito de seu ar de pouco caso. Ela meneou a cabeça antes de replicar:

— Se concorda que fez errado, então tem que concordar que merece uma punição, não é, moça? A sua mãe deixou você sob minha guarda e eu estou autorizada a te castigar, você sabe. Então, moça, me diga, o que você acha que eu devo fazer?

— Ah tia, a senhora é quem sabe...

— Hum... estou vendo que está muito de queixo duro! Vou deixar você aí um pouco para se acalmar e pensar, viu? Enquanto isso eu converso coma sua mãe, que está preocupada querendo saber.

Saiu levando a roupa de funkeira. Telma sentiu a cabeça girar, mas quando o silêncio a envolveu, os pensamentos foram tomando ordem. A couraça de pouco caso agora derretia como um sorvete à medida em que a adrenalina ia embora. Sentia-se uma idiota. Arriscara-se por uma pessoa que não valia nada, e ainda falhou. Deu um suspiro. Estava ansiosa. Queria que a tia voltasse logo e acabasse com tudo, mas ela estava demorando. Com certeza tinha muito a conversar com sua mãe. Sua nudez começava a incomodá-la. Queria vestir-se e a toda hora tinha o impulso de alcançar o encosto da cadeira em busca da roupa, mas a tia havia levado.

Quando tia Justina finalmente entrou pela porta do quartinho, Telma tinha os olhos baixos. A tia pareceu satisfeita.

— Então, deu para pensar?

Telma fez sim com a cabeça. A tia prosseguiu:

— Eu já conversei com a sua mãe, e acertamos as providências! Primeiro de tudo, você usou esse celular para combinar as bandalheiras com a sua prima Francielly, não foi? Então vai ficar sem celular!

A tia pegou o celular que estava sobre o assento da cadeira. Telma nada encontrou para dizer.

— Isso é o que em educação se chama um castigo restritivo! Quando se abusa de uma concessão ou do uso de algum objeto, fica sem aquela concessão e aquele objeto! Não foi exatamente isso o que você fez, moça? E também vai ficar sem sair!

A tia fez uma pausa para observar a reação de Telma, que continuava sem ter nada para dizer.

— Mas o que você fez também foi safadeza com aquele rapaz que não presta! Aí é caso para outro tipo de castigo. Você faltou com o corpo, então o castigo é no corpo! Compreendeu?

— Compreendi, tia.

O que deixava Telma desconcertada era como a tia era sempre capaz de explicar tudo sem deixar dúvida, então ela não conseguia discordar. Diferente da mãe, que logo perdia a calma e começava a gritar, e em resposta Telma gritava também.

— Então espera só um pouquinho!

A tia saiu. Telma sentiu um frio na barriga, mas sabia que a surra era merecida. Quando a tia voltou, trazia uma cinta nas mãos.

— Vira de bruços!

Telma obedeceu, sentindo os pelinhos das pernas arrepiar. Deitou de bruços de comprido no divã. A tia chegou perto, e instruiu:

— Abre mais a perna! E deixa a bunda bem molinha!

Telma bem desejou estar vestida naquele momento, mas estranhamente estava calma. Devia ser o jeito ponderado da tia, passando-lhe segurança. Estava decidida a aguentar. Não ia soltar um pio. Obediente, abriu mais um pouco as pernas e procurou relaxar os músculos. Veio a primeira cintada, depois a segunda. A terceira chegou antes que ela conseguisse se recuperar. A quarta veio quando ela mal havia absorvido a dor da terceira. Mordeu os lábios e começou a erguer a cabeça. Quando a quinta chegou, ela já estava desvirando o corpo. A tia parou, pousou uma mão em suas costas e virou-a novamente de bruços.

— Não senhora! Tem que ficar na posição! Vira o bumbum para cima!

Telma tomou fôlego e enterrou a cabeça no divã. Tinha que aguentar. Veio mais uma, depois outra, e Telma viu que com o traseiro já quente chegava ao limite cada vez mais rápido. Quando veio a seguinte colocou a mão atrás. A tia fez outra pausa e segurou o pulso dela junto às costas. Continuou mandando a cinta, agora mais pausada, ora em uma nádega, depois em outra. Telma sentiu o ardor se espalhar em ondas sobre seus quadris, e as lágrimas lhe aflorarem aos olhos. Um gemido escapou de sua garganta. Não se conteve mais.

— Ai tia, para tá bom! Ai ai para! Ai tá doendo! Aii

A voz de Telma era entrecortada pelo estalar da cinta. Em determinado momento as lágrimas romperam como um dique estourado, e Telma nem fez mais noção do que dizia. Só sabia que estava batendo os pés, tamborilando o chão e rebolando os quadris enquanto a cinta continuava a cair. Nem notou quando a tia parou. Ficou ali soluçando um tempo que não soube precisar, até que ouviu a voz da tia:

— Agora vai no banheiro tomar um banho, depois vai dormir e pensa bastante!