Funk-se Telma!
20 Cheguei chegando
Ninguém viu quando Telma atravessou a calçada, mas ao invés de cruzar o portão do colégio foi até a outra esquina, onde Luciano já a esperava em um carro velho e fumarento. Tacou logo um beijão na boca e abaixou-se para que ninguém a visse em frente à escola. O carro acelerou e Telma achava sensacional aquela barulheira do escapamento. A seu lado estava Luciano, o homem que ela havia faturado e deixava morrendo de inveja as falsas amigas e as verdadeiras também. A paisagem desanuviou-se enquanto rumavam para os subúrbios. O carro entrou pelo portão de um motel decorado com estampas de coraçõezinhos já meio descascados pelo tempo. O porteiro mal olhou para eles. A chave foi dada, e o sorriso de Telma ia de um extremo a outro enquanto rumavam para a porta do quarto.
Telma sentia as mãos de Luciano percorrendo seu corpo, e suas mão também percorreram o torso peludo do rapaz. Chegou até o ouvido dele e pôs-se a murmurar:
— Tesão... me come... meu homem... ahhh
Ofegava cada vez mais enquanto sentia o tesão subir por seu corpo. Não falava mais nada, só conseguia gemer quando sentiu o membro de Luciano na portinha. Lembrou das outras vezes que transara com alguém, e tinha que admitir que Luciano superava todos. Doeu um pouco quando ele a penetrou, mas Telma gostava daquele jeito meio bruto. Ficou um bom tempo estirada na cama, olhando para o teto e procurando prolongar a sensação do orgasmo. Luciano levantou-se, indiferente, e foi ao banheiro lavar-se. Ele não parecia haver curtido tanto quanto ela, mas Telma gostava daquele jeito blasé dele, aquela indiferença de quem sabe o que faz e já fez muitas vezes. Aquilo que é homem, pensou, mil vezes satisfeita por haver faturado Luciano para ela e passado para trás todas aquelas piranhas.
Agora que tinha conquistado, queria exibir o troféu. Nos dias seguintes fez questão de desfilar abraçada e beijar Luciano a toda hora nos corredores da escola, ante os olhos cobiçosos das colegas. Até Suzana olhava para ela com inveja. Naquele sábado haveria festa no clube, e Telma já antevia o sucesso que ia fazer.
— Posso ir, tia?
— Pode. Se você fica direitinho e volta no horário que eu marquei, não tem problema nenhum você ir à festa, viu? Agora vai falar com a sua mãe que ele telefonou!
Telma sorriu por dentro, satisfeita de como as coisas iam correndo. Demorou, mas pegara o jeitinho certo de como levar a tia. Já conseguira algumas regalias, e em breve conseguiria outras, até voltar à vida normal. No fim ia acabar gostando de haver mudado para a casa de tia Justina, lá naquela cidade com certeza tinha muito mais gente interessante para conhecer. Pegou o telefone e não disfarçou o bom humor.
— Oi mãe! Como é que vocês estão aí?
A mãe era mais difícil de enganar. Como sempre, pediu o relatório completo, como estava na escola, quando saíram as notas, o que estava fazendo, se estava obedecendo a tia. Telma respondeu tudo tintim por tintim e procurou ficar mais séria para que a mãe não desconfiasse de sua alegria.
No sábado, ela e Luciano dançaram até cansar e tomaram muitos tragos. Telma não ficou bêbada dessa vez, estava aprendendo. A toda hora cantava com gosto:
Cheguei chegando bagunçando a porra toda
e que se dane eu quero mais é que se foda
porque ninguém vai estragar meu diaaaa...
Curtia muito os olhares de inveja da mulherada, mas começava a se incomodar que Luciano dava atenção a elas. Às vezes tinha até que puxá-lo pelo braço para afastá-lo de uma piranha qualquer, e ria muito, fingindo que era tudo uma brincadeira e disfarçando sua irritação.
Ainda estava com um sorriso forçado nos lábios quando entrou em casa. A tia a esperava, perguntou:
— Distraiu muito?
Telma notou um certo tom irônico na tia, será que ela percebera o seu estado de espírito? Procurou caprichar no sorriso, e replicou:
— Foi legal!
— Hum... então deixa eu ver o seu celular...
Telma sentiu como que levando um banho de água fria trazendo-a de volta à realidade. Não havia jeito, entregou o celular à tia, que o inspecionou com a paciência de sempre.
— Hum... muita conversa com esse rapaz chamado Luciano!
Telma sentou um frio na espinha, será que havia algo que denunciasse a escapada ao motel? Não, haviam combinado apenas de boca.
— É... ele é um garoto legal...
— Mas também tem muita conversa com outros garotos, esse daqui. São todos legais?
— Ah... é... são... mas é que eu não fico com um só não, sabe?
— No meu tempo, menina que fazia isso a gente chamava de galinha!
— Ah... mas não é o que a senhora está pensando, eu não deixo eles se aproveitarem não! Eu sou assim, meu corpo, minhas regras!
— Êh-êh garota! Você esqueceu a idade que tem, e esqueceu que a sua mãe deixou você aqui sob a minha responsabilidade! Então, seu corpo, MINHAS regras!
Telma ficou calada. Arrependeu-se de seu atrevimento, estava pondo a perder os pontos que ganhara com a tia. Mas após um breve suspense, ela restitui-lhe o celular.
— Agora vai dormir!
Fale com o autor