Funeral Bands
7 Capítulo 7
Os homens abriram a ambulância e até ofereceram a mão para ajudá-la, mas ela agradeceu e desceu por conta própria. Olhou para Charles e acenou, não o veria tão cedo, pensou ela. Pulou da ambulância e pôs-se a caminhar em direção ao hospital, onde entrou com um monte de paramédicos a rodeando.
– Oi — Ela cumprimentou a atendente. Meu nome é Yulia, eu já estive aqui algumas vezes com um histórico de gastrite mas, como você pode ver, não é só gastrite dessa vez. — Sorriu.
– Oi, Yulia. Falamos sobre você em um dia desses. — Ela estendeu a mão e apertou a da garota. — Dr. Ed Creves estava dizendo, há duas semanas que você não vem, estava com saudade.
– Pois é, Fatima, vocês fizeram um bom trabalho da ultima vez, tanto que não me atacou nada. O hospital ta cheio hoje, eu não preciso de emergência, vou esperar e, quando der, você me chama. Pode ser?
– Yulia, você pode entrar agora, tá sangrando. — A atendente riu quando Yulia gesticulou com a mão e foi se sentar em um dos bancos de plástico do corredor.
Charles saiu da ambulância e aproveitou para entrar com o motorista, com o qual fez uma amizade consideravel, chegara lá dentro pouco depois da garota e pode escutá-la falar com a mulher loira. Depois que Yulia se sentou o mais afastada possível no corredor, ele foi atras dela.
– Mas que porra foi aquilo?
– Digamos que ela ia comer frango em casa no domingo. — Falou sinceramente. Charles abriu e fechou a boca várias vezes, pensando no que responder, mas depois acabou por ficar quieto quando um médico chegou. O homem abraçou a garota.
– Então, um de vocês pode me dizer o que aconteceu?
– Oi, meu nome é Charles, eu explico. Não, Yulia, fica quieta. Enfim, eu estava voltando da balada com meus amigos quando escutamos gritos, eu, heroicamente, arrombei a porta de ferro de um armazém e encontrei essa dai com o rosto dentro de uma mesinha de centro de vidro. A ajudei a levantar, liguei para a emergência, quer dizer, para um amigo meu que se encarregou de ligar, e me sentei no sofá pra esperar, que foi quando eu percebi que ela não estava ali. A louca estava no banheiro tirando os caquinhos com vidro. Ou seja, eu conheci alguém com a cara dentro de uma mesa, depois descobri que o nome dela é Yulia e que ela mora com um cara que ela conhece há três dias. Sabe o que isso quer dizer? Que eu to indo pra psiquiatria. Falou. — Ele se levantou, olhou para a menina e para o médico, que o olhavam como se ele fosse um alienígena, e falou: — Na boa, quem se chama Yulia? — Então andou pelos corredores até sumir.
– Quem é ele? — Perguntou Ed, o médico.
– Eu sei lá.
– Enfim, vamos. — Ele a levou para um dos leitos em um quarto com mais três moribundos. Ed era um homem de uns quarenta anos que tinha os cabelos grisalhos e era calvo. Tentara imitar o penteado do Presley, sempre, mas nunca deu certo. — Vou tirar o que restou, mas antes vou colocar a anestesia, certo? — Yulia assentiu e ele aplicou cuidadosamente antes de, com uma pinça gigante, tirar cada um dos pedacinhos. Limpou o rosto dela com iodo e algumas outras coisas e prendeu gaze nos lugares onde pedaços maiores haviam perfurado. — Não vai precisar de pontos, mas você vai ficar aqui por uns dias.
– Por que? Eu juro que venho visitar, se você me deixar ir.
– Os paramédicos me disseram que você estava com gastrite e que tomou alguns comprimidos que achou. Primeiro, eu tenho que ver essa sua gastrite. Segundo, tenho que descobrir o que você tomou. Terceiro, preciso te desintoxicar.
Ela bufou.
Era quase de manhã e ela já dormia quando alguém abriu a porta do quarto abruptamente. Todos os pacientes acordaram, assustados, e só se acalmaram quando Yulia disse conhecer quem era.
– Mas eu não posso te deixar meia hora sozinha em casa que você já vem parar aqui?
– Ah claro, Artie, eu com certeza fiz isso de propósito
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