Notas iniciais
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Charles estava passeando pela nova cidade com seus amigos, estes estavam bagunçando e bebendo.. como sempre. Eles voltavam de uma balada e os caras queriam espairecer, talvez? Bem, eles caminhavam demoradamente, contando piadas e rindo como se ninguém ali tivesse problemas.

Bom, pelo menos ninguém naquela rodinha de garotos.

– Vocês ouviram isso? — Sussurrou Daves. Os caras assentiram e calaram-se na mesma hora. — Veio dessa rua.

Eles olharam para todos os lados, a rua estava vazia — além de mal iluminada. Decidiram se separar para checar e.. nada.

– Deve ter alguma casa ou bar por aqui. — Ben murmurou. Todos negaram.

– Cara, olha bem para essa rua. Quem seria o louco de — Charles se calou. — Vocês ouviram de novo?

– Ouvi.

Eles checaram novamente. Nada. Charles correu até um canto, ao lado de um estabelecimento aparentemente aos pedaços e escutou pela janela de vidro. Nada, nenhuma voz, nenhuma luz. Não poderia ser ali. Foi até o lugar ao lado e repetiu o ato, nada. O jeito era seguir as luzes já que, de todos os imoveis, só haviam dois iluminados: Um bar e um armazém.

– Chequem aquele bar. — Ele falou. Os caras sorriram e murmuraram algo sobre comprar bebidas e esquecer dessa história confusa, depois se foram, levando com eles suas piadinhas e taras.

" Okay, Charles. " Ele pensou. " Há alguém ai dentro, disso você sabe.. mas não se essa pessoa está viva. " Então outro grito, mas dessa vez mais fraco. " Okay, tá vivo. " Ele colocou o ouvido na porta de ferro e escutou alguém falando, mas logo identificou uma tv. Tentou chutar, mas a porta não cedia. " Vamos, você é Charles Baghl! " Chutou de novo. " Que porra de Baghl. " Pegou um pedaço de madeira qualquer, mas que parecia mais forte que ele e bateu na porta até que essa o permitisse entrar. A porta havia sido arrombada. " Bingo " Pensou ele com um sorriso no rosto. " Não vou repetir isso tão cedo. "

Era uma casa, isso o surpreendeu. Não havia cômodos, apenas móveis e mais móveis. A cozinha era grande, o que era estranho, já que parecia maior que todo o resto da casa. A sala era espaçosa e ocupada por um sofá de couro preto e uma mesinha quebrada com uma garota sobre ela.. espere..

– Merda ! — Ele gritou. Correu até a garota e puxou seu corpo para cima, o rosto dessa estava cheio de cacos de vidro e o resto do seu corpo... também.Ela cerrou os olhos e o fitou por uns instantes. — Ai meu Deus, você tá viva!

– Eu sei. — Sussurrou.

– Onde tem um celular, telefone, fax ou qualquer coisa que eu possa usar para ligar pra emergência?

– Acho que fax eu não vou ter, desculpa. Tem um telefone no sofá, em algum vão.

O garoto moreno atirou-se no estofado e vasculhou-o por inteiro, depois enfiou a mão dentro de uma almofada, sem querer, e encontrou o telefone por entre as espumas. Olhou ironico para a garota que apenas suspirou. O rosto dela sangrava muito, era aterrorizante.

– Alô? Então, é que eu tô com uma garota aqui e ela ta com a cara cheia de vidro e você podia chamar uma ambulância? Tudo bem, mas chama logo. Obrigada. — Charles ergueu o telefone e agradeceu.

– Já estão vindo? — Urrou ela.

– Não, o Sett já deve ta falando com eles, espera um pouco só.

Yulia arqueou uma sobrancelha, ao menos o tanto que conseguiu.

– Não ligou para a emergência?

– Eu não sei o número de lá, se esquece que aqui são números de verdade e não só três números.

– E o que te faz pensar que esse tal de Sett sabe?

– Ele liga muito pra lá.

– Você não está me ajudando muito. — Informou ela tentando se levantar.

– Antes de eu chegar você só gritava, agora você até que tá bem quietinha. — A ajudou a se levantar, Yulia bufou.

A garota caminhou, com dificuldade até o banheiro e se posicionou diante do espelho para tirar alguns cacos de sua face. Pegou uma pinça — não sem antes de se questionar o motivo de Artie guardar uma pinça — e começou a tirar cada um dos caquinhos, gritando quando puxava os maiores.

Charles já havia sentado no sofá quando luzes vermelhas invadiram a rua, depois alguns paramédicos entraram, às pressas, com uma maca. Os homens olharam confusos para Charles, que os cumprimentou com um aperto de mão.

– Não precisa de maca. — Yulia disse saindo do banheiro. — Eu vou andando mesmo.

– Ham... tudo bem. — Falou o Paramédico.

Yulia os seguiu até a ambulância, onde subiu e se acomodou cuidadosamente. Acenou para Charles, que retribuiu sorrindo. O motorista ia fechar a porta quando um dos paramédicos interviu.

– O garoto precisa ir com ela. — Informou ele, empurrando Charles para dentro do carro.

Deram a partida.

– Moça, eu preciso do seu nome e também de alguns dados. — Pediu uma enfermeira baixinha com uma prancheta. Yulia assentiu. — Seu nome?

– Yulia.

– Okay Yulia, você mora com seus pais, é casada, mora sozinha? Enfim, preciso saber com quem você mora para que possamos avisar.

– O nome dele é Artie.

– Tudo bem, eu vou precisar do número dele. — Yulia anotou. — Obrigada, mas eu ainda tenho que fazer algumas perguntas.

– Tá bom.

– Qual a ultima coisa que você se lembra?

– Eu senti que a minha gastrite ia atacar, fui ao banheiro e peguei um frasco laranja, parecido com o meu, e tomei algumas pílulas. Depois eu fui pra sala e fiquei vendo tv em pé. — Ela não falaria que dançara. — Acho que não era o meu remédio.

– E você sabe qual poderia ser esse remédio? Artie tem alguma doença?

– Não sei, o conheço há uns três ou quatro dias.

– Tudo bem. Estamos quase chegando no hospital. — A mulher segurou sua mão. — Você é uma mocinha forte, Yulia.

A enfermeira caminhou para o lado de um paramédico e ficou conversando com ele. Charles ria desesperadamente, porem tentando segurar.

– O que é?

– O seu nome é Yulia? — Gargalhou, depois se repreendeu.

– Não, é Roberto.

Ele riu ainda mais. — Okay, Roberto, acho que chegamos no hospital.

– Depois eu tenho que agradecer o Sett, se fosse por você eu já estaria morta.

– Exagerada... — Cantarolou.