A garota girou a garrafa de cerveja e logo depois um cara loiro gritou eufórico.

– O cara quieto responde e o Chaster pergunta.

Chaster? Quem é Chaster? Pensou Artie confuso. Mas apenas assentiu e esperou que alguém lançasse alguma pergunta, e esse alguém seria Chaster, claro.

– Desculpe, como é seu nome? — Perguntou o suposto Chaster o encarando cuidadosamente. Ele tinha olhos escuros e cabelos pretos, a pele bem branca e um rosto meio sardento.

– Artie. — Respondeu meio hesitante. Ele, com certeza, não estava acostumado a se relacionar com mais pessoas que o necessário. Não gostava que as pessoas ultrapassassem a barreira dos desconhecidos, caminhando para os " nossa, eu sei seu nome, vamos ser amigos para sempre!"

– Ótimo, Artie, então você escolhe verdade ou desafio?

Artie o fitou assustado. " Mas que porra é essa? " pensou. Não queria que nenhum deles soubesse nada sobre ele, sentia-se superior àquele tipo de gente.

– Desafio. — Murmurou. Eles começaram a se movimentar e vários deles falaram coisas no ouvido de Chaster, que sorriu assentindo.

– Artie.. Por palpite desse povo todo eu o desafio a passar um mês com Yulia. — Ele sorriu ao ver o espanto de Artie. — Desculpa, amigão.

Artie olhou em volta, todos sorriam para ele. Mas ele não fazia ideia de quem era Yulia. Chaster deve ter percebido a confusão do desconhecido pois logo apontou para a menina de cabelos negros e olhos verdes que estava sentada na bancada da cozinha lendo uma revistinha do batman que achara por ali. Espere. Artie a conhecia. Ele teria de passar um mês com a menina que quebrou sua janela e colocou aqueles loucos lá dentro? Chaster só podia estar de brincadeira.

– Yulia, meu amor, vem cá. — Chamou o mesmo cara ruivo de antes. A menina levantou os olhos da revista e sorriu, depois caminhou até ele, o beijando logo depois. — Terá que passar um mês com Artie. — Disse este com um certo mau humor na voz.

Yulia percorreu o olhar por todos ali. Conhecia todo mundo, sabia então quem era Artie. Ela sorriu forçado.

– Tudo bem por você, Mike? — Perguntou ela para o ruivo, que fez uma careta.

– São as regras do jogo.

Yulia sorriu e se sentou ao lado do namorado, que lançava olhares furiosos para Artie e Chaster com frequencia.

Artie girou a garrafa, que apontou o bico para uma garota loira e o fundo para uma morena. Elas riram.

– Rose, você escolhe verdade ou desafio? — Perguntou a loira.

– Desafio.

– Bem, eu a desafio a beijar nosso novo amigo.

Artie arqueou uma sobrancelha, não estava com sorte. Não que a menina fosse feia e tal, ela tinha os cabelos ondulados incrivelmente negros e os olhos azul claro, era meio baixa mas de quê importava? Ele só não era do tipo de cara que ficava com qualquer uma. Na verdade, Artie nunca teve um tipo certo. Era instável e emocionalmente problemático.

A garota se aproximou dele, sentando-se na sua frente. Ela foi aproximando seus rostos e logo depois tocou-lhe os lábios suavemente. O beijo, inicialmente, era abrupto e forçado, mas, com o tempo, foi se suavizando até que nenhum dos dois desejava parar. A menina mantinha o beijo em um ritmo calmo até que Artie pediu passagem para a lingua, que foi quando começou a se intensificar. A garota foi se posicionando em seu colo e agarrando seus cabelos loiros com suas unhas compridas. Ele a agarrava pela cintura, a mantendo perto e acariciando suas costas à medida que eles iam perdendo o fôlego.

– Hum.. Desejam ir para o quarto? — Perguntou a loira rindo.

Rose interrompeu o beijo e abriu os olhos, encarando Artie que tentava enxergar o fundo da sua alma. Ela sorriu sem graça e ia se afastando quando decidiu voltar e se sentar ao lado dele pelo resto da noite. Hora ou outra Rose agarrava sua mão, mostrando segurança, mesmo que seu rosto denunciasse a vergonha que ela sentia. Artie sorriu para ela.

Rose segurou a garrafa e girou.

A noite passara rapidamente para todos ali menos, é claro, para o nerd egocêntrico que tinha sua primeira relação social com a diversão como objetivo em seus 23 anos. Ele odiava cada segundo que se passava e revirava os olhos sempre que era obrigado a responder ou a perguntar. Eram umas cinco horas da manhã quando o primeiro dos jovens se levantou e anunciou sua partida, e em trinta minutos só restavam Rose, Chaster, Mike e Yulia no armazém de Artie.

– Então você fica, Yulia. — Concluiu Chaster. O garoto estava eufórico apesar de bêbado. A menina assentiu olhando para o namorado, que se manteve quieto. Artie os acompanhou até a porta e esperou que eles saíssem para trancá-la. Mike o fuzilava com os olhos, e o continuou até enquanto beijava a garota que estava meio tonta.

– Tchau, querida. — Disse ele e então correu junto ao amigo. Em menos de dois segundos já não se era possível vê-los. Rose continuava na porta o encarando. Ela sorria de lado, às vezes.

– Então eu já vou, Artie. — Ele assentiu e ela se virou para a escuridão do beco. Havia começado a chover.

– Espere, Rose! — Ele gritou e então correu até ela. — Quando eu te vejo de novo?

– Foi só um jogo, Artie. — Ela disse olhando para baixo e ele se entristeceu um pouco. — Mas, esse é meu número. — Ela pegou um papel de seu bolso e uma caneta, escreveu e lhe entregou. — Mas eu não confio que vá me ligar. — Concluiu ela. Artie a puxou pela cintura e colou seus lábios novamente, depois se afastou e sorriu.

– Me atende.

Artie trancou a porta e continuou encostado nela, encarando a garota.

– Então.. — começou ela. — Eu não tenho roupas.

O garoto assentiu e andou até seu guarda roupa, de onde tirou uma blusa branca e jogou para ela, depois observou sua cama cheia de cacos de vidro.

– Acho que não tem como dormir aqui hoje. — Ele disse para si mesmo.

– Desculpe. — Sussurrou a garota que já trajava sua blusa.

– Costuma chegar dessa forma na casa de desconhecidos?

A menina balançou a cabeça e andou até a cozinha. — O quê tem pra comer?

Artie deu de ombros e começou retirando os cacos de cima de sua cama. Tirou os cobertores até que parecesse não haver mais nenhum resquício daquela janela, a qual ele teve de tampar com um saco preto. Colocou roupas de cama limpas sobre o colchão e deitou-se sobre estas, olhando para o teto pensando em Rose. Tinha seu número amassado em sua mão.

– Ei! Eu tô com fome! — Yulia gritou.

– Quer acordar todo mundo? — Ele foi até a cozinha e abriu a geladeira. — Tem doritos, pepsi, temaki, um pedaço de lasanha, um pirulito daqueles grandes, batata frita e um pouco de sushi.

– Me dá o pirulito?

– É meu. Não. — Ele pegou o doce e lambeu.

– Então a lasanha. — Resmungou.

– Ta aqui. — Entregou para ela um prato com o alimento.

– Mas o macarrão tá até duro já! Há quanto tempo isso tá ai?

– Shhh, eu quero dormir. — Disse já da cama, ainda com o doce.

– Se eu morrer de fome a culpa é sua! — Reclamou. Pegou a porção de batatas fritas e foi para o sofá, onde ela dormiria. — Mas essas batatas estão todas mordidas!