Funeral Bands
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Qualquer sugestão ou comentário, podem deixar que eu vou gostar muito.
Obrigada desde já .-.
Artie tirou um cigarro do bolso da calça jeans e o acendeu, faziam exatos trinta minutos que não fumava, e isso o estava enlouquecendo. Estava caminhando por um beco escuro e úmido de Sopron, com uma sacola de supermercado nas mãos cheia de maços de cigarro e champagne — nunca fora um cara muito chegado em bebidas alcoólicas, mas obrigava-se a tomar champagne com veemência.
Apertou a sacola contra o peito, era uma daquelas noites frias e sua jaqueta não a estava contendo, seu maxilar tremia. A noite estava iluminada apenas por uma lua minguante que insistia em reluzir, assim como a única luz amarela e trêmula que iluminava o beco em que passava. Hora ou outra uma ou duas pessoas passavam rindo, bêbadas, conversando, e Artie não entendia como conseguiam se relacionar tão fácil com pessoas que acabaram de conhecer, não entendia como aquelas pessoas podiam rir de piadas idiotas.
Tirou uma chave do bolso da sua jaqueta e abriu a porta de ferro que guardava seus aposentos. Ele morava em um armazém abandonado, havia apenas um cômodo grande e um banheiro improvisado, mas ele gostava. Trancou a porta, pôs a compra sobre uma mesa e ligou o aquecedor. Ele gostava daquelas noites solitárias, aliás, todas eram, mas ele gostava principalmente das sextas, com os jovens bêbados cantando na rua e o som da sirene das viaturas. Artie Burni gostava do caos.
Ligou o rádio que ficava apoiado sobre uma mesinha perto do banheiro e fechou os olhos quando ouviu a música que este cuspiu. Nobody is fool, ele amava Cinderella. Caminhou até o banheiro dançando discretamente, olhou-se no espelho, jogou os cabelos loiros para trás e piscou para sua imagem enquanto dançava. Tomou duas pílulas de um calmante qualquer e voltou para o outro cômodo, desta vez dirigindo-se a cozinha, onde preparou um cereal com bastante leite em uma tigela de porcelana, depois a devorou enquanto assistia a um programa qualquer na tv.
Seus olhos já grudavam. Ele juntou toda a bagunça que fez na sala e arrumou tudo cuidadosamente. Artie era um cara sistemático e organizado. Tinha seus horários para tudo, acordava às 08:00, lia o jornal diário e saia para trabalhar na distribuidora de madeira local, depois voltava e almoçava às 11:40 e ia para a faculdade de astronomia. O tempo livre de seu dia passava lendo ou estudando. Não tinha amigos, não saia, não se divertia e raramente ria sem ironia, mas era feliz dessa forma. Sentia-se feliz sendo o nerd solitário que era.
Deitou-se em sua cama metodicamente arrumada e fechou os olhos tentando dormir, mas uma gritaria do lado de fora o irritava mais que profundamente, e ele cerrava as mãos em punhos. Socou a parede. Gritou para que calassem a boca, mas todas as suas tentativas foram em vão. A gritaria continuou, aumentando progressivamente. Era uma mistura de riso com gritos e urros, e isso, mais que tudo, o irritava profundamente. Tampou os ouvidos com o travesseiro, mas o som continuava.. as pessoas continuavam a se achar os donos da noite. Levantou-se abruptamente, abriu uma garrava de champagne e a sorveu rapidamente, depois foi, com ela, para o lado de fora.
Artie fechou a porta de sua casa, vestia apenas uma blusa branca e uma samba canção verde, e então caminhou até a lateral da mesma, onde encontrou um grupo de jovens sentados em círculo no chão. Alguns deles se mantinham sóbrios, enquanto outros já não raciocinavam de tanto álcool.
- Com licença. — Disse ele calmo, mas ninguém ouviu. Os gritos se tornavam mais ruidosos. — Ei! — Gritou. Sem exito. Artie sentiu suas veias formigarem e, com isso, jogou a garrafa vazia no meio deles, que o olharam assustados. — Ótimo. — Ele disse. — Será que poderiam calar as respectivas bocas? — Ninguém respondeu e ele girou os calcanhares e voltou para a direção da porta.
- Ei! — Chamou uma garota de olhos verdes e cabelos pretos se levantou com dificuldade. Artie virou para trás e a encarou indiferente. — Quem você pensa que é para falar assim com a gente?
- O cara cujo quarto fica embaixo dessa janela — Ele apontou para uma pequena vidraça que ficava acima da rodinha. — e que está tentando dormir no momento.
- Cara, é sexta à noite, não tem nada melhor que dormir para fazer?
Artie permaneceu quieto. Sua boca formou uma linha reta e seus olhos incrivelmente negros estraçalhavam a menina mentalmente.
- Claro que não, é só mais um introspectivo tímido que tem medo de pessoas. — Continuou a menina que se apoiava na cabeça de um homem ruivo que ria. — Não é só porque a sua vida é medíocre que tem que fazer com que a nossa também seja. Nós temos a noite toda pela frente. — Sibilou ela, mas suas palavras eram atrapalhadas devido a embriagues.
- De que lhe interessa o que faço em uma sexta à noite? — Gaguejou ele. Depois as costas a ela e voltou a andar. — Deixem-me dormir.
- Então admite que não tem nada para fazer? — Artie não respondeu, só parou de andar. — Venha. — Ela caminhou entre os amigos e se aproximou dele. — Jogue conosco.
Artie permaneceu quieto, sem olhar para ela, mas depois voltou a andar. — Não. — Disse ele.
- Ah, vamos lá. O que de melhor tem a fazer?
Ele abriu a porta e entrou, a garota o havia seguido até lá e ela o encarava lá na porta. Ele bateu a mesma em sua cara e se jogou no sofá de couro preto.
- Covarde! — A garota gritou lá de fora. — Ele bateu a porta na minha cara! — Falou indignada para os outros que se mantinham calados. — Mas da pra vê-lo pelo vidro da porta.. está deitado. Covarde! — Ela gritou de novo.
Artie levantou a mão e mandou-lhe o dedo do meio, a garota deu um grito de choque, mas depois se calou. Ele pôde cochilar por alguns minutos, até que ouviu o estilhaçar de um vidro e logo a garota estava lá dentro, com uma carranca terrível.
- Mas o que? — Perguntou confuso. Pulou do sofá e a encarou de longe. Viu que ela havia quebrado a vidraça sobre sua cama e sentiu suas veias coçando. — Quebrou minha janela!
- Cortaste minha perna ao atacar aquela garrafa. Só me vinguei. — Ela apontou para a perna que sangrava bastante.
- Desculpe.
- Sem problemas. — Ela sorriu.
- Agora que já se vingou.. se importaria em sair da minha casa? — Ele se aproximou um pouco.
- Não. — Ela alargou o sorriso. — Você vai ter que jogar com a gente.
Nem dez minutos depois todos os jovens da rodinha lá de fora se encontravam no meio da sala de Artie, que tinha ataques à medida que bagunçavam sua casa.
A garota girou uma garrafa de cerveja.
Notas finais
Eu amo o Artie.
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