Fugitiva

3 Capítulo 3 - O sonho


Notas iniciais
Espero que esteja gostando de Kate!
Boa leitura, haha!

Eu segurava a respiração enquanto Josh se erguia da água para pegar mais oxigênio.

Já estava cansada de tentar subir para a superfície, estava sem forças, sem capacidade de tentar me emergir para cima. O nível da água me impedia, era mais forte.

Foi quando senti uma dor forte nos meus pulmões, não havia mais saída de ar, não havia como mais segurar.

Foi doloroso.

Confesso que o medo e o desespero, com certeza eram maiores do que qualquer dor física que eu sentia naquele momento.

Apaguei.

- Katherine! – era minha mãe quase gritando.

Abri meus olhos dolorosamente.

- Já esta tarde! – completou.

Olhei para o relógio e eu estava atrasada para a aula.

- Droga! – sussurrei comigo mesma percebendo que tudo passava de um sonho. Um sonho muito estranho. Só conseguia se lembrar daquela parte... A parte que meus pulmões ardiam e eu morria afogada vendo o garoto estranho do meu ônibus se safar.

- Levante-se daí logo, não quero que perca aula! – disse ela saindo do quarto. Parecia nervosa.

Levantei com toda calma e indo até o banheiro no corredor.

Não sei por que, mas eu sentia uma angustia dentro de mim. Ainda tentava se lembrar do sonho com nenhuma pressa. Esperei o semáforo ficar verde e viajei no corte de cabelo do rapaz que passou com um Chevette Tune Up, se não me engano, um carro bastante atrativo – vivi bastante tempo com garotos no início do colégio, portanto carro se tornou uma das minhas qualificações básicas, eu conhecia algumas coisas de vista.

O carro estacionou na frente de um mercado e o sinal pedestre ficou verde, as pessoas começaram a atravessar e eu fiquei parada observando o rapaz com um penteado estranhamente de cor verde entrar no estabelecimento. Era um tipo de figura geométrica em forma de cabelo, como uma estrela de seis pontas.

Eu o conhecia. Ele não me conhecia.

Seu nome era Brad se não me engano, ele era meu vizinho. Eu o observava.

Nunca foi um garoto exemplar para os pais. Chegava tarde todos os dias, sempre com bebidas ou cigarros estranhos. Um mais forte do que o outro.

E o melhor... Ele era especial como eu.

Ele tinha tele transporte. Não sei se era secundário ou primário como Megan mencionou na escola... Mas ele era um de nós.

Os pais de Brad nunca entenderam às vezes a rapidez que ele tinha para chegar em casa quando seu carro estava no conserto – ou seja, quase sempre.

Saí do caminho das pessoas e fui até o mercado onde o problemático Brad estava, queria ver como ele passava... Só por costume.

Escola? Não. Não hoje.

Atravessei a rua e entrei no mercado.

Lá estava ele na sessão dos congelados. Era um mercado pequeno e apertado.

Estranho ver uma figura tão egocêntrica em um lugar como aquele.

Peguei algumas balas e quando ia pagar, vi Brad retirando um cigarro do bolso e depois um isqueiro.

Um estrondo invadiu o lugar.

Senti meus ouvidos doerem e automaticamente todos deitaram no chão.

O pânico cercava aquele pequeno estabelecimento.

Alguém havia atirado em Brad, que estava sangrando e esparramado no chão como um boneco.

Alguém havia atirado. Alguém de fora.

Havia cacos de vidro por toda a parte. Todos olhavam fixamente para Brad morto no chão e para a rua movimentada.

Um homem de roupas pretas, de óculos escuros e botas grossas, havia entrado no estabelecimento pisoteando os pedaços de vidro pelo caminho. Era um policial.

- Aqui é da polícia, não temam!

Todos ali se acalmaram, era possível ouvir pessoas bufando de alívio e crianças chorando.

- Estávamos atrás deste criminoso a dias.

Criminoso? Brad não era um criminoso... Aquele policial mentia. Brad não era procurado ou fugitivo... Ele era um especial.

Notas finais
Deixe seu review, por f-a-v-a!