Fruto da Paixão
4 Reconciliação
Notas iniciais
Capitulo 4 – Reconciliação
O médico dizia a Kagome todos os cuidados que deveria ter de agora em diante, ela ouvia atentamente tentando decorar tudo, mas hora ou outra se perdia em seus pensamentos.
“Será que ele ficará feliz... Em saber que nós teremos um bebê? Acho que não... Ele ainda ama a Kikyou... Será que eu devo contar? Eu não quero que ele rejeite essa criança, é a última pessoa que deve sofrer...”
- Muito bem, a senhorita deve evitar ter emoções fortes, também deve evitar esforço excessivo, entendido, srta. Higurashi?
- Certo.
- Muito bem. Cuide-se senhorita Higurashi.
- Obrigado, doutor.
Ela apertou a mão do médico e logo deixou a sala, viu Houjo sentado no sofá da sala de espera, ele estava muito suado e com uma expressão desacreditada e com um copo de água na mão, mas depois de tudo o que tinha ouvido Kagome não podia culpá-lo.
- Mana! – Souta exclamou e correu para abraçar a irmã – Você está bem, mana? Está doente?
- Estou bem, Souta. – ela sorriu e o tranqüilizou um pouco, Kagome se aproximou de Houjo e sentou ao lado dele no sofá – Souta, será que vocês podem ir pegar um pouco de água pra mim? Eu preciso conversar com o Houjo, okay?
- Tá, mana. – o menino foi com a namorada para onde eles tinham visto um menino brincando sozinho.
- Houjo – Kagome começou, o rapaz a olhou como se estivesse vendo um fantasma – Você está bem?
Ele abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu dela, então apenas balançou a cabeça.
- Não precisa ficar preocupado, Houjo. Eu estou bem.
- Então, você realmente está... Está...
- É. – ficaram em silêncio por um bom tempo até que Houjo falou.
- Aquele garoto de hoje mais cedo... É o pai não é?
- Ele é sim.
- Por minha culpa ele deve estar com muita raiva de você... O que você vai fazer? – ele falou preocupado
- Já disse que não precisa se preocupar. Eu sei que nós vamos acabar nos entendendo.
- Mas, Kagome... E se... Ele não quiser esse... Neném?
-..., Eu não sei... Eu já até cogitei isso, mas realmente não sei qual será a reação dele...
- Escuta – Houjo tomou as mãos dela – Você Pode contar comigo para qualquer coisa... Se ele não quiser ter esse filho pode contar que eu te ajudarei! – ele falou decidido.
- Muito obrigado, Houjo. – ela disse e o abraçou, Houjo ficou surpreso com o gesto e demorou a retribuir.
- Hei, mana, aqui está a sua água. – Souta voltou correndo, e Kagome soltou Houjo para se voltar ao irmão.
- Obrigado.
- Quando nós vamos sair daqui? Odeio hospitais!
- Tá, tá, já vamos. – ela sorriu.
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Estava sentado no galho de uma árvore, observava algumas crianças que brincavam logo adiante, podia ver a alegria estampada em seus rosto, o que o fez ficar ainda pior.
Tudo naquele lugar lembrava Kagome. Ele lembrava de como ela gostava de brincar com as crianças, ajudando-as a fazer enfeites de flores, como ela gostava de ajudar Kaede a preparar alguns chás medicinais para os feridos, e a árvore sagrada... Onde tudo começou...
Flashback
Haviam chegado de outra viagem longa e todos estavam cansados. Inuyasha deixara a cabana por algum tempo e fora até a árvore sagrada. Aquele lugar lhe traziam tantas lembranças! Lembranças de sessenta anos atrás e também de apenas alguns meses que haviam passado.
Tudo havia mudado desde que Kagome tirara a flecha que o lacrava aquele lugar. E na imponente árvore ainda restava um orifício de onde a flecha estivera. Ele passou os dedos lentamente pelo orifício, recordando aquele momento...
- Inuyasha? – mas uma voz delicada o trouxe de volta de seus devaneios.
- Não devia estar dormindo? Você está muito cansada, é humana. – ele falou.
- Você também é meio humano, Inuyasha. – ela estreitou os olhos. – Também deve estar cansado mesmo também sendo meio youkai.
- Heh! Eu estou bem. Não estou com sono agora.
- Nem eu. – ela se aproximou do meio youkai e dedicou-lhe um sorriso doce.
Alguns minutos depois estavam sentado no galho da árvore, Kagome observava a lua calmamente, parecia estar pensando.
E Inuyasha não conseguia tirar os olhos dela, estava tão absorto, observando-a, que não percebeu quando ela virou a face e sorriu para ele.
- Hei, Inuyasha...
- Hum? – ele falou ainda perdido naqueles olhos dela.
- O que você acha que teria acontecido... Se eu não tivesse vindo parar aqui? – ela perguntou e só então Inuyasha ‘acordou’.
- Bem... – ele nunca tinha parado pensar nisso, e a pergunta o pegara desprevenido. – Eu não sei. Talvez eu ainda estivesse adormecido.
- É... E não teríamos que andar por aí atrás dos fragmentos da jóia.
- Verdade...
- Mas... Se nada disso tivesse acontecido, eu nunca teria te conhecido, Inuyasha. Eu nunca mudaria isso.
Ficaram se encarando longamente, o silêncio da floresta tomando conta do lugar, apenas ouviam as respirações uns do outro.
- Eu também não mudaria isso. – Inuyasha quebrou o silencio, mas suas palavras saíram quase inaudíveis. – Porque, por sua causa... Eu me tornei uma pessoa melhor.
- Você sempre foi uma boa pessoa Inuyasha. Só precisava que lhe mostrassem esse seu lado ao invés de tratá-lo como um criminoso.
- Ninguém nunca havia visto esse lado antes de você, Kagome.
Inuyasha sentiu a face arder quando Kagome tocou-lhe o rosto delicadamente, ficou estático, sem saber o que fazer.
Aos poucos aproximou seu rosto do rosto dela, viu que Kagome ficou um pouco surpresa, mas a medida que ele se aproximava ela fechou os olhos e entreabriu os lábios... Para finalmente tê-los encobertos num beijo tímido.
Inuyasha afastou o rosto e olhou fundo nos olhos da garota, antes de puxá-la para um beijo mais intenso, mais apaixonado.
- Eu te amo. – ele sussurrou ofegante no ouvido dela, logo, sentiu os braços dela ao redor de seu pescoço, abraçando-o fortemente.
- Eu também te amo, Inuyasha...
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Balançou a cabeça fortemente, não queria tais lembranças, queria apenas esquecê-la. Mas parecia impossível. Quanto mais ele tentava tirá-la da cabeça, mais e mais ela parecia atormentá-lo com lembranças...
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Kagome passou a noite pensando no que deveria fazer. Não sabia se teria coragem de voltar e encarar Inuyasha de frente. Muito menos se teria coragem de dizer a ele que estava esperando um filho dele.
Quando a manhã chegou, Kagome levantou-se decidida a ir. Mesmo que ele a odiasse naquele momento ele tinha o direito de saber. Tomou o desjejum, se despediu da família e atravessou o poço.
Chegou a aldeia e seguiu direto para a cabana de Kaede, mas lá só havia Miroke, Sango, Shippou e Kirara.
- Kagome! – todos exclamaram ao vê-la, Shippou correu para abraçá-la.
- Oi, pessoal. – ela sorriu, estava realmente feliz por ver todos.
- Como você está, Kagome? – Miroke perguntou
- Estou bem, obrigado.
- Sentimos sua falta! – Shippou afirmou – Mas o Inuyasha disse que você não ia voltar! – ele falou um pouco revoltado.
- Ele disse?
- Disse. – Sango falou – Ele disse que viu você beijando outro cara.
- Bem... – Kagome falou baixo – Não foi bem assim...
- Você beijou outro cara? – Miroke indagou espantado.
- Não. Ele me beijou. E o Inuyasha viu... Aliá, onde ele está?
- Não sei. Ele saiu. Ele anda deprimido nos últimos dias. – Miroke falou.
- Vou procurá-lo. – ela fez menção que sairia da cabana.
- Espere, Kagome. – Sango chamou. –Tem certeza que vai procurá-lo? Não sei não, ele tá muito irritado, você devia esperar.
- Não, Sango. Eu realmente preciso falar com ele. – ela falou antes de sair da cabana.
Kagome andou um pouco pela a aldeia procurando por Inuyasha, hora ou outra falava com alguém que ia cumprimentá-la. Depois de algum tempo o encontrou numa árvore próximo ao rio.
- Inuyasha. – ela chamou, o youkai que mantinha os olhos fechados assustou ao ouvir aquela voz tão conhecida.
- Kagome... – ele murmurou sem acreditar que ela estava ali, então, lembrou-se do que vira quando foi a casa dela na outra era e sentiu a raiva crescer dentro de si. – O que quer aqui? – falou com arrogância.
- Preciso falar com você. – ela falou séria.
- Não tenho nada pra falar com você. Volte para a sua era.
- Já disse que tenho que falar com você, Inuyasha! – ela falou num tom alto o que surpreendeu Inuyasha, já que Kagome era sempre gentil.
- E eu já disse que não tenho nada pra falar com você.
- Desce aqui. – ela insistiu.
- Não. – Mas ele não estava disposto a dar o braço a torcer.
- Ótimo... SENTA! – Ela disse e Inuyasha caiu da árvore.
- AI KAGOME!!!!
-Estou falando sério Inuyasha. Tenho que te falar algo importante.
- Tudo bem... – ele se deu por vencido.
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- Não tem ninguém aqui. Pode falar. –ele disse se recostando em uma árvore.
- Eu sei que está bravo comigo, Inuyasha. Mas eu não beijei o Houjo. – ela falou calmamente.
- Claro que não. O que eu vi foi só ele te dando uma ajudinha, não é? – ele falou secamente.
- Não! Ele me beijou! E eu não pude fazer nada. – ela disse nervosa
- Podia tê-lo afastado! – ele rebateu no mesmo tom. – Achei que você me amava.
- Eu te digo a mesma coisa! – as lagrimas começavam a descer pela a face de Kagome – Se você me amasse não falaria o nome da Kikyou enquanto dorme!
-... Eu não amo a Kikyou.
- Eu também não amo o Houjo. – falou um pouco mais calma se aproximando dele. – Eu te amo, Inuyasha. Mesmo. E tem uma coisa muito importante que eu vim te falar. Se não quiser mais falar comigo quando eu disser, tudo bem. Mas você tem o direito de saber.
- Do que está falando? – ele perguntou confuso, Kagome pegou uma mão dele e pôs sobre seu ventre.
- Eu estou grávida, Inuyasha.
“Grávida?” – ele pensou atordoado.
Inuyasha não sabia o que pensar, mas por um impulso puxou Kagome e beijou-a intensamente.
- Isso é serio?
- É sim.
- Eu vou ter um filho! – ele exclamou com um sorriso abobalhado.
- Sim... – Kagome sentia-se aliviada.
Inuyasha a abraçou fortemente, sem conseguir parar de sorrir. Estava realmente feliz, teria um filho de sua amada. E os protegeria com a vida.
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