Fruto da Paixão

11 Capítulo 11


Capítulo 11. Sacrifício

As próximas palavras a serem pronunciadas seriam as mais difíceis que diria...

- Por favor, deixe-os em paz. Se quiser me matar, vá em frente. Mas eu quero que deixem meus amigos em segurança. Por favor, não machuque o meu filho.

Os lábios de Onigashin se contorceram em uma espécie de sorriso enigmático. Inuyasha gostaria de saber qual seria a decisão dele.

- Inuyasha... O que pretende fazer? – Miroke perguntou com certa dificuldade, enquanto deitava a cabeça de Sango sobre seu colo.

- Eu vou salvar minha família. – Ele respondeu, vendo que Onigashin ainda não tinha analisado sua proposta, Miroke arregalou os olhos.

- Não vá fazer nenhuma bobagem! A Kagome-chan precisa de você!

- Chega! – Onigashin se interpôs – Essa é a sua decisão final, meio youkai?

- Sim. Com a condição que deixe todos os outros viverem.

- Não vejo razão para fazer isso. – ele disse com um sorriso sádico, e apertou um pouquinho mais Kagome e Shippou, Inuyasha precisava pensar rápido para que pudesse livrá-la daquele monstro.

- Kagome é importante para Narake. – Inuyasha mentiu – Se você matá-la, Narake o eliminará na hora. – Inuyasha estava tenso. Podia até sentir as gotas de suor escorrer por sua testa, com esperanças de que ele acreditasse na história...

- Huh... Ela não pode ser tão importante assim! – Onigashin zombou.

- Mas ela é sim. Ela é a única pessoa que consegue ver os fragmentos da jóia de quatro almas, que pode ajudar Narake a encontrar o último fragmento que falta, e a única que pode levá-lo a Era de onde ela veio. Ele precisa dela.

Onigashin ficou em silêncio por alguns minutos, refletindo sobre o que deveria fazer... Narake apenas lhe pediu para que eliminasse Inuyasha, que considerava sua maior ameaça, não falou nada sobre a garota. Talvez porque ela realmente fosse importante como Inuyasha dissera, e se tudo o que Inuyasha disse for verdade, Narake podia matá-lo ali mesmo, então era melhor apenas seguir a ordem de Narake e matar apenas Inuyasha, que por acaso, estava se sacrificando tão bravamente para que a humana continuasse viva.

- Muito bem. Se for o que você acha melhor, eu o matarei.

- Antes, ponha Kagome e Shippou no chão. Quero vê-los em segurança antes... – Inuyasha disse sério.

Onigashin lançou um olhar para Kagome e Shippou ambos inconscientes em sua mão. A garota era uma peça importante no jogo de Narake, mas era apenas um ser insignificante para ele. Entretanto, ele sempre se orgulhara de ser um youkai que cumpria as promessas que fazia, e isso significava que teria que deixar os amiguinhos humanos de Inuyasha irem.

- Está bem. – ele disse.

Lentamente, Onigashin se inclinou na terra e colocou Kagome e Shippou cuidadosamente no chão. Inuyasha correu até sua amada Kagome e a abraçou. O rosto dela estava lívido, mas felizmente ela estava viva e respirando.

- Eu te amo... – ele sussurrou no ouvido dela e depois depositou um leve beijo em seus lábios, logo em seguida a deitou cuidadosamente no chão.

- Chegou sua hora Inuyasha. – Onigashin disse com um sorriso vitorioso. Ele novamente moveu a mão gigantesca, agora em direção a Inuyasha, e depois o prendeu fortemente. Inuyasha gemeu com a dor que sentiu.

Aquele barulho alcançou os ouvidos de Kagome. Ela sentia entorpecida, e não tinha idéia do que estava acontecendo. Lentamente, ela abriu os olhos, tudo estava borrado, e estava sentindo fortes ânsias de vômito... Certamente seu filho não gostara da experiência de sua mãe ser sufocada por um youkai gigantesco.

As imagens ainda não haviam entrado em foco, mas a sua frente ela conseguia ver uma enorme massa disforme esverdeada erguendo-se em direção ao céu cada vez mais, ela logo o reconheceu como Onigashin e no que ela imaginou ser a mão dele, havia um borrão vermelho e prateado que ela ficou imaginando o que deveria ser... Até que se deu conta...

- Inuyasha! – Ela levantou de supetão. Uma sensação terrível subiu sua garganta e ela se inclinou para o lado e vomitou.

- Kagome!! – Inuyasha exclamou, sentindo os pulmões em brasa.

Quando sentiu que era seguro se mover, Kagome novamente se virou para a enorme massa esverdeada que agora já tinha seus contornos realçados e nítidos.

- Inuyasha!! – ela gritou novamente, com a voz embargada.

Ela sentia-se em choque. O que diabos estava acontecendo?? (Acho que tô assistindo demais Supernatural ù.u) Ela queria muito levantar e atacar aquele youkai com uma flecha atrás da outra até que ele soltasse Inuyasha, mas sabia que se tentasse ficar de pé, suas pernas a trairiam e ela iria de encontro ao chão.

Onigashin pretendia matar Inuyasha e ele nem sequer reagia!! E se Inuyasha morresse...? Ela chacoalhou a cabeça para afastar esses pensamentos ruins. Inuyasha não iria morrer, ela não podia, certo?! Afinal, eles iam ter um filho! E aquela criança precisaria do pai, e a coisa que Kagome menos queria era que seu filho crescesse sem conhecer seu pai, sem tê-lo por perto, assim como ela e Inuyasha cresceram...

FLASHBACK

Kagome acordou com o choro de seu irmãozinho. Por que Souta estaria chorando, por acaso sua mãe ainda estava adormecida? Desde que Souta nasceu, seus pais não o deixavam sozinho, assim ele mal chorava, e se ele estava se esgoelando naquele momento, era porque havia algo errado.

Ela saltou da cama, ainda sonolenta e foi até o quarto do irmão. Ele estava no berço, se esperneando e chorando o máximo que podia.

- Não chore, bebê... – ela disse, fazendo carinho na cabeça do irmão. – Nossa, cadê a mamãe?

Kagome, relutante, deixou o quarto e foi até o quarto de sua mãe. Imaginava se seu pai havia chegado em casa tarde, pois ele havia viajado para ir visitar uma tia doente.

- Mamãe? – ela chamou, antes de bocejar – Mamãe, o Souta tá chorando.

Não houve resposta. Ela bateu na porta, e ainda assim, sem nenhuma resposta.

- Que estranho... – ela murmurou, e depois desceu as escadas, ainda sentindo suas pálpebras pesarem absurdamente, afinal, com certeza não devia ser mais que seis horas da manhã.

Quando chegou a sala, encontrou sua mãe. Ela estava deitada no sofá, seu rosto estava lívido, e a única cor que se encontrava era o vermelho de seus olhos inchados. Ela estava chorando.

- Mamãe... O que aconteceu? O Souta tá chorando... Por que a senhora está chorando? – Kagome atropelou as perguntas, vendo que sua mãe não esboçava qualquer reação, e isto a estava preocupando. – Mãe?

Então Kagome percebeu. Sua mãe segurava uma porta-retrato em que havia uma foto de sua mãe e de seu pai, no dia que se casaram. Kagome sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

- Cadê... Cadê o papai? – ela perguntou temerosa da resposta.

Os soluços da mãe de Kagome se intensificaram assim como suas lágrimas. Aquilo definitivamente não era um bom sinal.

- Mãe! – Kagome disse mais desesperada, sentindo lágrimas verterem de seus olhos. – Onde tá o papai?!

- Ele... Ele... – A mãe de Kagome disse, com a voz embargada.

- O que aconteceu com ele, mamãe?

- Ele morreu... Num acidente de carro.

Kagome sentiu as pernas fraquejarem. Seu pai estava morto. Era demais para uma criança de sete anos agüentar, então ela chorou, mas não por muito tempo, pois ela tinha que fazer sua mãe reagir. Souta ainda estava chorando.

# #

Não. O mesmo não iria acontecer com seu filho. Ela não deixaria... Não perderia outra pessoa amada.

- Inuyasha! O que está acontecendo? – ela perguntou, sentindo lágrimas verterem.

- Hahaha... – Onigashin riu, e respondeu o que Kagome queria saber. – Seu meio-youkai concordou em se sacrificar para que você e seu filho sujo pudessem viver. Nobre, não acha?

- Não... – ela murmurou sentindo como se tivessem jogado um balde de água fria nela. – Não pode ser...

- Pode sim, e é. Dê uma boa olhada no rosto do seu amor, pois esta será a última vez que o verá.

- Vai mesmo me abandonar... Nos abandonar? – Kagome perguntou à Inuyasha, as lágrimas caiam irrefreáveis sobre suas bochechas.

- ... – Ele nada respondeu, nem sequer a encarou. Não queria despedidas.

Onigashin analisou as expressões sôfregas (N/A: Eis uma palavra que nunca usei na minha vida u.u”) nos rostos de Kagome e Inuyasha, aquilo poderia ser mais divertido do que ele imaginava.

Um sorriso malicioso formou-se em seu rosto, a idéia que passava por sua cabeça parecia extremamente agradável e seria ainda mais a colocando em prática.

O urro de Inuyasha chamou a atenção de Kagome, ela ergueu o olhar e viu seu amado sendo espremido na palma de Onigashin. Vendo o rosto de Inuyasha tornar-se roxo pela a falta de ar fez com que uma fraqueza se apoderasse de seu corpo, suas pernas poderiam ceder a qualquer instante.

- Pára! – ela suplicou sentindo mais lágrimas toldarem sua vista – Pára com isso, por favor.

Onigashin sorriu.

Kagome estava desesperada com a iminente morte de Inuyasha enquanto ele lutava por algum ar. Seu plano era realmente agradável. (Soa doentia pra alguém? u.u”)

Finalmente Kagome desabou, suas pernas pareciam não agüentar mais o seu peso, ela sofria um terrível choque emocional.

- Ka... Go... Me... – Inuyasha falou pausadamente, ainda tentando respirar. Ele devia imaginar que não seria tão fácil.

A sua vista eventualmente escurecia, era praticamente impossível fazer com que Onigashin o libertasse daquele aperto — Não era assim que ele pretendia morrer, achou que seria mais rápido e menos indolor — mas o pior para Inuyasha, era ver Kagome daquele jeito. Tudo por sua culpa.

E ele nuca iria permitiria que ela sofresse...

Do nada, ele sentiu uma força se alastrar por seu corpo, seu sangue borbulhava, sabia exatamente o que estava acontecendo, sua parte youkai tomava conta de si, a raiva de ver Kagome naquele estado causara isso, mas pelo menos ele tinha uma chance...

Com uma força incrível, ele conseguiu se libertar de Onigashin, e sacou a tessaiga.

- Mas o que...? – Onigashin dizia confuso.

- Inuyasha... – Kagome o olhou, e preocupou-se. A forma youkai de Inuyasha nunca era um bom sinal de que as coisas terminariam bem.

“O cheiro dele está diferente... E posso sentir que seu poder também aumentou...” – Onigashin pensou aturdido – “O que diabos está acontecendo aqui?!”

- Essa... – Inuyasha disse, a fúria em sua voz era quase palpável – Essa é pela a Kagome!!

- Acha que aquele seu ataquezinho vai fazer algum efeito agora? Não fez antes, não fará agora e nem nunca! – Onigashin debochou.

Inuyasha sorriu debochado.

- Por que esse sorriso? – Onigashin perguntou, cada vez mais confuso – Só por que sua aparência mudou não significa que poderá ganhar de mim, Inuyasha!

- Hahaha... Você não deveria ser tão cheio de si, às vezes as pessoas podem te superar. – O seu sorriso se alargou ainda mais.

- Chega disso! – Onigashin disse, temendo que talvez, apenas talvez, ele estivesse certo.

Ele tentou novamente agarrar Inuyasha, mas ele foi mais rápido e saltou, fugindo do ataque do youkai.

- Agora é a minha vez! – Inuyasha disse.

Ele ergueu a tessaiga bem alto, as ondas malignas foram absorvidas por ela, e agora ela pulsava.

- Esse é o golpe que acabará com você! – Inuyasha disse. – ONDA EXPLOSIVA!!

- Mas o que...? – Onigashin nem sequer conseguiu completar a frase, uma vez que a onda explosiva o atingiu despedaçando-o.

Inuyasha caiu no chão, mas não se machucou, já estava em sua forma normal, e estava feliz por tudo ter acabado (n/a: Puxa, eu tbm! P) ele olhou ao redor, procurando pelo o fragmento da jóia de quatro almas que estava no peito de Onigashin, e não demorou muito para ver um brilho lilás entre a poeira. (Que ninguém sabe de onde saiu XDDD) ele se apressou e pegou o pequeno fragmento, e ao se virar viu Kagome vindo em sua direção e sorriu.

Mas ela não sorriu de volta. Ela estava de cabeça baixa, e quando estava perto o suficiente de Inuyasha, deferiu um tapa em seu rosto.

- K-Kagome? – ele murmurou confuso.

No segundo seguinte ela se atirou nos braços do meio youkai e agarrou fortemente as suas vestes. Ele pôde sentir lágrimas caindo sobre seu peito. Ela estava chorando! Inuyasha sentiu-se extramente mal. Tudo o que ele a fizera passar nas últimas horas a devia ter machucado muito, ele teve vontade de se espancar por isso.

- Idiota! – ela disse com a voz abafada, dando leves socos no peito dele.

- Kagome? – ele chamou, cada vez mais aturdido.

– Você quase morreu! – ela disse, ainda com a cabeça aninhada em seu peito. – Você quase nos deixou! Idiota, idiota, idiota!! – Ele revirou os olhos – Não sabe que eu preciso de você? Nós precisamos de você! É tão difícil assim de entender?! Eu podia te matar agora mesmo, eu...

Ele não permitiu que ela continuasse, segurou seus pulsos fortemente, e num gesto brusco ele a beijou. Ela não resistiu, deixou que Inuyasha a beijasse, pois era isso que ela precisava: Do carinho de seu amado. O beijo era suave, mas ainda assim apaixonado. E Inuyasha deu graças a Deus por tê-la, por ter o amor dela e por que teria um filho com ela, o fruto do amor dos dois.