Frozen: A aventura recomeça
19 Capitulo 20
Estava frio, muito frio. Nossa, como estava frio! Tudo bem, não era exatamente o clima frio, e sim ele. Voar por quase quatro horas em meio ao mar torna até mesmo uma noite de verão em puro gelo. Especialmente se você estiver voando alto e muito, mas muito rápido mesmo.
E agora Dimitri estava escondido nos jardins do castelo real de Arendelle, pensando em como chegar à rainha sem que ele invada o castelo e ao mesmo tempo não seja anunciado como príncipe. Afinal, ele não fez toda essa viagem secreta para ser dedurado por algum boato em Gamel sobre uma visita inesperada de Skavir à rainha do gelo.
— Não podíamos acordar mais tarde para fazer isso? — Dimitri uma voz sonolenta de uma moça e se encolheu nos arbustos.
— Você sabe que com o casamento retomado nós estaremos cheios de gente nos irritando em menos de duas horas — ele viu um homem alto e loiro vestido como um jardineiro ao lado de uma ruivinha com os mesmos trajes — Além do mais, você disse que queria aprender mais sobre as plantas, a melhor hora para regá-las de pela manhã antes do sol aquecê-las demais e ao fim da tarde, quando já está se pondo — ensinou o rapaz abaixando-se para por os baldes que havia trazido no chão.
Dimitri supôs que fosse o jardineiro, não tem certeza de quem é a moça. Provável que seja sua irmã, ou sua aprendiz. ELa claramente não sabe o que está fazendo, então não deve ser sua ajudante.
— O que é isso? — questionou Anna segurando uma longa ferramenta.
— É uma tesoura de poda — respondeu Kristoff virando-se agachado nos baldes.
O loiro gemeu irritado.
— O que foi?
— Acho que deixei o adubo no celeiro, é tão grande que eu me perco lá dentro — respondeu ele puxando o rosto com a mão — Eu volto já. — informou-a girando sobre os calcanhares — Não durma! — pediu ele acenando de costas para ela.
Anna sorriu contrariada. Claro que ela não dormiria! Talvez só um pouquinho. Ok, melhor dar uma volta pelo jardim para passar o sono. Ela andou para perto dos arbustos. Algo rolou para fora, em frente a ela. Anna ficou curiosa e agachou-se para apanhar o minúsculo objeto. De repente sentiu um puxão e ela entrou nos arbustos e sentiu uma mão sobre sua boca.
— Não quero machucá-la e não vou. Soltarei você e então apenas me diga seu nome e quão leal você é a seu reino — disparou Dimitri com uma voz sussurrada porém imperiosa.
Ele soltou-a lentamente e Anna esperou um pouco para responder. E se ele estivesse ali para sequestrá-la? Ou sequestrar sua irmã! Mas espere, ele teria amarrado-a, e enfiado-a em um saco. Sequestradores geralmente sabem quem são seu alvos, certo?
— Princesa Anna de Arendelle — disse Anna mansamente. Dimitri arregalou os olhos percebendo a tolice que fez e Anna nem sequer pôde continuar sua resposta.
— Perdão, Alteza — Dimitri curvou-se de forma desajeitada devido o espaço restrito de seu esconderijo — Nunca tive a intenção de assustá-la. Por favor, aceite minhas desculpas — Ele terminou ainda de cabeça baixa alcançando a mão da princesa e a pondo em sua testa em reverência
— Você está gelado — constatou Anna com um tom preocupado — Está tremendo? Está com frio?- Anna ergueu-se e saiu dos arbustos arrastando Dimitri com ela — Venha um pouco para o sol. Ainda não está tão quente mas é pode aquecê-lo um pouco. — Anna olhou em volta atrás de algo para aquecer o pobre rapaz — Quando preciso daqueles mantos reais não estou com eles — reclamou ela atônita.
— Não será necessário. Perdão, princesa, mas preciso ver sua irmã imediatamente — declarou o príncipe em tom urgente.
— Claro, hã, venha comigo! Avisarei aos guardas — Anna estava prestes a arrastá-lo
— Não, Alteza — Interrompeu Dimitri — É preciso descrição, não devo ser anunciado — pediu ele — Não sou esperado pela Majestade entretanto ela saberá da importância de minha visita.
— Negativo, você está congelando! — decretou Anna — Por um segundo pensei até que tivesse encontrado Elsa — sussurrou ela para si — Vamos, levarei você até Elsa por outro caminho, ninguém saberá de sua chegada — terminou a princesa puxando-o pelo braço.
— Obrigado, Alteza.
— Isso me lembra: Quem é você?
— Príncipe Dimitri, de Skavir, princesa. — Anna parou bruscamente por dois segundos e então continuou desviando o caminho — Alteza? — Dimitri questionou a mudança de comportamento (e direção).
— Perdão, Alteza. — iniciou Anna altivamente — Skavir tem assuntos muito urgentes para tratar na biblioteca, levarei-o direto para minha irmã.
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Não, isso não era estranho. Elsa costumeiramente preferia seu quarto para tratar de assuntos do reino no qual só havia necessidade de sua intervenção. Talvez fosse o velho hábito, passara muito tempo nessa cela luxuosa. Mesmo sendo sua prisão, ainda era seu quarto e um bom lugar para ficar. Já que ninguém ousava incomodá-la com coisas fúteis quando ela estava lá — ela não era a única com velhos hábitos no castelo.
Por isso a rainha estranhou quando ouviu a batida em sua porta. Não era como a batida divertida que Anna e Olaf usavam para anunciar sua chegada. Era uma forte e séria. Elsa descruzou as pernas, retirou o cobertor de si, ergueu-se da cama e juntou uma ou duas folhas que caíram da cama repleta de papéis e os pôs de volta lá.
— Princesa, esse é o que estou pensando que é? — perguntou Dimitri fazendo uma expressão surpresa.
— É aqui que ela fica quando está resolvendo problemas do reino. Não se preocupe, sei que ela já está acordada. — Anna respondeu a última frase sem dar muita importância.
— Ainda assim! — Protestou Dimitri admitindo um postura régia — É muita intromiss...
— Anna? O que... Espere, Alteza?! — Elsa percebeu o príncipe de Skavir e ficou confusa por um segundo.
Ele enruberceu desviando o olhar, definitivamente ele não entraria no quarto da rainha. Seu pai o deserdaria se soubesse que ele invadira sua privacidade daquele jeito!
— Entrem, rápido — decretou Elsa puxando a ele e a princesa. — Céus! Você está gelado! — Elsa soltou com surpresa e correu até sua cama — Tome isso, sente-se — disse ela puxando o cobertor de sua cama e empurrando-o por uns dois metros até sua cama. Ele tentou resistir, mas estava tão quentinho...
Nicolau seria um bom rei.
— O que houve? Por que você está aqui? Porque está tão gelado?! — interrogou Elsa entre a preocupação e a irritação — Pensei que Skavir quisesse descrição — acrescentou ela decidindo pela irritação ao cruzar os braços.
— Perdão, Majestade — começou Dimitri lembrando sua missão ali ao admitir o tom real que lhe fora herdado — Houveram mudanças que precisam ser informadas à Arendelle antes de qualquer decisão. Skavir tem guardas de Gamel vigiando os passos da família real então precisei sair no escuro da noite para não saberem meu destino. O mar é frio quando não há sol, mesmo pegando a alvorada no final da viagem o vento forte que me trouxe e a altitude me deixaram neste estado de agora — sorriu ele cansadamente.
— Anna, por favor, pode pedir que busquem algo quente para o príncipe? — pediu Elsa segurando as mãos da irmã.
— Claro, eu mesma pego, Vossa Alteza deu bons motivos para evitar ser notado no castelo — respondeu Anna sorrindo placidamente para o príncipe que sorriu agradecido.
Anna virou-se as costas e então Dimitri lembrou-se de algo importante.
— Espere! — Não mesmo, ele não iria ficar a sós no quarto da rainha, até mesmo Nick o deserdaria com seu irmão, o garoto era menos impulsivo que o herdeiro do trono e mais rígido com as regras reais que os cercavam
— O quê? — Anna perguntou após o silêncio do príncipe. Elsa erguia uma sobrancelha em dúvida também.
— Não a necessidade — murmurou Dimitri irritado, ele queria algo quente para beber.
— Está enrolado nos meus cobertores, Alteza, ainda assim vejo que não para de esfregar as mão, há necessidade — declarou Elsa impondo toda sua realeza. Não havia como discutir, ele soube disso.
— Devo logo dar as informações que vim trazer — argumentou ele.
— Me dirá enquanto Anna lhe traz a bebida — rebateu Elsa cruzando os braços impaciente. Anna voltou a mover-se.
— Não! — gritou ele esticando a mão direita para a princesa.
— O quê?! — espinhou Elsa claramente irritada
— Eu não vou ficar a sós com a rainha em seu quarto, está bem?! — resmungou ele desviando o olhar — Há regras de convivência, não estou quebrando elas — afirmou o príncipe emburrado apertando mais o cobertor ao seu redor.
— É isso? — perguntou Anna inclinando a cabeça lateralmente.
Elsa ainda estava com a sobrancelha erguida e uma expressão de irônica descrença antes de desabar em uma risada que desconcertou o príncipe de Skavir.
— Ora, vamos! Sou eu! — debochou Elsa ainda rindo — E temos assuntos mais sérios para tratar. Anna — Elsa apenas olhou para a irmã que acenou com a cabeça e foi-se, então virou para Dimitri — Ok, agora, comece a falar — ordenou ela com os olhos estreitos e os lábios cerrados.
— Skavir tem o apoio de Eredon — informou Dimitri seriamente.
— Dimitri, isso é ótimo! — declarou Elsa com uma boa surpresa — Por que não parece ótimo? — ela questionou ao perceber a expressão séria do príncipe.
— Gamel tem o apoio de Arisen.
Elsa engoliu seco. Ah, não. Definitivamente isso não era nada bom.
— Por isso era tão importante o sigilo na minha vinda. Estou ciente da possível presença de algum Arisen em Arendelle, boatos correm. Fatos, também.
— Arendelle mal renovou o acordo com Arisen, há cláusulas. — Elsa dizia a si mesma, não a Dimitri — Não podemos atacar uns aos outros. Cláusula 7, parágrafo 2.
— Eu sei, por isso insisti... espera, você decora os contratos? — perguntou Dimitri com legítima surpresa.
— Mas isso também significa que Arisen não pode atacar Arendelle — Elsa sorri maliciosamente enquanto anda de um lado para o outro. — Eredon tem barcos também, além de uma boa força de combate. Talvez concordando em nos manter sob alguma proteção eles poderiam ser o intercâmbio entre Arendelle e Skavir escoltando os nossos barcos com os mantimentos — ela pontuava os prols com muita empolgação — por outro lado não há certeza que Arisen respeitará o nosso acordo — ela pôs a mão no queixo. Dimitri tentava acompanhar seu pensamento, mas ele tinha que admitir, não sabia para um reino de paz, Elsa sabia muito sobre guerra.
— Arisen pode não estar com força total — ponderou Dimitri.
— O quê? — perguntou Elsa saindo de seu transe.
— Gamel frequentemente fretava barcos de Arisen para Skavir, tentando nos intimidar, lembrando-nos que não estava sozinho caso houvesse rebelião. Após a morte do rei Gustav eles diminuíram, e muito, há semanas nas quais eles nem sequer aparecem — Dimitri sorriu.
Skavir não gostava de guerras, mas eles sabiam sobre comércio, ah se sabiam, o príncipe era um nato estrategista comercial, poderia dizer claramente quem precisava de quê, era vital para o comércio de seu reino.
— Por que acha que decidimos nos rebelar agora? Gamel pode ainda estar forte como um touro, seus aliados não. Arisen sempre foi sua força militar. Gamel tem bons vinhedos e os reinos gostam de beber, foi assim que conseguiu se fortalecer e comprar outros reinos. Arisen nem tanto, não há muito que Arisen possa oferecer, foi por isso que seu povo é criado para lutar, são os melhores combatentes da península. Contudo, homens fortes comem mais, usam mais roupas, sentem mais frio...
— Rei Juan pretendia alterar o contrato com Arendelle. — Lembrou Elsa — Talvez tenha sido por isso que veio aqui. — A rainha respirou aliviada — É claro. E Anna me assustando com a coisa de casamento.
— Pois é... Quê? — novamente a expressão confusa — Que seja — retomou ele sacudindo aquilo da mente, não era da sua conta, e ele não gostava dessa palavra longa com correntes pesadas que começava com C — Tenho certeza que Arisen não está no seu melhor, não sei como andam suas tropas, só sei que precisaram cortar as frotas marítimas para manter o reino. Do contrário, não teriam parado de atracar em Skavir e nas Ilhas do Sul.
— Como sabe disso?
— O porto — disse ele como se não tivesse importância — ótimas histórias e que são inocentes aos olhos de trogloditas gamelitas com cérebros de minhoca. Pergunte à um capitão sobre sua mais novas viagem e ele sempre descrevera o porto em algum momento.
— Desculpe a demora. — Desculpou-se Anna entrando com uma enorme bandeja com muita comida e bebidas aquecidas quase caindo. Elsa e Dimitri a ajudaram com o equilíbrio — disse que era para a rainha e, bem, você anda comendo como saco sem fundo ultimamente — Anna acusou olhando para Elsa com os lábios torcidos em uma careta. Elsa corou sem graça pelo comentário, ela andava nervosa ok? — A Bertha não me deixou trazer menos que isso para você. E ainda precisei argumentar um bom tempo para que não viesse mais ninguém comigo.
— Muito obrigada, Alteza — agradeceu Dimitri com uma leve reverência tomando uma caneca de chocolate quente. Anna tentou conter um riso — O que foi? — ele questionou confuso, ele percebeu que a rainha também mantinha um sorriso em seu rosto.
— Nada — respondeu Anna — É que o cobertor da Elsa ficou parecendo um manto real em você.
— Um manto real bem... — Elsa sorriu como uma criança malvada — feminino, por assim dizer.
Dimitri olhou o cobertor lilás com floquinhos de neve bordados a mão formando pequenas rosas brancas ao seu unirem.
— Vamos, não está tão ruim — afirmou ele fingindo-se de ofendido. Ambas riram — Pois fiquem sabendo que está bem quentinho aqui — afirmou ele endireitando a coluna e puxando o cobertor para agasalhá-lo melhor.
— Eu imagino, minha rainha — brincou Elsa fazendo uma reverência zombeteira.
— Ah é assim? — rebateu Dimitri fingindo arrogância ao tomar mais um grande gole de seu chocolate quente — Pois eu ordeno que me sirvam mais disso — terminou estendendo a caneca.
O que recebeu em troca foi uma bela bola de neve em seu rosto e uma gargalhada da rainha. Ele sorriu estupefato e verbalizou um pensamento:
— Como saímos de um plano de guerra para bolas de neve?
Então todos se recompuseram, Anna deixou a bandeja em cima da cama de Elsa e declarou:
— Espero que tenham certeza do que estão fazendo. Porque se têm um plano significa que você já fez sua escolha.
A princesa claramente estava angustiada com essa informação. Elsa pegou as mãos de sua irmã e a segurou em suas mãos por alguns segundos em silêncio. Dimitri não saiba o que fazer, elas claramente estavam mantendo uma conversa silenciosa e não havia como ficar confortável com essa intromissão que sua presença infligia, especialmente no quarto da rainha.
— Muito bem, reunirei o conselho amanhã pela manhã e então darei a resposta a Skavir — decretou a rainha ainda olhando a irmã — Você fica aqui essa noite — acrescentou em direção à Dimitri.
— Ah, ok. — concordou ele — não se preocupe com grandes confortos, Majestade. Se houver um simples colchão poderei dormir na sua biblioteca, ou onde quer que resolva seus problemas de conselho — explicou o príncipe desvencilhando-se do cobertor — Não queremos moverei um músculo para passar despercebido em seu castelo.
Anna e Elsa se entreolharam e ambas mantinham o sarcasmo no rosto até Elsa voltar-se para Dimitri.
— Ok, Um: Achei que tivéssemos dito que formalidades reais eram estressantes ainda em Skavir — pontuou ela com os dedos — Dois: Como você disse, não queremos que saibam que você está aqui, e bem, eu contei a você sobre o que aconteceu, então deve imaginar que todos no castelo saberiam que você não é daqui, eu confio em meus empregados se disser-lhes que não podem falar sobre sua visita, mas isso também me obriga moralmente a dizer-lhes o porque.
— Onde quer chegar, Elsa? — questionou Dimitri confuso.
— Quando ela disse que você fica aqui, ela quis dizer nesse quarto — Explicou Anna enredando seus braços no da sua irmã.
— Não mesmo.
— Sim, você vai — decretou Elsa irritada
— Mas...
— Mas nada. Pode ser príncipe, Dimitri. Mas em Arendelle, eu sou a Rainha e está pedindo minha ajuda. Meu reino, minhas regras. — Elsa caminhou até sua cama para pegar os papeis que passaria o resto da manhã lendo — Meu quarto é o único lugar que ninguém entra em hipótese alguma a menos que eu permita. Agora se me der licença, tenho que convocar meu conselho.
— Não se preocupe, ela vai dormir no meu quarto — informou Anna com um sorriso calmo — Não fazemos isso desde quando eramos crianças! Vamos fazer uma noite das garotas, com sorvete, chocolate e...
— Anna.- interrompeu Elsa, a princesa havia se empolgado a ponto de esquecer a situação.
— Hm?
— Vamos pegar leve, tudo bem? — pediu a rainha com um sorriso gentil — Temos uma grande decisão à tomar amanhã e eu realmente preciso ponderar os argumentos para o conselho — explicou ela dando um beijo na testa da irmã — estarei na biblioteca se precisar de mim, não deixe Olaf entrar no meu quarto, sabe que ele ainda se perde no castelo.
— Um ótimo motivo para eu não ficar aqui! — argumentou Dimitri
— Bela tentativa — parabenizou Anna ao fechar a porta
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