Frozen: A aventura recomeça
20 Capítulo 19
Notas iniciais
— Deixa eu ver se entendi: Estamos em pé de começar uma guerra contra um reino que é conhecido por dominar outros reinos, você quebrou sua promessa de que andaria com os guardas ao seu lado e ainda assim você está contente com a viagem porque fez um novo amigo? — Anna pontuou cada tópico com uma careta e um leve tom de repreensão.
— Colocando assim você faz parecer que eu deveria odiar completamente a viagem — Elsa respondeu estreitando os olhos e comprimindo os lábios — Sim, eu sei os contras e as consequências deles, mas eu também sei ver os prols das coisas.
— Não é isso, é só... Tudo bem, esquece. — Suspirou Anna cansadamente, não queria brigar com sua irmã agora, especialmente quando tudo parecia estar saindo dos trilhos — O que vamos fazer com esse pedido de ajuda?
— Eu não sei... — A rainha suspirou, levantou da cadeira da biblioteca e caminhou um pouco pelo espaço — Anna, se tivesse visto... Não há povo que sobreviva a algo tão humilhante.
— Elsa... — Começou Anna cautelosamente.
— Eu sei Anna, não quero envolver Arendelle em uma guerra, não mesmo. Nossos pais nunca sequer preparam o reina para isso. Temos nossas defesas, claro, mas de verdade, não quero isso. — Insistiu a rainha segurando as mãos da irmã — Mas você já pensou em andar pelo reino e praticamente pagar para respirar?
Elas se olharam por alguns segundos, ambas entendiam a situação. Mas a outras pessoas envolvidas, não apenas seus soldados, Gamel tinha seus meios de destroçar um reino além do ferro e do fogo. Skavir era a prova disso.
— De novo, o que vamos fazer?
— Pensei em um plebiscito, consultar o povo. — Respondeu Elsa — Mas algo tão grande seria notícia e passaria longe do termo "discreto" — explicou ela sentando-se e apoiando-se na mesa com os cotovelos. — Terei que convocar o conselho. Gamel era um dos reinos sugeridos pelo tesoureiro real para fazer um novo acordo de comércio. Mas Skavir pode entrar como opção.
— Mesmo que os ajudemos apenas com mantimentos, quem garante que Gamel não atacará Arendelle apenas para impedir o apoio?
— Com certeza atacará. Não me lembro se era Arisen ou Gamel que costumavam armar cercos nos reinos — Elsa buscou na memória — Papai me contou algumas histórias sobre isso...
— O que importa? Cerco ou qualquer outro ataque, Arendelle não foi feito para a guerra — lembrou Anna pausadamente
— Nem Skavir — rebateu Elsa — e foi por isso que Gamel os rendeu. Porque não queria guerra, tudo que queriam eram viver suas vidas em paz! Com seus barcos e suas uvas. E o que eles tem agora Anna? — perguntou Elsa com os olhos suplicantes — Me diz, Anna? Uma vida presa e contida por causa dos outros? Eu estive lá, Anna — Elsa desviou o olhar, não estava apenas falando que esteve naquele reino, mas também naquela situação, sua voz baixou e ela somou em um murmurio as palavras "você também esteve, e eu não quero mais ninguém passando por isso". Antes de se retirar.
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Anna estava andando pelos jardins do castelo. Havia muita coisa em sua mente, mais especificamente uma guerra. Ela havia crescido lendo romances e contos de fadas, histórias sobre sereias e príncipes, sobre heróis que lutavam por suas donzelas. A guerra sempre era retratada apenas como uma forma de engrandecer o herói e sua coragem. Mas ela era uma princesa, e havia sido ensinada como tal. Sabia como uma guerra deveria ocorrer, e que pessoas haveriam de morrer.
No entanto, sua criação no castelo também foi privativa, poucas pessoas além dos empregados eram vistas lá na sua infância. Nem chega perto da situação do povo de Skavir, ou mesmo da de Elsa, mas ela gostava da liberdade que tinha agora. Era o que todos deveriam merecer.
— Parece pensativa — Kristoff a tirou de seu transe ao chegar com as mãos nas costas e a cabeça curvada.
— Kristoff! — Anna ficou feliz com a visita do noivo, entretanto tinha problemas em verbalizar qualquer coisa, um pedido de desculpa, uma reprimenda ou qualquer outra reação.
— Eu vim me desculpar... — Ele começou
— Me desculpe... — Anna sobrepôs sua voz na dele.
Os dois riram e se entreolharam.
— O que nós estamos fazendo? — Ele perguntou rindo. — Discutindo por coisas estúpidas.
— É a nossa primeira briga e nós ainda nem estamos casados — ela responde pondo uma mecha atrás da orelha. — O que é isso? — questiona Anna ao ver um volume atrás das costas de Kristoff.
— Ah, isso, bem, era o meu pedido de desculpas — Ele abriu a caixa e mostrou seu conteúdo — Se lembra do nosso "casamento trolls"? Bem, eu guardei quase tudo nessa caixa e enterrei no quintal de casa. A intenção era usar quando estivéssemos bem velhinhos, para lembrar a você como eu te amava até coberta de terra — ele riu.
— Isso é lindo, Kristoff! — Ele pegou a caixa e olhava sorridente — Por favor, sem brigas? — Ela perguntou cansadamente.
— Sem brigas — ele respondeu sorrindo — Mas tem algo além preocupado você, o que é?
Anna estremeceu e desviou o olhar. Não é uma coisa que ela possa contar, mas ela realmente precisava verbalizar aquilo com alguém que não precisasse decidir sobre isso, alguém que poderia fazer uma escolha sem precisar sujar as mãos com as consequências.
— Kristof... — Coragem, vamos, não precisa contar tudo, ele não vai pressionar
— Anna?
— Se você soubesse... bem, que alguém está tendo problemas, sérios problemas.
— Que tipo de problemas? — ele interrompeu
— Do tipo grande, como... como estar sendo... como eu posso dizer, bem, está preso, não realmente preso — ela começou a gesticular tentando por em ordem as palavras — Sabe? Eles ainda estão livres mas...
— Anna — Kristoff interrompeu segurando os ombros da noiva — O que está acontecendo?
— O que você faria se soubesse que há pessoas sofrendo e você tem uma chance de ajudar mas isso pode custar caro? — Ela soltou quase que em suspiro.
— É alguma coisa do reino? É por isso que você está assim?
— Apenas responda, por favor — ela suplicou
Ele suspirou e pensou, sela o que for, está pertubando sua noiva. Ao menos assim ele pode ajudar, certo?
— Você pode ajudar? — Ela assentiu com a cabeça — Você quer ajudar? — Ela repetiu o gesto — Vai salvar pessoas?
— Sim, ma-- — Anna respirou fundo — Também pode matar pessoas — ela sussurou.
— Eu odeio essas coisas de reino — ele resmungou para o chão — Ainda mais quando eu não tenho ideia do que está acontecendo.
— Arendelle recebeu um pedido de ajuda — murmurou Anna — Podemos ajudar a libertar o reino, mas não sabemos as consequências.
— Anna — Kristoff arregalou os olhos, isso não era bom — Quer dizer... tipo uma guerra? — Ele passou as mãos na cabeça e respirou.
— Eu sei! É horrível, mas... Kristoff, tem pessoas sofrendo, por anos... — ela esfregou as mãos no rosto — Elsa reunirá o conselho, tudo que querem são apoio de suprimentos, ao menos é o que ela diz.
— ok, ok, vamos nos acalmar. Nada está decido, certo?
— Uhum
— Então vamos apenas esperar. Elsa é a rainha. Ela vai saber o que fazer.
— É, você está certo — Anna respirou aliviada
— Ela congelou o verão ano passado, mas ela é uma boa pessoa, ela vai saber o que fazer. — Kristoff começou a andar de um lado para o outro — E ela fez um castelo de gelo e colocou um boneco de neve grandalhão para defendê-lo — ele começou a falar com uma pontada de desespero
— É! Espera, o quê?
— E ela trouxe uma família de completos desconhecidos para a casa dela e faz tobogãs de gelo no salão do castelo!
— Ei! — Anna protestou cruzando os braços.
— Meu Deus estamos ferrados!
— Kristoff! — Anna o puxou e o fez olhar em seus olhos — Se acalme. É, a Elsa fez algumas coisas que a fazem parecer ingênuas as vezes. Mas você também tem que lembrar que ela me impediu de casar com um cara que eu tinha conhecido no mesmo dia — ela apontou
— Que por sinal tentou matar você e ela — ele lembrou com voz de descrença.
— Isso não vem ao caso. Mas temos que lembrar que ela tem feito um bom trabalho como rainha. E Ela tem meia dúzia de conselheiros. Devíamos confiar nela.
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— Obrigado por tudo, Alteza — Hana curvou-se ao despedir-se.
Elsa havia desistido de fazer Hana ou Gordon abdicarem das formalidade reais com ela. Ambos sentiam-se muito culpados pelos atos de Corin e sua reverência era uma forma de pedir perdão. Se os fazia sentirem-se melhor, ela não se importava.
— Obrigado, Elsa, você é a melhor pessoa do mundo! — Corin abraçou a rainha ao se despedir.
— Obrigada você! Foi muito divertido ter você por aqui. — agradeceu Elsa, ela gostava da menina, mesmo com tanta travessura, o que a fez lembrar: — Mas comporte-se, sua mãe não merece outro susto — repreendeu a rainha.
— Pode deixar!
— E você pequenino, espero ver você falando no próximo verão — brincou Elsa com Ferdinando.
— Podemos vir no próximo verão?! — Gritou Corin segurando os pulos.
— Vocês são sempre bem-vindos, basta avisar e prepararemos um lugar no castelo — respondeu Anna.
Corin olhou inquisitiva para sua mãe.
— Veremos como você se comporta. Não vamos deixar uma menina malcriada atrapalhando alguém tão importante quanto a rainha — decretou Hana
— Eu vou me comportar, eu prometo. Prometo, prometo, prometo! — afirmou Corin pulando de um pé ao outro.
— Tchau, garotinha! — despediu-se Olaf
— Pra você Olaf — Corin entregou uma pedra azulada e irregular — Para compensar o seu botão que eu perdi
Olaf segurou o rosto nas duas mãos suprimiu um grito
— Eu amei! — ele agradeceu colocando a bela pedra no centro onde o antigo botão se encontrava.
— Onde achou isso? — perguntou Gordon
— No jardim, eu estava atrás do botão do Olaf. Mas isso é muito mais legal — afirmou a menina triunfante.
Eles entram na carruagem que Elsa ordenou que preparassem para eles e os guiassem para onde quisessem ir. Ela e a Anna ficaram lado a lado vendo os cavalos os levarem para longe. Elsa suspirou e virou-se para Anna com um sorriso sereno e ambas se olharam por alguns segundos.
— Sim, eu concordo, ela estava me deixando louca — disse Anna
— Eu sei — concordou Elsa rindo — Não sei exatamente do que ela é feita, mas definitivamente ela ultrapassa os limites humanos.
— Tem certeza que ela não tem poderes ou algo assim? Ela realmente deveria ter um botão de desligar.
— Eu sei, mas é bom por um tempo. — pensou Elsa com um suspiro — É mais fácil agir como criança perto de uma.
— Bem, você sabe que não precisamos de uma criança para isso, não é? — perguntou Anna com uma sobrancelha erguida.
Foi então que Elsa lembrou seu pensamento ao brincar pela primeira vez com Corin. Ela lembrou o que nunca havia perguntado à Anna.
— Você quer brincar na neve? — Disse a rainha com magia nas mãos e um sorriso nos lábios.
Anna piscou surpresa. E a expressão emotiva da princesa demonstrou à sua irmã que aquilo teve o efeito que ela esperava. E por alguns minutos, uns poucos minutos, Elsa decidiu que ignoraria o fato em suas mãos uma escolha a qual ela sabia que haveria perdas, não importa qual fosse a opção.
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— Nem pense nisso — declarou rei George
— Mas, papai. Não podemos simplesmente deixar uma escolha dessas nas mãos de Arendelle sem que saibam todas as cartas de Gamel! — argumentou Dimitri.
— Dimy, meu filho, eu entendo, você quer o bem de todos. E ambos sabemos que, no momento em que Arendelle souber que Arisen estará ao lado de Gamel, nossas chances estarão perdidas. Ainda que tenhamos Eredon ao nosso lado.
— Sabe que não é verdade! — rebateu o príncipe — Eredon é uma boa força, eles sabem combater. E além do mais, Arendelle tem uma boa ligação com Eredon.
— Assim como com Arisen — disparou o rei com a voz altiva. Era um decreto. Dimitri não iria a Arendelle, ninguém iria — Dimitri, entenda — recomeçou o rei com a voz mais branda e cansada — Arendelle é uma força importante, sim, é. E ambos sabemos que a rainha irá recusar nos ajudar. Seu reino sempre pendeu para o combate defensivo, não será agora, na direção de uma rainha que isso mudará.
— Posso não conhecer a Rainha Elsa, meu pai. Contudo conversei com ela por alguns minutos, e parece ser mais corajosa do que nós. Sua história... — Ele relembrou o que Elsa contou, o medo que possuía e como o venceu... — Digamos apenas que ela prefere enfrentar seus medos do que se esconder atrás de um trono dourado.
— É corajosa, não estúpida! — protestou o homem — Arisen é um reino forte! Gamel não fica muito atrás! — ele respirou, sua voz havia esganiçado com a emoção — Vossa Alteza afirmou que questionaria seu povo sobre sua decisão, que povo arriscaria sua vida por outro que nem ao menos conhece? Arendelle fica do outro lado do mar, mal tivemos contato com seus reis, quem dirá com seu povo. Vá até Arendelle e a única coisa que conseguirá é informar a Gamel quem tenciona nos ajudar. É quando o reino da rainha de gelo será atacado sem nenhum motivo!
Dimitri enrrigeceu. Ele não havia pensado nisso. Seu pai tinha razão. Como ele era estúpido! Pegue seu navio real e vá até Arendelle com um estandarte escrito "rebelião". Teria o mesmo efeito. A realeza de Arendelle pode vir à Skavir sem ser vista, o contrário não é tão viável. Dimitri tem um guarda de Gamel até em suas caçadas, que dirá para uma viagem à um reino no qual nunca houve mais do que uma ou duas visitas para coroações ou casamentos. A menos...
— Que sorriso é esse? — Indagou seu pai ao perceber que o rosto do filhos expressava claramente uma ideia — Não, nem pense nisso. Você sabe que congelaria se o fizesse!
— Se eu sair poucos antes do raiar do sol o mar estará aquecido quando estiver no meio do caminho — argumentou o príncipe.
— E o que diremos aos guardas de Gamel? Sabe muito bem que não há um movimento que façamos sem sermos relatados a Marcel — retrucou o rei.
— Diga que estou de cama, a virose que atingiu meu guarda na caça me alcançou também — respondeu Dimitri sem dar importância.
— Duas semanas depois? — perguntou o rei incrédulo com os braços cruzados.
— Hm, Kon melhorou completamente a apenas três dias, visitei-o e peguei a doença quando estava no fim — explicou ele ao dirigir-se à porta.
— Sabe que isso é muito arriscado, não sabe, meu filho? — perguntou o rei com serenidade — Não só para você, mas para os dois reinos.
Dimitri parou em frente a porta, manteve a cabeça baixa alguns segundos e então a ergueu, respirou fundo, abriu a porta e declarou:
— Eu prometo, meu pai. Não vou falhar.
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