Friendly Living
36 Capítulo XXXVI. Rapunzel
Notas iniciais
[...]

RAPUNZEL CORONA
Rapunzel se sentia exaustada. Sua barriga doía, seu corpo todo doía, e a menina ainda não conseguia dormir, e isso deixava todo a sua mente dolorida (se isso era possível). Mas do jeito que estava, tudo era possível.
Sentia-se culpada. Muito culpada.
Havia deixado sua mãe arrasada, e vê-la daquele jeito era totalmente horrível. Virou seu corpo na cama, observando a mulher dormindo em um colchão com a respiração leve e o rosto inchado. Rapunzel não era uma boa filha. Nem de longe era uma boa filha. A menina se perguntou se Gothel se sentia arrependida de ter adotado Rapunzel. Afinal, ela não era uma boa filha.
A loira deu mais um suspiro e revirou os olhos ao ouvir o grito de Emma no seu quarto. A festa da sua ‘irmã’ seria naquela noite, e Emma estava louca, já que tudo estava saindo do jeito errado que ela havia planejado. Rapunzel ria com isso. De certa forma era realmente prazeroso ver Emma gritando igual uma louca.
Rapunzel se virou na cama, ficando de barriga para baixo, e mexendo em seu cabelo enrolando uma mexa no dedo. Deu um suspiro calmo e tranquilo no momento em que sentiu um mal estar na barriga. Virou-se novamente e colocou as mãos sobre a barriga. De certa forma estava nervosa. Havia combinado de ir com Jack, mas não haviam combinado muita coisa. Estava com medo dele ter desistido e agora a menina iria sozinha.
Pegou o celular em sua escrivaninha e desbloqueou-o, dando uma leve olhando no mesmo e nas notificações que se resumia a conversas de um grupo da festa da Emma. Todos animados e trocando palavras de com quem iriam. Rapunzel achou idiotice ter que ir de par na festa da garota, mas de certa forma, sabia que a menina fez isso somente para alguns não irem, por não terem pares.
Pensou em mandar uma mensagem para Jack, mas logo desistiu. Bloqueando o celular e colocando-o de volta no lugar de inicio. Seu estômago se contorcia, e a menina suspirou novamente, dando uma breve olhada no vestido branco que estava no cabide. Gothel havia escolhido o vestido. Mike queria que a garota comprasse um novo, mas Rapunzel negou dizendo que tinha um perfeito para a ocasião. Tudo bem que ela já tinha usado aquele vestido no casamento de Gothel, mas realmente não estava preocupada.
A loira levantou-se de sua cama, e então saiu do quarto sem fazer nenhum barulho. Por mais que tivesse seus problemas, sabia que tinha que comer, ou pelo menos tentar já que sua barriga se contorcia só de pensar em ingerir alguma coisa. E Rapunzel não gostava disso.
Desceu as escadas segurando o corrimão e sentindo uma leve fraqueza de atingir. Não havia comido muita coisa depois que veio do hospital. Havia recebido uma dieta bem firme e rígida, e Gothel prometeu que faria a loira seguir a mesma, mesmo que ela não quisesse, o que aliviou o médico.
Claro que ela simplesmente não iria começar a seguir a dieta, já que ela ainda não estava acostumada com isso. Mal conseguia comer um prato com os carboidratos e proteínas necessários para uma dieta saudável, como conseguiria comer de três em três horas o que ela não conseguia comer de doze em doze horas? Mas ela havia prometido a si mesma que tentaria. Não por ela. Mas sim pela mulher que estava deitada em seu quarto e que passou a noite ao seu lado com o rosto amassado e inchado de tanto chorar pedindo perdão a menina.
Deveria ser ao contrário. Rapunzel deveria estar chorando e pedindo perdão, não Gothel.
Mas no momento, nada mudaria.
E Rapunzel se odiava por isso.
— Senhorita Balzer — uma das moças que trabalhava na grande mansão rapidamente soltou assim que viu Rapunzel entrando na cozinha com grandes olheiras e uma cara de cansaço. — Achei que a senhorita iria dormir por mais tempo, juntamente de sua mãe — rapidamente enxugou as mãos no avental que usava que abriu a geladeira. — Já guardei o café, mas posso colocar tudo novamente para a senhorita, na mesa do jantar, se quiser.
— Está tudo bem — Rapunzel logo interrompeu a mulher, que fechou a geladeira e fitou a loira. — E por favor, não me chame pelo sobrenome de Miles, meu sobrenome continua sendo Corona — sua voz era delicada, e ao mesmo tempo, gélida. Odiava ser chamada pelo sobrenome de Miles. Ainda continuava sendo uma Corona, por mais que Gothel fosse uma Balzer agora.
— Sim senhorita, me desculpe — a mulher rapidamente pediu, e Rapunzel sentiu-se um pouco culpada, mas deu um leve sorriso.
— Pode se preocupar com seus afazeres, eu me viro — a loira falou a mulher, que a olhou um pouco desconfiada, e Rapunzel sabia muito bem o motivo.
— Mas a Senhora Balzer pediu para que eu colocasse os alimentos específicos nas suas refeições — falou preocupada e também desconfiada de que Rapunzel poderia não comer nada. A loira entendia, mas aquilo a irritava.
— Eu vou ficar bem — garantiu. — Eu não faria nada para contradizer a minha mãe — falou com entonação mais forte, e a funcionaria de vestimentas cinzas apenas assentiu e voltou a lavar as louças.
Rapunzel foi em direção a geladeira, onde pegou a caixinha de leite, e o pote azul com as fatias de queijo mussarela. Colocou-os em cima da mesa da cozinha, e depois foi em direção ao pequeno armário que tinha ali, para pegar a sacola onde estavam as fatias do pão integral. Pegou uma caneca, e aproveitando que o café estava em cima da mesa, colocou na caneca, depois completou com o leite gelado, dando uma mistura morna.
Fez seu lanche com mussarela e pão integral e suspiro, fazendo uma grande força para comer aquele pão inteiro e ainda beber toda aquela caneca de leite e café. Deu a primeira mordida, e implorou a Deus.
— Ora, ora, ora — Rapunzel sentiu um calafrio ao ouvir a de Emma. A menina trajava uma calça jeans, uma blusa de mangas compridas preta e um colete jeans por cima. Sorria perversamente, e tinha um brilho no olhar. Seus fios loiros estavam presos de uma forma bagunçada, como se ela tivesse feito um coque perfeito, dormido, acordado e ido fazer suas coisas. — Achei que demoraria a acordar, irmãzinha — provocou se aproximando da menina e sentando em uma cadeira afronte Rapunzel.
A garota apenas ignorou. Tinha que terminar de comer seu lanche.
— Fala bom dia pelo menos, Rapunzel — Emma ordenou com a voz irritada. — Mal educada — murmurou a ultima parte alto o suficiente para a menina de olhos verdes escutar.
— Bom dia, querida Emma, dormiu bem? — indagou sendo totalmente irônica e sarcástica. Estava irritada com Emma, e se ela quisesse brincar de serem amiguinhas, pois bem, Rapunzel brincaria.
Emma arqueou uma sobrancelha.
— É sério isso?
— Você que pediu.
A de olhos azuis sorriu sarcástica.
— Pronta para a minha festa? — indagou sem o mínimo de interesse. Rapunzel se perguntou o porque da menina estar ali falando com ela. Oras, era Emma! Elas se odiavam! — Fiquei sabendo que irá com o Frost — os olhos da garota passearam pela refeição de Rapunzel, e depois com um sorriso malicioso, a fitou divertidamente.
— É — Rapunzel respondeu sem o mínimo interesse. A loira não queria admitir para si mesmo que estava nervosa com isso. Não havia conversado com Jack depois do ocorrido. Depois do pedido. E de certa forma, tinha certo medo do menino simplesmente não querer mais ir com ela. Oras, haviam finalmente descoberto que ela era bulemica e anêmica, quem gostaria de ficar perto de uma menina assim? Se Rapunzel fosse outra pessoa, ela não gostaria de ficar perto de si mesma.
— Só cuidado para não vomitar ou desmaiar na minha festa — Emma falou com a voz séria, levantando-se. — Não quero que a minha festa seja arruinada pela minha irmãzinha.
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