Freezing Passion
3 Capítulo 3 - The Fear
A tarde foi tranquila. A Fada, como era de se esperar, adormeceu instantes depois de repousar-se em sua cama, a qual descobrira ser macia e confortável em demasia. Por outro lado, Jack teve mais um de seus momentos pensativos antes de finalmente cair em um sono pesado e sem sonhos. Lá fora, a neve caía monotonamente, em flocos grosseiros e incomuns. O habitual de Arandelle era uma neve fina e bonita, uma geada gostosa de se vislumbrar, não aquilo tão forte e desconfortável...algo estava errado.
Ao chegar da noite, assim que o sol em fim se pôs, Elsa mandou um de seus criados para despertar os Guardiões. Trajes de gala foram enviados à ambos os heróis, para que se tornassem apresentáveis perante os outros membros da Nobreza que certamente estariam presentes. A Rainha parecia ser discreta, provavelmente não encontrariam um evento espalhafatoso e exagerado. Um simples jantar. A Fada do Dente se cobriu com seu rico vestido de cetim, as mangas eram trabalhadas manualmente, em costuras elegantes, e não possuía decote. Um corte nas costas fora improvisado, para que suas asas pudessem encaixar. Por outro lado, Jack não se viu satisfeito ao constatar o que teria de vestir.
–Ah, não. Fru-fru, não! – O grande gibão era acompanhado de uma calça de montaria –típico de cavaleiros dos Reinos Primos-, e botas longas. As cores e o os desenhos das vestimentas não eram do feitio de Jack, talvez o motivo por não tê-lo agradado. Se sentia péssimo ao ter que se desfazer de seu moletom azul e de suas calças surradas. Eram simplesmente as suas marcas! Além do mais, teria de se calçar. Mal conseguia caminhar naturalmente com aquelas coisas impedindo que tocasse o chão. Entrementes, não poderia se recusar e dar as caras ao banquete chique usando moletom. Sendo assim, se despiu e se lavou antes de enfiar-se por entre as vestes de alto escalão.
Ao fim de todos esses preparatórios inconvenientes, finalmente deixaram seus cômodos particulares. Uma criada, uma moça jovem de cabelos cor de ferrugem, guiou-os até o salão de baile, onde seria sediado o tal banquete.
–Por aqui, senhores. – Ela possuía um sorriso doce e encantador. Jack se sentiu incrivelmente atraído pela criada, mas não quis se entreter demais, a ponto de se ver distraído de cinco em cinco minutos. Somente seguiu os passos elegantes da moça. – À propósito, me chamo Margareth, caso queiram me encontrar. – Seu rosto juvenil virou-se até Frost, ela sorriu de canto e enrolou uma mecha vermelha de seu cabelo. – Para o que quer que precisem. – O garoto mal pôde evitar um sorriso bobo. Após isso, não tardou para que adentrassem ao cômodo destinado.
A proporção de tal era magnificamente estonteante. As paredes cobertas por uma camada de veludo carmim, e as enormes vidraças encobertas por cortinas de cores púrpura e dourado. A mesa era tanto farta quanto bela, assim como as pessoas que a cercavam. À cabeceira, a Rainha se postava ereta e belíssima. Seus cabelos claros foram presos em um coque alto, e sua coroa reinava imponente por cima de seus fios. Margareth os levou até os lugares reservados e deixou o local, batendo a grande porta ao sair.
–Espero que tenham descansado o suficiente. – Elsa sorriu, inclinando a cabeça levemente. – Permita-me que lhes apresente: Essa é minha irmã, Princesa Anna e seu marido, Príncipe Kristof. – Jack reverenciou-os em seu modo despojado, enquanto a Fada lançava sorrisinhos aos dois. Anna era tão bela quanto sua irmã mais velha. Seu corpo era magro, porém seu busto se mostrava avantajado. Seus cabelos, ao contrário dos da monarca, caiam em cascata sobre seus ombros. Apresentavam uma cor castanha, que entrava em perfeito contraste com seus olhos. Ao seu lado, Kristof se assemelhava a um durão. Seu corpo era forte, musculoso e corpulento. Seus cabelos amarelados caiam sobre os olhos. Ao contrário de Jack, usava roupas grosseiras e simples, o que o fez se sentir um completo almofadinhas.
–Oh, muito prazer e conhecê-los! Tenho que dizer que me surpreende bastante recebermos visitas tão ...inesperadas. Porém, sintam-se à vontade em Arandelle. São bastante populares por aqui. – Anna lembrava-lhe bastante a Fada. Seu sorriso doce e amoroso. – Eu e Kristof costumamos contar histórias sobre vocês para nossos filhos. Rãm-rãm, Joseph, Gareth, por favor, venham até aqui. Quero que conheçam Jack Frost e a Fada do Dente! – Em um ponto distante, mas no mesmo salão, uma mesa menor abrigava várias crianças. De lá, dois garotinhos se levantaram e caminharam em passos nervosos até a mesa de maior dimensão. Cessaram seus passinhos e repousaram suas mãos à frente do corpo.
–Ah, olá, rapazinhos! –A Fada entrelaçou os dedos e sorriu. – Em outra ocasião, espero que não se importem em eu dar uma olhadinha rápida em seus dentinhos. Oh, pelas barbas do Papai Noel, dentinhos de leite!– Anna bateu palmas agitadas e alegres, em harmonia constante com a felicidade habitual da Fada do Dente.
–Eu avisei para escovarem os dentes antes de dormir. Se achar cáries ou sujeiras nessas boquinhas, saiba que não tenho culpa alguma! – Dessa vez, quem se adiantou fora Kristof, que abrira um sorriso brincalhão. –Podem voltar aos seus amiguinhos, crianças.
–Mas...se importam se eu tentar tirar uma dúvida que vem me encucando há um tempinho? – Jack pigarreou. – Bem, como sabem tanto sobre nós? Guardiões geralmente não são tão conhecidos ou populares dessa forma. Principalmente eu. – Fez-se cabisbaixo em frustração, por alguns segundos.
–Ora, Jack, esse é um reino gelado! Histórias sobre os pioneiros e responsáveis por esse clima tão...admirado são contados e recontados de geração em geração em nosso meio. Quanto ao restante dos contos, como por exemplo a nossa prezada Fada do Dente, sempre foram cultuados, o motivo ao certo não é de minha exatidão, entretanto, temos muitas crianças frustradas por não receberem suas moedas. – A Fada corou, envergonhada.
–Não sei como me redimir, Rainha Elsa. Tenho de admitir que vosso reino é distante demais para que possa comparecer à todo e qualquer incidente com dentição avulsa! – Dialetos dentários não eram de fácil compreensão. – Para ser franca, nem mesmo sabia da existência de tal até que surgiu esse alarme crítico de dentição com diversos problemas...
–Oh, então é esse o motivo que vos traz para essas bandas? – Questionou Elsa. – Mas, não se preocupe, querida. Eu te compreendo completamente! Mantenha a calma. – Sorriu em aprovação. – Hãn, me conte, Jack Frost, o que me diz sobre o um passeio pelas montanhas amanhã? Antes do baile, devo reforçar, não devemos nos atrasar.
–Ah...claro, Els...
–Alguém disse “baile”? – Uma nova voz ressoou pelo local, seguido pelo barulho da porta batendo novamente. – Há algum tempo que não remexo o esqueleto e danço com algumas belas damas e...
–Olaf, meu caro Olaf, você nem mesmo tem um esqueleto. – Elsa levou as mãos aos lábios, evitando um sorriso, então completou. – Creio que está atrasado. O banquete foi marcado para às oito horas...vejamos...são nove e meia. –Suspirou.- Casual, vindo de você, seu cabeça mole! Sente-se logo. – Aquela, sem dúvidas, era a criatura mais estranha, porém magnífica, ao qual Jack Frost teve o prazer de visualizar. Por incrível que possa parecer, Olaf é um boneco de neve! Seu corpo era constituído por três partes de tamanhos divergentes. Olhos de aspecto verídico preenchiam seu rosto, seguidos por uma boca tão normal quanto, terminando, enfim, em uma cenoura substituindo o nariz.
–Oh! Uau! – Jack exclamou espantado. – Saudações, Senhor Olaf, sou Jack Frost.– A figura se sentou sob uma cadeira mais elevada e sorriu.
–Ah, olá, Senhor Frost. Sou Olaf. – Ele parecia completamente absorto sobre todo o restante do assunto. –Ah, estou faminto, Majestade. Anna, minha bela Alteza! Sven, seu garanhão, como vai a família? – “Sven?” Pensou Jack. “Pensei que se chamasse Kristof.” – Então, o assunto era um baile!?
–Aparentemente, sim, Olaf. – Rebateu Elsa. – Mas, vejo que já causou burburinhos demais para uma noite só. Serviremos o banquete, outrora lhe darei mais informações sobre o evento...agora, comeremos! – Elsa capturou um pequeno sino ao lado de seu guardanapo e o tilintou, chamando os criados, que não tardaram à comparecer.
A comida era de lamber os beiços. Carne de porco e guisado de peixe, servidos com sopa de ervilhas e alcaparras. Uma belíssima salada de rúculas com alcachofras, e, de acompanhamento, cerveja ou vinho aquecido com um aroma de mel e rosas. Todos comeram elegantemente. Até mesmo Jack Frost se esforçou para não deixar transparecer sua má educação. Após terem findado suas respectivas refeições, uma torta de caramelo fora servida como sobremesa. Jack, em especial, simpatizou-se bastante com esse último prato em questão. Tudo parecia normal, até que um grande ruído encheu os tímpanos dos presentes. Uma das janelas de vidro se espatifou ao chão, fazendo com que vários dos cacos se espalhassem pelo piso brilhante.
–Deuses! O que foi isso? – Gritou Anna, assustada. Caminhou até suas proles, envolvendo-os em um abraço maternal. – Elsa! Olhe lá em baixo, veja se encontra algo anormal. – Acatando a dica da irmã, a Rainha pôs-se de pé e se dirigiu até o grande vácuo na parede, onde outrora se encontrava a janela.
–Por mil demônios, Anna! – Curioso, Jack se levantou de um pulo, se postando ao lado da moça à janela. – Não, não, inimigos não! Tropas! Precisamos de tropas! – Correndo entre as alamedas e becos, aos quais eram perfeitamente visíveis à altura em que se encontravam, uma figura coberta por uma capa escura ziguezagueava sem rumo aparente. Simplesmente fugia, insanamente. – Senhor Thredson, quero que providencie as tropas, e que vá atrás daquele infeliz...por favor, não deixem-no escapar impune. – Para o desespero maior, ele havia sumido. Evaporado. Nada mais se via, a não ser a neve grossa que cobria o chão pedregoso. – Não pode ser! Maldição! Thredson, o que faz parado aqui ainda? Vá, corra. Ainda há chances de alcançá-lo. – O que parecia ser um evento tranquilo, tornara-se uma dor de cabeça e tanta.
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