Freddy's War - Interativa

32 The Second Toy-Old War: Part 7 — Internal Darkness


Notas iniciais
OLÁ! Desculpa pela demora, mais estou de volta com mais um LONGO capítulo (5.000 palavras). Boa parte do último POV foi escrito pela Lya (Este capítulo é para você). Além disso, estou ansioso pelos longos reviews ;) (PS.: Quem não comentar estará sujeito a perder os personagens, vulgo, terem-os destruídos) Enfim, Aproveitem>>>

Capítulo 30 — Segunda Toy-Old: Revelações e Soluções Cruéis

TEMPO INEXISTENTE, DESCONHECIDO

LOCALIZAÇÃO CORROMPIDA — HORA CORROMPIDA

Lya iria morrer. Não havia esperança para si, como bem sabia, faltava poucos segundos para as sombras destruírem a Placa-Mãe, assim acabando com sua mísera vida — ou seja, lá o que eles, animatronicos, tinham — as sombras estavam passando pelos seus sistemas vitais, danificando-os, e se aproximando de sua cabeça, onde lá, finalmente, Rw destruiria Lya, para sempre. Os olhos brancos e brilhantes de seu adversário encaravam-na, mas parecia não haver sentimento algum nele, talvez pelo fato de serem apenas dois orbes brancos brilhantes, não um olho de verdade.

O sorriso, feito apenas pelos dentes, dava um sentimento de desconforto para a gata mecânica, que estava quase desmaiando com a presença do animatronic. Um de seus olhos focou-se no lado, encarando Mangle, que se debatia presa às mesmas sombras que agarravam a Old. A gata via enquanto Mangle simplesmente desistia de escapar, deixando seu corpo jogado, quase como se estivesse sem vida, completamente desligada. A cabeça extra estava invisível, totalmente rodeada de escuridão.

Lya estava sentindo tudo esvaziar-se internamente, sendo absorvida pelo ser de trevas... Até que tudo foi subitamente iluminado. Um forte feixe de luz acertou-a em cheio, desequilibrando-a e a fazendo cair no chão, erguendo o olhar, ficou aliviada. Rw estava em pé, contorcendo-se e gritando, enquanto que Balloon Boy — Lya nunca havia ficado tão feliz em vê-lo antes — apontava seus olhos e a lanterna, completamente renovada, no ser de escuridão. Ao invés de juntar-se à escuridão, Rw estava preso na luz proveniente do pequeno Toy, aprisionando-o no lugar. Mangle também caíra no chão, livre da prisão de sombras. Ambas recuperavam-se do pequeno Inferno que sofreram, enquanto o carcereiro gritava de dor. BB encarou o antagonista deles, seus olhos presos em seu corpo completamente negro, e falou, com um pouco de estática:

— Deixe-nos fugir ou eu destruirei você. — Sua voz estava firme, apesar de tudo, e a luz parecia apenas aumentar.

— Como posso confiar em você? — Rw questionou sua voz falhando pela dor. Seu corpo negro parecia que estava desmanchando-se, seu braço rasgando e uma de suas grandes orelhas sumira. Ele parecia desmanchar-se no contato com a luz.

— Não pode. Você quase nos matou, mais de uma vez. Eu estou apenas vingando-nos, mas se você liberar a passagem para fugirmos daqui, eu desligarei a luz e deixarei você falar com seu chefe sobre o que ocorreu aqui dentro. Ou você pode recusar-se cooperar e a luz vai te matar. Não há sombras perto de você para que escape da lanterna. — Balloon Boy falou sério. Lya nunca o vira assim. Ele parecia muito diferente de sua aparência, como se a ameaça não fosse um blefe, e ele realmente o mataria. Ela tremeu com o pensamento.

Rw rangeu os dentes, gemendo de dor. A luz parecia que realmente feria-o, como se aquilo fosse fogo ou algo pior. O ser ajoelhou-se, tremendo. BB desligou a luz dos olhos, mas ainda mirava a lanterna nele, porém a intensidade parecia estar mais baixa. Rw tremeu ainda mais, sussurrando tão baixo que Lya mal ouviu:

— Tudo b-bem. E-eu vou ajudá-los. Mas na-ão p-posso ajudar sem e-entrar c-contato com minhas Sombras. — Disse, antes de cair no chão bicolor, seu corpo desaparecendo aos poucos, queimando com a luz, preste a fazê-lo sumir.

A lanterna foi desligada, libertando Rw. O ser simplesmente sumiu na escuridão, seu corpo cobrindo-se completamente pelas trevas. Um suspiro de alívio foi ouvido, enquanto BB voltava a colocar o dedo no interruptor da lanterna.

— Se você não abrir a passag-

A voz de Balloon Boy foi interrompida por um som estranho e estridente, completamente diferente do já ouviram antes. Durante esse som uma das paredes de sombras foi aberta, como uma cortina, revelando a porta de saída do que deveria ser o banheiro. Balloon Boy foi à frente, espiando o lado de fora. Lya logo seguiu, e Mangle deu um pulo, se segurando no teto e passando pela porta. BB virou-se para falar com Rw, mas, quando viu, o banheiro estava de volta ao normal. Não havia nenhum rastro da estranha “Dimensão” onde estavam antes. Lya também se virara para o banheiro e encarava o lugar antes coberto por sombras.

— O que aconteceu?

— Não sei, Lya, não faço ideia...

1 Hora e 39 Minutos Restantes

Area Principal — 4 AM

Toy Freddy não sabia o que fazer. Desde que os novos animatronics chegaram à pizzaria, a única coisa que pensava era vingar-se dos Olds pelo nome de Toynic. Era isso, apenas isso que o motivava e o obrigava a obedecer Marionette. Apenas isso, porque, caso não houvesse essa necessidade dele, ele simplesmente desobedeceria e talvez até criasse um motim para acabar com a fantoche robótica. Se Toynic não tivesse morrido... Como os eventos se transcorreriam se não houvesse ocorrido a Destruição do Toy? Freddy sabia que nunca iria se deixar cair dentro das artimanhas de Marionette. Se houvessem escutado Puppet...

Sua atenção foi desviada quando sentiu Len debatendo-se em seus braços. Desde que a companheira, Rin, foi destruída pelo urso destruído, Len havia perdido o controle sobre si. Estava fora de controle e sua raiva parecia apenas aumentar, consumindo-o. Toy Freddy não conseguiu não se sentir culpado por aquilo. Se tivesse lutado contra as tentações de Marionette; se ambos tivessem obedecido Puppet... Nada disso teria acontecido.

— Len, chega! — O animatronic não obedeceu Freddy, na realidade, apenas continuou a tentar de fugir de seus braços. — CHEGA!

Len parou, quase como se tivesse rendido. Mas o urso não iria acreditar que ele havia esquecido da raiva que estava em seu interior. Ele era especialista em raiva e vingança. Agarrado ao outro toy, desviou das investidas e brigas que transcorriam ao redor deles, Toy Freddy usou toda sua agilidade para impedir que alguém os percebesse enquanto passava por entre eles. O urso tomou a máxima precaução para sair dali sem que Marionette notasse-o. Ele não se sentia bem perto da Toy — ele simplesmente odiava-a. Era por causa de seu ódio que a guerra original, que resultou na morte de Toynic, e essa guerra ocorreram, causando a destruição de muitos animatronics. E tudo por causa dela...

Len tentou novamente fugir dos braços de Toy Freddy, que lutava para mantê-lo sobre controle, sabia que se escapasse nunca mais conseguiria pegá-lo e manter a raposa longe de Old Freddy — se destruiu a companheira do toy, poderia matá-lo também. Toy Freddy era esperto o suficiente para saber que seu homólogo tinha a mesma capacidade destrutiva que ele. Era quase como se a Inteligência Artificial de ambos fossem quase idênticas algumas vezes quase podia saber o que sua outra versão pensava, como se fossem um só. Nunca disse algo sobre isso para alguém, o único que confiava não existia mais, e não confiava o bastante nos outros Toys — talvez, exceto Balloon Boy — já que todos eram leais a Marionette. Não confiava mais nela.

— Len, por favor, pare de se debater. — Toy Freddy suplicou para o toy, que ainda insistia em avançar contra o urso detonado. — Eu juro que v-

— NÃO! DEIXE-ME MATÁ-LO! — Len se debateu mais forte. — TEM QUE SER EU! EU VOU ACABAR COM ELE! SOLTE-ME!

— Len, você não está em plena consciência...

— ME DEIXE IR CONTRA ELE! POR FAVOR! Por favor... — Len caiu nos braços de Toy Freddy, sem energia, logo entrando em modo de recarga.

— Ainda bem que o botão de recarga de emergência está bem localizado em todos os toys.

Finalmente, Toy Freddy saiu da Área Principal, adentrando no corredor e repousando o corpo desligado no chão. Ele se deixou cair ao lado de Len, cansado e não sabendo o que fazer. Voltaria para a irracional guerra e continuaria fingindo que se importava com tudo aquilo, apenas para não fazer Marionette irritar-se. Ou ficaria ali, sentado, fingindo que seus companheiros (Quem ele queria enganar? Mal se importava com os outros toys, muito menos os olds, por que ainda continuar com essa mentira?) não se matavam do lado de fora. O que ele faria? Tinha logo que se decidir...

Um barulho estranho e misterioso ecoou no corredor, fazendo Toy Freddy levantar-se em súbito. Passando pelo banheiro masculino, Mangle, seguida de Lira (Pelo menos achava que era esse o nome) e Balloon Boy, chegaram à vista do urso infantil. Ele não conseguiu ouvir o que falaram — a voz saíra baixa demais. Porém, pareciam um pouco assustados e confusos, seja lá o que acontecera com eles, tivera graves consequências, pelo que o urso podia ver. Não sabia o que acontecera com eles — e algo dentro de si torcia para nunca saber.

Estava tão concentrado em seus pensamentos que só percebera a fuga de Mangle no último segundo. Ela atravessou o corredor, pendurada no teto, rápida e disforme, quase anormal sua posição e velocidade, rápida demais para o animatronic marrom poder confrontá-la. Sem Mangle para informá-lo sobre seja lá o que fosse, Toy Freddy andou em direção aos dois outros animatronics, arrastando Len consigo — não iria deixá-lo ativar-se e fugir de si. Quando já estava próximo deles, BB notara sua presença e num impulso colocou-se à frente da gata antiga. Toy Freddy soltou Len no chão e levantou as mãos, um claro sinal de desistência. Balloon Boy exitou, não parecia preparado para ver um sinal desse tipo do urso, mas continuou a frente da old.

— Olá, BB; como está? — Disse casualmente e calmamente.

— O que está fazendo aqui, Freddy?

— Estou me certificando que o Len aqui — apontou para a raposa desligada — não tente se vingar de Withered Freddy e acabe sendo destruído, assim como sua companheira. — Percebeu a pose defensiva do outro Toy. — Pode ficar normal, BB, não vou destruir a old que está protegendo.

— Como posso confiar em você? — Balloon Boy questionou. A old colocou a mão no ombro do toy.

— Não esquenta, Balloon, eu confio nele. Sou Lya.

— Acho que já me conhece. — O urso respondeu, e voltou a olhar para Len, ainda desligado. — Então, BB, o que voc-

Sua frase foi interrompida com um baque forte e alto. Toy Freddy mal pode raciocinar, num momento estava conversando com os outros animatronics, e no segundo seguinte estava sendo levantado por um grande, forte e deteriorado animatronic acinzentado, que derrubara BB e Lya no chão. A mão do old pressionava o pescoço de Toy Freddy e empurrava-o contra a parede.

Toy Freddy tentou fugir do aperto, mas o outro animatronic era mais forte. Seu corpo destroçado e rasgado apenas deixava-o mais sinistro e com uma aparência ainda mais assustadora e demostrava claramente que ele era perigoso.

— Olá, Toy Freddy. — Disse com uma voz picotada e falha, mas ainda compreensível. — Não reconhece o velho Forgotten?

O urso arregalou os olhos. Aquela voz falha... A pose, a força... A frase... Não era possível. Ele tinha sido destruído, na sua frente. Marionette tinha esmagado-o e desligado, certificando-se de nunca mais poder ficar ativado. Ele deveria estar morto... A mão do old pressionou ainda mais a garganta robótica de Toy Freddy, quase esmagando-a, mas ele parecia estar com receio de destruí-lo, percebeu, porém não parecia que duraria por muito tempo o receio. A última coisa que disse, antes de cair na inconsciência, foi o nome que há tempos não pronunciava, ou pensava sobre.

— Plasma...

1 Hora, 28 Minutos e 58 Segundos restantes

Parts & Service — 4 AM

Eles estavam presos. Jeremy não sabia se agradecia ou se irritava com Balloon Boy por ter trancado a porta da sala quando saiu em busca de Lya. A única coisa que permitia-os de visualizar o lado de fora era o já descarregado tablet com acesso às câmeras de segurança. Apenas isso permitia-os poder ver a situação do lado de fora da pequena sala onde estavam. As seguranças estavam deitadas e assobiando melodias, passando o tédio com essas pequenas e poucas ações. O Fitzgerald não conseguia se aguentar de ansiedade: Não podia mentir, queria que as duas horas restantes finalmente passassem. Parecia que aquilo nunca acabava. Como se um ano tivesse passado, ao invés de alguns minutos. Como odiava aquilo. Clicou na câmera da Parts & Service e ligou a luz, assustando as duas garotas.

— Não faça isso mais, por favor. Avise antes, Jeremy. — Emily disse. Jeremy segurou a risada, a cara delas fora impagável. Porém, logo voltou a ficar sério e entediado.

— O que foi? — Anne questionou.

— Não sei mais o que fazer. — Jeremy confessou — Enquanto estamos aqui, matando o tédio com coisas ridículas, os animatronics estão se matando, ou seja lá o que é o corresponde de morte para eles. Estão se destruindo e acabando com a pizzaria. Me sinto impotente. Como se fosse um mortal testemunhando uma luta de deuses.

— É quase isso, Jeremy. — Emily disse. — Você não é o único que está se sentindo assim. Eles são robôs. São três vezes, mais ou menos, mais forte que nós e muito mais resistentes. Somos seres de carne e osso e eles de ferro e fios de cobre. É muito mais fácil rasgar carne do que metal, Jeremy. Se entrássemos numa guerra, é óbvio que todos nós morreríamos de primeira. Então podemos dizer que Balloon Boy realmente queria nos ajudar nos trancando aqui dentro.

— Eu sei, Emily, mas isso não muda o sentimento de impotência que estou sentindo. — Suspirou. — Quer saber? Esquece. Vamos apenas ficar aqui analisando o exterior com o tablet.

Jeremy mudou a câmera para o palco. Emily e Anne se aproximaram para também poderem analisá-las, enquanto Jeremy trocava as câmeras, deixando-as ativadas por apenas alguns segundos.

— Espere! — Anne segurou a mão do guarda diurno. — Volte para a camera da Party Room Três.

Jeremy voltou para a câmera 3, e logo prendeu a respiração. Andando pela sala, havia uma estranha figura, vestido de roxo com um casaco de capuz cobrindo a face e cabeça.

— O que ele está fazendo aqui? — Jeremy arregalou os olhos para a figura, quando o capuz caiu, pelo movimento que fizera. Não acreditava naquilo, apenas caiu em si quando Emily disse o óbvio:

— Jeremy... Acho que ele é o Purple Guy.

1 Hora, 25 Minutos e 5 Segundos Restantes

Area Principal — 4 AM

Bonnie já estava exausto de tanta guerra. Depois de ser quase que completamente destruído na Primeira Guerra Toy-Old, agora ele só conseguia escapar dos ataques entre as batalhas dos outros animatronics, torcendo para aguentar alguns socos e não ser completamente destroçado pelos ataques. Ele apenas queria escapar daquela maluquice, mas não achava que tudo aquilo fosse completamente modificado com um ataque. Um forte soco o fez cambalear, raspando o pé no chão, arranhando-o e terminando consigo preso a uma parede e seu agressor frente a frente com ele. Ele sentiu o ódio tomar parte de si, ao reconhecer seu agressor.

— S-sua c-cópiiiicckkka ororrrrdin- e fffahuthhha! — Ralhou Old Bonnie para sua versão mais brilhante e nova. Cerrou o único punho que tinha com força ao ver o Toy azulado sorrir para ele com escárnio.

— Ahh, fajuta? — Toy Bonnie sorriu, fazendo as bochechas vermelhas mexerem. Aqueles dentes branquinhos irritavam Old Bonnie –Desculpe se você foi substituído por uma versão melhor. Eu poderia dizer que lamento, mas não seria verdade; ninguém mais iria querer brincar com algo destroçado que nem você, mesmo.

O coelho velho sentiu a ira crescer dentro dele. Estava esperando por esta luta há muito tempo era verdade. Enfrentar sua versão mais nova e irritante era uma ocasião por ele ansiada há bastante tempo. Sabia que ele era mais veloz, mas os olds eram mais fortes. E maiores. Aquele baixinho não tem chance contra mim, pensou.

— E aí, velhote? Vai me enfrentar ou tem muito medo pra isso? — Provocou o mais novo, os olhos verdes venenosos parecendo brilhar com a possibilidade de lutar. O mais velho queria muito socá-lo, a personalidade cética e arrogante daquela cópia sua o irritava de verdade. Como poderia ter sido substituído? E por ele? Toy Bonnie nunca seria melhor que ele.

Old Bonnie não esperou; avançou rapidamente na direção do mais novo desferindo-lhe um soco, o qual foi habilmente desviado pelo pequeno. Seu tamanho pequeno permitia-o ser mais ágil do que sua versão mais antiga e decrépita, assim, com sua agilidade, a versão mais nova de Bonnie conseguiu acertá-lo com um chute certeiro em seu peito, esmagando o metal, assim, o coelho destruído foi parar longe, arrastando o pé no chão, arranhando o chão. Irritado, Old Bonnie avançou contra sua Toy version, socando-o com uma força anormal, Toy Bonnie voou longe, aterrissando em cima de uma mesa derrubando os copinhos e chapéus de festa que estavam ali em cima. Caiu no chão com o impulso, mas colocou-se de pé em instantes.

— Coelho velho... — Murmurou de forma débil — Você parece mais fraco que da última vez...

— Ah é? P-po-pois p-parhecckkee vvvvooocccêêê dddddeeesssiiiiccckiiiittir, T-tocckkkkyyy Bonnie... Ppppoooorrrr accckkaaazooo ff-oi d-demais pra voooooccckkkêêêê? — O old caçoou.

— Não chegou nem a fazer cócegas. — O pequeno Bonnie semicerrou seus olhos verdes e bufou, arrumando a gravata-borboleta.

— Aaaahhhiiiiiindddcccckkkka b-bem, porque s-senão voccckkkkkêêêê n-não acuueenttthhhaarriiiaaa o rrrrrresto da luta — Respondeu o maior, avançando novamente. Errou dois socos seguidos, dos quais Toy Bonnie se esquivou de forma ágil, porém acertou um no meio da cara do inimigo. O coelho de olhos verdes soltou um gemido mecânico e desabou no chão, fadigado.

— Seu merda — Ele rosnou, e o coelho roxo imaginou que, se Toy Bonnie tivesse saliva, estaria espumando de raiva. Tentou sorrir, encarando com o que antes eram seus olhos, e agora era apenas dois pontos vermelhos, o menor que ainda se encontrava no chão. Old Bonnie se aproximou, o corpo grande movendo-se pesada e vagarosamente até seu adversário.

Parou na frente dele. Os dois animatrônicos se encararam por um instante. Ambos estavam cansados, Old Bonnie por conta da idade e Toy Bonnie por causa dos socos nele desferidos. O old aproximou-se como podia, erguendo o peito abrindo as pernas, ficando reto, punho ao lado do corpo, perante o mais novo. Encarou-o de cima, cabeça levantada, olhando o azul bem nos olhos verdes. Esses olhos, esses olhos verdes... Pensou o maior, ouvindo o metal de seu corpo estalar e ranger Parece que têm veneno neles...

Para Old Bonnie, o Toy era irritante porque parecia que absolutamente tudo que saía de sua boca era arrogâncias e piadas feitas para atingi-lo, feri-lo onde mais doía em todos os Olds: sua substituição. Toy Bonnie sempre mencionava o fato de que os mais velhos haviam sido substituídos, que eles não prestavam e que os mais novos eram melhores em todos os aspectos. E aquilo doía. Doía porque Old Bonnie se lembrava de animar as crianças, de cantar e tocar guitarra para elas, de rir com os pequenos e de se divertir de verdade. E, ter que ficar preso numa sala escura e empoeirada, sem nada para fazer e sem a possibilidade de sair, sabendo que outro animatrônico pegou seu lugar e que ele estava se divertindo em seu lugar era um golpe muito forte para todos os velhos animatrônicos. Era atribuída aos Toys a culpa de todo o sofrimento dos Olds, ainda que, talvez, só talvez, não fosse exatamente culpa deles.

Claro, eles haviam brigado, os Toys os haviam forçado a ficar dentro daquela sala suja e fedida, mas... Não era para lá que eles seriam mandados de qualquer jeito pelos donos da pizzaria? Tudo isso passou na mente do velho animatrônico como um flash, e, quando ele encarou o coelho azul, por um momento o Old conseguiu se enxergar nele. Todos seriam substituídos alguma hora, pensou o maior com um assombro no olhar. Inclusive a peste irritante chamada Toy Bonnie.

Ao encarar aqueles olhos verdes e brilhantes, o roxo imaginou, num relampejar, o Toy em seu estado. Conseguiu visualizá-lo decrépito, com sua barriga destruída, fios para fora, um de seus olhos destruídos, sua boca aberta, com apenas fios segurando a mandíbula na cabeça, sem uma de suas orelhas, com apenas fios mostrando que ali antes estava a orelha. E aqueles olhos verdes, brilhantes quase como se fossem vivos, apagados, murchos depois de anos de trabalho. Imaginou ele preso numa sala escura, como Bonnie, com seus companheiros, sendo substituído por robôs mais novos; Toy Bonnie sofreria, e finalmente entenderia porque aquilo lacerava por dentro o mais velho.

O robô azul semicerrou aqueles olhos zombeteiros, a boca puxada para baixo, mostrando os dentes.

— Você não consegue aceitar, não é? Você não presta pra mais nada! Bonnie olhe pra você! — O toy agora parecia mais indignado do que bravo. Ele não falava aquilo tudo para irritar Bonnie, não. O coelho mais novo realmente acreditava nas palavras que saíam de sua boca — É um trapo ambulante, está quebrado, destroçado, quem ia querer ficar com você? Assustaria as crianças! Pare de ser egoísta, elas não podem brincar com um robô velho que nem você! — As palavras do Toy doíam no maior, que recuou. As luzes vermelhas, o que antes eram seus olhos, diminuíram de luminosidade, ficando mais fracas e quase desligadas sentindo um mal-estar se espalhar pelo corpo robótico — Você foi substituído, Bonnie. Aceite que sou uma versão melhor de você, isso vai ser melhor para todos.

De repente, o coelho destruído passou a cogitar que o Toy estivesse certo. Então, seria a substituição um destino comum a todos?

Antes, porém, que ele pudesse responder à provocação do outro, o menor chutou seu joelho, entortando-o e fazendo Withered Bonnie cambalear, dando dois passos para trás na tentativa de manter de pé seu imenso e destroçado corpo metálico. Ele provavelmente teria conseguido, entretanto, o coelho mais velho não contava que Toy Bonnie teria companhia.

Alguém atrás dele passou-lhe uma rasteira poderosa, e Bonnie viu-se despencar no chão com um estrondo metálico espalhafatoso. Antes de atingir o chão, pôde ver a surpresa e o alívio no olhar lascivo do pequeno Toy. A responsável por sua queda estava de pé ao seu lado, uma gata. Pelos negros, blusa longa roxa com estampas de flores, saia branca leve. Um delicado colar de flores pousava sobre seu peito, e adornando seu cabelo estava uma bela tiara também de flores. Bonnie só conseguiu pensar que ela devia gostar bastante de estampas florais.

— Q-qucckkkem... — Ele falou, confuso, mas lembrou-se do nome da criatura que o derrubara — Lala.

— Não toque no meu amigo! — Ela rebateu, brava.

Bonnie soltou um barulho que poderia ser considerado sarcástico.

— S-seu a-amiccckkkko é um babababacacaca! S-semprrrhhhhheeee v-vindddcckkkkhhho me p-provokkkkar, hoje não f-foi diferente. V-voccckkkkhhês toys são uns d-desgraçadooooocckkkks q-que se a-achammm m-melhores só porque têm tectecnocckkkkklogia de p-pontccckkkka! N-Não s-sabeeeccckkkkeem o q-quanto os Olds s-sofrem t-tendddoooo q-que f-ficar trankkkkkkados n-naquela s-sala! Egoístas!

A gata parecia assustada com as palavras dele. Apesar do poderoso golpe desferido, a robô não parecia ser agressiva, pelo contrário. Ela aparentava estar amedrontada; não o suficiente para deixar Toy Bonnie apanhar, todavia o bastante para não fazer outra investida contra o Old. Encarando-a com atenção, o ex-guitarrista da banda podia perceber o medo em seus olhos bicolores. O olho direito da cor do sangue, o esquerdo da cor do mar, ambos irradiavam temor. E Bonnie, mais uma vez, não conseguiu deixar de pensar que aquela guerra trazia prejuízo para todos.

O coelho sem face apertou as orbes luminosas vermelhas, a mão rasgando os pelos de seu exoesqueleto. Tentou pôr-se de pé, no entanto, o Toy avançou contra ele antes que Bonnie pudesse erguer-se. Chutou-lhe violentamente a barriga, as pernas sem cobertura e a cara destruída, esmagando o metal, derrubando-o novamente. Bonnie gemeu e teria trincado o maxilar caso tivesse rosto. As luzes vermelhas que eram seus olhos piscaram.

— Vocês não sabem a hora de parar, Bonnie. Não sabem quando desistir. Não dá para nos vencer. Vocês têm que parar com isso, não dá certo, não funciona, já chega. E agora é hora de acabar com isso de vez... — Anunciou o coelho de brinquedo, uma mistura de desprezo e pena presentes em seu olhar. Olhava Bonnie de cima, arrogante, junto com Lala mais atrás, assombrada. A batalha continuava ao redor deles. Talvez o Toy estivesse certo, talvez Bonnie não conseguisse vencê-lo porque não era tão moderno quanto seu homólogo. Deixou o corpo cair, os cotovelos parando de sustentá-lo. A cabeça tocou o chão. Encarou debilmente seu oponente, certo de que havia perdido a luta quando algo inesperado ocorreu.

Por trás dos dois Toys, Bonnie viu alguém se aproximar rapidamente. Uma figura grande, em formato de T, alta, amarela, com um babadouro rasgado e sujo. A cabeça levantada, mostrando o Endoesqueleto, ambas as mãos faltavam e apenas fios mostravam que antes elas existiam. Chica.

Com um chute, Old Chica fez Toy Bonnie voar e bater a cabeça na mesa ao seu lado. Lala berrou. Chica derrubou-a com um forte chute.

— Bonnie! — A galinha ajoelhou-se ao lado de Bonnie com dificuldade por causa de suas juntas travadas e enferrujadas. Moveu mecânica e descontinuamento o braço em direção ao coelho destroçado, oferecendo-lhe o braço (uma vez que suas mãos haviam sido arrancadas). Pelo canto do olho, Bonnie viu o Toy erguer-se. Lala estava aterrorizada no chão, paralisada e assustada. O coelho aceitou a ajuda e ergueu-se.

— C-chika. — Ele a encarou com os olhos arregalados, os vermelhos nos violetas; Bonnie sentiu como se estivessem conectados por um momento. — O-obricckkkado.

— Não há de qu- — Antes que ela pudesse terminar de falar, Toy Bonnie desferiu um chute que a fez cambalear. Bonnie nem havia visto seu oponente se erguer. Aquele coelho azul era mais resistente do que pensavam.

— Sua desgraçada — O Toy falou com rancor. Chica não titubeou: desfechou um golpe com seus braços no rosto do coelho. O menor quase caiu novamente. Pegou uma cadeira e lançou-a na galinha. Chica desviou e atacou, porém o mais novo desviou e chutou-a na barriga. A animatrônica amarela e de babadouro branco caiu de costas no chão.

Bonnie assistia a tudo paralisado. Sentiu seus olhos vermelhos brilharem com cólera ao ver sua amiga ser derrubada, e cerrou o punho. Avançou impetuosamente, correndo contra o Toy; Lala, entretanto, atirou uma cadeira contra o coelho velho na tentativa de defender seu amigo, a cadeira foi completamente destruída, os pedaços voando e acertando outros animatronics. Old Bonnie cambaleou, se apoiando na mesa ao seu lado, repleto de farpas no corpo.

Fez um ruído incompreensível, de pura raiva, investindo contra Lala. Ela, intimidada pelo tamanho do mais velho, soltou um grito e desviou do primeiro chute, do primeiro soco, mas não foi páreo para o que viria a seguir. Com a outra mão, o ex-guitarrista de gravata vermelha desferiu na gata um soco. Acertou-lhe o rosto com violência. O metal do rosto da animatronica cedeu à força de Bonnie, entortando-se e quebrando-se para dentro. Um berro pôde ser ouvido com fonte nas caixas de voz de Lala. Ao tirar o punho da cara robótica, o coelho foi capaz de ver que a gata havaiana não se ergueria tão rapidamente do chão. O rosto foi completamente destroçado, irreconhecível, destruído e com o metal distorcido.

Chica e Toy Bonnie lutavam ainda, a galinha com seus golpes potentes e devastadores, ele com os socos calculados e ágeis. Atiravam cadeiras e pedaços de madeira um no outro. Mas Toy Bonnie, ao ver a companheira caída no chão, desconcentrou-se, olhando assombrado para ela e Bonnie. Um brilho de raiva e preocupação pôde ser visto naqueles olhos verdes no momento que Chica o acertou em cheio na barriga. Ele desabou, com os olhos presos ao corpo da outra Toy.

— Lala! — Gemeu, metros à frente — Lala! Não! Bonnie, o que fez? — O coelho de corpo roxo o olhou e percebeu que ele estava realmente preocupado com a animatronic. Faíscas de pânico saíam de seus olhos. Ele não queria bater em Old Bonnie, queria correr até Lala e socorrê-la.

O animatrônico destruído considerava fortemente chutar aquele que ele considerava um clone mal-feito dele mesmo, mas algo no olhar do Toy o fez parar. Aquela luta era sem sentido. Todos seriam substituídos alguma hora, e os substitutos, claro, teriam mudanças e melhorias. E isso não era nenhuma vergonha. Eles jamais deviam ter feito daquilo um evento de proporções tão grandes. Não era preciso tudo aquilo. Eles podiam, desde o início, ter convivido bem, Bonnie percebeu. Era hora de substituir, então os velhos ficariam de dia na Parts & Service e os novos permitiriam que os Olds saíssem durante a noite. Olhando em retrospecto, tudo aquilo parecia besta. Bonnie olhou ao seu redor e só viu destruição. Estavam todos se batendo e se matando. E o conflito tinha um motivo tão... besta. Entretanto, na hora da diplomacia, eles falhavam e brigavam, ainda que o motivo fosse tão banal e infantil. Todos não passavam de robôs com mentalidade das crianças que tanto gostavam de entreter.

— Seu maldito! — Ralhou o Toy, com mágoa no olhar.

— M-maldito? M-malditiiikkka é e-erra guuuerra, T-toy B-bonnie. F-fommmocckkooos tão b-bucckkkos, t-tão b-burros! Deee ccccomesssar, d-ddde n-nos m-matarmos. É tão estupidddiiiiccko — Bonnie disse, não acreditando no quão idiota tinha sido esse tempo todo. — N-nãão v-vvou m-mais p-partikiiipppar d-disso, eeessssa m-merda t-tem q-que p-parrrar...

E virou-se. Pegou no braço da galinha e afastou-se sem olhar para trás. Derrubava todos os Olds que tentavam atacá-lo; tinha que achar os dois Freddys e convencê-los a parar com aquilo. A trégua entre Olds e Toys era necessária e urgente. Todos haviam estado, por tanto tempo, tão certos de que seu lado estava banhado em razão que não perceberam quando tinham mergulhado de cabeça na ignorância. Old Bonnie, agarrado a Chica, que parecia não saber o que estava acontecendo, chegaram ao Prize Corner, Bonnie achava que Marionette estava ali. Que tolice a dele... Estava lutando, óbvio.

— O que está fazendo, Bonnie? — A galinha destruída questionou.

— T-tendando acccaabbar c-com essa guerrrrraa s-sem sentid-do... — Sua voz falha e distorcida tornava-o quase incompreensível. Chica apenas o encarou, processando as palavras, quieta.

— T-talvez tenha razão — Não sabia o que fazer, na verdade. Bonnie era o mais próximo de “amigo” que tinha, ambos sabiam como era o sofrimento da destruição (Foxy e Freddy apenas foram esquecidos, não destruídos) e por causa disso ela sentia-se mais perto dele. Talvez ele tenha razão sobre isso, pensou.

Bonnie e Chica logo se puseram a ir a direção a Prize Corner para poderem pensar sobre isso.

Foi então que algo os pararam. Toy Bonnie surgiu a frente de si, irritado. Sua gravata estava torta, a barriga amassada e as orelhas baixas. Estava agarrado à guitarra, já destruída, e parecia estar completamente raivoso.

— Não vai sair daqui, Bonnie. Eu vou me vingar de você...

— Não aprendeu? — Chica questionou, encarando o Toy, que parecia fora de si. — Quer apanhar?

— C-chegghhhhaacccckkkkaa. — Withered Bonnie disse, entrando na frente de ambos. — T-temos qqcckkkkeee pp-arrar Marrionettte. Heeeellla é úuunnniicckkkaaa que pode ackkkaabar com e-essa l-louckkuura...

— Que loucura, Old? A guerra não vai acabar por você querer isso! Nós estamos lutando desde aquela época! Nunca paramos, foi apenas uma guerra silenciosa e demorada. Você sabe do que estou falando! — Toy Bonnie esbravejou. — ESSA GUERRA NÃO VAI TERMINAR!

— Tem razão, Toy Bonnie... — Uma voz disse, sussurrando. Toy Bonnie olhou para trás, enquanto uma figura socava-o e o jogava contra Withered Bonnie, derrubando ambos, os fazendo cair no chão cerca de um metro e meio de distância da figura. — Se depender de mim e meu mestre, isso não acabará nunca.

— Toy Chica? — Toy Bonnie questionou, levantando. — O que está fazendo?

Certificando-me que vocês não façam a paz. — Toy Chica sorriu, sem o bico sua expressão era ainda mais assustadora e perigosa. Seus olhos completamente negros pareciam carregar a mais pura maldade. — Agora, quem será o primeiro a morrer?

Continua em Marionette VS Plasma...

Notas finais
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