Fragrância de Rosas

5 Vince Mostra Sua Essência!


Notas iniciais
Olá pessoa! Quero agradecer de coração a todos comentários. Em especial aos dos leitores: Princess of Rose, Arizodiac, Miro, Loveless, Luna Del Rey, Queen Of Spades e Pink! Todos que não citei mas que comentaram nos outros capítulos: um beijão para vocês. E que comecem as apostas! Boa Leitura!

Nos campos de oliveiras, apresentei Vince a algumas pessoas, como Bella. Para todos os efeitos mantive a história que ele era meu primo distante, muito distante, que eu não via há muito.

Com sua habitual dedicação, Vince trabalhou arduamente naquele dia. E foi naquele mesmo dia que recebi a resposta do capataz me liberando do trabalho por uma semana para que pudesse visitar minha terra natal. Minha explicação até aquele momento é que iria visitar uma grande amiga que estava muito doente.

Na verdade, eu não precisava convencer ninguém, exceto Vince. Se fosse de fato Albafica, e pelo poucos dias de convívio, eu tinha certeza que ele iria me acompanhar, querendo eu ou não.

Por isso pensei em muitos argumentos para quando fosse viajar. Sem dar a notícia, eu e Vince trabalhamos o restante do dia tranquilo. Como de costume, ao final do dia estávamos a caminho da Vila de Mavrias.

Ambos estávamos evitando conversar. O beijo pela madrugada havia afetado nossa recente convivência. Da minha parte era explicável. Mas da parte de Vince também?

A incerteza que cercava a real identidade de Vince me consumia naquela noite. As lembranças do beijo também me queimavam fazendo meu corpo clamar por mais. Que suplica era essa? Nunca havia sentindo um desejo tão grande a não ser quando ... senti o olhar de Albafica sobre mim.

Acordei naquela madrugada suando e com o coração acelerado. O beijo se repetia em meus sonhos apenas com uma diferença... era Albafica que me beijava desesperado pedindo para não abandona-lo. Essa era uma ordem que eu atenderia com o maior prazer, literalmente.

Levantei-me da cama e fui lavar o rosto na bacia do criado-mudo ao lado da cama. Já era manhã, mas como era um domingo, tínhamos um dia livre. Livre exatamente não, pois eu iria arrumar uma mala para a viagem.

Após minha higiene costumeira, encontrei Vince ainda dormindo, sereno dessa vez. Caminhei bem delicadamente para não acorda-lo.

Fazendo o mínimo de barulho, comecei a preparar o café da manhã. Aos poucos ouvi um bocejo baixo e pude ver os olhos azuis me fitarem fixamente.

__ Bom dia Vince. – Falei e me virei para focar no preparo dos alimentos.

__ Bom dia Agasha. – Ele se levantou ajeitando sua cama improvisada.

Caminhou até o banheiro simples que tínhamos. E logo voltou totalmente arrumado, com cabelos penteados e rosto fresco. Já prevendo minha necessidade, Vince passou a arrumar a mesa com cada vasilha e utensílio necessário.

Em poucos minutos estávamos fazendo a refeição em silêncio.

__ Vince! – Quebrei o sagrado silêncio reinante. – Amanhã irei viajar para minha região de origem. Passarei cerca de uma semana fora. Irei visitar uma amiga que está muito doente. – Tomei um gole do meu chá.

__ Certo! Que horas saímos? – Vince me fitou.

__ Eu irei sozinha, Vince. – Fitei-o de volta.

__ Não. De jeito nenhum vou deixar uma moça viajar sozinha. Eu vou junto.

__ Seja razoável. Como você acha que cheguei aqui? Com um soldado me escoltando? Eu já te falei que sou sozinha nesse mundo. Sem falar que você não é uma pessoa que eu conheço há muito tempo. – Olhei-o desconfiada. – Mas na verdade quero ir sozinha. Vou ver uma amiga na Vila que morei desde o meu nascimento. E você tem seu trabalho no campo. Ou já se esqueceu? O Sr. Lorenzo precisa de todos trabalhando. Eu já estarei fora.

Ele parecia estar numa luta interna. Homens? Nunca entenderei essa necessidade de querer proteger uma mulher. Se ele ao menos lembrasse que enfrentei até mesmo um dos juízes de Hades, saberia que não temo quase nada. O que mais temo é descobrir que ele não é Albafica.

Será mesmo?

Peguei-me pensando nessa possibilidade ainda ontem enquanto colhia as azeitonas. A aparência semelhante, atitudes semelhantes, com uma grande diferença: ele anseia pelo meu toque. As sensações do beijo eram de uma necessidade sem fim por sentir-se amado, sentir-se especial para outra pessoa. Era possível que Vince estivesse me conquistando através da porta que a sua aparência igual à de Albafica abrira? Ou seria o meu desespero superando minha lucidez e me convencendo que Vince era Albafica?

Essa viagem teria muitos propósitos. Um deles seria me tirar da névoa encantadora que Vince exalava e me trazer de volta a lucidez para saber entender meus próprios sentimentos. Como se isso fosse fácil ainda assim.

Confusa? Era muito mais do que eu sentia naquele momento. Se Vince fosse Albafica seria unir útil ao agradável. Mas se ele de fato não tivesse nenhum interesse por mim? Se um homem não fosse o outro? Eu conseguiria me apaixonar por Vince sinceramente sem ligação com meus sentimentos por Albafica? Ou estaria transferindo sentimentos de um para o outro? E será que Vince poderia me amar ou era apenas um porto seguro para seu momento de desorientação?

Eu precisava urgente partir para Rodório e talvez encontrar algumas respostas.

Tirando-me dos devaneios, Vince segurou a minha mão de forma carinhosa e firme.

__ Eu compreendo. Mas você tem que me prometer que voltará para mim. Você promete? – Seu olhar se fixou no meu.

Voltar para ele? Como assim?

__ Vince, você não pode se apegar a mim dessa maneira. Eu entendo que se veja ligando a mim, mas você tem uma vida real em algum lugar nesse mundo. – Seu olhar oscilou. – Eu sempre serei sua amiga, mas já pensou que deve ter um lugar ao qual pertence. Um coração que te pertença e a quem você seja ligado. – Percebi o sofrimento passar por seu olhar. – Eu voltarei sim, mas tente não confundir gratidão com amor.

E então um sentimento que não pensei passou por sua expressão. Era a revolta.

__ Foi isso que pensou significar o meu beijo. Gratidão? – Outro brilho passou por seus olhos: orgulho. – Sou um homem sem memórias, Agasha. Não deixei de ser um homem por isso. Conheço cada sensação e reposta que o corpo de uma mulher pode dar. E o seu não me respondeu como se pedisse desculpa. Reagiu pedindo mais, desejando cada toque, cada calor. Acha mesmo que um beijo de gratidão geraria tal resposta sua?

Devo ter congelado. Paralisado completamente. E lá estava no rosto dele a expressão que eu tanto conhecia em Albafica. Assustado agora com as próprias palavras. Seu rosto era a confusão em pessoa.

__ Mais uma razão para eu ir nessa viagem. Podemos estar nos confundindo por saudade. Como pode conhecer as reações de uma mulher tão bem assim? Com certeza é casado e tão buscando em mim a substituta para esse sentimento que tão pouco compreende. Mas vai compreender quando suas memórias voltarem. E eu tenho que deixar de pensar que tenho alguém na vida, quando na verdade isso é uma mentira. – Eu estava bufando, enraivecida, descontrolada. Lágrimas desceram molhando minha face. – Vou sair um pouco. – Levantei-me da cadeira.

Vince se alarmou com meu movimento e em dois passos havia chegado até mim. O seu abraço foi tão apertado que pensei não poderia respirar, mas era tão confortável e caloroso que não quis sair dali.

__ Não chore! Não sei por que, mas algo em mim diz que temos um passado em comum. E mesmo que minha memória volte, o seu lugar em mim nunca vai deixar de existir.

__ Para Vince! – Solucei.

__ Só promete que vai voltar para mim! – Ele me apertou novamente.

__ E me iludir? – falei sussurrando.

__ Iludir o meu coração que toda noite clama pelo seu toque. – Vince suspirou vencido.

Aos poucos seus braços foram afrouxando até penderem ao lado de seu corpo. Eu só consegui tomar novamente o caminho que havia iniciado. Desapareci pelo bosque caminhando entorpecida pelas emoções. Caminhei sem parar só me dando conta que estava na beirada de um riacho.

Sentei-me a beirada do raso rio e comecei a molhar os pés com cuidado enquanto a sensação térmica penetrava também meus pensamentos, me acalmando. Por que Vince falava aquilo? Parecia saber de algo que nem sua mente havia revelado. Como um pressentimento, um sexto sentindo. Por que eu também sentia aquilo?

Comecei a deitar na grama na beirada do riacho. Ainda de barriga para cima comecei a cochilar protegida pelos galhos de uma árvore próxima.

***

Eu estava ainda no riacho quando vi uma linda moça se aproximar, sem ainda distinguir seu rosto.

__ Você é uma menina de muita fé, Agasha. Tanto acreditou em seu desejo. Por que você está tão confusa? – Ela começou a desaparecer.

***

__ Agasha! Agasha! – Alguém me chacoalhava. – Por favor, não faça isso. Agasha.

Abri meus olhos bem devagar. Minha visão foi centralizando. Eram azuis, muito azuis. Eram os olhos azuis de Vince. Ele sorriu aliviado.

__ Não faça mais isso. Parecia ... – Ele afagou meu rosto.

__ Eu estava só cochilando. – Falei ainda surpresa.

__ Só por isso vou te castigar, menina travessa. – Vince me pegou no colo e me jogou no riacho.

Eu só percebi seu intento quando já estava saindo dos seus braços. Logo em seguida senti a água e meu corpo sendo puxado para fora da água por Vince.

__ Seu doido. Por que fez isso? – Falei brava.

__ Para te ver brava assim. – Lá estava aquele olhar travesso e sarcástico. – Você está ainda mais linda com sua roupa grudada no corpo. – Os olhos de Vince passeavam pelo meu corpo.

Afastei-me dele com receio do seu olhar.

__ O que foi Agasha? – Ele me fitou surpreso.

Fiquei corada com a transparência que meu vestido vinha apresentando depois de molhado.

__ Eu jamais faria algo do tipo sem sua vontade. – Ele se aproximou. – Pare de duvidar do que sinto por você menina Agasha.

__ Eu não sou menina! – gritei com ele.

__ É a minha menina... – em segundos perdi o controle de minhas emoções.

Vince que me abraçou lentamente, puxou-me rapidamente para um beijo necessitado inicialmente, e pouco a pouco foi se tornando calmo e carinhoso. Meu medo foi desaparecendo deixando apenas a calma que eu tanto precisava naquele momento crucial.

Ao se afastar dos meus lábios, Vince me abraçou pela cintura. Levantou-me até ficarmos face a face. A diferença de altura não era tão grande, mas o suficiente para ele conseguir me tirar do chão.

__ Você despertou algo em mim, Agasha. E não vou aceitar você simplesmente desistir de mim por medo. Algo muito forte em mim diz que temos algo em comum. Não adianta vir com essa história de que tenho outra vida. Alguma razão existia para eu vir para Mavrias, lembra-se? Era você a razão.

Era preciso dizer que minha voz sumiu. Sim, a bendita voz que eu precisava havia me abandonado a mercê de tantos sentimentos conflituosos e um corpo que respondia sempre as investidas de Vince. Que bela situação a minha.

Aos poucos ele me pegou no colo novamente e começou a caminhar para o meio do riacho, mesmo estando os dois de roupa. Se alguém estivesse vendo essa cena teria certeza que erámos um casal. Mas o que erámos agora de fato?

__ Agasha! Não fique brava comigo. Vá visitar sua amiga. Cuidarei de tudo aqui. Quando voltar, talvez eu tenha recuperado a minha memória ou parte dela. E conversaremos seriamente sobre nós.

__ Nós? – a voz falha resolveu aparecer finalmente.

__ Quando você voltar! – Vince me deixou ficar em pé dentro do riacho. – Agora vamos aproveitar esse rio maravilhoso. Trouxe um lanche para almoçarmos aqui no bosque. E roupas e toalhas.

__ Você planejou tudo isso? – falei desconfiada.

__ Não Agasha. Apenas me preveni quando te vi correndo para o bosque. Há muito queria entrar nesse riacho e agora estamos aqui. – Vince parece um menino com aquele sorriso travesso.

__ Certo! Vamos aproveitar para descansar e nadar. – Eu mergulhei de repente.

Eu torcia dentro do meu ser para que minha viagem a Rodório trouxesse não só tristeza, mas também o desejo mais puro do meu coração: Albafica de fato ser Vince.

Notas finais
O que vocês acharam desse capítulo! Comentem e me ajudem a melhorar cada dia. Cada post é uma alegria e responsabilidade!!! bjus SA :-)