Notas iniciais
Pessoal! Estou de volta com um capítulo curto, mas antes do esperado. Espero que curtam. Obrigada a todos que comentaram e favoritaram a história. :-* SA

#Albafica#

Pela madrugada, Agasha acordou e ajudei-lhe a tomar um banho como havia pedido. Enquanto a molhava, eu acariciava a barriga de Agasha, aliviado e muito feliz por saber que nosso filho crescia e que minha amada estava bem, ali, a minha frente.

—_ Eu temi tanto que não fosse vê-lo novamente. – Agasha tocou meu rosto com a mão molhada, me fazendo um carinho suave,

—_ Também temi. Mas Athenas nos ajudou.

—_ Aquele monstro... – Agasha começou a falar.

—_ A Ker veio se vingar de mim. – Falei enquanto a acariciava nas bochechas.

—_ Você usou a armadura. – Agasha começava a tremer. – Tenho medo de perde-lo... de novo.

Toquei seus lábios calando-a. Me aproximei e dei um beijo calmo.

—_ Para te proteger farei o que for preciso. – Sorri. – Agora vamos sair dessa água que seus dedos começaram a enrugar. – Eu segurei sua mão, fazendo-a ficar em pé na tina de água.

Enrolei-a no tecido atoalhado, e sequei seus cabelos longos. Peguei a camisola e um penhoar que estava no cabideiro para vesti-la, enquanto ela colocava suas roupas íntimas.

—_ Estou muito cansada, Albafica. – Ela se apoiou em mim.

Segurei-a no colo carregando para a cama. Assim que a ajeitei na cama senti sua mão segurar a minha.

—_ Deita aqui comigo. – Ela sorriu fracamente. – Estou com saudade.

E tinha como negar tal pedido? Eu não pude nem pensar em algo. Temi tanto pela vida dela, que em segundos estava deitado ao seu lado, fazendo carinho em seu cabelo.

—_ Agora está tudo bem! – Sussurrei, beijando-a em seguida.

***

Quatro meses passaram em completa paz. E mesmo entre enjoos, desejos loucos e uma carência incomum, minha Agasha teve uma gestação tranquila e feliz. Com os tecidos que encomendávamos, ela costurou muitas peças para o enxoval do bebê.

Com ajuda de Marieta, ela aprendeu a tricotar e bordar. E animadas, as duas costuravam sempre que era possível. Até mesmo as roupas mais largas para si, era Agasha que costurava.

Mas como mimo, encomendei também alguns vestidos lindos próprios para grávidas. Vinham geralmente de Agioi, e apenas eram ajustados conforme a necessidade.

Com a ajuda de um dos nossos servos que era marceneiro e carpinteiro, pude construir e entalhar o berço, assim como uma cômoda. O desenho do entalhe era uma mescla de estrelas, gavinhas e rosas.

Após plainar e lixar as peças, lustramos com óleo mineral e secou por um mês ao ar livre, para que qualquer odor fosse extinto.

E olhando agora tudo pronto e organizado, senti um orgulho incrível de saber que era para o nosso filho. Ainda parecia sonho.

***

A manhã em que nosso bebê nasceu começou um pouco mais fria. Agasha havia passado a noite com um pouco de dor. Marieta estava cuidando dela. Segundo nossa serva, o bebê nasceria em breve, pois as contrações e dilatação haviam começado durante a madrugada.

Marieta preparou um chá que ajudaria no parto. E assim, Agasha passou aquele dia só bebendo chá e suco, nada mais.

Colhi flores e as levei para Agasha, colocando-as num vaso. Peguei apenas uma das flores amarelas e coloquei em seu cabelo. Ela estava abatida. A dor estava cada vez mais intensa, sem intervalos.

—_ Queria poder evitar esse sofrimento seu. – Afaguei seu rosto suado. – Mas agora falta pouco. Já estou preparando algumas infusões para ajuda-la a se recuperar. – Dei um beijo em sua testa.

Ela fechou os olhos com força e urrou. Segurei sua mão, e ela devolveu apertando forte. A dor deveria ser muito intensa.

—_ Senhor Albafica. – Marieta me chamou. __ Já está na hora.

Olhei-a e me levantei da cama.

—_ Por favor, ajude nos trazendo a água morna para o parto.

Toquei o rosto de Agasha, e a vi se contorcer de dor. Aquilo me fazia sofrer.

Sai do quarto indo até a cozinha, onde começamos a levar as bacias com água morna. Dulce carregava alguns lençóis, tesoura, faixas de tecido e álcool obtido pela destilação de bebidas fermentadas.

Apesar de Marieta não concordar, eu fiquei ao lado de Agasha, a ajudando nos momentos em que deveria forçar a passagem do nosso bebê. Enquanto ele descansava entre uma contração e outra, eu enxugava suas lágrimas e suor.

—_ Senhora Agasha, quando a dor tiver vindo novamente, empurre. – Marieta estava segurando as pernas de minha amada, que estava muito fraca.

A contração veio. Agasha segurou em meu braço e fazendo muita força empurrou o máximo que podia. Quando soltou meu braço, pude ver sua respiração começar a estabilizar.

—_ A cabeça do bebê já está aparecendo. – Marieta falou sorrindo. – Mais uma vez senhora.

E assim, após mais duas contrações, o bebê nasceu. Marieta o segurou e o chorou então ecoou me emocionando. Agasha que estava fraca olhou seu bebê rapidamente e adormeceu.

—_ Senhor Albafica, ajuda Dulce. – Peguei o tecido e enrolei no bebê, levando-o para onde Dulce aguardava para limpa-lo.

Mas quem disse que consegui entrega-lo a serva. Coloquei o bebê deitado no colchão macio do berço, e segurei o pano umedecido com água e comecei a limpa-lo.

—_ Isso senhor, com suavidade. – Lavei o pano na água morna. – Agora aqui envolta do umbigo.

E olhei aquele pequeno ser que me olhava de volta. Um menino. Era um menino lindo e forte. De cabelos castanhos e olhos azuis. Uma mistura minha e de Agasha. Dulce me entregou a fralda, e depois o macacão quentinho e macio. E com muito medo, mas uma vontade imensa, vesti o meu pequeno filho.

Em seguida o enrolei na manta que tão dedicadamente Agasha havia costurado e bordado. E olhei minha esposa, que estava adormecida e recebendo os últimos cuidados das servas.

Por uns instantes, entreguei o bebê para a serva, e ajudei Marieta a vestir Agasha que aos poucos começou a despertar. Então segurei nosso filho e trouxe-o para que ela o visse.

—_ É um menino, meu Anjo. – Entreguei-o a Agasha que o segurou com os olhos marejados.

—_ Ele é lindo. Seus olhos, Albafica. – O bebê parecia nos observar. E um berreiro se formou.

—_ A senhora deve amamenta-lo. – Marieta nos falou.

E assim vi uma linda cena se formar. Agasha expôs seu seio esquerdo e encostou a boquinha rosada do bebê, que sugou com toda força.

—_ Aí, isso é dolorosamente bom. – Agasha falou.

Sorri bobo com aquele quadro real. Agasha passava a ponta do seu dedo pelas bochechas do bebê que a sugava gulosamente.

Um milagre. Um milagre chamado Aléxandros.

Notas finais
E então? Aguardo a todos nos comentários. :-*