Fragrância de Rosas
26 E A Vida Renasce
Notas iniciais
# Agasha#
Eu estava exaurida pelo parto, mas ainda sim Alexándros continuava em meu colo ressonando. Albafica havia se sentando ao meu lado, e fazia um leve carinho em meu rosto.
A felicidade ali era silenciosa só para não acordar nosso pequeno bebê, mas em meu coração havia uma enorme vontade de gritar e rir, pois de tudo que havia sonhado, a realidade em muito superava.
Pouco tempo depois, vi Marieta entrar no quarto carregando um caldo colorido e fumegante. Havia dois pratos. Albafica segurou o nosso bebê e o colocou no berço para que pudéssemos nos alimentar.
Marieta arrumou a mesinha de leitura que tínhamos no quarto e dispôs os pratos e colheres, assim como um refresco numa jarra de cristal e copos lindamente trabalhados.
Após a serva sair, Albafica me ajudou a caminhar até a cadeira, ajustando o espaço para que ficasse mais confortável.
Ele serviu o refresco de uva nos copos e me estendeu um deles.
—_ Vamos comemorar a chegada do nosso bebê. – e brindamos com o refresco.
***
Após dois meses...
Finalmente eu voltava à rotina, apesar de que estava bem diferente com a chegada de Ale, nosso bebê. Sim, encurtamos o nome dele para facilitar.
Albafica parecia aquelas galinhas ouriçadas. Era um zelo e ciúme que com nosso bebê que me faziam tão feliz. Éramos uma família feliz e unida pelo amor que tínhamos.
Neste momento eu estava sentada na varanda com Ale em meus braços aguardando o retorno de Albafica do vinhedo. O sol estava declinando e começava a esfriar. Meu bebê estava limpo, havia tomado seu banho e agora iria mamar.
Em segundos, Albafica surgiu na estrada montado no cavalo. Levantei meu filho no colo, fazendo o mirar o pai. Não sei se o bebê o reconheceria, mas para mim era como se fosse possível.
—_ Seu papai está chegando. Olha como ele vem rápido. – Acariciei as bochechas de Ale que fez um barulho como se risse. Acabei rindo também.
Vi Albafica descer do cavalo e entregar as rédeas a um servo que iria alimentá-lo e guardá-lo no estábulo. Meu marido subiu correndo as escadas de entrada de nossa casa, me abraçando e beijando a nós.
—_ Como estão meus tesouros? – Ale balançava as mãozinhas de forma frenética enquanto Albafica pegava-o no colo.
__ Este rapazinho está com fome. Mas é só ver o papai que ele esquece. – Sorri. – Vamos entrar que preciso amamentar.
Albafica sorriu e caminhou para a porta de entrada da casa. Segui-o enquanto ela brincava com nosso pequeno herdeiro.
Enquanto eu amamentava o bebê, Albafica tomava seu merecido banho. Rapidamente Ale adormeceu enquanto mamava. Momento certo para tomar um banho também.
Albafica se vestia, e coloquei o meu pequenino para descansar no berço. Em seguida vi Dulce entrando e se encaminhando para a casa de banho, levando água quente e desfazendo da água que havia na tina.
Enquanto esperava para tomar meu banho, senti as mãos de Albafica afrouxarem os laços do meu vestido e beijar meu pescoço. Eu mal vi Dulce sair, ouvi apenas a porta sendo fechada. Corei imediatamente pensando o que ela havia presenciado.
Foi quando percebi que Albafica havia se afastado rapidamente de mim. Ele trazia nas mãos meu robe, e seu sorriso me fez corar um pouco mais.
—_ Não quis que nossa serva presenciasse nada. – Me deu um beijo na fronte, enquanto puxava meu vestido que desceu se amontoando no chão. Logo após foi a combinação. E os tecidos se acumulavam em volta dos meus pés. – Vamos? – Ele acabava de me vestir com o robe e me estendia a mão.
Caminhamos até a sala de banho. Senti o robe deslizar por meus ombros e outro beijo foi depositado em meu ombro. Albafica tocou a água e em seguida me auxiliou a entrar na banheira.
—_ A água vai esfriar se demorar muito. – E ele me ajudava lavando meus cabelos, fazendo uma pequena massagem nos ombros e descendo aos poucos pelos meus seios. – Eles aumentaram muito depois do bebê. – Meu rosto ficou afogueado. Realmente, eu havia mudado muito.
Logo após o banho, Albafica me conduziu para o quarto. Enquanto buscava uma roupa, não percebi que meu amado se despia e me puxou de encontro ao seu corpo.
—_ Essas roupas não serão necessárias. – Ele tomou os tecidos que eu separava no armário. – Como sinto saudade de tê-la nos meus braços. – Não sei onde minhas roupas foram parar, apenas que senti meu corpo sendo erguido e carregado.
Mantendo certo silêncio, Albafica me deitou e avançou sobre meu corpo, cobrindo de beijos, por fim tomando meus lábios. Os gemidos eram abafados pelos beijos e suas mãos quentes agora acariciavam toda minha pele. E éramos agora amantes, nada mais. Nem pais, nem senhores, nem uma apaixonada por um cavaleiro. Apenas amantes que haviam vencido até a vontade dos imortais para viver seu amor.
E está seria apenas a primeira, de muitas vezes que faríamos amor naquela noite.
***
Quando Alexándros fez seis meses de vida, estávamos exatamente embarcando num navio em direção ao santuário. Dois meses antes havíamos recebido o convite formal e muito carinhoso de Teneo e sua noiva, para o enlace deles. Shion parecia ter virado o mestre dos casamentos.
Apesar de nosso bebê ser pequeno, decidimos ir assim mesmo. E por sorte, a viagem foi tranquila, e Ale não reclamou nem um pouco. Até gostou de tomar um ventinho em alto mar.
No porto encontramos Teneo nos esperando, pois havíamos avisado que chegaríamos naquele dia. Uma carruagem um pouco mais luxuosa do a que usávamos nos aguardava na rua principal que ligava ao porto.
Aos nos ajudar com as malas, Teneo exibia um sorriso tão aberto, que não era difícil saber que ele estava realmente apaixonado.
—_ Não demorou para vocês decidirem se casar? – Albafica sorriu para mim, direcionando a pergunta a Teneo.
—_ Digamos que a conversa com vocês no dia do casamento tenha ajudado a amolecer o coração da minha amada. – Teneo falou um pouco desconcertado, ainda assim, feliz.
E entre algumas informações e conversas, descobrimos que Shion andava muito quieto, mais recluso. Mas pelas descrições de Teneo, vi um sorriso surgir no rosto de Albafica.
—_ Alguém chegou recentemente no santuário? – Albafica continha seu sorriso duramente.
—_ Ah sim, a amazona de Grou voltou, aliás, amazona não, ela retornou mas parece que não consegue usar mais o cosmo. Mas como era amiga e pupila do mestre de Shion, ela ficou no santuário e ajuda na enfermaria.
—_ Hum. – Albafica nada mais comentou mas, senti que havia algo em seu comentário anterior.
Um pouco mais de tempo e avistávamos Rodório, e logo depois o santuário. E como há meses atrás, ainda haviam poucos cavaleiros, principalmente nas casas zodiacais.
Ao subirmos as escadarias da 13ª casa encontramos Shion com sua indumentária e máscara de Grande Mestre nos aguardando.
Fizemos uma pequena reverencia e ele nos acenou para levantarmos.
Ao entrar em seu escritório, Shion abandonou toda aquela pompa dada ao seu cargo, retirou o capacete e a máscara, nos abraçando um a um.
—_ Esse é o bebê que tiveram. – Ele segurava Alexándros no colo. – Foi feito detalhadamente. Olhos como o do pai, e a face e cabelos como os da mãe. – Ele acariciou a bochecha rosada do bebê que deu um sorriso desengonçado. – É tão bom vê-los de novo aqui. Tive medo quando me chamou, Albafica. Temi pelo pior, mas por Athena, vocês estão ótimos.
E assim, Albafica começou a contar o evento com a Ker. Eu me arrepiava só de pensar em tudo o que havíamos vivido naqueles momentos de aflição.
Por vezes sentia o olhar de Shion sobre Alexándros, e aquilo me deixava triste. Vi dor e mesmo desejo, sim, desejo de ter uma família, acredito. Mas o que restava a Shion era ser o patriarca do Santuário. Ele era o pilar que ergueria o novo santuário para Athena que viria numa outra época. Era uma missão importante, mas pesada.
Antes de sairmos do escritório, recebemos a visita de Yuzuhira, a amiga de Shion e que havia sido amazona durante a guerra santa. Ela nos cumprimentou e até mesmo brincou com Alexándros. Mas não consegui deixar de notar o vazio que tomava o olhar de nossos amigos quando esses se fitavam. Havia algo muito doloroso, talvez uma decisão pesada, um amor negado. Eu tinha quase certeza que era isso, e Albafica parecia ter entendido o mesmo naquele momento.
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