Notas iniciais
Bom, com toda a dificuldade, estou postando mais um capítulos para vocês curtirem. Espero que gostem! Para todos que leram e comentaram, muito obrigada. :-* SA

#Agasha#

Acordei pela metade da manhã com um calor acentuado. Dulce, uma das servas já estava trazendo meu desjejum. A mesma deixou a bandeja sobre a mesinha do quarto, e veio me auxiliar a vestir o penhoar.

__ Bom dia, Dulce. – Sorri para a serva e fui lavar meu rosto. – Eu queria dar um passeio até o riacho. Está muito quente. – Falei enquanto enxugava meu rosto. – Você me acompanha? – Fitei-a aguardando sua resposta.

A serva me olhou e sorriu assentindo com um balançar de cabeça.

__ Então vou comer algumas frutas e trocar de roupa. –Sentei-me na cadeira e comecei a cortar uma maçã. – Quando tiver pronto te encontrarei na cozinha.

Dulce meneou a cabeça.

__ Se precisar de algo mais, por favor me chame, senhora Agasha.

E assim a serva saiu fechando a porta do quarto, me deixando perdida em meus pensamentos enquanto saboreava as frutas maduras.

***

Algum tempo depois, desci as escadas e encontrei Dulce preparando uma pequena cesta. Fiquei curiosa pelo conteúdo da mesma.

__ Para quem é essa cesta, Dulce? – caminhei até ela.

__ É para a senhora. – ela sorriu. – Estou levando água, suco, frutas e pães. – destampou a cesta e me mostrou. – Ah, também estou levando duas toalhas grandes para forrar o chão, caso a senhora queira descansar um pouco.

Fiquei surpresa pela preocupação de Dulce. Era um cuidado sem fim. Sorri timidamente. Estava muito bem servida.

Saímos da cozinha conversando. Dulce levava a cesta e eu carregava uma toalha e roupas secas, caso entrasse no rio. Andamos um pouquinho e já estávamos na margem do rio.

Dulce estendeu uma toalha onde deixei minhas roupas. E enquanto ela ajeitava as coisas da cesta, eu desci até o rio, retirando vestido simples. Entrei somente com a combinação que usava sob o vestido, molhando-o até a cintura.

A água estava deliciosa, cristalina e fria. Mergulhei a cabeça, molhando meus cabelos. Aquilo era revigorante. E o calor fora da água nem parecia real. Eu jogava água pra um lado, girava o corpo agitando e formando um redemoinho. Segurei um pouco de água nas mãos e joguei sobre o rosto.

Estava tão entretida que não percebi que Dulce havia saído da minha visão. Me preocupei, mas não dei tanta importância pois ela poderia estar procurando algo. Brinquei mais um pouco com a água, dando mergulhos curtos. Olhei novamente para a margem e Dulce não havia aparecido. Nesse momento fiquei preocupada e resolvi sair da água. Peguei meu vestido e subi a margem até chegar a toalha estendida. Foi então que tomei um enorme susto. Dulce não havia desaparecido. Ela estava caída, inconsciente sobre a toalha, ao lado da cesta que mexia. Ao lado dela havia uma pessoa, um ser estranho, toda de negro, cabelos longos e muito escuros. Sua pele pálida, olhos escuros, caninos proeminentes em conjunto com as unhas pontiagudas me lembravam alguns dos espectros que assolavam a Terra há alguns anos.

Senti meu corpo tremer. O que um ser daqueles havia feito para Dulce? O que estava fazendo ali? Caminhei lentamente olhando Dulce e desviando para aquele ser.

__ Quem é você? – Tentei não gaguejar.

O ser continuou me fitando com seu olhar carregado de terror e destruição.

__ O que você fez a ela? – Apontei para Dulce.

O ser deu um sorriso cheio de escárnio. Senti um tremor correr meu corpo.

Aquele silêncio estava me irritando. O que estava acontecendo?

__ O que você quer aqui? – Mantive meu olhar fixo naquele ser pálido.

Um sorriso aterrorizante surgiu novamente no rosto do ser.

__ Corajosa, para uma mortal. – O ser começou a andar em minha direção. – O cavaleiro de Athena escolheu bem.

Tremi com a citação de Albafica. O que seria esta coisa? Eu estava desesperada a cada espaço que diminuía entre o ser e eu.

Vi um movimento atrás do monstro, era Dulce se levantando. Minha distração foi suficiente para só ver o momento em que fui atingida por uma energia negra e minha visão escurecer rapidamente.

***

#Albafica#

No final desta manhã senti uma pontada no peito. Senti um arrepio correr meu corpo. Eu tinha que voltar o quanto antes. Poderia ser só preocupação, mas algo me dizia que deveria estar com Agasha.

Em Agioi tudo corria bem. Os barris estavam sendo carregados para carroças que havíamos comprado na região. Mais uns instantes e estaríamos voltando. Após uma rápida refeição, a comitiva começava o caminho de volta. Na minha angústia, passei a liderança para o capataz e disparei sozinho em direção a Mavrias. O cavalo corria o mais rápido que podia.

Cada galope do cavalo, eu sentia mais terror, medo. O que estava acontecendo comigo? O que poderia ser tão perigoso que despertasse meu instinto?

***

Já passava da metade da tarde quando avistei Mavrias. Tudo parecia tranquilo. O sol declinava rapidamente, tingindo o horizonte de um laranja intenso. Mas vi algo no cenário que destoava totalmente do céu limpo. Uma nuvem negra crescia sobre a região do vinhedo. Uma cosmo-energia hostil vibrou e puder sentir sem dificuldade. Definitivamente algo estava errado.

Cavalguei desviando de Mavrias e tomando a estrada que levava ao vinhedo no final. A cada espaço percorrido, meu coração se apertava ainda mais. Logo avistei o casarão e um tumulto em frente à escada de acesso.

Quando me viram chegar, alguns dos servos correram para me encontrar. Desci do cavalo e corri até o grupo.

__ Senhor Albafica. – Alguns deles falaram quase em uníssono.

Eles estavam assustados. Olhei para Marieta que cuidava do rosto de Dulce. Caminhei até a serva mais velha que me olhou triste. A face da mais jovem estava muito arranhada com um corte no olho e um no canto da boca.

Até aquele momento só procurava pelo rosto de Agasha. Onde estaria minha Agasha? Olhei de um lado para o outro, e nada. Agasha não surgia entre eles para acalmar minha preocupação.

__ O que houve aqui, Marieta? – Olhei para Dulce que chorava.

__ A Senhor Agasha... – lágrimas desceram pelo rosto da serva.

__ O que tem Agasha? – Girei para ir para a escada.

__ Ela não está aí, senhor. – Dulce falou. – A senhora Agasha foi levada.

Aquilo me paralisou. Agasha, minha Agasha. Eu não conseguia conceber a ideia de que algo pudesse acontecer a ela. Fechei meu punho forte.

__ Quem levou Agasha? – Eu precisava raciocinar, e não surtar.

__ Um monstro. – Dulce soluçou. – Eu nunca vi nada como aquilo...

Monstro? Aquilo me fez tremer por completo. Seria um espectro? Mas como?

__ Me descreva esse monstro. – Abaixei na frente da serva que estava sentada num banco de madeira.

Seus olhos fixaram em mim, e mais lágrimas desceram.

__ Eu tentei livra-la, senhor. Eu não sei como aconteceu.

__ Não foi sua culpa, Dulce. – Sorri contidamente. – Como era esse monstro?

__ Era pálido, olhos negros, com caninos e unhas grandes. Tinha cabelos negros e longos. Os olhos emanava terror. – Dulce fechou os olhos. – Eu tentei libertar a senhora, mas o monstro me atirou longe e eu desmaiei novamente.

Aquela descrição era muito estranha. Lembrava os espectros, mas não poderiam ser eles. Segundo Shion, eles haviam lacrado os espectros no rosário que Asmita fez dos frutos da Mokurenji.

Shion! É claro. Ele poderia me ajudar. Mas será que eu ainda conseguiria manter uma comunicação telepática tão distante assim?

__ Marieta! – A serva me fitou. – Leve Dulce para o quarto dela e a ajude.

Comecei a subir as escadas. E lembrei-me dos demais servos. Virei-me e fitei-os preocupados.

__ Os demais, se alimentem, peguem água e uma tocha. E Esperem as minhas ordens.

Voltei a caminhar em direção a porta da casa. Eu precisava tentar entrar em contato com Shion de alguma forma. Entrei no meu quarto e fechei a porta. Tentei me concentrar. Meu elo maior era com as plantas. Claro! As rosas que fiz crescer no jardim de peixes. Elas seriam meu elo com o santuário. E assim fiz. Eu sabia que emanando meu cosmo pelas rosas eu poderia chamar a atenção de Shion.

Concentrei-me e uma rosa surgiu na minha mão. Uma rosa branca como as que estavam no jardim da casa de peixes. Comecei a visualizar os cenários em volta das rosas. Peixes. Mas adiante o salão do Grande Mestre. Meu cosmo se irradiou pelo salão adentro. Havia vários vasos com roseiras. Uma outra espécie de rosa. Ali estava minha conexão com Shion. Meu cosmo vibrou e chamei por Shion.

“__ Shion.”

Vi que ele olhou em direção às rosas.

" __ Shion.”

Ele sorriu. Fitou a rosa que eu usava como elo para a telepatia. Ele havia me ouvido.

“ __ Preciso da sua ajuda. Agasha foi raptada e nem ao menos sei pelo que.”

Shion se assustou. Comecei a descrever o ‘monstro’ de Dulce.

“ __ Os espectros foram aprisionados? – perguntei”

“ __ Sim, 108 nas contas do rosário que Dohko guarda nos setes picos na China. – Shion respondeu.”

“ __ O que seria esse ser que raptou Agasha? Você já ouviu falar de algo assim? – perguntei a Shion.”

Shion parecia silenciar a própria mente. De repente ouvi uma palavra que me fez tremer. Por que aquele ser havia vindo atrás de Agasha? Não poderia ser.

“ __ Shion, preciso mais uma vez de minha velha companheira de batalha. Preciso da armadura.”

“ __ Convoque-a. Se sua luta for justa, ela te responderá uma vez mais. – Shion falou calmamente.”

“ __ Certo. Vou fazer.”

“ __ Se precisar de minha ajuda, não hesite em chamar. – Shion se pronunciou.”

“ __ Vou atrás de Agasha. Te manterei informado.”

Passei minha conexão para o jardim da casa de Peixes e mentalmente chamei a armadura dourada.

“-Preciso de sua força mais uma vez, armadura de ouro. Me ajude!”

Senti meu cosmo vibrar em sintonia com a energia da armadura. Ela me ajudaria. Eu sabia que no momento certo, a armadura se uniria a mim.

Sai do quarto com o único objetivo de ir em direção a cosmo-energia sinistra. Ao descer as escadas, vi o céu já coberto pela cor do crepúsculo e um grupo de homens armados com carabinas e tochas acesas.

Eu precisava mantê-los longe de onde vinha aquela energia. Iria dar algo para fazerem e desviarem a atenção de mim e da luta que teria para libertar Agasha.

Dei a ordem, dividindo-os em grupos. Mandei-os para vários locais nos arredores. E parti para o oeste, onde o sol ainda estava andando no céu. Quando a floresta quer cerceava o rio se tornou densa, a armadura de Peixes surgiu brilhando e cobrindo mais uma vez o meu corpo.

Agradeci mentalmente por sua ajuda. Agora iria em defesa de minha Agasha e meu filho que estão sob as garras daquele ser horrendo.

Notas finais
Aguardo todos vocês nos comentários. Bjus SA