Fragrância de Rosas
24 A Linha do Destino
Notas iniciais
# Agasha#
Acordei desorientada. Percebi que havia grades em volta de mim. Me levantei do chão de terra e olhei em volta. Devia ser uma caverna. Era rocha pra todo lado e uma escuridão sem fim. Duas tochas em partes opostas da caverna quebravam aquele breu.
Tomei um susto quando vi aquele monstro me observando. Envolvi meu ventre com as mãos.
—_ O que é você, monstro? – Gritei nervosa.
Eu não tinha noção de tempo. E poderia ser noite ou dia, ou ter passado noites e dias. Apenas sabia que tinha passado algum tempo pois minha barriga roncava de fome e a sede me fazia sofrer.
—_ Eu quero água. – Gritei.
Uma caneca de alumínio cheia de água surgiu na minha frente.
—_ Tome logo essa água e cale-se. _ o monstro falou.
Não quis discutir. Minha vida e de meu bebê eram prioridade ali. Sentei-me encostando na grade. Tentei dormir novamente. Quem sabe não fosse um pesadelo?
E assim adormeci pelo cansaço e fome que me abatiam.
***
# Albafica#
Eu havia corrido muito, e para qualquer ser humano normal a distância seria inatingível em algumas horas. A energia vinha do cume do morro onde terminava a floresta que tinha em nossa propriedade.
Passei a saltar de rocha ou arvore impulsionando para o topo. Cada vez mais eu sentia a proximidade da energia sinistra. A noite já havia chegado, e vi uma fraca luz vir da encosta do morro. Estava quase chegando ao local.
Dei um salto pela entrada do que seria uma caverna. Caminhei em meio a escuridão quebrada por alguns fachos fracos de luz. Ao entrar no local mais iluminado, vi uma jaula onde Agasha estava encostada. Corri para tira-la de lá quando fui acertado por aquela energia sinistra.
—_ Calma cavaleiro de Athena. – O monstro mostrou seus dentes pontiagudos e olhos negros como a noite. – Ainda temos algumas pendências para resolver.
Me afastei de Agasha com medo que ela pudesse ser ferida.
—_ Quem é você? Está aqui a mando de quem? – Falei irritado.
O ser vampiresco deu sua risada de escárnio e começou a caminhar em minha direção.
—_ Sou uma das Keres. Divindades da morte violenta. – Ela apontou suas garras para mim. – Sou Ker, a destruição, e vim leva-lo de volta ao seu destino: a morte violenta.
Não pude nem absolver toda aquela informação. A divindade lançou uma bola de energia em minha direção que acertou meu corpo, queimando-me por dentro, como se fosse neural. Ouvi o grito de Agasha, que logo em seguida começou a chorar.
—_ Albafica!
Elevei meu cosmo e consegui dissipar com certa dificuldade aquele poder todo. Olhei a ker e vi um sorriso maligno se formar. Várias asas como as que ela carregava surgiram em volta de mim. As penas se desprendiam se enfincando em meu corpo. E como a energia, pareciam queimar meus ossos, mesmo sem fogo ou aumento do calor.
Lancei as rosas piranhas que dizimaram as penas. Mas o sangue corria pelo meu corpo. Por um momento lembrei-me do veneno em meu sangue. Mas recobrei a consciência de que não precisava temer o veneno mais.
—_ Quem te enviou? – Brandi lançando as rosas piranhas em direção a Ker.
Aquele ser desapareceu, surgindo atrás de mim. As rosas seguiram o inimigo. Antes das flores atingirem seu alvo, a divindade paralisou meu corpo lançando outro golpe. Mas dessa vez, a inimiga também foi atingida.
—_ Sou uma divindade do submundo, e você foi responsável pela morte de Minos de Griffon. – Ela limpou um liquido negro que caia de sua boca. – Além disso, está fugindo do seu destino. – Ela deu uma risada sinistra. – Seus companheiros estão apodrecendo nas tumbas e você aqui vivendo uma vida de alegrias.
Olhei de soslaio para Agasha que estava pálida, com os olhos molhando. Mas eu precisava desviar a atenção de Ker.
—_ Os deuses decidiram isso. – Repliquei.
—_ Ninguém pode mudar a linha do destino, e vim faze-lo cumprir seu caminho.
Seu golpe novamente foi lançado contra meu corpo, e me protegi com uma barreira de cosmo que resistiu ao primeiro impacto.
—_ Então terá que lutar muito para conseguir. – Lancei a rosa Rosa Sangrenta
Pouco se sabia a respeito do ikhor, o sangue dos deuses, mas se a Rosa Sangrenta funcionasse como com o sangue humano, eu poderia enfraquecer aquele ser. Conforme a rosa ficava negra pela cor do ikhor, a Ker percebeu o que acontecia. Tentou arrancar a rosa, recebendo uma descarga de energia que a fez cambalear.
Preparei mais um golpe, as rosas demoníacas reais. Assim que me viu direcionar para Agasha, vi a Ker anular as rosas, e disparar seu golpe contra Agasha. Tudo foi mais rápido do que pude reagir. Agasha recebeu o golpe em cheio, caindo inconsciente.
—_ Agashaaaaaaaaa! – Me ajoelhei perto da cabeça de Agasha, e passei as mãos pela grade. – Não Agasha, por favor.
Vi sangue escorrer da cabeça dela. Aquilo me deixou tão atordoado que mal senti a aproximação do golpe da Ker. Meu corpo foi lançado contra a grade.
Mas a dor que eu sentia por ver Agasha machucada era tão grande que pouco me importei quando meu corpo sangrou. Ataquei com Espinho Carmesim, mesmo não tendo mais o veneno. Em seguida sem dar tempo de reação da Ker, ataquei com Rosas Piranhas.
A rosa sangrenta estava metade negra. Eu não podia perder mais tempo, mas meu cosmo parecia oscilar. Gritei mais uma vez.
—_ Athenas, me ajude mais uma vez. – A voz dela ecoou em minha cabeça.
“Use seu sangue novamente, proteja seu amor.”
O sangue que escorria de mim formou uma nova rosa sangrenta que aos poucos se tornou vermelha.
“Use o veneno do seu sangue Albafica.” – A voz da deusa ressoou novamente.
Numa última tentativa, lancei a rosa que acertou ao lado da outra rosa.
Vi a Ker tombar, enfraquecida, e uma luz envolve-la. Athena surgiu a minha frente.
—_ Venha Albafica, cuida de Agasha. – A forma etérea tocou a grade que desapareceu. Em seguida emanou seu cosmo em direção de minha esposa, que foi envolvida por aquela cálida energia.
Athena caminhou até a Ker e a lacrou, convertendo o seu corpo em uma ânfora negra. O nome de Athena em grego antigo surgiu na no vaso escuro.
—_ Meu sangue, Athena. – Eu temia tocar Agasha após o golpe.
A deusa sorriu.
—_ Não se preocupe, meu leal cavaleiro. Cuide de sua esposa e seja feliz. Nada de mal lhe acontecerá. – Ela sumiu levando a Ker consigo.
—_ Obrigada, deusa. – Sussurrei.
A armadura de Peixes se retirou do meu corpo se montando ao meu lado. Segurei Agasha em meus braços. Temi que não voltasse a vê-la com vida. Algumas lágrimas caíram mesmo tentando controlar.
—_ Agasha! – Toquei seu rosto. – Por favor, não me deixe.
Me levantei segurando seu corpo e comecei a descer com ela descordada ainda. Tentei leva-la com o máximo de cuidado. A noite já começava a ceder espaço para o dia. O sol vinha surgindo timidamente.
Estávamos quase chegando a nossa casa quando Agasha abriu seus olhos e me sorriu.
—_ Estou no paraíso? – Ela tocou meu rosto.
—_ Se estivermos, vou gostar muito disso. – Dei um beijo terno. – Como eu temi não ver seus olhos abertos e brilhando. – Eu a apertei contra mim.
—_ Aí! – Ela gemeu. – O bebê.
Afrouxei um pouco o abraço.
—_ Desculpe-me. – Ela se encolheu no meu colo.
Ao entrar na varanda da casa, Dulce me viu e veio correndo.
—_ Senhora Agasha! Onde ela estava? – Me perguntou a serva.
Entrei na casa onde Marieta estava fazendo uma prece.
—_ Me ajudem no quarto. – Comecei a subir as escadas. – Marieta traga comida e água. Ela está sedenta.
Após alguns instantes, Agasha recebeu um copo de água fria e um desjejum bem reforçado.
—_ Depois conversamos. Agora deixe-a descansar. Traga água para a Tina.
Deitei-me ao lado de minha esposa e adormecemos no embalo do cansaço. Athena havia nos protegido uma vez mais, e eu sabia que ela sempre nos protegeria.
***
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