Fragrância de Rosas

4 Quando Desejos Ganham Vida


Notas iniciais
Olá pessoal! Estou felicíssima pois a fic tem agradado a todos. A demora tem ocorrido pela falta de tempo mesmo, mas estou me esforçando o máximo para não demorar. E a todos que acompanham e comentaram: o meu muito obrigada!!! Vamos para o capítulo que é o que importa!

Passei quase a noite toda num debate mental. Meu coração acelerava com a possibilidade de Vince ser Albafica. Seria uma imensa felicidade ter certeza, mesmo que ele não tivesse nenhuma paixão por mim.

Como um raio, o sonho de Vince me veio à mente. Se ele fosse mesmo Albafica, significava que de algum jeito me observava. Poderia ser movido por amor? Mas eu era tão jovem, uma menina como ele me chama. E tinha ainda o fato do veneno no sangue.

O que me surpreendeu foi que dessa vez Vince não acordara gritando ou gemendo com pesadelos. Foi uma noite aparentemente tranquila para ele.

Repetindo a rotina do dia anterior, deixe Vince dormindo seu sono profundo. Cozinhei um espaguete que havia aprendido a fazer com a mãe de Bella. Preparei um molho simples com tomates, ervas e temperos. Deixe um pouco de queijo ralado que havia comprado no pequeno armazém. Novamente deixei o recado na mesa para que Vince não se preocupasse.

O caminho todo para meu trabalho foi envolto no planejamento para descobrir a verdade sobre Vince. Se o que eu supunha fosse real, precisaria voltar às origens: Rodório.

Em meus pensamentos fui criando cada passo que precisaria para voltar a minha cidade natal. Logo avistei as oliveiras e as moças que ali trabalhavam. Tentei encerrar em minha mente cada ação do meu plano.

Durante o almoço, partilhei com Bella da decisão de ir visitar minha cidade. Como sempre, me apoiou e me disse para voltar antes do casamento.

Era metade da tarde quando decidi falar com o capataz da propriedade. O mesmo prometeu expor a situação ao senhor Lorenzo e dar uma resposta até no próximo dia. Voltei ao meu trabalho, ansiosa por uma solução: para minha viagem e para Vince.

Como antes, Vince me esperava para ir embora. Com uma expressão alegre, parecia estar guardando alguma novidade.

­­__ Olá Vince! Como foi o seu dia? – Indaguei fitando o caminha à frente.

Vince apenas se colocou ao meu lado caminhando.

__ Foi bom. Ajudei a Sra. Isolda a plantar seu jardim. Plantei uma horta para você. Fiz uns caixotes de madeira e coloquei no pátio interno da sua casa. Logo terá temperos e alguns legumes. _ Vince expressava orgulho pela obra.

__ Que excelente! É bom saber que tem se distraído fazendo coisas que gosta. Isso o ajudará a lembrar de sua história. – Sorri tentando ser o mais sincera possível.

Meus pensamentos ainda se perdiam na viagem que faria a Rodório. Como será que encontraria aquele lugar?

Já em casa, fui surpreendida por um lindo pão em minha mesa, além de queijo fresco e manteiga. Olhei desconfiada para aqueles alimentos, e rapidamente fui respondida.

__ Eu ajudei a Sra. Isolda. E ela queria me dar o pão. Disse que era pra trazer para você. Ela gosta muito de você, Agasha. À tarde andei pelas redondezas, e tinha um senhor tentando carregar sua carroça com tambores de leite. Bem, ajudei a carregar toda a carga, e o acompanhei até a fábrica de queijos para descarregar. Ele queria me pagar, mas não aceitei. E tive que aceitar o queijo e a manteiga, ou era capaz de não sair mais de lá. – Vince falava quase como pedindo desculpa.

__ Certo! Será um ótimo jantar para nós. – Falei agradecendo. – Obrigada, Vince.

Aproveitei o tempo que havia para fazer coisas cotidianas como lavar as roupas e louças. Vince me ajudava carregando água e estendendo as roupas no pequeno varal que havia no pátio. Animado, me mostrou seus canteiros de ervas. Fiquei pensando se Vince não sentia falta da vida que levara. Isso se ele não fosse Albafica, e, portanto estaria morto.

__ Vince! Nada te atrai quando faz essas atividades corriqueiras? Como se sentisse uma nostalgia ao executa-las?

Vince me fitou por uns minutos. Seus olhos estavam fixos no chão. Eu sentia uma dor, uma relutância ao constatar a realidade.

__ Poucas coisas. É como se minha vida nunca tivesse sido assim, tranquila. Mas tem algumas coisas que me trazem saudade, como se fizessem parte do meu passado. – Ele me fitou ao terminar de falar. __ Cultivar as flores e te observar.

Senti meu rosto esquentar ao mesmo tempo em que minha barriga esfriava de nervoso.

__ Entendo! – Disse ainda pensando em suas palavras.

Não conversamos muito mais. O cansaço havia nos feito prisioneiros. Logo estávamos dormindo pesadamente, cada qual em seu lugar.

A madrugada avançava em silêncio. Estava embriagada pelo sono quando ouvi um grito e um gemido quase seguidos. Vince! Logo depois o silêncio seguido de passos. Tentei me levantar rapidamente, mas meu corpo pesava pelo cansaço das atividades do dia anterior.

Quando finalmente me pus de pé, vi a porta do meu quarto ser aberta com certa força. Vince segurava uma lamparina que refletia em seus olhos, criando uma ilusão de chamas no seu olhar. Fiquei paralisada pela visão, enquanto observava o peito dele subir e descer descompassadamente. Num movimento rápido, ele depositou a lamparina no amparador do quarto. E com duas passadas longas me envolveu com seus braços quentes e firmes.

Só percebi o que realmente acontecia quando senti meu corpo ser elevado por seus braços, e logo me depositando na cama. Com uma fúria ou talvez um medo incontrolável, Vince avançou sobre mim, apoiando seu corpo no espaço do colchão ao meu lado.

Num movimento muito rápido, tomou meus lábios num beijo desesperado e urgente. Eu não entendia por que daquela atitude tão incomum. Mas tudo que pude fazer foi ceder aos desejos mais escondidos de minha alma. Queria sentir um pouco que fosse o toque de Albafica ou seria apenas uma cópia. Minha mente não conseguia aceitar o racional. Apenas o que compreendia é que quem me tomava naquele momento era aquele que eu desejava desde menina, nada mais, nada menos. Sem questionamento, sem lógica. Apenas a paixão colossal acumulada em mim agora tomando cada cantinho da minha mente, dominando a situação.

Ao se afastar dos meus lábios, Vince murmurava alguns pedidos.

__ Deixe-me toca-la! Não se afaste de mim. Não fuja de mim. Preciso do seu toque... Preciso do seu toque. – E novamente tomou meus lábios gemendo a cada carícia que sua mão fazia em meu rosto.

Senti devagar seu coração voltar ao normal. As lágrimas que havia caído timidamente pararam de correr. O beijo que parecia desesperado se tornou delicado, carinhoso. Os gemidos foram cessando, restando apenas a mão dele apoiada na lateral do meu rosto.

O corpo de Vince cedeu sobre o meu, e logo descansava a cabeça sobre o meu peito. Delicadamente acariciei seus cabelos longos até que senti sua respiração regularizar. Ele havia adormecido.

Foi naquele momento que meu coração começou a acalmar-se. Mas meus pensamentos estavam longe de se tornarem calmos. Cada sensação e sentimento despertados naqueles beijos me faziam querer a verdade.

Com certeza, aquela noite havia sido o estopim para mim. Não adiaria mais nenhum minuto. O senhor Lorenzo concordando ou não com minha ausência, iria assim mesmo atrás da confirmação do meu maior sonho: que Vince fosse realmente Albafica.

Entre esses pensamentos acabei adormecendo com Vince aconchegado ao meu corpo. Pela manhãzinha senti um movimento na cama que me despertou. Vince se levantava da cama me fitando confuso. Quando o olhei, sua expressão se tornou envergonhada.

__ Eu devo estar ficando louco! Perdoe-me Agasha! Eu não sou assim. Senti um desespero tão grande ontem. Um pesadelo, mais um pesadelo. – Seu olhar se perdeu pela porta do quarto.

__ O que aconteceu no seu pesadelo? – Tentei falar calmamente para não assusta-lo. Sim, ele parecia um animalzinho assustado, assim como quando havia entrado no quarto.

__ No pesadelo eu tinha uma espécie de veneno no corpo, uma substância tão poderosa que as pessoas tinham medo até mesmo de se aproximar. Se alguém me tocasse poderia morrer envenenado em minutos. Por esta razão eu me mantinha afastado de todos. Mas quando vi você no pesadelo, senti vontade de te abraçar e conversar. Mas toda vez que eu me aproximava, você se afastava. E eu não aguentava mais a saudade do seu toque. Senti-me só, abandonado. E eu te procurava e você sumia. E te encontrava e você corria. Acordei tão desnorteado acreditando que o pesadelo era real que vim aqui para ter certeza. Mas você não correu, você não sumiu. Eu não te envenenei. Eu não te matei. – Vince olhou para o chão. – E agora estou envergonhado pelo que fiz. Perdoe-me Agasha. Não quis te ofender. Apenas senti que precisava do seu toque, de você. – Lágrimas começaram a descer da face de Vince. – Nunca quis te desonrar, mas assumo todas as consequências dos meus atos. Eu te desposarei como reconhecimento de meus atos.

Olhei indignada para Vince. Como assim consequências? Eu já havia deixado claro que não tinha os pudores das famílias tradicionais. Havia sido um beijo, mais de um beijo, mas era um beijo. E afinal, eu não era de uma família rica. Não, nem família eu possuía.

__ Vince, cale-se agora. Eu não te exigi nada. E nunca exigiria mesmo que tivéssemos consumado algo essa madrugada. E por favor, não me ofenda julgando-me uma mulher interesseira. Maldição!!! — Falei irada. — Primeiro: você não sabe com certeza como era sua vida. Talvez até seja casado ou noivo. Segundo: eu nunca me aproveitaria de alguém desmemoriado para torna-lo meu esposo. Eu não preciso de um consorte para viver. Sei me defender sem um marido. – Minha respiração acelerada revelava minha ira.

__ Acho que devo ir embora daqui. Não quero constrange-la. – Vince levantou-se.

__ Vince!!! – gritei. – Você não vai a lugar algum. Quem está constrangido aqui é você. Agora, vamos para cozinha me ajudar a preparar as refeições. – Levantei-me enfurecida.

Vince me observava assustado, mas com ar de alívio. Com os minutos também me senti aliviada com algumas partes daquela conversa. Talvez ele fosse mesmo o amor da minha vida. E com certeza estava vivo. Isso eu tinha provado na pele.

Após lavar meu rosto e os dentes, me enxuguei com a toalha e prendi meu cabelo num coque, facilitando no preparo dos alimentos. Naquele dia estava preparando peixe conservado no sal. Já havia deixado no molho para retirar o excesso. Faria uma receita que aprendi com a Sra. Isolda. Era farfalle com peixe ao azeite. Vince me acompanhava calado. Cada pedido era atendido rapidamente sem um múrmuro.

Depois de tudo preparado, eu havia me arrumado para o trabalho quando percebi Vince me aguardando a porta.

__ Vai me acompanhar ao trabalho agora? — Perguntei curiosa.

__ Não! Estou indo ao trabalho. – Vince sorriu fracamente. – Consegui um emprego nos campos de oliveira. Vou fazer o carregamento das azeitonas e transporte para a sede do senhor Lorenzo.

Fitei-o impressionada. Mais uma vez sentia que Vince era mesmo quem eu desejava que fosse. Sua natureza era assim. Ele era protetor e quem fornecia todo o necessário para seus amados. Ele jamais deixaria faltar algo para quem ele se importava, e trabalhar duro para isso era sua função.

__ Certo! Então vamos? – Sorri fechando a porta da minha casa.

Notas finais
Então pessoal! Comentem! Isso muito ajuda na continuação da fic. bjus! SA :-)