Fragrância de Rosas

14 Muita Festa Para Nós


Notas iniciais
Olá pessoal! O capítulo não é longo, mas precede uma parte importante. Então prestem atenção por que logo tudo se encaixará.

Chegando a porta da sala de jantar, Albafica colocou meus pés no chão e entramos de mãos dadas. O Grande Mestre Shion já nos esperava enquanto tomava um cálice de vinho tinto.

__ Boa noite, meus amigos. – Seu rosto se iluminou com um sorriso aberto.

__ Boa noite. – Retribuímos em uníssono.

Shion assentiu com um menear da cabeça. Em seguida se dirigiu a mim.

– Agasha, como a senhorita está? Vejo que resolveram todas as questões pendentes. – corei com o comentário.

__ Estou bem Grande... – fui interrompida de súbito.

__ Shion, Agasha! Shion apenas. – Era difícil lembrar-me desse pedido diante da figura imponente de Shion.

Concordei ainda séria com a interrupção.

__ Certo Shion. Estou bem, e é estranho, mas em horas tudo se resolveu. – Refleti em minhas próprias palavras e as lembranças desse dia me assaltaram naquele momento.

Os dois amigos sorriram para mim. Mas o sorriso tinha uma mensagem que não consegui entender. Shion indicou a mesa e sentamos cada um de lado da cabeceira da mesa que o próprio ocupou em seguida.

Em seguida fomos servidos pelas servas que trouxeram bebidas e as entradas para apreciação. Eram torradas com um preparado de ervas e temperos em azeite de oliva. Era quase um creme, com a diferença de não ser branco. E também havia uma sopa bem cremosa de tomate com ervas.

__ É curioso como esse dia começou e terminou, não é Agasha? – Shion falava enquanto apreciava uma colherada de sopa.

Minha mente se perdeu nas lembranças do início do dia até o momento. Foram muitas emoções, muitas dúvidas e muitos temores. Havia chegado com a dúvida a respeito do meu hospede, visto a cena mais cruel no cemitério até a certeza de que Albafica estava vivo e havia chegado ao Santuário me seguindo ainda desmemoriado. A conversa com Shion, e posteriormente com Albafica. Os beijos, toques e nossa primeira vez juntos como um casal, nos amando como se tivesse sido sempre assim. O pedido e o anel, a possibilidade de uma família. É, eu cheguei com poucas esperanças e agora me encontrava numa situação sonhada por anos, e nunca acreditada.

__ Transformação de água em vinho. – Repeti a referência da história cristã. – Nunca poderia sequer sonhar com tantos presentes numa vida inteira, que dirá num único dia. – Sorri emocionada.

O jantar transcorreu nesse ritmo nostálgico e esperançoso. Mas ainda havia um clima de segredo. Eu temia que estivessem guardando algum fato de mim, temi pelo pior. Minhas preces se iniciaram ali mesmo, silenciosas e fervorosas.

Ao final, após uma fatia de torta de maçã tradicional, vi uma serva chegar e sussurrar algo para Shion. Albafica continuou conversando comigo, como se me distraísse do assunto misterioso. Num instante depois Shion me acenou e Albafica também se virou.

__ Agasha, as servas estiveram costurando parte do seu vestido, mas precisam de algumas medidas mais exatas. Poderia acompanha-las? – Shion falava com certa imponência, mas amigavelmente.

Albafica me fitou e acenou afirmativamente para mim. Fiquei imaginando o que mais estava sendo preparada para essa simples comemoração. Algo me dizia que não seria tão singela como haviam sugerido.

__ Com licença. – Levantei-me e caminhei até a porta onde a serva me aguardava.

Caminhamos por um corredor, passamos pela porta da enorme cozinha. Havia muita agitação ali também. Logo entramos numa grande sala, cheia de tecidos, mesas, tesouras e servas costurando. Quando me viram, vieram com fitas para medir minha cintura, quadril, busto, altura. Enfim, tudo que precisavam. Vi de relance a saia do vestido que costuravam. Era de tom amarelo bem claro com detalhes de flores bem delicadas na barra. Percebi que o tecido era leve, e por baixo havia mais duas saias que serviam de forro.

Não demorou nada para que me levasse da sala, um possível ateliê, para a sala de jantar onde Shion e Albafica ainda conversavam tomando um vinho. Albafica me ajudou a ajeitar a cadeira após me sentar.

__ Bom amigos. A festa de comemoração está marcada para se iniciar às onze horas. Então não precisam se preocupar, podem dormir e descansar bem. – Shion se dirigiu a Albafica. – Albafica, as servas irão ajudar Agasha a se arrumar às nove horas, então estará disponível um quarto para que se arrume sem se constranger com as servas. – Shion sorriu e piscou para mim. – Poderá deixar Agasha mais tranquila para se preparar para a festa. – Corei com o simples pensamento que Shion soubesse que estava no mesmo quarto que Albafica.

Mas era claro que ele sabia. Era o mestre do santuário. E Albafica devia ter comentado a respeito. Mas mesmo assim fiquei envergonhada. Ainda me acostumaria com esse estado de noiva e adiante, esposa. Por enquanto eu ainda era Agasha, uma menina-mulher inocente de tantos aspectos da vida.

Albafica se levantou num movimento e me estendeu a mão. Prontamente entendi o convite e estiquei minha mão até toca-lo.

__ Está tudo resolvido. Shion, uma boa noite. Vamos descansar da longa viagem. – Albafica me fitou sorrindo e se dirigiu cumprimentando Shion. – Amanhã será um grande dia. – A sua voz estava alegre e emocionada. Não era para menos, era?

Cumprimentei silenciosamente Shion, que sorriu correspondendo meu tímido sorriso. Apesar de tantas responsabilidades e experiências traumáticas vividas em pouco tempo de vida, Shion também não havia perdido o brilho vivo da juventude.

Caminhamos até a porta, e logo o quarto era nosso destino. Albafica não falou nada, apenas segurava minha mão firmemente. Ao entrarmos no quarto, ouvi o baque da porta e o barulho da chave rodando na tranca. Em seguida fui surpreendida por Albafica que me puxou pela mão me abraçando forte, colando seu corpo ao meu. Em segundos estávamos nos beijando com tanto necessidade que, temi por esse ato arrebatador ser o prenúncio de uma despedida.

Albafica se afastou devagar dos meus lábios, e correu o dedo sobre o meu lábio. Depois afagou minha face enquanto me fitava com tanto amor, que quase desmaiei ali mesmo.

__ Você não sabe como me contive para não toma-la na frente do Shion. Você é o meu descontrole, a única que tira minha paz. – Ele sorriu para minha expressão assustada. – E não quero que me devolva nunca a minha paz, o meu controle, muito menos a monotonia que vivi.

Sorri sentindo as lágrimas correrem independentes pela minha face. Daquele momento, só me recordo de ser carregada até minha cama pelos braços de Albafica e ser atacada por beijos, beijos e mais beijos. A noite estava apenas começando. E eu iria guardar nas minhas lembranças cada sensação, momento, sentimento e pensamento que pudesse registrar. Hoje era o começo do minha vida com Albafica.

__ Bom, para termos um bebê, temos que treinar muito. E quanto mais amor tivermos mais chance de sucesso. – Albafica piscou enquanto voltava a tomar meus lábios. – Nada é mais certo nesse mundo do que tê-la em meus braços para ser amada como você merece. E nada me dá mais vontade de viver do que pensar no tesouro que é ter você e logo nossos filhos. – Albafica sussurrou bem próximo ao meu ouvido. Se havia algo que me segurasse naquele momento, com certeza ruiu junto com o beijo apaixonado que recebi após essa declaração.

Se amor era um elemento necessário para gerar um bebezinho, não demoraria nada para que um pequeno estivesse chorando e rindo em meus braços.

Após nos amarmos intensamente mais uma vez naquele dia, puxei a coberta sobre o corpo de Albafica e me aconcheguei em seu braço. Em seguida cai num sono profundo embalada pelo encanto de Morfeu. Antes porém, vigiei por um tempo o sono de Albafica que ressonava tranquilo, mantendo sempre uma mão segurando minha mão.

Notas finais
E quais são os apontamentos? Críticas, elogios, errinhos. Tudo vale para me deixar empolgada! Nos vemos nos comentários. ;-) :-*