Fragrância de Rosas
15 Minhas Preces Por Você
Notas iniciais
#Albafica#
Estava exausto naquela noite. Apesar do descanso durante a tarde, aquele dia havia se mostrado muito intenso. E exauri minhas últimas forças tomando Agasha novamente, da forma mais profunda e íntima que conhecíamos.
Em seguida senti minhas pálpebras cederem e não pude mais adiar.
***
Eu corria, corria muito. Sabia que Minos atacaria Rodório. Eu não deixaria. Lá estava minha rosa mais amada. Eu pingava sangue pelo caminho que passava. Era nítido.
De repente me vi ser transportado para outro momento da minha vida. As diversas vezes que vigiei Rodório e uma mocinha sorridente enquanto estava oculto num dos muros da vilazinha.
Senti-me sendo sugado, as imagens mudando rapidamente. Outro momento interessante.
Havia acabado de voltar da minha missão na Ilha dos Curandeiros. Estava caminhando por Rodório. Estava muito cansado e ferido das batalhas seguidas. Mas uma coisa me traria um alívio, um alento para meu fardo com o veneno no sangue: era Agasha.
E lá estava ela, ao lado pai, auxiliando-o nas tarefas com as flores. Tínhamos uma paixão em comum. Seus olhos me fitaram, e por um momento estávamos unidos por aquele contato simples. Sua expressão se alterou rapidamente para um vivo sorriso. Cumprimentei-a, assim como seu pai. E segui tendo minhas forças renovadas.
E mais uma vez um redemoinho de imagens girou me trazendo mais uma imagem. Uma chuva forte. Era quase noite. Eu subia o caminho para as casas zodiacais. Um relâmpago e vi uma silhueta pequena persistindo contra a chuva. Era ela. A pequena Agasha. Mocinha do sorris iluminado. Ela tentava proteger as flores que trazia. Aproximei-me rapidamente, retirei minha capa e a cobri. Segurei-me para não carrega-la. Eu não podia. Eu não podia.
Contra minha vontade segui sem uma palavra. Num segundo ela tentava me alcançar. Gritei com ela. Não era assim que queria trata-la, mas era para seu próprio bem. E continuei subindo sentindo meu coração se apertar pela tristeza.
E tudo se tornou branco, resplandecente. Uma mulher envolvida num brilho dourado surgiu a minha frente. Seu rosto era ocultado pelo brilho, mas aquela energia eu conhecia. Sim, era a deusa...
__ Albafica! Por que tanto teme pela sua volta? – Ela sorriu.
Não consegui responder.
__ Você viu todas aquelas imagens. Não eram lembranças suas. Aquelas eram cenas que observei como deusa. – Ela se aproximou e pude ver seu rosto.
Sua mão tocou meu rosto e fui novamente invadido par mais imagens.
Meu enterro. O desespero de Agasha. Seu pai havia falecido momentos antes. Meses tendo a visita dela no tumulo. As flores, o cuidado, o apreço que ela tinha com cada lápide. As preces. Sempre estava pedindo por... mim. Fiquei impressionado. Ela pedia sempre pela minha volta. Meu coração se apertou.
Sua partida de Rodório. Suas preces. A vida dela em Mavrias, e sempre as preces. As preces por mim. Que amor tão forte. E por fim, a luz que abriu meu tumulo, retirou meu caixão e trouxe-me de volta. Vi o momento em que meu corpo foi colocado naquela propriedade, onde por fim acordei, sem memórias, perdido, desorientado. A única palavra que ecoava em minha mente era... Mavrias.
A deusa voltou a minha visão.
__ Você vê o motivo de sua volta. Sua missão não terminou. As preces dela foram tão fortes, tão insistentes que comoveu os deuses, que lhe deram uma nova chance. – A deusa sorriu e se afastou. – Vocês clamaram um pelo outro em silêncio até o último momento seu, e Agasha te chamava ainda depois de tudo. Agora viva e faça a sua amada feliz. Não são todos que recebem uma segunda chance.
Então tudo se desfez.
***
Acordei e me levantei assustado. Eu havia tido uma visão. Era Athena. A deusa que me trouxe de volta a pedido de Agasha.
Olhei para a janela e pude ver o dia raiando. Sorri satisfeito. Hoje era nosso dia. Um dia de festa.
Agasha dormia tranquila ao meu lado. Aconcheguei-me a seu corpo e beijei seus ombros, seu pescoço. Tudo o que queria um dia estava ali, do meu lado.
Fiquei deitado mais um tempo, mas não consegui adormecer mais. Estava muito ansioso. Logo, resolvi me arrumar. Tomei um banho e pedi que trouxessem o café da manhã.
Após a mesa estar arrumada, ataquei Agasha com beijos e carinhos até que ela despertasse. Apesar de ainda sonolenta, um sorriso imenso estampava o rosto dela.
__ Bom dia minha noiva. – Agasha me sorriu ainda com os olhos fechados.
__ Vamos tomar nosso desjejum? – Sentei-me ainda a acariciando.
__ Tem momentos que acho que já estamos na lua de mel. – Ela corou suavemente. – Estou toda dolorida.
Aproximei-me de seu ouvido e sussurrei.
__ Meu amor, se fosse nossa lua de mel, você não iria dormir a noite inteira, pode ter certeza. – Sorri inocentemente.
Agasha me fitou boquiaberta. Não deu tempo de reagir, pois me deitei sobre ela e novamente nos beijávamos com ardor. Tive que me controlar muito para não acabarmos fazendo amor novamente. Afinal, daqui a algumas horas teríamos uma festa de noivado. Sorri comigo. Minha, só minha.
Afastei-me de Agasha aos poucos. Levantei-me da cama e trouxe no colo.
__ Vamos comer alguma coisa, se não minha noiva ficará muito fraquinha. – Falei baixinho contra os lábios dela. – Tenho muita saudade para matar.
Seu sorriso tímido me aqueceu o coração. Se o sonho era real, uma visão, então seria por causa dela que eu havia voltado.
Coloquei Agasha em pé no chão, e ajudei-a a se desfazer da camisola simples que usava. Seu corpo nu me fez sentir ainda mais vivo. Em seguida, ela vestiu um vestido e começou a lavar o rosto, enquanto eu segurava seus cabelos para não molha-los.
__ Estou tão ansioso por hoje. – Prendi os cabelos de Agasha com uma fita que ela sempre carregava.
__ Ontem dei uma espiada no vestido. É muito lindo. De tecido nobre, caríssimo. O Grande Mestre não precisava fazer algo assim. – Agasha me encarou por uns instantes. – E você, vai vestir suas roupas antigas?
__ Não. Recebi uma casaca nova junto com fraque. Mas não acho necessário usar o conjunto completo. O que acha? – Agasha se virou para mim.
__ De qualquer maneira você ficará lindo. – E me deu um beijinho nos lábios.
A minha menina linda.
***
Tomamos o desjejum animadamente. Quase como em sincronia, as servas chegaram para ajudar Agasha se arrumar para a festa. E eu tive que deixa-la por algumas horas. O que seria umas horas para quem esperou quase todo o tempo que tivera de vida? Nada, exatamente.
Apressei-me para ir até o escritório de Shion, onde o mesmo me aguardava.
__ Pronto para a festa, Albafica? – Shion estava bem-humorado.
__ Shion, amigo, estou pronto para tudo, se Agasha estiver comigo. – Era isso. Era esse o sentimento que reinava em mim.
Tudo era suportável para mim, se ela estivesse comigo.
__ Então vamos acertar os últimos detalhes da cerimônia.
Acenei com a cabeça e nos sentamos à mesa olhando todo planejamento feito por nós. Afinal, apesar de ser uma festa, tinha também seu lado sério, de reverencia.
***
Quando percebi faltava apenas quarenta e cinco minutos para o horário inicial. Sai correndo para o quarto que ocuparia provisoriamente. O banho já estava preparado. Um bom banho para reforçar minhas energias. Após me secar, comecei a vestir toda a indumentária. Queria estar o mais elegante possível para minha Agasha.
Faltava apenas cinco minutos quando Shion bateu a porta e fomos para o Grande Salão que já tinha muitos convidados do Santuário. Com pouquíssimos rostos familiares para mim, mas que estavam ali para se alegrar conosco. Nunca fui um homem de muitas amizades mesmo.
O Grande Salão estava decorado com flores amarelas e brancas. As pessoas se organizavam focando na frente do salão onde ficavam os tronos do Mestre e de Athena.
Caminhamos e nos posicionamos de frente a toda aquela gente. Senti-me nervoso naquele momento, mas muito feliz.
Ouvimos uma música linda, suave sendo tocada por cavaleiro que utilizava uma flauta para isso. Agradeci mentalmente por aquela dádiva.
Ao focarmos a porta interna do Salão, vi surgir uma linda mulher. Num vestido que lembrava a luz do sol, ela vinha caminhando assustada, eu entendia isso. Seus cabelos castanhos estavam presos com flores e com as pontas soltas caindo sobre si. Um lindo véu adornava sua cabeça. Parecia renda, acho, nunca entendi de tecidos mesmo.
Meu coração bateu tão forte que senti as batidas estremecerem meu peito. A alegria e nervoso eram grandes, e se conflitavam entre si, bem nesse momento.
Sem entender, Agasha me encontrou entre tantas pessoas. Seu olhar confuso me pedia socorro. Apenas acenei com a mão para que ela viesse até mim.
Quando estávamos perto estendi minha mão que foi acolhida pela sua mão trêmula e fria.
Trouxe-a para mais perto. E sussurrei para ela.
__ Estás lindíssima, minha noiva. – beijei sua fronte. – Você aceitaria ser mais que minha noiva?
Seu olhar de confusão se transformou imediatamente em felicidade. Minha esperança se renovou naquele momento.
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