Fragrância de Rosas
22 Angústia
Notas iniciais
#Albafica#
Era manhã, eu observava as videiras que formavam o nosso lindo vinhedo. Fazia cinco meses que nos casamos, e como possibilidade, a gravidez de Agasha se confirmou com o crescimento leve de seu ventre. Aliás, não só seu ventre, mas todo o corpo de Agasha havia mudado. As servas diziam que ela estava radiante, exalando felicidade. Para mim, Agasha estava deliciosa, o desejo em forma de mulher.
Seus seios que eram normais, agora tinha um leve inchaço que os deixavam mais chamativos, luxuriosos. Suas curvas pareciam mais sinuosas e mais femininas. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas sabia o que ocorria com Agasha. E eu desejava tê-la sempre, só pra mim, gemendo e implorando por mais. Se existiam um lado animal em mim, com certeza ele estava irremediavelmente me controlando por completo.
Enquanto eu divagava sobre minha esposa, a fitei sem perceber. E acho que fitei demais, pois meu capataz me balançou com certa força enquanto me despertava para a vida.
__ Senhor, senhor! – Olhei-o ainda com a imagem de Agasha me invadindo a mente.
__ O que foi? – falei um pouco irritado.
E acabei dando atenção ao rapaz, e caminhamos até uma das videiras centenárias. E minha Agasha que estava na varanda do casarão a descansar, continuou seu descanso sem observadores, ou pelo menos sem esse.
***
Era o horário do almoço, e eu sempre voltava para casa em busca de um tempo com Agasha. Queria me certificar que ela estava bem, que se alimentava bem, e claro, queria muitos beijos.
Mas infelizmente hoje, teria uma notícia para ela, que não me agradava nenhum pouco e provavelmente Agasha também não gostaria.
Ao entrar na sala do casarão, fui recebido por minha esposa sorridente e alegre, que instintivamente mantinha a mão direita sobre o ventre protuberante.
__ Albafica. – um beijo sereno foi minha recepção. – Quer se lavar antes do almoço? – Ela mal esperou meu aceno e me puxou escada acima.
Aquela alegria e amor de Agasha me faziam deixar as dores e lutas de minha vida anterior cada vez mais para trás. Era quase como um pesadelo, um que me assombrou e que agora parecia história para assustar crianças.
No quarto, retirei minha camisa, e segurei uma toalha que ela me entregou. Lavei o rosto, o pescoço e o tórax mais superficialmente. Ouvi os passos de Agasha indo e voltando no quarto, e quando havia me enxugado, vi uma camisa em suas mãos.
A tomei rapidamente vestindo-a, e puxei Agasha para um abraço que acabou num beijo nada singelo.
__ Você é minha vida. Nunca se esqueça disso. – Senti vontade de falar o que sentia naquele momento.
Agasha me sorriu e um novo beijo se iniciou. E não teria terminado ali se Agasha não estivesse carregando meu filho, afinal, agora ela precisava se alimentar muito bem. O almoço nos aguardava.
***
Levei Agasha para a sala, pois precisava contar a ela sobre uma viagem.
Sentamos juntos no sofá. Acariciei levemente a barriga de Agasha que me fitou feliz.
__ Agasha, precisa te dar uma notícia. Não fique nervosa, tudo bem? – Vi sua expressão mudar de uma despreocupada para uma expressão carregada de medo.
__ O que aconteceu Albafica? – Agasha me fitou.
Tomei fôlego e comecei a falar.
__ Terei que ir a Agioi buscar os barris que estão chegando no porto. E como temos poucos trabalhadores, terei que ir para orientar os demais homens. – Agora viria a parte difícil. – Terei que deixa-la aqui em nossa casa, pois em suas condições não tem como fazer uma viagem dessas.
Agasha me olhou aliviada. Será que eu estava vendo coisas? Esperei ela falar algo, mas nada foi proferido até...
__ Certo Albafica. Ficarei te esperando aqui em casa. – Ela me abraçou. – Só não demore, tenho medo de perde-lo. – Ela me apertou mais forte. Aquela ultima frase mexeu comigo.
Me afastei dela um pouco e tomei seus lábios. Era uma necessidade repentina e muito forte.
__ Jamais vou deixar isso acontecer. – A fitei mais fixamente. – Me prometa que vai se cuidar e sempre que precisar vai pedir ajuda. Pedirei que as servas durmam no quarto ao lado do nosso. – Acariciei levemente suas bochechas.
***
E assim terminei o dia de trabalho. Ciente de que o próximo dia seria doloroso. Me afastar das razões da minha vida, mesmo temporariamente, era estranho. Afinal, nunca havia estado longe desde que voltei à vida.
Mas é claro que não partiria antes de me deliciar com minha Agasha. E quando a encontrei no quarto com a fina camisola rosada, com seus seios exuberantes, e aquelas curvas de dar inveja a Afrodite, com certeza perdi qualquer sono e cansaço.
E nem precisei fazer muito para despi-la. Agasha me esperava somente com a camisola, e nada mais. E aquele corpo rosado se revelou facilmente ao retirar aquele tecido. Me senti hipnotizado enquanto tomava os seios rígidos na boca. De uma menina, Agasha havia se transformado em uma linda mulher.
Agora, tudo que eu ansiava era estar unido a minha Agasha. Claro que não demorei nada para realizar meu desejo. Joguei minhas roupas do lado da camisola de Agasha que jazia no chão. Vi um lindo sorriso surgir em Agasha enquanto eu avançava sobre seu corpo.
Desviei minha atenção apenas para beijar cada parte de sua pele até chegar seu rosto. Enquanto tomava seus lábios, invadi-a de surpresa, sentindo seu gemido vibrar por seus lábios.
E nesse movimento, hora rápido, hora lento, senti minha Agasha gemer manhosa enquanto seu corpo se contorcia. Ela estava chegando ao prazer de forma muito excitante. E quase como se fosso um comando, sua intimidade se apertou me levando nessa onda de prazer indescritível.
***
Momentos depois de nossa atividade prazerosa, nós estávamos apenas abraçados um ao outro, quietos. Eu ainda tentava entender como poderia a cada vez que nos amávamos sentir mais prazer do que antes. Era como se toda vez fosse uma nova experiência.
Ouvi um gemido baixo e quando fitei, Agasha já ressonava calma, repousando em meu peito, tranquila e com um tímido sorriso em seus lábios. Abracei-a com tanta necessidade, que por um momento fiquei com receio de machuca-la. Nesta mulher estava toda a minha razão de viver. E era minha responsabilidade protege-la. Sim, eu deveria voltar o quanto antes desta viagem a Agioi.
E com essa preocupação fui adormecendo lentamente.
***
#Agasha#
Ouvi um barulho bem baixo que acabou por me despertar. Olhei para o lado e Albafica estava se vestindo. Sentei-me deixando o lençol revelar o meu corpo parcialmente. Seus olhos cruzaram com os meus ao perceber meu movimento. Sorri de lado ao vê-lo me olhar lascivamente.
__ Tem alguém com saudades já? – falei levantando-me da cama e andando nua até Albafica.
__ Sempre, minha Agasha. – Albafica me beijou e pude sentir toda sua animação contra minha pele. – É uma pena que não posso tê-la agora ou com certeza me atrasarei. _ Seus lábios desceram pela curva do meu pescoço. _ Assim que eu voltar, não te darei sossego.
Sorri com sua promessa. Albafica me entregou minha camisola e o penhoar, e carinhosamente me conduziu a minha cama.
__ Vamos vesti-la. – Ele então desceu o tecido da camisola após passar por meus braços. – Agora deite-se. – segurava a coberta.
Me deitei novamente na cama, e Albafica me cobriu, sentando-se na beirada do colchão. Se aproximou e me beijou na fronte e depois um beijo nos lábios inocente.
__ Durma mais um pouco. Quando acordar, é só chamar uma das servas, que já deixei avisado que tomará seu desjejum aqui, no nosso quarto. – meu marido se levantou, dobrou o penhoar e deixou-o descansando sobre o criado-mudo. – Seu penhoar ficará aqui.
Vi seu corpo girar e se dirigir para a porta.
__ Eu volto o mais rápido que puder. Se cuide meu amor. – Albafica sorriu e fechou a porta.
Aquele dia seria longo. Decidi descansar um pouco, afinal, a gestação cobrava seu preço em minhas energias.
#Albafica#
Eu, o capataz e alguns servos montávamos os cavalos, indo em direção a Agioi. Era bem cedo, e o sol estava se levantando timidamente. Me sentia completamente desconfortável ao deixar Agasha sem minha companhia. E aquilo me fazia ir o mais rápido para a cidade e assim retornar rápido.
Até a metade da manhã estaríamos chegando à cidade, no entanto, a volta seria mais devagar, já que estaríamos com as carroças carregadas com os barris de carvalho. E aquilo me deixava ansioso, angustiado.
Em silêncio eu emanava minha prece para Athena, pedindo por Agasha e meu filho. Algo me dizia que precisaria muito da deusa mais uma vez.
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