Fragrância de Rosas

24 A Linha do Destino


Notas iniciais
Olá Pessoal! Estou de volta para trazer mais um capítulo. Sei que dessa vez demorei muito, mas tive motivos bastante justos. Esse mês conclui a escrita do meu terceiro livro Flor do Ártico, que será lançado na bienal de São Paulo. Agora estou de volta para concluir fragrâncias. Então, obrigada a todos que pacientemente me acompanham. Uma dica: releiam o capítulo anterior para dar continuidade neste. Bjus SA

# Agasha#

Acordei desorientada. Percebi que havia grades em volta de mim. Me levantei do chão de terra e olhei em volta. Devia ser uma caverna. Era rocha pra todo lado e uma escuridão sem fim. Duas tochas em partes opostas da caverna quebravam aquele breu.

Tomei um susto quando vi aquele monstro me observando. Envolvi meu ventre com as mãos.

—_ O que é você, monstro? – Gritei nervosa.

Eu não tinha noção de tempo. E poderia ser noite ou dia, ou ter passado noites e dias. Apenas sabia que tinha passado algum tempo pois minha barriga roncava de fome e a sede me fazia sofrer.

—_ Eu quero água. – Gritei.

Uma caneca de alumínio cheia de água surgiu na minha frente.

—_ Tome logo essa água e cale-se. _ o monstro falou.

Não quis discutir. Minha vida e de meu bebê eram prioridade ali. Sentei-me encostando na grade. Tentei dormir novamente. Quem sabe não fosse um pesadelo?

E assim adormeci pelo cansaço e fome que me abatiam.

***

# Albafica#

Eu havia corrido muito, e para qualquer ser humano normal a distância seria inatingível em algumas horas. A energia vinha do cume do morro onde terminava a floresta que tinha em nossa propriedade.

Passei a saltar de rocha ou arvore impulsionando para o topo. Cada vez mais eu sentia a proximidade da energia sinistra. A noite já havia chegado, e vi uma fraca luz vir da encosta do morro. Estava quase chegando ao local.

Dei um salto pela entrada do que seria uma caverna. Caminhei em meio a escuridão quebrada por alguns fachos fracos de luz. Ao entrar no local mais iluminado, vi uma jaula onde Agasha estava encostada. Corri para tira-la de lá quando fui acertado por aquela energia sinistra.

—_ Calma cavaleiro de Athena. – O monstro mostrou seus dentes pontiagudos e olhos negros como a noite. – Ainda temos algumas pendências para resolver.

Me afastei de Agasha com medo que ela pudesse ser ferida.

—_ Quem é você? Está aqui a mando de quem? – Falei irritado.

O ser vampiresco deu sua risada de escárnio e começou a caminhar em minha direção.

—_ Sou uma das Keres. Divindades da morte violenta. – Ela apontou suas garras para mim. – Sou Ker, a destruição, e vim leva-lo de volta ao seu destino: a morte violenta.

Não pude nem absolver toda aquela informação. A divindade lançou uma bola de energia em minha direção que acertou meu corpo, queimando-me por dentro, como se fosse neural. Ouvi o grito de Agasha, que logo em seguida começou a chorar.

—_ Albafica!

Elevei meu cosmo e consegui dissipar com certa dificuldade aquele poder todo. Olhei a ker e vi um sorriso maligno se formar. Várias asas como as que ela carregava surgiram em volta de mim. As penas se desprendiam se enfincando em meu corpo. E como a energia, pareciam queimar meus ossos, mesmo sem fogo ou aumento do calor.

Lancei as rosas piranhas que dizimaram as penas. Mas o sangue corria pelo meu corpo. Por um momento lembrei-me do veneno em meu sangue. Mas recobrei a consciência de que não precisava temer o veneno mais.

—_ Quem te enviou? – Brandi lançando as rosas piranhas em direção a Ker.

Aquele ser desapareceu, surgindo atrás de mim. As rosas seguiram o inimigo. Antes das flores atingirem seu alvo, a divindade paralisou meu corpo lançando outro golpe. Mas dessa vez, a inimiga também foi atingida.

—_ Sou uma divindade do submundo, e você foi responsável pela morte de Minos de Griffon. – Ela limpou um liquido negro que caia de sua boca. – Além disso, está fugindo do seu destino. – Ela deu uma risada sinistra. – Seus companheiros estão apodrecendo nas tumbas e você aqui vivendo uma vida de alegrias.

Olhei de soslaio para Agasha que estava pálida, com os olhos molhando. Mas eu precisava desviar a atenção de Ker.

—_ Os deuses decidiram isso. – Repliquei.

—_ Ninguém pode mudar a linha do destino, e vim faze-lo cumprir seu caminho.

Seu golpe novamente foi lançado contra meu corpo, e me protegi com uma barreira de cosmo que resistiu ao primeiro impacto.

—_ Então terá que lutar muito para conseguir. – Lancei a rosa Rosa Sangrenta

Pouco se sabia a respeito do ikhor, o sangue dos deuses, mas se a Rosa Sangrenta funcionasse como com o sangue humano, eu poderia enfraquecer aquele ser. Conforme a rosa ficava negra pela cor do ikhor, a Ker percebeu o que acontecia. Tentou arrancar a rosa, recebendo uma descarga de energia que a fez cambalear.

Preparei mais um golpe, as rosas demoníacas reais. Assim que me viu direcionar para Agasha, vi a Ker anular as rosas, e disparar seu golpe contra Agasha. Tudo foi mais rápido do que pude reagir. Agasha recebeu o golpe em cheio, caindo inconsciente.

—_ Agashaaaaaaaaa! – Me ajoelhei perto da cabeça de Agasha, e passei as mãos pela grade. – Não Agasha, por favor.

Vi sangue escorrer da cabeça dela. Aquilo me deixou tão atordoado que mal senti a aproximação do golpe da Ker. Meu corpo foi lançado contra a grade.

Mas a dor que eu sentia por ver Agasha machucada era tão grande que pouco me importei quando meu corpo sangrou. Ataquei com Espinho Carmesim, mesmo não tendo mais o veneno. Em seguida sem dar tempo de reação da Ker, ataquei com Rosas Piranhas.

A rosa sangrenta estava metade negra. Eu não podia perder mais tempo, mas meu cosmo parecia oscilar. Gritei mais uma vez.

—_ Athenas, me ajude mais uma vez. – A voz dela ecoou em minha cabeça.

“Use seu sangue novamente, proteja seu amor.”

O sangue que escorria de mim formou uma nova rosa sangrenta que aos poucos se tornou vermelha.

“Use o veneno do seu sangue Albafica.” – A voz da deusa ressoou novamente.

Numa última tentativa, lancei a rosa que acertou ao lado da outra rosa.

Vi a Ker tombar, enfraquecida, e uma luz envolve-la. Athena surgiu a minha frente.

—_ Venha Albafica, cuida de Agasha. – A forma etérea tocou a grade que desapareceu. Em seguida emanou seu cosmo em direção de minha esposa, que foi envolvida por aquela cálida energia.

Athena caminhou até a Ker e a lacrou, convertendo o seu corpo em uma ânfora negra. O nome de Athena em grego antigo surgiu na no vaso escuro.

—_ Meu sangue, Athena. – Eu temia tocar Agasha após o golpe.

A deusa sorriu.

—_ Não se preocupe, meu leal cavaleiro. Cuide de sua esposa e seja feliz. Nada de mal lhe acontecerá. – Ela sumiu levando a Ker consigo.

—_ Obrigada, deusa. – Sussurrei.

A armadura de Peixes se retirou do meu corpo se montando ao meu lado. Segurei Agasha em meus braços. Temi que não voltasse a vê-la com vida. Algumas lágrimas caíram mesmo tentando controlar.

—_ Agasha! – Toquei seu rosto. – Por favor, não me deixe.

Me levantei segurando seu corpo e comecei a descer com ela descordada ainda. Tentei leva-la com o máximo de cuidado. A noite já começava a ceder espaço para o dia. O sol vinha surgindo timidamente.

Estávamos quase chegando a nossa casa quando Agasha abriu seus olhos e me sorriu.

—_ Estou no paraíso? – Ela tocou meu rosto.

—_ Se estivermos, vou gostar muito disso. – Dei um beijo terno. – Como eu temi não ver seus olhos abertos e brilhando. – Eu a apertei contra mim.

—_ Aí! – Ela gemeu. – O bebê.

Afrouxei um pouco o abraço.

—_ Desculpe-me. – Ela se encolheu no meu colo.

Ao entrar na varanda da casa, Dulce me viu e veio correndo.

—_ Senhora Agasha! Onde ela estava? – Me perguntou a serva.

Entrei na casa onde Marieta estava fazendo uma prece.

—_ Me ajudem no quarto. – Comecei a subir as escadas. – Marieta traga comida e água. Ela está sedenta.

Após alguns instantes, Agasha recebeu um copo de água fria e um desjejum bem reforçado.

—_ Depois conversamos. Agora deixe-a descansar. Traga água para a Tina.

Deitei-me ao lado de minha esposa e adormecemos no embalo do cansaço. Athena havia nos protegido uma vez mais, e eu sabia que ela sempre nos protegeria.

***

Notas finais
Bom pessoal, é isso! Aguardo vocês nos comentários. Até o próximo capítulo. Bjus SA