Four Seasons
17 You Give Love a Bad Name
Notas iniciais
Espero que gostem.
[Música — You Give Love a Bad Name — Jon Bon Jovi]
- Eu prometo que você vai gostar – disse Poseidon segurando a mão dela.
E Atena duvidava muito sobre o que ele dizia. Quer dizer, o que uma nerd como ela poderia estar indo com um garoto como aquele para um barzinho no meio da estrada, cheio de motos Harleys mais antigos que si mesma e o som de rock saindo dentre a madeira clara que a formava?
Mas antes, vamos situar você, querido leitor, de como chegaram aqui. Vai ser rápido, prometo.
Logo após saírem do hospital, o sol ainda se pondo, no caminho para o estúdio dele, uma vez que Atena quem dirigia, após muita discussão e uma grande vitoria de argumentos sobre ela, Poseidon conseguira convencer nossa doce e ingênua garota de cabelos loiros a ir a um lugar com ele. Sem dizer nada, somente trocaram de roupa, para peças mais entre negro e couro, como a blusa de frio dele e a calça dela, sem esquecer a bota dele, o que a fez crer que iriam para um clube de vampirismo, pois não duvidava de mais nada do garoto de cabelos negros, Poseidon apanhou a moto que tinha, na verdade, o único meio de transporte dele (o carro que usara era de sua irmã), e dirigiram para fora da cidade por ao menos trinta minutos, sem parar, sem diminuir a velocidade e, para apreciação dele, com os braços dela presos com força em torno de sua cintura. Afinal, esse é Poseidon de quem falamos.
Até estarem onde se encontravam agora, caminhando, ele tranquilamente, ela nervosa, para a porta vai e vem bem ao estilo Texas em filmes de cowboy com direito a James Dean entrando pela entrada principal com suas blusas e sua rebeldia tão vista em Rebel Without a Cause, ou era assim como Atena pensava. Rebeldes seriam fichinhas para as meninas que, fumando, adentravam o local em calças tão coladas quanto a que a garota de olhos cinza usava (forçadamente por ameaça de perder a coruja), ou para os homens com barba e com todas as características que motoqueiros maus de filmes devem ter, bem ao estilo de pessoas que frequentavam do bar Roadhouse Harvelle de Ellen em Supernatural. Se ela encontrasse Dean ou Sam Winchester, jamais se surpreenderia.
Só surpreendia-se com o fato de Poseidon, o fotografo, filho de alta classe, estar entre eles. Atena não tinha nenhum preconceito, até achava-os peculiares por transgredirem regras, o que ela jamais fazia, mas ver o irmão da sua amiga patricinha entre eles, segurando um cigarro apagado sexymente com uma mão e extremamente bonito com os cabelos jogados de qualquer jeito, em uma calça jeans, coturnos e blusa de couro, com uma Harley negra estacionada entre tantas outras e conversando com muita gente, isso sim era incrível. E ele não parecia-lhe estar nem um pouco sem graça com tais fatos e ela não reclamou quando Poseidon passou um braço envolta de sua cintura, até sentiu-se mais segura por causa dos olhares indagadores e invejosos (mulheres), ao entrarem no salão, com pessoas de todos os tipos, cabelos e roupas curtindo um cara magro e de cabelos vermelhos que batiam na cintura tocando guitarra e gritando com os presentes em clássicos do rock.
- Hey, Jude – gritou o homem ao seu lado, sorrindo para uma moça morena, de incríveis olhos cor de escuridão e sorriso calmo que limpava a bancada do bar com uma flanela vermelha encardida.
A tal Jude sorriu e piscou para ele.
- Hey, tritão, você voltou. – e então olhou para Atena que quieta na dela olhava todo o local, a estrutura de madeira, as mesinhas aos cantos, os jogos de poker e truco em rodinhas e as mulheres que, pela primeira vez, ela achou-as muito sensuais. Ainda que vulgarem para sua mente casta, às vezes, até demais para quem já fez algumas coisas. A garota de cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo, deu um sorriso fraco que Jude retribuiu. – E com uma garota. Quem é ela?
Poseidon, com seus típicos repuxares de lábios, apontou com o cigarro de Jude para Atena.
- Jude, essa é Atena, uma amiga de minha irmã. Atena, essa é Jude, minha irmã quase de sangue.
Atena apertou a mão da garota ao ver os dedos da outra estendidos em sua direção, sob a bancada. Ambas sorriam e a garota de olhos tempestuosos achou-a agradável, ainda que vestisse roupas curtas e decote grandes demais.
- Prazer, Jude.
- Idem. – uma voz a chamou. Jude fez uma carinha de tristeza antes de bater o pano no ombro de Poseidon que revirou os olhos para a repreensão nos olhos negros. – Cuide dela e sintam-se em casa. Depois procuro vocês e Poseidon se precisar de bebida, sabe aonde ir.
E assim, tão rápida quanto havia “aparecido”, saiu para atender um homem gordo e de olhos miudos, sentado a quatro cadeiras preenchidas dali, em roupas clássicas de rockeiros. Como todos os outros, pensou Atena virando-se para Poseidon. Esse sorriu ao encontrar seus olhos enquanto acendia o cigarro, dava uma tragada e soltava. E ainda que ela odiasse fumantes e surpreendesse que um cara como ele fumasse, Atena achou-se gostando da visão do modo sexy que segurava, encostado casualmente, quadril com madeira, contra uma cadeira e a rodeando com um outro braço. Entrava perfeitamente no papel e no espaço.
Poseidon arqueou uma sobrancelha para uma sobrancelha dela erguida em sinal de nojo para o cigarro, não para ele.
- Quer? – estendeu o tubo branco para ela com diversão nos olhos verdes que se encontravam líquidos.
Atena negou com um movimento de cabeça.
- Desde quando você fuma?
- Desde sempre, comecei novo. É bom e as garotas adoram.
Homens!
- Então, você além de tarado é um viciado?
Um sorriso de lado a segurar o cigarro no canto da boca.
- Não, não sou um viciado. Fumo uma vez ou outra. E antes que você diga que tecnicamente sou um dependente físico, eu nego. Não preciso disso todos os dias. – então, ele deslizava um dedo pelo rosto dela, os olhos maliciosos e sacanas. Esse é Poseidon, o resto foi imagem? – Além do mais, se você quiser, eu paro de fumar.
- Para sempre? — Ele sorriu, negando e Atena revirou os olhos. – Então é inútil, pode continuar.
- Você estava muito carinhosa comigo hoje mais cedo. O que foi? – colou um beijo na bochecha dela, perto do ouvido que a fez arrepiar. – Não está gostando do lugar?
Com um tremor, sentindo o cheiro de cigarro que ela percebeu ser de palha, não o típico que cheirava horrível, o afastou e revirou os olhos. Muitos casais caminhavam entre eles e muitos sorriam para o homem que brincava com ela. Suspirou.
Os olhos dela tornaram-se escuros com a insinuação na voz dele. Se ele pensa que vai conseguir fazer comigo o que fez da outra vez, está tremendamente enganado.
- Você não tenta me agarrar – impôs ela, segura. – E eu não fujo.
Ele deu um sorriso calmo.
- Com quem você fugiria, Cinderela? Com a fada madrinha? Olhe a sua volta. Parece haver alguém amável como Apolo por aqui?
E ela odiou que fosse verdade. Caras fechadas, olhos astutos e sempre com expressões cruéis, os integrantes daquele interessante grupo não pareciam o tipo que você pedia que a levasse para a casa ou ao menos chegasse perto dela. Amáveis ela tinha certeza de que não seriam e ao verem-na, ainda que não se achasse o ultimo chocolate Wonka do universo, sabia que era bem... Deliciosa, caso quisessem fazer mal ao seu corpinho pequeno e sua pouca força. Mas, o pior de tudo, era ter percebido a merda que fizera ao aceitar o convite e ir a um local onde somente Poseidon poderia salvá-la, um tipo de Tarzan na floresta de pessoas estranhas e música que machucava seus ouvidos acostumados a Tchakoviski e Bach.
Atena franziu o nariz pequenino, formando uma careta que ele colocou como “fofa” (algo que sua mente brigou. Você nunca acha ninguém fofo, Poseidon.”), e encostou-se nele, com os braços cruzados, sem dizer nada. Não sabia pilotar motos mesmo se tivesse a chave que ela sabia estar no bolso esquerdo do traseiro dele e muito menos pegaria o seu celular no da frente, onde ele colocava a mão e onde ela apoiava-se. Podia parecer uma garota chata, mas achava-se em um lugar estranho e reagia de forma semelhante em tais locais sem alguém de confiança. E Poseidon não é o tipo de pessoa que ganha a estrelinha da professora nessa matéria.
- Isso é rock – sussurrou ele em seu ouvido, a baforada quente com cheiro de menta da balinha que ela nem se quer percebera que ele chupava vindo sobre seu pescoço. Atena recusou-se a virar para fitá-lo, preferindo encarar o baixista a deslizar os dedos pelas notas em chiados.
- Eu sei o que é rock, Poseidon – sua voz saiu seca. – Obrigada.
Escutou e sentiu a risada dele.
- Não parece, vai ficar com uma ruga entre as sobrancelhas, sabidinha, se manter essa cara. Além disso, você pode assustar os caras ali.
Um grupo de dez homens, do outro lado da pista, olhavam-na, conversando como menininhas e rindo de algo enquanto quase a despiam com os olhares vulgares para seus seios presos dentro de uma blusa regata preta. Sentiu-se corar.
- Cala a boca, Poseidon.
Outra risada.
- Vamos, Atena, finja que está curtindo.
- O que? Esse ruído?
Ela quase o pode ver fazer uma careta. Criança.
- Isso não é ruído, é um solo de guitarra.
- Obrigada, Poseidon, eu juro que não sabia o que era uma guitarra – irônica. – O que seria de mim sem você?
Com um suspiro, ele a virou, segurando-a pelo quadril, e Atena encarou os olhos um tom mais escuro de Poseidon detendo certa curiosidade sobre os seus.
- O que foi, ein? Eu fiz algo? Você quer ir embora?
Eu só estou muito irritada com sua cara, simplesmente isso, entende? Mas ela de fato não sabia o que havia dado para seu humor bipolar.
Um suspiro dela.
- Deixa pra lá, Poseidon.
- Não. – sorriu. – Está de TPM?
Sim, Toda Pré-disposição para te Matar. Uma careta se fez no rosto dela.
- Nada, eu já disse. – então, prendendo um de seus dedos aos dele, ela sorriu forçadamente e o puxou para perto das pessoas que escutava a música. – Veio para curtir, certo? Então, vamos curtir.
E mesmo a olhando sem entender, ele foi.
Ela saiu suada do meio daquela galera louca, meio sem ar, mas, ainda com as faces ardendo de calor, odiava admitir a si mesma que havia gostado de escutar aquele tipo de som. Era estranho, fato, contudo, estranhamente embalador quando se encontrava dentre pessoas que curtiam e ainda mais com um cara que sabia praticamente todas as letras, como Poseidon sabia.
Ele parou ao lado dela, também pingando, e rindo de algo que haviam dito antes de resolverem beber alguma cerveja (Poseidon) e água (Atena), só para voltarem depois para a muvuca.
- O que está achando dos ruídos? – zombou ele, passando uma garrafa de plástico com o liquido transparente extremamente gelado. Atena agradeceu ao apanhar o objeto.
- Até que para ruídos... – ela enrugou o nariz. – Está... Agradável.
Atena pode ver a diversão nos orbes verdes que a fitava enquanto o dono dava um longo gole em sua long neck, para então, revirar os olhos.
- Algum dia vou ouvir você admitindo que errou?
Um sorriso misterioso por parte dela.
- Nunca.
Poseidon riu.
- Que bom, você é divertida assim.
- Hey, isso foi um elogio ou sarcasmo?
Então, Atena assistiu um sorriso, igual ao seu, nascer nos lábios dele.
- Nunca saberá.
- Vejo que para quem estava quietinha, Atena está até gostando.
Ambos que se fitavam viraram a cabeça para ver uma moça morena, com um paninho na mão e os cabelos presos por uma caneta debruçada casualmente contra o vidro da bancada em que parava. E os dois sorriram ao notar que se tratava de Jude com um sorriso de quem gostou da visão e que ria internamente.
Atena sorriu, girando na cadeira em que se encontrava sentada para ficar de frente com a moça. Não demorou para Poseidon fazer o mesmo.
- Estou gostando – admitiu Atena, vendo Poseidon fazer cara de ofendido por não ter admitido isso a ele e sim para uma estranha. – O cantor é bom, tenho que admitir.
- Nate é o máximo, sempre enche a casa quando toca – Jude apoiou-se em um cotovelo enquanto dizia, sorrindo. – Além de trazer clientela feminina, é um gato.
- Isso eu nãol posso negar – disse Atena, sorrindo ao olhar o palco pelo ombro esquerdo. – Ele é londrino?
- É, o sotaque dele fica bem acompanhado com a música. Mas cresceu no Texas. Não faz nem cinco meses que ele chegou aqui, procurando um emprego e desde lá aumentou nossa renda. Nate, como eu disse, é o máximo. O tipo de cara para um dia. – sua voz maliciosa – Se quiser, Atena, eu posso pegar o número dele para você. Ele adora garotas bem ao seu estilo, eu falei que ele é formado em Literatura Americana e desistiu de Gastronomia?
Atena olhou-a, pasma, mas bem ciente da ruga que se formava no silencioso Poseidon.
- E ele preferiu ser músico?
Judy deu de ombros, limpando um copo que já estava limpo.
- Tem vezes que nem sempre faculdade é o que se sonha. E esse ai. – ela apontou com o queixo para o homem de cabelos loiros no palco, o ultimo rockeiro da noite. – Não nasceu para ser professor ou gastrônomo. Qualquer dia desses, acredite, ele vai ser alguém famoso.
- Ele tem talento, e isso é inegável. – falou Atena, voltando-se para Judy – Nate é mesmo um cara legal, mas, recuso o convite. Vim com Poseidon aqui, não ia o deixar voltar sozinho pra casa.
- Esse? – Judy, sorrindo, bateu com o pedaço vermelho no peito do garoto que revirou os olhos verdes. – Se você der mole, sete vem em cima dele. Poseidon é um Don Juan dos melhores, garota, e nunca volta pra casa sozinho.
Atena deu um sorriso de canto para Poseidon. Don Juan, seu físico remete ao seu status. Enquanto minha amiga é Maria Antonieta, o irmão dela é o maior pegador de mulher. Família interessante.
- Creio então que possa aceitar o convite de ir conversar com Nate, Judy.
- Não estou aqui para as outras. – assinalou Poseidon, encarando seus olhos cinza, com raiva encoberta por polidez. – Vim aqui trazer uma amiga, ela não quer se meter em encrenca, Judy.
- Mas Nate não é encrenca, Don Juan – interviu Judy, divertindo-se do amigo. – Ele é um garoto igual a você.
Ignorando todo e qualquer protesto de Poseidon, e também para rir internamente da cara de raiva dele, Atena escreveu em um papel qualquer o seu próprio numero e entregou para uma Judy risonha e com mente perversa pra zombar do amigo.
- Entrega pra ele, Judy, por favor, e diz para me ligar.
Judy piscou e sorriu.
- Deixa comigo, Atena. Agora, vou lá ver se alguém precisa ser atendido. Está lotado e o turno é todo meu, a outra atendente ficou doente. – Deu dois tapinhas na mesa. – Aparece mais vezes, Atena, gostei de você.
A garota assentiu, sorrindo.
- Apareço sim.
- Com ou sem Poseidon. – piscou. – Eu prefiro sem o Don Juan, assim posso te mostrar para alguns amigos. Bem, vou nessa, foi bom te conhecer.
E assim saiu, como da outra vez, indo atender alguém. Logo que estiveram sozinhos, escutando Nate se despedir, pois outra banda ia entrar, o que surpreendeu Atena por saber que um local tão pequeno recebia tanta gente, a garota de calças de couro colada virou-se para Poseidon e ergueu as sobrancelhas loiras antes a expressão serena dele.
- Alguma coisa errada, Poseidon?
A face suavizou antes de encará-la, com uma fingida inocência.
- Hum... Nada. – tomou um gole da sua cerveja quente. – Eca, isso daqui tá horrível.
Ela sorriu ao vê-lo por a garrafa sobre a mesa e o sorriso apagou-se ao vê-lo fumar. Por que esse homem bonito precisa fumar?
- Não deveria fazer isso, já te disseram que faz mal ao pulmão?
- Todas às vezes, quando olho a parte de trás da caixinha. – soltou uma nuvem branca de fumaça. – Mas nunca funciona.
- Ok, não falo mais nada, prometo – e terminou a água, antes de levantar-se, sorrindo, a arrumar a roupa sob os olhos verdes dele. – Assim que terminar, estou lá na pista.
E sem esperar que ele dissesse algo, Atena saiu, em direção do pessoal que começava uma nova dança. O que para ela, seria muito, muito engraçado.
Notas finais
O que acharam?
Não esqueçam meus rewis, minhas recomendações e tuuuuuuuuuuuuuudo o que há de bom *--*
Beijinhos,
Nivea
;D
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