Four Seasons

25 What Makes You Beautiful.


Notas iniciais
Indo ao Zoo agora, sorry .-.

[Música — What Makes You Beautiful — One Direction]

Depois de muitas manobras maneiras, lutas contra o final de ondas, cilindros que se formavam ao seu redor e quedas da sua parte e dela também, uma vez que a fizera tentar ao menor afundar-se com a quebra da gigantesca muralha de água, um ponto ganho com esse grande passo de Atena em atrito com o seu medo, cansados tomarem caldo e levarem jacaré, saíram rindo, lado a lado, todo colados e molhados com aquelas roupas, de uma piada que ela havia lembrado e que mesmo com ela dizendo que era tosca, ele a fez contar. Se tosca era ser muito engraçada, então Poseidon nem podia imaginar qual Atena classificava como divertida, afinal, agora saia chorando e com a barriga doendo de tanto rir. Era meio boba, isso é verdade, mas não deixava de ter humor escondido.

Atena jogou-se na canga esquecida logo que teve a chance e suspirou, tentando secar e pentear com os dedos os cabelos cacheados. Poseidon caiu na areia mesmo, sem ligar para a roupa que ficaria cheia de grãos, a fitar a paisagem que Turner adoraria ter a chance de pintar.

- Sabia que deveríamos estar estudando? – disse ela, fazendo uma trança no cabelo, de olhos fechados para curtir a brisa. – Amanha vai ter um seminário. Já sabe sobre o que vai falar nele?

- Não vou apresentar amanha, só quarta-feira. – escutou-se o som de uma garrafa sendo aberta – O professor Maxwell disse que como vou embora antes de terminar esse semestre, vai abrir uma exceção para mim e irei apresentar somente a ele. Ainda não sei sobre o que falar. E você?

Atena agradeceu quando ele lhe passou uma latinha de suco.

- Dos primórdios da Grécia até a ascensão da tecnologia Japonesa na arquitetura.

- Um bom tema.

- Obrigada.

Poseidon deu um longo gole na bebida cor de malte seguido de um suspiro ao terminá-lo, adorando a sensação de estar na praia outra vez depois de tanto tempo longe dali. Desde que chegara, só fora duas vezes, algo que em diversos lugares, em diversas partes do planeta, ele tinha ido muito mais que na sua cidade natal.

Nesse tempo, Atena foi trocar de roupa e voltara mais rápido do que ele pensara ser possível, apropriando-se do local ao seu lado, calmamente.

- Poseidon.

- Sim?

- Você pretende voltar para cá?

Sob essa pergunta, ele virou a cabeça para olhá-la que deitara, colocando a bolsa que trouxera como um travesseiro e parecia adorar o sol naquele momento. De óculos escuros que lhe caiam extremamente bem, mãos descansando aos lados do corpo e pernas meio encolhidas, provavelmente para o vento morno não erguer o vestido, Atena era beijada pelo Astro-Rei, sua pele bronzeado aos poucos, mas sem qualquer falha visível era um banquete para qualquer homem que estivesse por perto, ainda que Poseidon calculasse que Atena era totalmente desligada sobre isso, meio inocente nesse ponto. E ele não pode deixar de notar como as pernas dela eram delineadas, o que o fez inferir que fazia algum exercício físico alem de trabalhar aquele mente rápida, e parecia macias aos toques, sem qualquer mancha, quase nascida da neve, agora aquecida pelos raios solares de verão. Então, ele pesou o que ela dizia.

- Não sei – admitiu Poseidon, sendo bem sincero com Atena. Aprendera a ser com aquela garota de lindos cabelos cacheados pintados com dourado. – Quero, porque finalmente estou tendo a chance de terminar minha faculdade, o que eu tanto desejava. Mas, às vezes, no meu mundo louco, planos e trabalhos novos aparecem juntamente com impares Galerias e competições em cidades improváveis. Agora mesmo eu poderia estar indo embora para apresentar algo na Ucrânia. A ultima coisa que sei é o meu destino, ainda mais nesse momento de exploração de imagens. É o momento que tenho para aproveitar. – suspirou, passando os dedos nos cabelos negros para bagunçá-los como de costume. – Não posso perder uma chance se quer, eu seria um idiota se fizesse isso. Então, não sei. Pode ser que William me diga para continuar lá ou me mande para o Afeganistão. Tenho tanto um lar fixo quanto arquivos de internet.

Atena sorriu ante a ultima frase, sem ele saber se ela o fitava ou encarava algum outro ponto.

- Isso foi um comentário bem nerd, Poseidon.

- Como você diz, ficar perto de uma garota nerd dá nisso. – sorriu. – Mas, por que da pergunta?

- Curiosidade mórbida, alem do que... – Atena o olhou, dessa fazendo-o sentir aqueles olhos cinza inteligentes sobre si. – Será interessante ter um local para ficar quando você estiver fora.

Poseidon aumentou o sorriso sem perceber.

- Poderá me visitar sempre que quiser, mas pretendo voltar. Eu quero, acostumei e gostei desse lugar. Não é muito movimentado, nem muito quieto. Na medida certa para os dias certos, entende? Nada de Nova York que nunca descansa ou Grécia que praticamente dorme.

- Apesar de amar minha cidade, acho que morar em um local mais agitado seria bem melhor.

- Diz isso porque não saber o que é acordar duas horas antes do horário de trabalhar com o som de buzinas na frente do seu prédio por causa do namorado ciumento da sua vizinha estranha de cima.

Poseidon balançou a cabeça, relembrando como fora morar naquele lugar enquanto Atena ria da sua cara de descontente.

- Você apenas teve pouca sorte.

- Ou não era para eu morar ali mesmo. De qualquer forma, aviso que não gostei de morar no Alaska, frio demais, nem na África, calor demais e nem em Milão, meio paradinho pro meu gosto. Adorei as cidades, mas jamais queria viver ali para sempre, ainda que as paisagens fossem surpreendentes. Pelo local, ficaria.

- Deve ser legal viajar o mundo todo – a voz de Atena era sonhadora. – Falar varias línguas, ver varias pessoas diferentes, animais diferentes, vidas diferentes e até mesmo climas diferentes. Nunca cansou disso?

- Seriamente?

- Claro.

- Por mim, por Poseidon, sim, cansei. Mas pelo amor que tenho pela fotografia, nunca, porque minha lente nunca cansa disso. Preciso disso para viver, sabe? – deu um gole na bebida antes de voltar a falar. – Eu preciso que meu espírito não se prenda a um lugar.

- Por acaso isso que escuto é medo na sua voz?

Poseidon olhou para onde Atena tinha virado em sua direção e tirado os óculos, fitando-o com as sobrancelhas arqueadas por trás das lentes que escorregavam pelo seu nariz afilado e que sua mente masculina classificou como fofo. Na verdade, com aquela posição, Atena era uma mulher muito sexy e intensa. Sua mão coçou para pegar a maquina. E, ao voltar para o que ela dizia, esquecendo como aqueles lábios rosados roçavam um no outro ao pronunciar as palavras, o que a deixou corada, Poseidon negou.

- Não... – pensou um pouco. – Não sei, acho.

Uma risada baixa saiu da boca cor de cereja dela.

- Essa foi à frase mais indecisa que já escutei. Como você não sabe?

- É uma boa pergunta. Mas... – Poseidon repuxou o canto das bocas em um sorriso calmo e de quem testa outra pessoa. – Responda-me, por que você escutou medo em minha voz.

Atena deu de ombros com o semblante sereno feito para pessoas que sabem bem o que tem de dizer. O que sempre era o caso daquela garota quando se tratava de algo palpável. Sentimentos era algo que Poseidon começava a perceber que ela não expressava muito.

- Porque quem quer, não mata o espírito. Se você é aventureiro, é porque nasceu assim, certo? Quer dizer, olhe para você, está parado há quase dois meses ou até mais e não deixou de ter a vontade de tirar foto. Na verdade... – ela abaixou os óculos. – Acho que você tem medo de criar laços contínuos por não ter o que oferecer em sua perspectiva. Tem medo de ter que criar uma imagem e viver com ela, sem poder esquecer a cada vez que muda de cidade. Pelo menos, é o que penso.

Quando Atena parou de falar, um silêncio, entrecortado pelo som das ondas ainda a quebrar sobre o manto branco de grãos, estabeleceu-se, enquanto Poseidon repensava sobre o que aquela perspicaz mente dizia sobre si. Talvez fosse verdade o que Atena havia pronunciado, explicitando algumas coisas que ele mesmo não conseguia enxergar, porque nunca conseguimos olhar para nosso próprio nariz e destacar cada defeito que temos. Contudo, Poseidon nunca havia parado para ver que de fato sempre fugia do final. Será que Atena, aquela que somente o conhecia há quase dois meses, estivesse falando a verdade? Que o conseguira ler como se fosse um livro infantil cheio de gravuras e pouco preenchido de palavras difíceis? Sinceramente, Poseidon não sabia, não mesmo, chegando a questionar-se até mesmo porque havia retornado a ela a questão e ao ver o contexto percebeu que queria ver o posicionamento de Atena sobre sua pessoa.

E não foi exatamente o que eu esperava, pensou ele, com as mãos nos cabelos, encarando a paisagem, a garrafa de cerveja esquecida ao seu lado, meio quente.

Então, recordou porque havia a levado ali.

- Vamos, Atena, vou te mostrar um local.

A câmera dele não parava atrás de si, o som da lente fechando-se não acalmava quase uma corrida, no momento em que passaram a subir a encosta das rochas laterais, no canto esquerdo da praia, logo após terem guardado as pranchas sob o teto do jipe e apanhado somente a bolsa com as comidas. Como Atena ia atrás, podia admirar bem a paisagem enquanto Poseidon a frente agachava-se, contorcia-se e fazia coisas incríveis por uma foto bem tirada. Fotógrafos cada vez mais a surpreendia com suas imprevisíveis atitudes para ter uma imagem imortalizada, mesmo se isso incluísse quase cair de um penhasco com ondas rugindo a pedido de um pedaço de carne ou segurar-se no topo de uma pedra fina. Ambos os casos citados, Poseidon fez, deixando-a meio perturbada com a segurança dele. Claro, nada aconteceu, mas quase o matou quando ele fingiu estar caindo, assustando-a.

- Relaxe, Atena. – disse o garoto de olhos verdes ao descer da rocha em segurança, rindo. – Eu nunca cai, não seria hoje.

- Eu poderia ter te jogado agora. – Atena bateu nele. – Seu doido, meu coração quase teve um ataque.

- Não seja tão estressada, menina. Curta a brisa.

- Anda, vamos.

Poseidon ria no momento em que continuaram a trilha escorregadia e perigosa, cheia de ouriços negros presos dentre buracos com suas agulhas venenosas prontas para perfurar o pé algum descuidado e ondas que quebravam com força ao lado deles, espirrando água para cima de dois universitários, e tirava fotos da cara de brava de uma Atena que se preparava para qualquer minuto jogá-lo aos tubarões. Estava lhe enchendo o saco, mas ao final, quem ria era ela do que ele dizia a cada clique do dedo dele sobre o botão prateado de captura. Até que, com o final da pedra, Poseidon caiu na areia de uma outra praia, levando-a junto ao puxá-la pelo pulso. Os dois gargalhavam quando Atena, jogando os cabelos para trás, fitou o rosto do homem a sua frente. As duas orbes verdes que esfriavam para algo estranho a ela fitaram-na de volta, coloridas por pontos negros que não sabia o que significavam, mas que a fizeram paralisar. Poseidon não era de todo tão chato ou feio, na verdade, olhando-o naquele momento, Atena notou que havia um “quê” nele que o fez seduzi-la a esquecer da ideia de uma pessoa narcisista e fútil. E feio... Bem, aquele rosto nunca seria feio. Sobrancelhas expressivas, queixo forte, pele bronzeada e lábios que sabia ela ser contraditórios, uma hora firme, outra suave, de nada faziam dele um homem traços aristocráticos feios. E sim... Não, Atena não ia concordar que ele era bonito. Não mesmo. Ainda que, parada ali, sob o efeito daquele olhar provocativo de quem se divertia com sua inspeção, quando decidiu que tinha de sair.

- Descul...

Sua boca foi coberta antes que conseguisse terminar o que ia dizer, os lábios polares contra os seus estancados, surpresos demais para se mexer. Só havia lá, o som do mar, para dizer que aquilo de fato acontecia, o vai e vem dele, e a as mãos de Poseidon segurando delicadamente seu cabelo, a câmera esquecida entre eles, apertando-se entre seus peitos.

Mas, antes que ela correspondesse, Atena afastou-se com um pulo, escondendo o que sentia, uma capa de impermeabilidade que o fez perguntar-se o que havia feito de tão ruim. Beijá-la não era ruim, não mesmo. Contudo, Atena não sentira o mesmo ao que parece. Então, como se nada tivesse acontecido, ela saiu na frente, deixando um Poseidon confuso e curioso para trás.

Notas finais
Hey, hey, recadiiiiiiiiiiiiiinho =D