Four Seasons
26 One Thing
Notas iniciais
E, venho aqui, postar mais um capítulo para a "Sexta Perfeita One Direction" (tô assistindo Mulheres Perfeitas... Como pode existir uma mulher tão bonita e talentosa quanto a Nicole Kidman? Cara, é muita sacanagem comigo ¬¬' "E um dos deuses falou: Nasça uma mulher linda", ai saiu ela, só pode... Mas, eu a adoro ^^)
Anyway, boa leitura.
[Música — One Thing — One Direction]
Apesar do estranho clima que se instalara enquanto andavam, lado a lado, fingiam que fora só um imprevisto ainda que ambos procurassem um porque de seus corações terem disparado com aquela troca de olhares tão... Inusitada e não ousasse deixar de seus lábios a pergunta que os atormentavam agora: você também sentiu isso? Ou melhor, colocado seria: por que você fez isso?
E como esperado, ninguém o disse. Então, por isso, o único som que ouviam era o canto de um pássaro veranista escondido em algum local, provavelmente com seu ninho, e o canto das sereias no mar quando batia, acariciando as rochas cobertas de (ostras). Como também, o clique da câmera dele. Até que Poseidon, cansado daquele silencio emanado e ordenado por Atena, resolveu que era hora de acabar.
– Desculpe – disse ele, um pouco mais alto para ser ouvido acima do som dos demais elementos naturais. A garota loira olhou-o surpresa, periodicamente corando. – Eu não deveria ter feito aquilo.
Sem saber o que dizer, ou ao menos o que ele pensava ser, Atena apenas assentiu, uma clara resposta de “Vamos deixar isso para lá”. Mas, Poseidon não queria que continuasse daquele jeito.
Soltando a maquina, permitindo que a corda envolta de seu pescoço a se segura, Poseidon apanhou o punho dela com sua mão, envoltada com carinho aquela parte do corpo de Atena. Esta parou e o brindou com um sorriso pequeno, de caráter singelo, e negou com os cabelos que chicotearam o rosto bonito.
– Vamos continuar – murmurou Atena, quase inaudivelmente, de voz calma. – Esqueça.
– Não. – Poseidon pressionou seus lábios, tornando-os uma linha fina. – Eu... Não quero que isso continue assim, Atena. De verdade. Olha, pode parecer idiota o que vou dizer, mas, sério, você é uma grande amiga e não quero que briguemos agora. Depois, quando eu voltar, tudo bem, porque vou ter mais tempo. – Atena sorriu, revirando os olhos para alegria dele. Qualquer expressão era melhor do que a indiferença daquela garota. – Sua amizade é boa pra mim... Até estudo mais!
Dessa vez, Atena riu da cara dele e da frase ditas com tom inocente. Poseidon se achou o máximo por ter quebrado aquele espesso gelo que se estabelecera de forma abrupta depois do seu... Ele poderia considerar aquilo um beijo? Quer dizer, Atena não havia devolvido suas expectativas. Não, ele não queria pensar naquilo agora. Não quando ela parecia acalmar por suas desculpas.
– Poseidon. – Atena amaciou seu nome de forma amistosa, os olhos verdes menos... Sombrios. – Sério, não precisa se preocupar. Vamos, é melhor chegarmos logo.
– Esse farol foi construído na década de sessenta, quando nossa cidade conseguiu sair ileso da segunda guerra mundial. Viu, eu sei um pouco de história local.
Atena sorria no instante em que Poseidon dizia isso, muito depois de terem andado ao menos dois quilômetros de pura adrenalina, pés escorregando, sapatilhas inúteis que só encharcavam e a faziam deslizar e uma maquina enjoada que não parava nenhum segundo. Se Atena não estivesse acostumando-se com aquele “assédio fotográfico”, provavelmente teria jogado Poseidon e o aparelho digital cor de chumbo dentro do mar nervoso com a chegada do fim da tarde. Foi no momento em que Atena começou a distinguir algo que cortava os céus, rasgando-o de uma forma incrivelmente bela detrás das altas rochas e que naquele segundo conseguia bem ver do que se tratava. Com ao menos vinte metros de altura, com cores lineares entre branco e vermelho, uma grande cúpula no topo cor de framboesa, projetando-se sob uma grande e plana rocha, o que não tinha durante o caminho, avisava, com sua forte luz branca, os navios cargueiros e perdidos a localização do próximo porto. O Farol Lunar, como a cidade inteira o chamava. E essa era a primeira vez que Atena o via. Uma descoberta e tanto para aquela garota fascinada em monumentos. Claro, claro, como uma boa futura historiadora também, ela conhecia toda a historia por trás do arranha-céu longe da cidade, como havia aparecido e porque o criaram. Como qualquer outro conto, havia a mentira de que um deus havia ordenado aos marinheiros que o fizessem para que sempre soubesse que ainda o adoravam, jogando o forte clarão nas águas cor de cristal a ponto de iluminar o pátio onde diziam haver sereias e tritoes que cuidavam das encostas, protegendo os humanos. A verdade era a simples necessidade de algo que mostrasse o caminho seguro para os senhores do mar voltarem para casa e afastar piratas. Se é que ainda havia algo desse gênero ali.
E com o sol refratando-se em tons do veludo de um pêssego, entre o rosáceo do amadurecer e o amarelo da despedida, dava um ar quase crível de que talvez um deus morasse por ali quando o olhando daquele ponto e daquela beleza. Então, sem mais nem menos, Poseidon retirou Atena de sua meditação, pensando em todas as estórias que já ouvira, ao jogar para a garota que tampava a forte claridade advinda do grande astro com a mão sobre os olhos uma grande e grossa corda verde e de textura quase cortante de tão firme. Surpresa, Atena olhou-o pelo ombro.
Prendendo algo a si, um tipo de cadeirinha, com a corda da pesada câmera transpassada pelo peito, Poseidon terminava de arrumar um gatilho de pressão que ela nem se quer sabia para que funcionava. E a curiosidade, tão inerente dela, acordou seus instintos.
– O que você está fazendo? – perguntou Atena, ainda com um monte de corda nos braços, com a voz que não escondia o seu instinto de “porque”s. – Hey, para que isso?
Um sorriso de garoto pimpolho tomou conta do rosto adulto do homem a sua frente que continuava a fechar varias e varias travas em torno da cintura, do quadril e coxas. Os cabelos dele moviam-se de acordo com a brisa gelada vinda do horizonte, mas nem parecia notar em sua roupa de mergulho. Afinal, aquela era a funcionalidade da roupa. Ou assim Atena pensava.
– Dê a volta no farol.
– Poseidon?
– Atena, faça, rápido.
Ainda questionando, ela fez o que ele pediu, parando de frente ao homem outra vez. A corda mal se notava que diminuía, mesmo com a largura do cilindro onde se prendia.
– Poseidon, o que vai aprontar?
– Vou amarrar isso aqui em você. Não se mexa.
– O que pretende com isso?
– Você já vai ver. Assim, pronto.
Puxando a ultima trava em torno da cadeirinha da menina, Poseidon sorriu, um sorriso de pura diversão que fez a barriga dela tremer de ansiedade. Todas as vezes que acabaram em loucuras nas outras vezes com que saia com ele, aquele sorriso, aquele em especial, aparecia. Mas, então, antes que ela pudesse perguntar mais uma vez o porquê daquilo, Poseidon acenou um cumprimento militar de continência, ainda sorrindo, e correu. Literalmente, correu, correu como se faz ao tirar um dia de treinamento ou lazer nos parques em que vemos pessoas em velocidade para assim, com Atena perplexa demais para acreditar no que via, com o coração enregelando de medo, pulou do penhasco. A corda aos seus pés começou a desenrolar rápido, enquanto Atena ganhava a maior velocidade que podia e viu, ainda em direção ao mar, Poseidon cair com fluidez de quem fazia isso há anos.
E, puff, Poseidon sumiu da superfície nada tranquila daquela enorme e incrível piscina, engolido pelas ondas que ocasionalmente batiam contra o paredão bronzeado e cheio de erupções pela ação da brisa marítima.
Durante dois minutos, os dois piores da vida de Atena, a garota de cabelo loiro que segurava o peso do seu amigo teve o coração travado. Nunca havia visto ou se quer escutado que alguém poderia sobreviver a aquela altura, fosse com proteção que fosse, mas, ao que parecia, Poseidon era praticamente um peixe, pois, enquanto ela tremia, tentando rastrear qualquer movimento parecido com o homem, ele finalmente emergiu. E diferente do que Atena imaginara, segurava-se na muralha de pedras que agora começava a ganhar a tonalidade de um gigante brownnie, com direito a chantilly no final, onde Poseidon prendia-se, lutando contra a força das ondas para escalar. Se ela podia crer que alguém era capaz de subir aquela encosta pedregulhos sem dificuldades, esse era ele.
Então, diante de seus olhos cinza, Poseidon escalava com rapidez de um profissional, de vez em quando olhando para ela, ou o que ela pensava que seria assim, por não conseguir enxergá-lo por completo com a escuridão se aproximando. E, ainda com a câmera presa ao pescoço, parou no meio do caminho, e começou a tirar fotos, para a pura indignação de uma Atena preocupada e com medo de não aguentar por muito tempo o peso dele.
– POSEIDON, ANDA – gritou ela, pedindo mentalmente que o vento levasse sua voz até ele. Seu coração ainda batia descompensado pelo pavor e sua mente prometeu que o espancaria até a morte caso chegasse vivo até lá em cima. Poseidon demorou mais uns sete minutos, sete péssimos para Atena que lutava com as suas sapatilhas que insistiam em escorregar, antes de voltar a escalar. O soprar da noite batia com força nos cabelos dele quando este, com uma ajudinha de Atena, levantou-se, deixando para trás toda a aventura e sorriu como se quase não tivesse feito à garota ter um ataque cardiovascular. Ela deu um soco bem dado no ombro dele, revoltada que só o fez rir. – SEU LOUCO, TAVA QUERENDO MORRER É? VOCE NÃO TEM IDEIA DO QUE...
– Atena. – Poseidon amaciou seu nome, segurando o rosto da garota entre as mãos calejadas, ainda rindo da cara dela. – Hey, Atena.
–... EU PASSEI AQUI EM CIMA? SEU ESTUPIDO! PODERIA TER MORRIDO. E COMO EU LI...
E, assim como fizera quando estiveram no barzinho de estrada dias atrás, Atena sentiu os lábios dele, pela segunda vez naquele dia, segurando os seus com algo que não sabia definir. Mas que acalmou todo aquele tremor subindo pela sua coluna, o pavor que envoltava seu coração pareceu descongelar e viu-se o puxando para mais perto, passando os braços em torno da cintura dele, aproximando-se da realidade de que Poseidon não havia morrido. Então, os lábios dele tornaram-se mais firmes, mais decididos sobre os seus, os dedos dele prendendo-se aos seus cabelos, a língua dele pedindo passagem e seu coraçãozinho nada acostumado com aquela estranha dose de endorfina, ligou-a do que acontecia. Demorou algum tempo para perceber o que ele fazia, como mordia o seu lábio inferior, antes que Atena o empurrasse, sem ar tão igual à Poseidon que sorria, seus olhos tornando-se um mar revoltoso e perigoso para uma garota inocente nesse meio. E, como que coagida a rebater, sem notar o que fazia, só quando fosse demais para perceber, Atena deu um forte tapa na cara dele. O estalo ecoou, mas só o que se via acima disso, era o som da risada de um Poseidon com expressão triunfante de fronte a garota que não acreditava que si mesma havia deixado aquela marca no rosto bronzeado dele, vermelha e visivelmente latente. Poseidon moveu o maxilar.
– Ai, essa doeu.
– Desc... – recordando que ele havia se aproveitado de seu medo, Atena empinou o nariz em sinal de tenacidade e sorriu malévola – Bem feito, é pra aprender.
Um sorriso sacana apareceu no rosto maculado pelos dedos dela pintados na bochecha do homem.
– Mas, valeu a pena.
Agora, quem ficou vermelha, foi Atena.
– Vamos embora.
– Mas, já? Ainda nem começou a parte legal.
– Já acabou sim.
– Hey, hey. — Poseidon segurou o pulso dela. — Calma... Ok, ok, desculpe, eu não deveria ter me aproveitado de você. É isso que queria ouvir?
Atena revirou os olhos para as sobrancelhas arqueadas de Poseidon. Achava-o um insolente agora, e não sabia nem mesmo o porquê de pensar assim daquele cara. Ela puxou o antebraço, não gostando nem um pouco da estranha, e agora tão costumeira, troca de energia que havia naqueles dedos dele.
– Não — mentiu ela, cruzando os braços. — Eu quero é um motivo para que eu fique aqui.
– De novo isso?
Ela deu um sorriso cínico. Era exatamente a ideia de se passar de chata para que fossem embora que ela queria, uma vez que percebia que algo estava acontecendo tanto a si quanto a ele quando estavam juntos.
– Use sua criatividade, Poseidon.
Uma risada escapou dos lábios meio rosados dele, daquela cor por causa do beijo que trocaram. Atena corou com a recordação de ter ficado sem ar. Borboletas enormes tomando forma dentro de sua barriga, acariciando as laterais com suas asas. Arrepiou.
– Vale o usar o mesmo?
– Claro que não.
– Ok... Deixe-me ver... Hum, que tal o fato de que meu amigo jornalista vai estar e que você vai poder conversar com ele, vendo se ele arrumar algum emprego ou estagio para você depois da sua faculdade. Esse vale?
Atena amaldiçoou estar precisando tanto daquele emprego quando acabasse seu curso para não ter ajuda de Zeus nas contas e na sua vida, odiando também Poseidon por pegar aquela vertente e sorri aquele sorriso singelo que poucas vezes ele dava, como nesse instante. Tudo isso, só gerou raiva em Atena que concordou sutilmente com a cabeça. O sorriso de Poseidon ampliou.
– Então, assim que eu tirar esses bagulhetes de mim — dizia ele, começando a retirar as cordas. — Eu vou lá buscar o carro.
– E onde você pretende ir com ele?
– Vim para cá, pela estrada principal. Como eu disse... — Poseidon a olhou com os olhos verdes divertidos, típico dele. — À noite ainda nem começou. E, além disso, vai ser a chance de conhecer os meus amigos.
– São iguais a você?
Poseidon riu da mensagem subliminar que Atena pós. Na verdade, ela queria dizer: "Eles são loucos como vocês?”.
– Não, são menos ajuizados.
– Ah, ótimo — Atena suspirou. — Eu morro de vez.
– Sem dramas ou vai parecer minha irmã.
– Cala a boca, Poseidon.
– Se continuar com essa TPM eu vou ai te beijar.
Incrivelmente, sob essas palavras, Atena calou a boca ao mesmo tempo em que suas bochechas tornavam-se bem mais vermelhas que as listras do farol ao lado deles, escurecido. E ninguém disse nada.
A noite já chegava, os últimos raios sumindo no horizonte e a lua aparecendo do lado oposto, um lindo fenômeno que ela não aproveitou preocupada demais com a vivacidade de uma certa pessoa quando Poseidon, após organizar todas as cordas em um lugar só, deixando-as ao canto, caminhou em direção de uma Atena sentada no topo de uma rocha áspera com sua câmera em mãos, olhando as fotos que havia tirado lá embaixo ou durante a subida. Ele ainda ria internamente da cara dela, branca e tremendo de medo, como se nunca tivesse visto alguém pular de um local alto, mas o que mais recordava era o modo como Atena retribuiu seu beijo. Se ele a achava linda antes, agora, nem sabia mais o que pensar. É engraçado como mudamos uma ideia quando mudamos a perspectiva em que olhamos, e Poseidon acabava de fazer isso. Assim como sabia que ela também havia mudado a opinião sobre si durante esses dois meses. Se bom ou se para pior, isso estava longe da sua alçada.
– Promete não sair daqui? — perguntou ele, logo que chegou perto o suficiente para que ela ouvisse sua voz.
Atena nem se quer ergueu o olhar da maquina.
– E para onde eu iria?
– Bem, se você pegar a trilha em sentido sul daqui, você vai parar em uma autoestrada.
Era claro que Poseidon irritava Atena, e ele estava gostando muito disso. Ela suspirou.
– Poseidon, é melhor você ir ou juro que vou te jogar desse penhasco sem cordas dessa vez.
– Promete que não sai?
– Poseidon.
Ele riu.
– Ok, estou indo.
– Tchau.
E com mais um bufar dela, que ele foi embora. Novamente escalar tudo aquilo. O que não fazemos por uma boa festa?
Notas finais
Beijinhos,
Nivea
;D
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