Notas iniciais
E, claro, para Evil que me mandou uma recomendação que deixou meu sábado cheio de tias perguntando "Cadê seu ex?" muuuuuuuuuuuuuuuuuito mais lindo e brilhoso para tirar fotos, eu venho lhe trazer esse capítulo, girl *---* Obrigada, deixou meu dia maravilhoso e até a ressaca foi bonita ^^
Aqui ô, no meu coração *(^-^)*
Mas, claro, TODOS se divirtam =D
Ai, ai, Poseidon...

[Música — Upside Down — Jack Johnson]

- Está pronta para curtir um lindo de sol comigo? – perguntou Poseidon, meia hora depois, de dentro do jipe parado na frente do prédio de Atena, com uma pose de bad-boy segurando o celular na orelha que insistia em bater na arte do Ray-Ban. Sua mente rápida já havia planejado tudo desde que saiu de seu banho, aonde iriam, o que comeriam e como curtiriam. E incrivelmente, nada mesclava um quarto de hotel no meio, ainda que tivesse imaginado isso antes e da qual sua cabeça se desfez ao recordar de como ela era. Seria retroceder um passo da confiança que conseguira ganhar e perder uma amiga incrível. Jamais faria isso. E cá estava ele, com comidas para um piquenique e vários outros objetos, claro, a sua maquina juntamente. Logicamente, ele não tinha certeza se ela aceitaria, mas ao menos, havia ido.

Uma Atena grogue bocejou.

- Poseidon, são nove da manha de sábado. Onde você pretende ir?

Ele sorriu da voz fraca da garota.

- Apenas venha. Prometo que vai se divertir.

- Me diga um motivo para que eu deva sair da minha cama e deixar Amélia com Apolo.

- Quem é Amélia? – Poseidon franziu o cenho. – Alguma amiga?

Pode-se escutar um barulho estranho advindo do outro celular.

- É a coruja que você me deu. De qualquer forma, me de um motivo antes que eu desligue e volte a dormir.

- Você é dureza, Atena.

- Obrigada. — Ele riu, podendo ver claramente que ela sorria do que havia dito. Os olhos cinza meio fechados, os cabelos loiros bagunçados e meio boba de sono. Era uma visão linda. Quando Atena não é linda? – Um ótimo motivo é que vai estar comigo.

Atena riu, uma risada rica e cheia de coisas que ele não soube definir, mas o que fez decidir que desejava fazê-la rir mais vezes daquele modo.

- Esse é um péssimo motivo, Sir Prepotente.

Poseidon fechou os olhos, recostando a cabeça no encosto do banco de couro negro com costuras vermelhas e sorrindo.

- Quer outro motivo então?

- Esse não valeu, quero um motivo bom.

- Bem, esse é o meu penúltimo final de semana aqui antes de ir para Paris.

Um silêncio calmo e relaxado enquanto ela pensava propagou-se entre os dois antes que Atena suspirasse e cedesse.

- Estou ai em dez minutos.

- Cinco.

- Não estamos barganhando isso.

E então, Poseidon riu, ao perceber que ela desligara na sua cara para não ter que dar lances de tempo que devia estar lá embaixo. Atena era mesmo incrível, pensou ele, jogando o celular sobre o banco e aconchegando-se para esperá-la. Por sorte, ou talvez por inteligência, Poseidon estacionou o carro debaixo de uma grande arvore centenária que hora em hora sussurrava ao ter o vento entrelaçando pelos seus galhos. Muita diferença fez a ele. Melhor isso a ficar no sol.

No momento em que viu, Atena com os cabelos loiros soltos pelos ombros, pendendo ainda molhados e trajando um vestido sem mangas e sapatilhas que combinava com as flores do tecido do seu traje, ele buzinou fracamente para chamar atenção e um sorriso brotou no rosto de ambos ao se verem, com ela vindo andando calmamente pelo sol. Incrivelmente, uma música que combinava com a garota de olhos cinza escondidos atrás das lentes escuras dos óculos passava. Era um ritmo que Poseidon não costumava escutar, mas que agora recordaria a ela. Quando Atena adentrou o carro, jogando a bolsa no banco de trás, ainda passava a música e ao acaso ela começou a cantar para só depois olhá-lo. Atena encontrava-se linda para Poseidon. E quase apanhou a maquina, contudo, estaria com ela o dia inteiro, teria tempo para tirar varias fotos dela.

- Pronta?

- Não me decepcione.

- Jamais faria isso – brincou ele, finalmente acordando o motor para então soltar a marcha. – Desde quando você gosta de Caetano Veloso?

- As minhas amigas no ensino médio costumavam cantar para mim.

E Poseidon pode ouvir o tom nostálgico e feliz da garota, sabendo que ela sorria neste momento.

- Gosto muito de te ver, leãozinho. – ele sorriu. – É, essa música combina com você.

- Elas cantavam “O Leãozinho” todas as vezes que eu estava nervosa. Diziam que se eu tivesse garras, eu as arranharia. – riu baixinho. – Era divertido ver o quanto éramos engraçadas e normais.

- Hum... E onde estão elas hoje?

Poseidon virou na primeira rua a esquerda e pegou a principal antes que ela voltasse a falar algo. O vento batia nos cabelos de ambos, mas nela em especial, parecia dar vida àquela música.

- Uma foi para Paris, outra para Milão e as outras não sei, acho que algumas casaram. Só sei de Artemis e sua irmã que resolveram fazer faculdade aqui mesmo – escutou o suspiro. – Não nos falamos mais.

- Acho que deveria ir atrás delas.

- Nem sei por onde começaria a procurá-las.

- Depois eu te ajudo. – Poseidon olhou para ela assim que pararam em um sinal vermelho e pode virar-se um pouco para vê-la. Atena olhava para fora, meio pensativa, mas extremamente bonita, como um leão ao sol. Uma música feita para você. – De qualquer forma, ainda tenho uma semana.

- E conseguiu as fotos?

Vendo que mudava de assunto, Poseidon nem reclamou, aceitando a liderança dela no momento em que Atena encarou-o atrás dos óculos. Mesmo com aquele objeto atrapalhando, o poder do olhar dela era tão grande que o atravessava e o fazendo duvidar que jamais conseguisse deixar de devolver o olhar quando fazia desse modo, fitando-o. O carro se deslocou logo que a luz ficou verde, ganhando velocidade junto com outros sedans e utilitários.

- Já tenho cinco separadas, mas vou rever se quero trocar. William disse que podemos achar outras e caso contrário trocamos na hora. Vou levar umas dez para qualquer problema.

- Relaxe. – Atena sorriu, mais carinhosa e compreensiva do que ele já havia visto. – Você vai conseguir, tem talento.

Poseidon sorriu de volta inconscientemente.

- Obrigado.

- Não se acostume com elogios.

Ambos riram daquele comentário.

- Se quiser dormir, Atena, pode descansar. Vai demorar um pouco.

- Sem problemas.

- E já que você gosta de Caetano, vamos escutar de novo a sua música.

E, ao aumentar o som, eles foram.

Sabe-se lá para onde iam, mas foram.

Poseidon suspirou assim que se colocou na frente do jipe e sorriu ao sentir que Atena parava ao seu lado. O sol já raiava forte, os refletores amarelos tornando a água azul claro do mar em pontos cheios de cristais em pontos onde as ondas não quebravam a acariciar a areia branca com espuma delicada e sem qualquer interrupção no horizonte, só com algumas rochas aos cantos, a cada lado da pequena praia escondida que poucos sabiam que existiam, somente aqueles que realmente queriam um local calmo ou surfassem.

- Vamos nessa – brincou ele, batendo as palmas uma vez para então ir buscar o que tinha trazido. Atena o ajudou sem reclamar no momento em que passou para ela uma bolsa cheia de comida, bem grande, onde também havia algumas garrafinhas de cerveja e suco para os dois. Poseidon ficou com o mais difícil, puxando as duas pranchas de cima do carro, presas no teto. Elas não pesavam muito, não para ele acostumado com elas, mas eram grandes e foi uma luta que não teria ganhado caso Atena não pegasse a chave de sua mão e trancasse o carro.

A praia, como ele imaginara que ocorreria, estava quase vazia. Havia duas crianças ao canto com um casal, divertindo-se em fazer um falho castelo que caia a todo o momento, levando-as a rir e tentar reconstruir. Se não era o vento, era a onda quem levava as paredes do monumento e Poseidon viu Atena sorrir daquela cena quando colocaram suas coisas sobre a quente e macia areia. Era claro que ela gostava de filhotes de humanos, como Poseidon costumava chamar com os amigos sobre pirralhos, ainda mais nos momentos em que esses não ligavam para nada alem de se divertirem.

- Quase posso ver que você vai ser mãe – brincou ele, enraizando as pranchas para ficarem em pé. – Desse jeito, acho que melhor que esse casal cuide dos filhos dele ou você os sequestra.

- Idiota – mas sorria amavelmente ao levantar os óculos, prendendo os cabelos agora secos e cheios, como uma juba dourada, com ele. – E eu não quero ser mãe.

- Não é o que seus olhos dizem.

- Ignore-os então. – rebateu ela, com voz suave, finalmente indo ajudá-lo a arrumar a bolsa e tudo mais o que haviam trazido. Logo, estendia uma canga cor de jambo sobre os montes pequenos de areia. – Deveria ter me dito que viríamos para praia, eu não trouxe biquíni.

- Desculpe, esqueci. — Poseidon imaginou que vê-la de biquíni seria algo magnífico, ainda mais quando já sabia como era aquele corpo que encantou a sua lente, mas de fato havia esquecido, muito mais interessado em saber se ela iria do que o que ela vestiria. – Mas, trouxe algo ainda melhor para você. Hoje vou te ensinar algo.

Os olhos cinza dela o fitaram assim que ele ergueu os óculos, como ela havia feito minutos atrás, e estendeu a roupa de neoprene preta com listras laterais brancas de corpo inteiro para a garota de cabelos encaracolados. Ela pegou sem dizer nada, parecendo sentir a borracha estranha sob os dedos finos e com unhas ruídas.

- Sério? Isso? – Atena fitou-o com as sobrancelhas arqueadas, claramente surpresa. – Eu vou virar a Viúva Negra se usar isso.

- Deixa de chilique. – Poseidon sorriu do revirar de olhos dela. – Acho que essa caberia em você, já que deve ter o mesmo tamanho que Afrodite.

Ela fez uma cara de incerta.

- Não sei, acho que sou mais alta.

- Ótimo, porque fica grande na Bonequinha de Luxo. – piscou, pegando a sua roupa. – Anda, vamos trocar.

- Aonde?

Poseidon riu da expressão de quem não vira nenhum banheiro ali por perto, e de fato não havia, mas tinha uma floresta lateral grande e fechada o suficiente para que desse para trocar de roupa sem que alguém o visse. Ele sempre fizera isso, e não seria agora que mudaria, além do mais, só havia quatro pessoas, duas das quais estavam juntos e as outras duas era pequenos pirralhos com não mais que doze anos.

Contudo, Poseidon não disse nada, apenas seguiu para o lugar que costumava ir. Podia escutar os passos curtos dela atrás de si e assim que pararam, abaixo de um grande carvalho, ele começou a tirar a roupa, sem ligar para Atena, como se estivesse com amigos do mesmo sexo que o seu. Claro, quando se virou, puxando a cordinha da roupa colada e meio escamosa para trás, já pronto e confortável, viu-a corada, ainda enfiando a segunda perna dentro da calça, apanhando um pouco. Ele sabia que algo assim aconteceria, ainda mais para quem não estava acostumado, e postou-se a ajudá-la. Quase um profissional em entrar naquele conjunto apertado, Poseidon ajoelhou-se e começou a erguer o material, segurando o calcanhar com uma das mãos. Surpreendeu-se quando Atena não reclamou, apenas segurando em seu ombro para não cair e inclusive virando um pouco para ajudá-lo. Não foi uma luta muito grande, já que sabia como fazer e em poucos minutos tinha as mãos dela entre seus dedos para subir a parte da frente até que Poseidon finalizou fechando sem esforço o zíper que começava nas omoplatas das costas um pouco bronzeadas uma vez que começara a pegar sol e terminava na nuca. Ela segurou o cabelo no final e então haviam terminado.

Atena se avaliou.

- Nada mau – deu de ombros, arrumando os seios depois disso, que o levou a sorrir daquela garota de curvas bem pronunciadas e cintura fina agora mais destacada pela roupa negra que vestia. De fato, Poseidon podia entender de onde ela tirara a ideia de Viúva Negra. Se pintasse o cabelo, seria a mesma pessoa. – Só estou me sentindo uma Polly.

Dessa, ele riu, revirando os olhos.

- Ficou bom em você, um pouco mais apertado, porque você é mais alta que Afrodite, mas nada que se mostre.

- Claro, a não ser o fato de que meus peitos estão sendo prensados. Quase não respiro.

Um sorriso tomou conta do rosto de Poseidon.

- Sem drama, loirinha.

E assim saíram, conversando, de onde havia trocado de roupa. Intocado e no mesmo local, estavam suas coisas, onde jogaram as roupas que não usariam agora e Poseidon passou a ensiná-la a como ficar em pé em uma prancha, ainda na areia, como se remassem. Não demorou muito para, com alguns últimos ajustes na postura dela, como as pernas pouco abertas ou a coluna indo para o lado errado, entrassem na água. Quer dizer, quase entrarem. Atena parou na beirada, com as ondas pequenas quebrando e beijando os pés femininos e pequenos, meio incerta ao olhar a água azul mais escuro onde se aprofundava.

- Vamos – chamou Poseidon, chamando-a com um aceno de cabeça, com a sua prancha branca com detalhes de ondas verdes debaixo de um braço, a leash presa ao tornozelo. No entanto, ela continuou lá. – Atena?

Os olhos cinza encontraram-se com os seus, silenciosamente com algo no fundo deles que ela não deixou que ele descobrisse o que era.

- Acho... – engoliu a seco, dando um passo para trás, para longe da água. – Acho que... Não estou pronta.

Poseidon estranhou o comportamento anormal dela. Atena era uma aventureira, mesmo que não soubesse do que se tratava, e ele estava acostumando-se com isso. O que havia agora?

- Atena, o que foi?

- Eu só... – negou com a cabeça e apertou com força a beirada da prancha rosa com azul de sua irmã, os dedos tornando-se um pouco brancos com isso. – Eu só acho que é melhor não... Eu não... Pode ir, eu vou ficar.

Poseidon fez uma careta triste.

- Atena, você tem medo de água?

- Não – negou rápido demais. Percebendo isso, acalmou a voz e desviou o olhar do seu. – Não, eu não tenho... Só não quero.

Era claro que o orgulho dela seria afetado caso admitisse que tinha medo, algo que é inerente aos seres humanos que alguns aprendiam a lidar, e ninguém precisava ser um gênio da psicologia para ver os visíveis sinais de alguém que sofria de hidrofobia. Poseidon suspirou enquanto voltava para o lado dela, uma vez que se encontrava com a água gelada já na cintura, e apanhava a mão da garota. Seus dedos prenderam-se com força ao dela, trançando-os com cuidado e precisão para que não se soltassem. Deu um sorriso calmo.

- Vem – puxou só um pouco, trazendo-a de volta com o contato com as ondas emplumadas na crista. – Eu prometo que nada vai acontecer.

Ela olhava para o chão enquanto a trazia para dentro devagar.

- Poseidon... Eu... – engoliu a seco. – Não é melhor eu ficar só te olhando?

Ele sorriu, negando.

- Não, você já me ensinou muitas coisas essa semana. – apertou os dedos nos dela, apreciando a textura macia e a temperatura morna daqueles dedos que apertavam os seus com uma força desnecessária. – Estou em divida com você. Além do que, nada vai acontecer, tem minha palavra. Se não quiser, pode ficar só boiando depois da onda, sem pegá-la. Estarei aqui se algo ocorrer, sou bom em surfe, não precisa ter medo.

Ela o escutava, concordando com o que ele impunha, enquanto caminhava mais tensa para dentro da água azul cor do céu, uma tonalidade que os lembravam do Mar Egeu, quando chegaram com o liquido na cintura e viu-a se desesperar, o medo parecendo sufocá-la.

- Não, não... Não consigo.

Atena tentou empurrá-lo com ele ainda a trazendo ainda mais para o fundo no momento em que ela conseguiu soltar o pulso. Poseidon nunca a tinha visto com um medo como aquele nela, e surpreendeu-se com a força e o pânico que ascenderam nos olhos acinzentados. E ele teve que correr atrás dela, prendendo-a com um braço firme envolta da cintura dela, para impedi-la de desistir do progresso que fizeram. Atena tremia no momento em que Poseidon os parou com água no peito, com ela ainda lutando um pouco, mas logo parando ao ver que ele não desistiria fácil, nem a deixaria ir para a areia. Poseidon suspirou.

- Relaxe. – sussurrou sob o ouvido dela. – Não tem nada aqui.

- Poseidon, por favor, me deixa ir.

- Não posso, Atena. Se eu fizer isso, você sempre vai fugir do mar quando vier com seus amigos.

- Eu... Eu... Eu posso aprender depois – um arrepio subiu a coluna dela. – Agora não.

- Agora sim, é o momento certo. Eu entendo do mar, nado nele há muito tempo e sei muito bem como lidar quando está agitado. – olhou-a nos olhos, mostrando toda confiança e experiência que tinha com aquele lindo local. – Atena, confie em mim.

Poseidon sabia que era pedir algo grande, um laço muito forte para ela que sempre deixara bem exposto o quanto demorava em confiar em alguém, mas era a única forma de que aquele trauma fosse de uma vez por todas esquecido por aquela mente rápida que parecia travada pelo medo. Ficaram assim, fitando-se, com ele esperando uma resposta dela, as ondas os movimentando um pouco, no momento em que, discretamente, muito sutilmente mesmo, Atena assentiu, um movimento que Poseidon mal teria percebido caso não estivesse de frente a ela. Um sorriso de vitória e puro orgulho por conseguir avançar um passo na confiança dela agarrou seu rosto como uma leoa apanha sua caça e juntos, começaram a caminhar. Alguns momentos pararam, nos instantes em que o corpo dela todo tremia, e não era de frio, até que tiveram de subir nas pranchas e nadar. Nessa parte, foi mais fácil, já que Atena não precisava colocar o corpo todo dentro da água e os braços longos dele se adaptaram facilmente aos dela, pouco afundando com as ondas que quebravam para ir mais fundo. Então, com habilidade, Poseidon ensinou a ela, quando uma grande onda veio na direção deles, a passar por cima. Logo, tudo estava calmo, Atena mais relaxada e confiante no possível para alguém com medo. Era claro que a profundidade daquele ponto no mar a assustava, mais do que demonstrava, no entanto, continuou a acompanhá-lo até o momento em que Poseidon parou de nadar e a olhou, meio deitado, meio sentado, de um jeito que ela não ousou imitá-lo.

- Então... – começou ele, tentando desviá-la daquele medo. Ou mais ou menos isso. – Como você adquiriu esse medo?

Atena não ousou olhar para o fundo, sem tirar os olhos cinza do seu. Ela está confiando em mim. Era algo digno de nota para aquele homem.

- Foi há muito tempo atrás, quando eu ainda morava com meu pai. Era um dia normal, Apolo e Ares estavam brincando de alguma coisa que não recordo quando esbarraram em mim e eu caí na piscina da nossa casa. – Atena tremeu, meio perdida nas lembranças. – Eu não sabia nadar, odiava água gelada e tinha uns seis anos. Apolo quem me salvou, já que ele era um ótimo nadador entre nós, mas já era meio... Tarde. Disseram que eu... – tossiu. – Tecnicamente, ressuscitei. Engoli muita água e tive uma pequena epidemia, nada demais, mas foi o suficiente para temer qualquer coisa funda demais que eu não pudesse colocar o pé. Claro, a nossa era piscina era olímpica e não recordo de ver o fundo, mas quando consigo ver ficar bem. Não tinha muito medo, e aos poucos me tranquilizei com piscinas e lagos, já que Apolo me ensinou a nadar. – sorriu tristonha. – Só mares que eu não... Gosto. Não simpatizo. São traiçoeiros e agitados demais, mudam do nada e isso me dá medo, já que garanto que são mais fundo que rios. E eu também meio que bebi muita água da ultima vez que vim a ele. Não é uma memória muito legal, sabe?

Poseidon assentiu ao repuxar fraco e triste dos lábios que se azulavam periodicamente, vendo que era a primeira vez que ela dizia algo sobre sua família e sobre seu passado que era realmente significante a ela, e sorriu um pouco mais relaxado do que estava para a confissão da garota.

- Concordo que deveria ter um botão de “delete” para nossa mente.

Com um sorriso, ela anuiu e suspirou.

- Acho que é hora de você ir pegar algumas ondas.

E outra vez, ela o afastava antes que ele pudesse satisfazer mais sua curiosidade sobre a vida daquela garota fechada e interessante como um anagrama feito pelo próprio Da Vinci. E Poseidon não queria contrariá-la, forçando-a a nada. Com um assentir de cabeça, ele deixou-a para trás e só preocupou-se com as manobras. Afinal, era isso que havia vindo feito fazer, certo?

Ao menos, era o que pensava.

Notas finais
Jamais esqueçam do recadinho para a garotinha aqui, ok? Ela fica realmente triste quando não recebe *-*
Beijinhos,
Nivea
;D
Ps: Estou em um estado de paz e amor com minha alma ^^ Só na vibe, baby =D