Four Seasons
10 Turning Tables
Notas iniciais
Enfim... se divirtam aqui.
[Música — Adele — Turning Tables]
- Me passa o leite — pediu Apolo, sem olhar para Artemis, enquanto segurava preso ao canto do armário o saco de arroz que insistia em cair. Assim que ela o fez, encaixou no local e sorriu. Agora não cai mais.
- Bom trabalho — brincou ela quando desceu da escadinha em que encontrava par alcançar o ultimo degrau e a olhou. Estava adorável em uma blusa gola rulê e calças jeans, o traje que mais escondia as marcas que Artemis tinha, sentada em cima do balcão e sorrindo calmamente, os cabelos negros caindo como um único filete de água, extremamente lisos. E muito bonitos, pensou ele assentindo, em concordância com o que ela havia dito. — Deveria fazer as compras sempre.
Ele fez uma careta.
- Jamais diga isso, se Atena escuta começa a deixar as coisas para mim.
- Eu já escutei, espertinho — gritou a garota de cabelos loiros que assistia televisão com Aquiles deitado ao seu lado no tão amado sofá vermelho da mesma. — E eu disse que ia comprar.
Artemis se virou sobre o balcão.
- Onde é que você estava que não atendia o celular?
- O celular encontra-se com meu professor, não tinha como eu te ligar. Maxwell o pegou antes de entregar a prova.
- E você encontrava-se?
Apolo escutou-a bufar e mesmo dali a viam corar. Nem precisava dizer que o garoto de olhos azuis com dourado já compreenderia. Ele riu.
- Então você tornou seus sonhos em realidade, Atena?
- Cala a boca, Apolo, eu e ele só fizemos prova junto e depois ele me convidou para tomar um café.
- E o fato da chave do seu carro não estar aqui?
- Ele levou a gente no carro dele.
- E porque você estava molhada?
- Tive que voltar de taxi, e ai, acabou o questionário ou ainda tem mais perguntas?
- Muitas — Apolo estava divertindo. Artemis o fitou, com os olhos prateados curiosos.
- De quem vocês falam?
- Do amor da vida de Atena, Poseidon Danniels.
A garota de cabelos negros riu.
- Tá zoando?
- Sim, ele tá, Art. Ele não é o amor da minha vida, apenas quis me convidar para um assunto profissional.
- Opa, assunto profissional? Esse é o novo modo de dizer "sexo"?
- Cala boca, Apolo. Ele só é fotografo e pediu para que eu fosse modelo dele. — deu de ombros forçadamente. — Nada demais.
- E eu sou papa — sussurrou Apolo, só para Artemis que escutou e riu enquanto descia, uma perna depois da outra. Estavam tão entretidos na timidez de Atena que no instante em que o corpo da morena deslizou pelo seu sem querer, Apolo tensionou-se assim como ela a sua frente. Cenas do Ménage a Trois voltaram com uma força escandalosa para sua mente, Artemis suspirando, ela o beijando, o tocando, nem se quer recordava a fisionomia daquele com quem dividiram a cama. Só havia aquela garota interligada a ele de únicos olhos prateados. E que agora havia paralisado tão surpresa quanto si próprio. Um passo para trás, um passo para trás, porra, Apolo, dá logo a merda do passo para trás. Com muita luta para acordar seus músculos adormecidos pelo choque, ele demorou um pouco para conseguir dar finalmente aquele passo para trás e assim que o fez, Artemis saiu correndo, quer dizer, andando em passos rápidos para o quarto de ambas. Apolo não perdeu tempo em segui-la, não ligando para os olhos surpresos de Atena por toda aquela movimentação súbita, e trancou a porta do tão familiar quarto assim que adentrou, procurando por ela. Não se encontrava ali.
- Artemis? — chamou-a, abrindo o guarda roupa onde mais nova tinha o costume de se esconder quando ficava com medo. Vazio. Fitou a porta do banheiro fechada. — Artemis? — questionou baixinho, parando de fronte a madeira que os dividiam. O primeiro som de que alguém chorava chegou aos seus ouvidos ao sentar-se do lado de fora. — Hey, você quer conversar?
Um silêncio.
- Não — saiu meio soluçado, mas ele conseguiu compreender mesmo assim. — Não quero.
O que você quer que eu faça então? Quis gritar ele, já estourando por dentro. Um dia e fora o necessário para que aquilo que desconhecia bater em sua porta, deixando-o louco e anestesiado. Sua mente não funcionava direito, suas aulas estavam sendo perdidas e tudo o que ela dizia a respeito daquilo que os dois sabiam ter originado no dia em que dividiram uma cama era um simples "Não quero"? Raiva e tristeza mesclavam-se em seu peito, confundindo-o tanto que nem tinha mais certeza se um mais um era dois e tudo por causa de uma maldita festinha que fizeram. Apolo escorregou a cabeça entre as mãos, os dedos puxando de leve os cabelos e o coro cabeludo. O que diabos está acontecendo comigo?, perguntou-se se segurando para não fazer nada que se arrependesse depois. Quem era o louco por sentir-se atraído por sua irmã? Por adorar ter acordado com ela em seus braços, respirando sob a nuca branca e linda dela, abraçando-a? Era insano. E tudo o que sua mente registrava era o quanto seu coração domava seus atos, o quanto queria resolver aquilo de uma vez por todos. Melhor, deixar de ficar perdido. Era só isso que queria.
Apolo perdeu a noção de hora do quanto ficou ali, teclando naquela tecla, a fitar um ponto fixo qualquer, no instante em que ela o chamou de dentro do banheiro. Ele sabia que se girasse a maçaneta e empurrasse, estaria aberto, mas daria privacidade a ela. Claro, se ela não me deixar louco, fez uma careta, para o nada antes de responder.
- Aqui.
Um soluço.
- Você está com raiva de mim?
Apolo franziu a testa, confuso. Alguma hora eu disse isso?
- Eu deveria?
- Por ontem.
Um pouco, ele calculou, dando tempo para formular bem a sua pergunta. Se ficara com raiva? Muita, mas dela? Não... Não foi isso que senti, era algo mais cruel ele sabia. Algo que em nada tinha a ver com a situação de querer matar Orion, mas pela própria Artemis. Por ela admitir que dormiu com outro, por ter se exposto e não falado nada para ele. Sim, se colocasse assim, sentia algo semelhante à raiva. Só um pouco pior.
Suspirou, fechando os olhos.
- Não, eu te falei que não, Artemis. Você é minha única família.
Mais um soluço. Ele queria tanto abraçá-la naquele momento.
- Apolo...
- Sim? — voz baixinha, cansada de lutar com aquilo. — Estou aqui.
- Você sente falta deles?
Ela não precisava exemplificar de quem. Seus pais. Aqueles que viu morrer. Uma rápida cena voltou a sua frente. Tremeu, um calafrio que não o deixava dormir serpenteando sua coluna e fazendo-o perder a base. Quantas vezes não imaginou se ficaria louco com aquela informação em sua mente? Quantas vezes não deixou de dormir para cuidar de Artemis? Quantas vezes não chorou quando era menor escondido para que não precisasse ir tratar aquele acontecimento, para sua irmã sempre o ter por perto? Ele nem sabia quantas.
- Muita, Art, todos os dias.
- Eu queria que eles estivessem aqui.
- Eu também — todos os dias. — Está com medo?
- Estou.
E de novo começamos do zero. Depois de tudo o que Artemis havia sofrido na mão de Orion três anos atrás, Apolo negou qualquer ajuda de psicólogos, tivera sua quota depois que esteve maior e resolvera tentar tratar as insônias que em sua maioria só escutava o que eles diziam e foi dando passo a passo com ela, primeiro indo a algum lugar conhecido, em seguida fazendo-a rever os amigos, então conhecer outros até ela encontrar-se bem. Às vezes havia uma recaída, nada que ele não pudesse ajudar, mas demoraram dois anos nessa. E Apolo não sabia se teria sanidade o suficiente para aguenta mais duas doses de loucura que fora acalmá-la, fazê-la dormir. Comparado aos dias atuais, Artemis era uma pessoa nova. Não podemos voltar a isso. Eu não aguento. Sua garganta se fechou.
- Vem sentar aqui comigo. — pediu, calmo, contrario aos seus sentimentos — Não vou te tocar, prometo.
Ela fungou e ele nem precisava ver para saber que Artemis encolhera-se como uma bolinha, de olhos fechados.
- Eu não tenho medo de você.
Isso é bom.
- Está com medo do que?
Mas ela não respondeu.
Dois minutos depois, ela sentava-se ao seu lado, seus braços frios roçando os seus. Apolo passou um deles pelos ombros da mesma e a trouxe para mais perto, acarinhando os fios negros, prometendo proteção e cuidados da sua forma. Por favor, que você não entre em depressão, por favor. Lágrimas quentes escorreram pelo rosto dele. Você não pode fazer isso, peça ajuda pra mim. Por favor.
- Do que você tem medo? — sussurrou contra o topo da cabeça dela com o coração em mãos. — Sabe que estou aqui para te ajudar.
Ela apertou-o.
- Seria possível eu ficar louca? Como nossa mãe?
O garoto loiro fechou os olhos ao escutar isso, lutando contra as gotas que insistiam em querer deslizar. Eu não sei, Artemis, mas imploro que não.
- Não — beijou a cabeça dela — Por quê?
- Eu vi pessoas.
Ah, não, Artemis não.
- Isso é normal, Art.
- Mas elas não estavam lá, Apolo.
Seu coração que segurava tudo se despedaçou com essa informação, seu rosto afundando nos cabelos dela enquanto a apertava com força. Por anos, havia tido esse medo, essa sombra que o acompanhava e o fazia tanto tomar cuidado com sua irmã. E ali estava ela, atormentando como atormentou sua mãe ao ponto de tomar remédios, sua garota. Após do estupro, ele calculou que aquilo tivesse desencadeado a esquizofrenia, mas Artemis, dia após dia, melhorava sem qualquer dano, e só o que pode foi agradecer, protegendo-a dentro de uma cúpula com amigos confiáveis e pessoas boas. Mas, cá estava com os primeiros sinais a vista. Eu não sou meu pai, sussurrou sua mente, Eu não sou forte como ele.
- Apolo? — perguntou ela, que também chorava, só que de forma um pouco mais alta, tocando a pele acima de seu coração. — Família conta tudo. Eu estou virando esquizofrênica, não estou?
Sim, você está. E não sei se poderei te ajudar dessa vez, mas negou com a cabeça, afastando-se para fitar os olhos cinza claros dela avermelhados nas bordas, o rosto pequeno entre suas mãos. Isso não, tentou sorrir, falar que estava tudo bem, contudo nada saia de sua boca, acimentada pelo bolo de medo que permeava até seu coração. Isso não pode estar acontecendo, ela também não. Os dedos gelados dela tocaram sua bochecha molhada e suavemente um sorriso, meio tremulo, apareceu na boca avermelhada.
- Somos gêmeos, somos interligados — sussurrou Artemis, procurando algo no azul de seus olhos, alguma base que nem ele sabia onde se achava. Não. Ela secou uma lágrima que escorreu. — Não precisa dizer, Apolo. Apenas... Fica aqui comigo, tudo bem?
- O que você quiser, Art — murmurou no instante em que ela voltou para seus braços. — O que você quiser.
Apolo suspirou, com o coração doendo, contra o rosto dela perto do seu e a apertou mais. Ainda tentava aceitar o fato do que escutara, ainda que sua mente se desfizesse em milhares de pedaços com a simples palavra "esquizofrenia" quando sentiu as mãos dela tocarem seu peito, perto do órgão que fazia sua vida continuar.
- Esta com medo, Apolo? — perguntou ela, quase em seu ouvido, o tom de voz triste.
Eu quem sempre faço essa pergunta, quis dizer ele.
- Não. Não estou.
Ela ergueu a cabeça para fitar seus olhos. Prateados, profundos e suaves como seda, aquele arzinho de teimosia ainda não perdido pelo medo, nem consumido pela loucura. Os olhos de sua mãe. Os olhos que tanto lhe deram conforto quando ainda era apenas uma criança.
- Você está apavorado. — Artemis sorriu fracamente, como se achasse graça dessa situação. — Não sei isso é bom ou ruim. Dois loucos não será bom.
Ele segurou o rosto dela com firmeza.
- Nem pense nisso, você não está louca e nem vai ficar. — eu não vou aguentar. — Isso não pode acontecer, Art.
- Eu vou lutar, Apolo, como nossa mãe lutou.
"Mas ela nunca se curou", era isso que se encontrava inscrito entre as linhas.
- E você vai ficar sã — prometeu ele, de uma forma que a faria acreditar se não lesse seus olhos. Somos gêmeos. — Vamos dar um jeito.
Artemis acarinhou o rosto dele, o toque gelado provocando um forte pavor nele. Nem pense em desistir.
- Você não pode ser o super herói para sempre, Apolo. — ele sabia do que ela falava, do fato de sempre tomar as dores. — É hora de perceber que todos têm pontos fracos.
- Artemis, não...
Mas antes que ele conseguisse finalizar sua frase, lábios macios e frios como inverno colaram-se aos seus, levando-o a engolir o que dizia e mãos pequeninas seguraram seu rosto enquanto respiravam juntos. Os sentimentos dele explodiram, virando pó com aquela sensação, e só o medo continuou. E que o guiou.
Devagar, ele a trouxe para cima de si, sentando-a em seu colo, as pernas envolta de sua cintura e a prendeu contra seu peito, as mãos abrindo-se nas costas com cuidado para não machucá-la. Ambos sentiam o desespero naquele beijo, nos toques, nos seus corpos, em suas mãos tocando um ao outro. Medo pela sanidade dela, medo perder tudo como sua mãe estava perdendo, medo por perderem um ao outro. E perder um amor que nem sabiam que existia. Mas que provavam dele agora.
Apolo pediu passagem com a língua pelos lábios dela, molhados pelas lágrimas salgadas, antes de deslizar os dedos por baixo da blusa dela, tocando com devoção aquele corpo a sua frente enquanto caiam em um delírio feito por ela, pela dona de sua vida, aquela que lhe dava a coragem para continuar. Se a perdesse... Apolo tratou de esquecer, puxando de uma vez o tecido e colando a boca sobre os hematomas que haviam no busto dela.
Tão machucada, lágrimas escorreram pela pele cor de neve, escutando-a arfar. Ela não demorou muito para abrir a sua blusa social não, os dedos trêmulos dela abrindo botão por botão. Assim que ele esteve só de calça, ela ergueu seu rosto e fitou seus olhos.
- Não chore — pediu ela, secando as gotas com a boca, antes de tocar fracamente o canto da sua. Um tremor em seu corpo, o desejo crescendo. — Não agora — e mordeu seu lábio inferior, um movimento que ele pode notar ser inocente a ela ainda, mas que nunca lhe parecera tão honesto. Com uma só mão abriu a calça jeans dela e puxou-a, apanhando um pouco, contudo, ao fim, jogando-a em algum lugar por perto.
Ela merecia o melhor dele e era isso que faria por ela. Retirando o sutiã dela, ele roçou levemente a boca pela lateral do seio pequeno e macio, suspirando ao senti-la arranhar fracamente seu ombro, e atiçou-a, entre beijos, mordidas, até ela encontrar-se tremendo em seus braços, louca por si. Na primeira oportunidade, ela colou sua boca macia à dele, os dois sem soltar-se enquanto ajudava-o a retirar a calça. Deixaram-na em algum lugar do quarto. E Apolo, logo após estar nu e fitando-a, sorriu.
- Você é linda, Art — murmurou contra o pescoço da mesma, sua respiração e o coração tão alto que se podia escutar, mas que ele pouco ligou. Só havia ela em sua mente. Ergueu os olhos para afogar-se no mar prateado. — Não feche os olhos — pediu ele, segurando-a pela cintura, posicionada. — Não tenha medo.
Artemis assentiu, em sinal positivo, um sorriso fraco de quem foi pega pensando no medo, antes de colocar o rosto dele entre suas mãos, o fitando profundamente. E o que ele viu foi o necessário para que sorrisse. Ela confiava nele, era visível, confiava sua vida a ele e orgulho disso não tinha preço.
Com cuidado, notando cada arfar que ela soltava a cada centímetro que adentrava nela, as unhas prendendo-se nos ombros dele, com força, até Artemis o parar. Ainda que seu desejo só crescesse, sentindo-a envoltando-o, tão querendo ele quanto qualquer outra coisa, ele esperou, os olhos nos dela. Até que ela deu sinal de continuar e com um gemido, afundou-se por completo naquele corpo pequeno e delicado. Apolo segurou o rosto dela, sorrindo, tremendo por estar tão quente e viu apenas luxuria mesclada com algo desconhecido no prateado.
- Apolo — sussurrou ela, ainda segurando-se para não escorregar mais e sorriu antes de aproximar-se dele, fazendo os dois suspirarem de prazer. — Não... Sou... Uma... Boneca.
Ele apertou a nádega dela, brincalhão.
- Minha boneca.
E antes que ela pudesse formular algo, ele puxou-a para cima, levando-a a gemer e arfar. Apolo retirou-se por completo, com ela vibrando em suas mãos, para então abaixá-la até o final.
- Minha — murmurou o homem, amassando de leve um seio dela contra seu polegar. — Diga o quanto quer isso.
- Muito. — sua voz era apenas um sopro quando a puxou brutamente para baixo. — Deuses.
Apolo sorriu, beijando a bochecha dela.
- Melhor não chamá-lo. Estamos quebrando suas regras.
A risada dela tornou-se um gemido no instante em que ele começou a movimentá-la para cima e para baixo, fazendo-a cavalgar em seu membro, entre beijos na sua boca, carinhos e cuidados que só ele poderia dar a ela. No momento em que ela já não alcançava mais a velocidade desejada, ele girou, deitando-se sobre ela e a forçou-se com gentileza, mas desejo puro contra ela.
- Apolo, Apolo — entoava ela, o olhando enquanto pedia por mais, os olhos fechando-se uma hora e outra quando chegavam mais fundo, os seios dela esfregando-se contra seu peito, as pernas dela a sua volta.
- Artemis — murmurou ele, prendendo uma mão na dela.
- Sua. — foi o que ela disse que o levou ao paraíso, os líquidos se misturando e o corpo dele desabando sobre ela. Apolo nem se quer conseguia pensar, mal se diga respirar. Sua respiração era inexistente, seu coração estava em uma corrida e só havia aquela mulher quente e amável que tanto protegia. E Artemis não estava diferente, mas sorria no momento em que ele afastou-se, a segurar-se em braços trementes.
- Apolo. — e o beijou.
Um beijo calmo, sem qualquer luxuria ou desejo, esses desgastados e tão comuns que jamais poderia ser para sempre. Não como os corações dos dois pulavam juntos, um do lado do outro, em mesmo ritmo e batida. E os seus donos tão esquecido do resto e afogados neles que tudo poderia ruir. Apolo apreciou a textura macia da boca dela, o gosto de menta favorito na língua que timidamente acarinhava seus lábios, a respiração fraquejante dela contra seu rosto, os dedos dela em seu maxilar e não havia qualquer espaço para emoções alem do amor. Algo que ele desconhecia, mas que sabia só sentir com ela, principalmente naquele momento enquanto amaciava sua boca na feminina dela, seus corpos juntos, satisfeitos, uma mão dela trançada a sua acima dos cabelos negros, o sorriso que sentia cada vez que se afastava um pouco e então, ao separar-se, apoiando-se nos cotovelos para encará-la, os olhos prateados delicados e que expressavam o que si mesmo sentia.
- Gêmeos — sussurrou ele ao roçar os lábios na bochecha dela, suspirando de prazer por ter aquela mulher em seus braços, os seus olhos fechados e um sorriso nos lábios. Sonho. — O que você sente, Lua?
Ela deslizou o rosto contra o dele, abraçado a sua cintura.
- Eu não sei, Sol. Só penso em você.
Um puro instinto masculino ronronou com aquelas palavras.
- Somos interligados.
- Você sente o mesmo que eu.
Então, o desejo cresceu, não cru, mais misturado a aquela novidade.
- E eu vou amá-la mais uma vez.
Apolo suspirou, os dedos a deslizar pela coluna da mulher escorada contra seu peito, tracejando desenhos inimagináveis. Suas costas descansavam contra a parede da cama dela, Artemis, seu tesouro, sentava-se em seu colo, as pernas envoltas do seu quadril enquanto ambos curtiam aquele momento de silencio e dividindo carinhos. Ela mexeu-se, para puxar para cima o lençol que ele a enrolava ao notar que ela tremia de frio e colou a boca contra seu ombro. Apolo nada dizia, adorando estar ali com ela, e pensando, mesmo que não quisesse, sobre o futuro daquilo. Amava-a, muito mais do que sabia, mas o que faria se sua garota de fato ficasse louca? Pior ainda, e se o esquecesse, como sua mãe começara a esquecer de seu pai? Tinha certeza de que não conseguiria lidar com aquilo. Não depois do que dividiram hoje, o quanto fizeram amor, o quanto se beijaram e conversaram, com ela sempre em seus braços. Puxou-se para cima ao vê-la que ela estava incomodada e sorriu quando os olhos cor de lua o fitaram. Os dedos dela deslizaram pelo seu rosto.
- Você está preocupado.
Do que adiantar mentir para você, Artemis?
- Um pouco.
- O que no vocabulário de Apolo quer dizer muito.
Ele riu baixinho, descendo carinhosamente as mãos pelas costas dela até estarem entrelaçadas perto das nadegas.
- Você consegue me ler demais.
Artemis sorriu.
- Faz parte de querer lidar com você.
- Nunca poderei mentir.
- Poder até pode — ela deu de ombros desnudos que ele beijou carinhosamente, afastando os fios negros dele. — Só não vai ser bem sucedido.
- Não preciso, a gente vai lidar com tudo, juntos.
Os olhos dela encontravam-se fechados ao voltar-se para vê-la, assim como ele, apreciando o carinho. Um instinto puramente de proteção, ele a empurrou contra si e mordeu devagar a nuca gelada com gosto salgado do suor dela.
- Então você vai ser para sempre meu?
Ele riu contra o local em que ficou um roxo.
- Assim como você é minha.
Artemis suspirou em seus braços.
- Isso não parece ser ruim.
- E não é — mordiscou a orelha dela. — Acho que me ter em sua cama vinte e quatro horas faria de você uma ninfomaníaca.
Ela riu de sua brincadeira, devolvendo a mordida com um suspiro.
- Eu tenho medo disso ficar serio demais.
- Mais do que já está, Art?
Suspirou ela.
- Não sei, Apolo... Eu confio em você e...
- Então deixe só isso. — tocou os lábios na têmpora dela, de olhos fechados. — Deixe para amanha o resto. Vamos lidar uma coisa que cada vez.
E como que concordando, ela o beijou, selando aquele acordo invisível.
Notas finais
Beijinhos,
Nivea
;D
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