Notas iniciais
Pelo número de rewis, que mesmo não muuuuuuitos, me deixaram feliz com o que estavam escritos, venho fazer algo legal... Vejo vocês lá embaixo ^~
Se divirtam.

[Música — Leavin' — Jesse McCartney]

A semana se passou sem muitas movimentações, somente todos estudando, um ou outro namorando (Apolo e Artemis) enquanto dividiam o mesmo livro, já que ambos eram da área de medicina, Atena desligada de tudo em seu quarto para engolir os resumos para a segunda prova dali dois dias da qual não poderia fugir, Afrodite muito dedicada em seu trabalho de escolher a melhor peça para um famoso estilista, Hermes para lá e para cá com cadernos emprestados a fim de copiar a matéria e juntando tudo, um silencio bizarro dentro daquele interessante grupo de pessoas que dividiam o mesmo apartamento. As provas passaram, o um mês perdido nessa ai, sem festas, filmes ou qualquer coisa além de estudar, estudar, estudar. Virara um mantra entre eles e até mesmo os que costumava pegar todas, também entraram nessa ideia.

Atena jogou-se no sofá vermelho no ultimo dia, na ultima maldição aplicada, com a cabeça a mil enquanto agradecia mentalmente por aquele tumulto acabar, tão igual a ele, o resto se dividiu entre chão e almofadas, exausto de ao menos quinze provas em intervalos tão pequenos de tempo.

- A coleira pode ser tirada – brincou Afrodite, em algum lugar da sala, porque Atena estava de olho fechado e por tal fato não a via, como era de se esperar, que levou todos a rirem. – Eu to acabada. Depois disso, preciso de um banho de loja para ter alguma roupa nova e ao menos uma bolsa Gucci.

- Eu só preciso dormir – resmungou Artemis, bocejando – Os testes estavam infernais.

- Concordo totalmente com você, Art. O Professor Dexter matou todo mundo com aquelas perguntas enormes. Acho que escrevi um livro se juntasse tudo.

E eu sou a única que não estou reclamando? Perguntava-se enquanto escutava Apolo dizer. Sua cabeça rodava, isso era fato, mas era fome. Sabia que deveria ter apanhado algo antes de sair, entretanto, na pressa de chegar mais cedo para pegar um bom lugar esquecera-se de guardar uma barrinha de cereal dentro da bolsa de couro envelhecido. Alem do fato de Poseidon ter aceitado que após essas semanas de total consideração e amor ao aluno, o trato das fotos com ela voltaria a valer, o que restava para ele só mais um mês para criar tudo. Não costumava voltar com sua palavra, e nem o faria.

- E como foram as provas, nerd? – esse foi Apolo. Atena abriu os olhos para se deparar com o garoto de olhos azuis sentado com Artemis entre suas pernas, quase dormir, ou talvez já estivesse o fazendo. Deu de ombros.

- Normal.

- Isso quer dizer que ela gabaritou todas – recitou Hermes, deitado no sofá puído bege de frente ao seu, com um sorriso cansado no rosto de olhos castanhos maliciosos. – Já notaram que é uma tremenda ironia Atena ser uma garota nerd e ser loira?

Artemis bocejou, trocando de posição para voltar a dormir, não sem antes soltar um:

- Atena é a contradição em pessoa. Apolo, me acorda se alguém importante chegar.

- Folgada.

- Não amola, Apolo, e fica quietinho ou não dá pra dormir.

Apesar de fingirem brigar um com outro, ele concordou ao seu modo e abraçou-a, rodeando-a com os braços firmes que se trançaram do outro lado, a cabeça do mesmo apoiando-se sobre a dela enquanto também fechava os olhos.

Depois do dia em que Atena vira Apolo correr atrás de Artemis, há muito tempo atrás, talvez umas cinco semanas, ela não recordava direito, pois se encontrava acostumando-se com aquelas trocas de carinhos, que os gêmeos passaram a se dar melhor. Sempre juntos, andava de um lado a outro, um ensinando a matéria para aquele que não sabia e até mesmo dividindo a mesma cama, o que fez Atena resolver que a melhor opção para não se escutar nada desagradável era tomar de posse a cama de Apolo e ir dormir com Hermes. O que foi realmente bom, uma vez que deitava e acordava quase todos os dias, sozinha, quase um quarto só pra ela. Sonho de qualquer universitário que paga o aluguel junto com os amigos.

E não demorou muito para os gêmeos estarem dormindo no sofá, um escorado no outro. Afrodite também caiu em um sono depois de afastar Hermes um pouco para o canto das almofadas beges velhas, os dois dividindo o sofá, costa com costa, enquanto só Atena restara, acarinhando Aquiles deitado em seu flanco, a assistir alguma coisa que não prestava atenção, sua mente voando em direção de como faria para comer mais tarde, no instante em que seus olhos se fecharam por um segundo e no momento que abriu tudo havia mudado. Quer dizer, parcialmente. Os elementos anteriores achavam-se nos mesmos lugares, capotados como ela estava, mas o cômodo era clareado apenas pela luz vinda da televisão em algum documentário qualquer do History, o ultimo canal que Atena colocou, ou assim pensava, pois nada em sua mente pensava por completo.

Ela apalpou seus bolsos até achar o celular e quase ficou cega com o brilho do visor. Cinco chamadas. Duas mensagens. E eram seis e meia da tarde.

- Oh, merda – sussurrou, ligando os pontos ao perceber que caiu no colo, literalmente, de Morfeu as duas. O próximo a acordar foi seu estomago. Roncou alto. — Calma, leão, me deixa só primeiro ver quem é o desesperado. — abriu a primeira mensagem. Essa, de mais ou menos duas horas atrás, dizia um simples "Atena, liga de volta quando olhar essa msg.". Uma hora depois da primeira, estava mais implicante "Atena, eu estou com as meninas aqui, preciso de você também. Liga." e a que acabara de chegar, o que levou Atena a calcular foi por causa do toque avisando que a recebera que acordou, era mais exigente. "As oito, na frente do campus, vou te buscar." Todas de Poseidon, assim como as ligações.

O que ele tanto quer comigo? Reclamou ela, sonolenta, enquanto digitava de qualquer jeito uma resposta avisando que apareceria no horário combinado, mas apenas porque estava curiosa demais. Poseidon não parecia ser o tipo de cara que mandava mensagem sem realmente precisar, ou estar afim, e não era nenhum desses dois casos de acordo com a sua mente. Poderia até ter rolado uma tensão, mas fora básica demais para classificá-la como algo importante ou perigosa, uma vez que ele estava noivo. De uma vadia, mas não deixava de ser compromissado.

Resmungando sobre como estaria com cara amassada, que, contudo deveria seguir os seus mandamentos de nunca falhar com aquele que pediu ajuda, Atena levantou-se, acordando Marta, a gata siamesa enroscada sob seus pés no processo, e caminhou entre tropeções por causa das coisas jogadas ao chão que seus olhos acinzentados não enxergavam. E acender a luz estava longe demais.

Uma hora depois Atena saia de casa, onde todos os seus integrantes haviam acordado e encontravam-se ansiosos para curtir, finalmente, a sexta feira sagrada sem provas na manha do próximo dia, sem acompanhar muito o estado de animo deles. Ainda queria ter continuado dormindo, ou lendo, ou qualquer coisa que não envolvesse sair de casa de noite e dirigir, ou tendo que levar Aquiles para caminhar.

- É a sua vez. — avisou Artemis, minutos antes da garota de cabelos cacheados presos em um rabo de cavalo sair, enquanto passava um batom rosado nos lábios não mais machucados. Na verdade, quase não se viam mais os amarelados nos locais em que um dia foram roxos, a pele cor de neve dela voltando ao normal. — Eu levei semana passada. Além do mais, como você me disse que era uma conversa de negócios, acho que o meu filhotinho não vai te atrapalhar.

E cá estava a nossa garota, sem poder reclamar de nada sobre aquele dia nada bom, exceto nos instantes em que tivera a chance de ir ao mundo dos sonhos, descendo as escadas com um grande e ansioso lupino domesticado.

- Se comporte. — disse Atena para o animal ao mesmo tempo em que arrumava a guia preta dele com mais força envolta de seu pulso pequeno. Isso é um cavalo. — Teremos uma agradável noite juntos, Aquiles. Se ele vier pra cima de mim você está autorizado a rosnar pra ele, só não morda ou caso contrario iremos par o hospital. E não seria nada legal sua mãe saber que eu te levei para o mau caminho;

Uma moça, de cabelos negros e lisos, olhou-a assustada. Atena fingiu não ver. O que tem? Falar com cachorro é normal, de acordo com uma pesquisa, o animal responde de acordo com a forma em que você conversa com ele, ouviu, senhorita? Humpfht!.

Atena balançou a cabeça.

- Eu to ficando louca.

- Hey, Atena

A menina virou-se para olhar de onde a voz vinha.

Atena encontrava-se, naquele momento, parada debaixo de um dos postes de luz a fronte da medieval construção da faculdade com Aquiles sentado nos flancos musculosos ao lado de sua perna, a língua vermelha pendendo entre os dentes extrafinos o que para Atena o tornava ainda mais com cara de selvagem e indomável como os primos lobos dele.

E talvez a garota com roupa de tactel para caminhada da cor azul escura do céu ficasse com medo daquele local se estivesse sozinha.

De portas fechadas, corredores vazios e janelas que refletiam o mínimo sinal de luz, mostrando dentro das salas de aula fantasmagóricas, sem esquecer o grande campus polvilhado de arvores centenárias, aquela área poderia ser um combustível muito potente para sua mente criativa, principalmente se valesse o ponto de serem séries em que serial killers matavam suas vitimas em surdina, vulgo, CSI.

E alguém a chamando não melhorou muito seu estado de super alerta, até ver quem vinha correndo em sua direção. Ele diminuiu o passo assim que avistou Aquiles, o que Atena inferiu ser uma lembrança de quando o husk avançou sobre o garoto de olhos verdes.

Dessa vez, o lupino nem se quer mexeu-se, apenas o seu rabo que não parava quieto, encarando-o com os olhos de caçador azul e cinza.

Atena sorriu logo que Poseidon postou-se a sua frente, em um cumprimento polido de quem fingia estar adorando encontrar-se no frio.

- Oi. E ai?

- Vejo que trouxe companhia — fitou-a com os olhos cor de grama fresca que, sob a luz fraca, pareciam misteriosos enquanto sorria, as covinhas presentes junto. — Ia correr?

Poseidon apontou para sua roupa.

- Ah, isso... Na verdade, é a minha vez de levar Aquiles para dar um passeio — fez uma careta — Tem problema ele acompanhar a gente? Aquiles é um ótimo lobo, não vai atrapalhar.

E o que teria para atrapalhar? Essa era a pergunta de um milhão de dólares. Poseidon deu de ombros.

- Eu ia te chamar para ir a um barzinho que conheço, mas... — sorriu. — Só de você ter vindo já uma surpresa. Pensei que fosse negar minhas mensagens.

Ainda que corasse, Atena sorriu, revirando os olhos. Aquiles começou a cheirar Poseidon.

- Ele não vai te morder, relaxe — acalmou ela, divertida. — Só quer saber se é confiável. E eu não iria deixar de responder as mensagens, nunca faço isso. Eu tenho um trato com você, então... — deu de ombros. — Eu vou ter que te aturar por algum tempo.

As palavras saíram sem que ela quisesse. Eu falei o que não devia. Mas Poseidon limitou-se a rir sem tirar os olhos do animal branco igual à pele da sua dona, e dois tons mais claro que Atena, que agora tocava o focinho na palma bronzeada do homem, ainda a analisá-lo.

- Ele quer que você faça carinho nele — explicou Atena enquanto tentando mudar o assunto. — Então, já que não vamos mais poder entrar com esse lobo dentro do bar, onde vamos?

- Está a sua escolha. — Poseidon acarinhava Aquiles. — Algum lugar vazio, por favor.

Atena ergueu uma sobrancelha.

- E porque eu iria a algum lugar inóspito com você? Não seria melhor uma praça ou algo assim?

Poseidon negou com a cabeça, erguendo os olhos do cachorro para fitá-la.

- Eu quero conversar com você.

O sangue subiu para as bochechas da mesma.

- Você também conversaria comigo se fossemos em uma praça.

- Está com medo do que, Atena? — os olhos verdes procuraram algo nos seus meio azulados. Diversão — Olha o tamanha do husk siberiano que você segura, tenho certeza de que ele seria o suficiente para me matar se você ordenasse.Além do mais, o que quero te falar, ninguém pode escutar. Estou confiando em você.

Os dentes dela morderam seu próprio lábio enquanto o encarava a procura de qualquer ameaça nos sublimes e atraentes olhos verdes. Ele está certo, Atena, Aquiles consegue lidar. E ele estava confiando nela? O que seria tão importante a ponto de mandar mensagens e irem para um lugar longe de movimentação ou rotas para muitas pessoas? O que ele queria te contar? Curiosidade, você ainda me mata!

Atena suspirou e sorriu, assentindo para ver o sorriso que cresceu nos lábios negros. Mas os olhos dele não estão sorrindo também, notou ela. Acenou para o lado esquerdo.

- Vem, tenho um legal para irmos.

Notas finais
E, para vocês, capítulo duplo *---*