Notas iniciais
Em agradecimento a Caixetinha, leitora antiiiiiiiiiga nas minhas ficks e da qual adoro, deixou uma linda recomendação para mim, vim postar um capítulo em nome dela ^^
Obrigada, Caixetinha, é sempre um prazer te ter por aqui *-*
E, claro, se divirtam =)

[Música — Thank You — Dido]


Atena ainda não acreditava no que havia acontecido desde que acordara minutos atrás e onde ainda se encontrava, as três da manha, deitada atrás de Poseidon, com uma mão no quadril dele e um braço dele prendendo-a contra as costas largas e malhadas do mesmo, de um modo que ela achara impossível, mas que ambos conseguiram dormir, dividindo o divã pequeno para o corpo grande e musculoso dele. Atena jamais pensou que por baixo daquelas roupas de marca havia um verdadeiro deus do sexo e da beleza, admitia que pensou sobre isso uma vez, mas seus sonhos nada eram em comparação a realidade. Ele a levara duas vezes seguidas a um orgasmo, sem parar, e de uma forma mágica que ela ainda pretendia aprender como. Ao menos, na hora queria, agora, achava-se respirando o cheiro de maresia dele, sentindo os músculos da perna dele abaixo da sua sobre uma delas, e pensando o que dera em sua cabeça para aceitar transar com um cara em quem ainda nem confiava e do tipo que odiava.

Eu estou louca, pensava, contudo, havia gostado e seu coração não parara de bater com força enquanto ele acarinhava sua coxa até ela cair nos braços de Morfeu.

E agora só o que queria era ir embora e nunca mais vê-lo. Se sentia vergonha? Muita. Ele havia acabado de terminar um noivado longo e ela decidira que fora por isso que ele a quisera tanto. Estava triste e uma mulher nua, pousando para ele, era mais do que qualquer homem pode aturar, até mesmo uma não tão linda assim com ela. Saindo dessa crise de existência com uma careta para si mesma por achar-se tão melodramática, Atena levantou-se, sem acordá-lo ao sair de seu lado e apanhou suas roupas esparramadas, vestindo-se enquanto o olhava dormir.

Era o homem mais bonito que ela já achara, muito atraente, sem duvida, com os cabelos negros lisos, o abdômen definido e um mestre do Kamasutra. E o qual iria evitar por agora. Esperava honestamente que ele tivesse conseguido a foto que precisava, pois não voltaria a ficar sozinha com ele, não mesmo. Já se sentia meio suja por dormir sem conhecê-lo por completo, como conhecia Apolo, e em nada ajudaria fingir estar tudo bem quando perceberam como eram extremamente explosivos juntos.

Após se vestir e colocar a guia de Aquiles que dormia ao canto do quarto e que a fitou com olhos acusadores de traidora, fazendo-a se sentir pior, Atena destrancou a porta, passou pelo vão e a fechou, decidida que não entraria ali. Nunca mais.



Por uma semana, os sete dias da semana, contando com o sábado e o domingo, Atena ignorou as chamadas, as ligações, as mensagens e até mesmo o próprio Poseidon quando esse decidia que iria apenas andar ao lado dela, falando coisas que ela fingia não ouvir, mas que armazenava. Nada fizera além de tratá-lo como uma mosca, recordando exatamente como aquele homem bom de lábia havia a enganado e como estava decidida não cair outra vez na teia daquela sabia aranha. E por ela, poderia continuar assim para sempre. Ainda que a lembrança dos olhos verdes não a deixasse em paz. Mas era um mero caso em que ela trabalhava agora.

No dia de descanso sagrado dela, na sábado de chuva constante e adorável para ela ler da outra semana, que é onde nos encontramos agora, Atena virava uma página de "O Conde de Monte Cristo", modelo antigo, muito relaxada na sua, aproveitando-se do fato de não haver ninguém no apartamento, fosse animal, fosse humano, no instante em que seu celular vibrou, ao receber uma mensagem. E ela, que se acostumara com aquelas interrupções, nem precisava olhar para saber de quem se tratava. Mas mesmo assim resolveu deixar o clássico de lado e ler o que estava escrito:

“Você tá em casa?"

E, claro, fora Poseidon quem mandara. Atena apertou os lábios um contra o outro enquanto decidia se responderia ou deixaria juntamente com as demais acumuladas na Caixa de Entrada, muitas nem abertas. Se eu disse que estou em casa, ele vem aqui, e não quero vê-lo. Se eu disser que sai, ele vai perguntar pra onde e se Afrodite chegar, o que será bem pior, pode contar que fiquei o dia todo quietinha na minha. Suspirou. E decidiu que responderia, mesmo sabendo dos riscos disso:

"Não"

Curta, grossa e fria, cem por cento distantes, o suficiente para notar que não desejava a presença dele, não mais que o já habitual sorriso e lembranças que ela recordava em momentos inoportunos e desnecessários. Atena soltou o celular e voltou-se para sua leitura, muito mais emocionante e divertida, a enrolar um cachinho no dedo.

Foi quando a interromperam pela segunda vez.

– Ninguém me deixa em paz? — reclamou ela, suspirando, e levantou-se, sem ligar pelo fato de estar de shorts velhos e blusa de Apolo já que tinha de lavar as suas, encaminhando-se na direção do som.

A pessoa tocou mais duas vezes a campainha antes dela destrancar a porta e abri-la. Só para odiar-se por tê-lo feito.

Poseidon, em carne viva, encontrava-se a sua frente, sorrindo, todo ensopado pela chuva que devia ter pegado e a tremer por tal fato, segurando entre os braços fortes um pequeno embrulhinho na blusa de frio que deveria estar vestido antes. Os cabelos negros grudavam-se nas laterais da face dele e as calça jeans pareciam despejar litros e mais litros de água no tapete de entrada do apartamento, o que a fez pensar se não era ali que chovia.

– O que você está fazendo aqui? — questionou a garota de olhos cinza, muito surpresa, e também muito corada por ter sido pega mentindo. Eu devia ter dito que estava em casa. Mas já era tarde demais para reclamar.

Ele sorriu, os dentes brancos e retos como o da irmã, mostrando-se juntamente com as covinhas e os olhos verdes divertidos.

– Por acaso você sabe cuidar de animais? Porque eu vim... — ele desenrolou o que trazia. — Trazer um necessitando de ajuda.

Descolando seus olhos dos dele, Atena fitou o que havia dentre o pano azul que fazia o moletom e esqueceu porque que o odiava tanto ao ver orbes cinza como as suas fitarem-na, encolhido e piando contra o peito dele, uma bolinha de pelos brancos e meio feinho que sem duvida era uma corujinha, com não mais que semanas de vida. Atena adorava-as e por tal fato conseguia distinguir muito bem uma da outra.

De asas pequenas e rentes ao corpo, abria o bico cor de marfim, emitindo sons finos enquanto tremia de frio, assim como Poseidon, por estar molhada até os ossos.

– Entre — disse a garota de cabelos loiros presos por uma caneta dando espaço o suficiente para que ele entrasse. Assim que ele o fez, gerando rastros de água a cada passo dos sapatos marrons, Atena fechou a porta e correu para apanhar duas ou três toalhas, antes de apanhar a ave minúscula e dar uma delas para Poseidon enxugar-se um pouco. Mesmo sabendo que aquilo seria pouco para o jeito em que ele se encontrava.

Mas mesmo assim, com frio, ele sorria para ela, ao vê-la secar pedacinho por pedacinho das penas quase inexistentes do animal.

– Onde você a encontrou? — perguntou Atena, sentindo o embrulhinho tremendo entre suas palmas quente e piando em sua direção. Era a coisinha mais fofa que a garota de olhos cinza como a da corujinha já tinha visto. Forte, mas delicado ao mesmo tempo. Era simplesmente maravilhosa.

Poseidon secava os cabelos enquanto falava, fazendo uma confusão com esses.

– Eu estava indo pra casa depois de passar à tarde com alguns amigos que chegaram à cidade, estava indo de carro quando vi, na beirada da autoestrada, a coruja. — ele deixou a toalha cair envolta do pescoço. — Não podia deixá-la no meio daquele aguaceiro, então, peguei-a, tomando um terrível banho de chuva e resolvi que você era a pessoa mais capaz de cuidar de uma ave desse porte. Além do mais... — sorriu, os olhos se enrugando nos cantos. — Ela tem os mesmos olhos que você.

Os lábios meio pálidos pelo frio arquearam-se, em um sorriso feliz. Ou ele está tentando pedir desculpas, ou me cantando. Seja como for, eu gostei da surpresa. E por isso ela sabia que ele merecia alguma recompensação. Como por exemplo, Atena voltar a falar com ele. Mas somente falar, não fazer nada com o corpo ou as mãos.

Ela afagou o topo da cabeça da corujinha.

– Ela vai ficar linda. — prometeu a garota com certa tristeza. — Mas, acho que as possibilidades dela sobreviver são poucas. É muito nova e as asas dela ainda não são impermeáveis, vê? É capaz de ter pegado uma gripe. No entanto, vou dar meu máximo para que ela sobreviva.

– No Alasca, em um vilarejo muito pequeno e distante onde fui... — começou ele, sentando-se no chão, ao lado da cozinha onde Atena cuidava do animalzinho sobre o balcão. As calças jeans fizeram um som agonizante ao esbarrarem uma na outra. — Os mais velhos, a maioria por lá, acreditava que quando uma pessoa era presenteada pelos espíritos com um animal, ele tornava-se o seu toten, seu anjo da guarda e que em alguns casos os donos e os totens chegavam a dividir consciência.

Atena sorria enquanto escutava o que ele dizia, concentrando-se em retirar qualquer água visível do corpo da ave.

– Mas, nesse caso, a coruja não seria o seu toten, Poseidon?

– Não, os olhos cinza e a expressão de assustada e corajosa ao mesmo tempo são seus. Sem esquecer que eu pensei em você quando a vi. Creio que os amigos da floresta diriam que ela é sua e eu só me encarreguei de entregar.

– É uma boa tese e uma boa história, Poseidon — ela virou-se para vê-lo a fitando e sorriu, agradecendo pelos olhos presos aos verdes dele que estavam suaves e mansos. — Então, não há segundas intenções ao trazer a coruja?

Poseidon fez sinal de pare.

– Nem vem, Senhorita Desconfiada. Apenas um bom samaritano hoje.

Os olhos dela se tornaram líquidos e tranquilos com aquela brincadeira.

– Desconfiança deve ser lei, Poseidon, aquele que acredita em tudo, acaba nas covas dos leões.

Ele ficou um tempo a encará-la, parecendo pesar o que havia dito e sorrir, ainda que os olhos estivessem sérios e intrigantes uma vez que a garota não conseguia lê-los. E enquanto Poseidon era bom com detalhes, Atena era boa com leitura corporal e ocular. Mas via-se sem esse dom ao olhar naqueles orbes cor de grama com orvalho. Então ele falou, com uma voz rouca e quase que sabia demais para ele, de acordo com ela:

– Nem sempre, Atena. Nem todas as brincadeiras são jogos, não se precisa de poder — piscou, erguendo-se. — Você não está lutando com alguém para sempre ter essa sua defesa.

– Assim como lealdade deve ser sempre testada. — enrolou a corujinha e a trouxe para seus braços, ninando-a com seu calor para só agora voltar a fitar Poseidon que parara a sua frente. Perto demais.– Aceite o fato, Poseidon, amor é maleável e sempre há interesses, sejam esses bons ou ruins, por trás de amizades.

Um sorriso cuidadoso tomou contra dos lábios dele.

– Você trata seus amigos como peças de xadrez. — pousou a mão no rosto corado da mesma sem deixar de encará-la. — Por que disso?

Porque já tive pessoas que pensei serem minhas amigas e acabarem comigo pelas costas, pessoas da mesma laia que você, Poseidon. Mas ela não ia admitir isso.

– E a curiosidade mata — Atena afastou-se para ir buscar uma roupa de Apolo no quarto, segurando o embrulho com uma mão enquanto apanhava com a outra algumas peças. Poseidon ainda esperava no mesmo local em que o deixara quase falando sozinho e manteve o conjunto de moletom preto do seu melhor amigo longe do corpo para não molhar ao jogar em sua direção.

– Banheiro na terceira porta do corredor, lá no final, vai se secar. Aproveite para tomar um banho quente, não quero pessoas gripadas em meu apartamento — falava ela sem olhá-lo, pois procurava algo que pudesse dar de comer a coruja. Pelo amor de deus, o que eu faço para ela comer? Um sanduiche ou leite? Eu não tenho um criatório de minhocas ou insetos aqui por perto.– Aquiles fica doente também quando alguém está, então, por favor, se agasalhe com o edredom em cima do sofá.

– Credo, você parece minha mãe, Atena. Eu acho que não deveria ir pro banho, mãe.

– Poseidon, não haja como uma criança.

– Atena, não seja chata como um adulto.

– Os dois, parem de brigar como um casal — o dono dessa voz fez tanto Atena olhar para porta onde quatro pessoas entravam quanto Poseidon olhar a garota de cabelos cinza em seguida, com uma expressão de censura por ser pego sendo ordenado a fazer algo.

Apolo sorriu para os dois enquanto girava a chave nos dedos; Artemis apenas deu uma risadinha antes de ir para a cozinha, passando por Atena e dizendo um "Homem dos sonhos"; Hermes acenou para os dois para fugir ao seu quarto ainda que sorrisse pelos olhos que Atena conseguiu ver; e havia Afrodite que deu pulinhos, toda feliz, para dar um tapa na bunda de Poseidon que muito sem graça revirou os olhos ao "Safado", da irmã. Em outra situação, Atena riria, mas com a frase anunciada quando o pequeno grupo chegou, o máximo que conseguia era continuar caçando algo para dar para a coruja.

– Ande, maninho, vai trocar de roupa. — incentivou a Bonequinha de Luxo, sua voz soando pelo cômodo como sinos rindo. — Escute o que Atena está falando.

– Por favor, não me diga que você também a alienou, Atena.

– Diferente de você, Poseidon. — ela dizia se virar-se — Sua irmã tem um bom gosto.

– Bom gosto tenho, só queria saber o que você usou neles.

– Nada, não preciso de truques. — e de onde mesmo se originou essa briga?– Diferente de outras pessoas.

– Está falando de mim ou do fato de você ter gostado muito de...

– Chega — a voz de Artemis foi cortante e os olhos prateados repreensores. — Vocês parecem duas crianças brigando por causa de uma balinha. Afrodite, leva seu irmão ou Atena o mata aqui e agora.

– Duas crianças que dormiram juntas — sussurrou Apolo no ouvido de Atena ao passar por ela para pegar um copo, rindo baixinho. E Atena odiou o quanto Apolo conseguia compreender de frases meio-ditas e coisas que não prestava ou não eram de seu saber.

As bochechas dela ganharam uma tonalidade rosa que fez Apolo rir enquanto ia embora, atrás de algo dentro da geladeira para tomar. Artemis, que não chegou a ouvir, olhou-os confusos e Afrodite levou Poseidon para o banheiro.

Maldita hora para corar, parabéns, Atena, agora Apolo sabe porque você chegou de madrugada naquele dia.

– Isso fica entre nós — resmungou de volta para o garoto de cabelos dourados, com um sorriso de canto, para então mostrar a coruja entre seus braços. — Você sabe o que dar pra ela?

– Meu deus, Atena, como você arranjou isso?

Artemis, alarmada com o tom de repreenda de Apolo, aproximou-se deles e suspirou.

– Esse apartamento está virando um zoológico. Quem foi que te deu isso?

Com aquele que eu estava brigando. Atena corou.

– Poseidon, ele salvou a coruja.

Um brilho de divertimento apareceu nos olhos azuis polvilhados de dourado do garoto de cabelos loiros ao pegar o animal de suas mãos.

– A velha tática do caridoso.

Artemis revirou os olhos, indo embora, não sem antes soltar um:

– Apolo e suas táticas para conquistar mulheres.

– Eu não peguei nenhuma essa semana, Art. — olhava as asas do animal. — Não sei por que anda reclamando tanto de mim.

– TPM — gritou Hermes de algum lugar do corredor, levando todos a rirem.

– Vem cá, Hermes, e eu te mostro o que é TPM.

– Chama não que eu vou, Art, e Apolo não vai gostar nada disso.

Artemis corou.

– Cala a boca, pé de vento.

E a brincadeira entre eles acabou ali, com cada um indo para seu canto, Artemis para o sofá amarelo dela e Hermes saindo outra vez, sem avisar aonde ia. Atena olhou para Apolo esperando um veredicto sobre o estado do animal. Ele franziu o cenho.

– Atena, eu sinceramente não sei o que fazer, mas se quiser, posso levar para um amigo veterinário para dar uma olhada.

Ela mordiscou o lábio, a encarar a corujinha que piava em sua direção. Meu toten.

– Qualquer coisa é melhor do que nada. Que dia vai lá?

Apolo subitamente olhou para o local onde Artemis estava esparramada, trocando canal.

– Art, que horas que era pra buscar Aquiles no Pet Shop?

A garota de cabelos negros deu uma olhada no pulso antes de responder.

– Daqui uma hora, Apolo, por quê?

E então o rapaz voltou a fitar Atena com um sorriso.

– Vou lá agora, ele deve estar em casa e se não estiver, eu aproveito e peço para o veterinário dar uma olhada nela quando for buscar Aquiles.

Um sorriso cresceu na boca de Atena e ela de um beijo no rosto de Apolo com força levando-o a rir.

– Obrigada, Apolo, você é o melhor amigo do mundo.

– Faz as coisas uma vez e se torna melhor amigo — ele fez uma careta, brincando. — E ainda do mundo.

Ela riu com vontade.

– Deixe de ser bobo. Art, você vai com ele?

– E tem como fugir, Atena?

– Só dizer não.

– Ela não resiste a mim — Apolo piscou — Se você vai, levanta ai, Art, que já to saindo.

– Ok, papai.

Mas, mesmo reclamando, a garota de olhos prateados e vestido verde de alcinhas, saiu atrás do irmão, arrumando-se e tudo mais para bater a porta ao sair. E sem nada, nem ninguém para dar atenção ou que precisasse de sua ajuda, Atena foi tomar banho.

Eu estou cheirando a gato molhado, eca.

Notas finais
Não esqueçam dos meus rewis *---* E façam como a Caixetinha que com recomendações, mais capítulos, antes do tempo determinado, chegam pra vocês *--*
Beijinhos,
Nivea
;D
Poseidon, bom samaritano? ¬¬ puff... Seu danado! 66'