Four Seasons

15 [Primavera] Listen To Your Heart


Notas iniciais
Capítulo triplooooooooooooooo *---*
Para o tempão que fiquei sem postar, pela maravilhosa indicação da Dama do Poente (tem noção de como fico feliz quando fico um tempão sem vir e olho isso? *-----------------* É tão magnificamente lindo, own ^^) e também... Porque eu amo vocês *-*
Se divirtam com o "Segundão Four Seasons".
E, ah, as estações não seguem a ordem normal e sim as emoções de Atena, ok? ^^
E, outro ah, uma música velhinha pra vocês ^^

[Música — Listen To Your Heart — Roxette]


Poseidon encontrava-se sentando em seu sofá quando Atena chegou, penteando os cachos, minutos depois. Já trajando o moletom de Apolo que ficou um pouco colado por ele ser maior, fato que Atena notou só naquele momento, ele olhou-a, parecendo analisá-la em seus shorts jeans, sua blusa de uma Monalisa bem divertida lendo um livro e as botas, sim, aquelas que ela tanto adora usar. Ele ergueu uma sobrancelha ao terminar.

– Vai sair?

– Não é da sua conta — ela cantarolou infantilmente, não gostando muito que ele tivesse se apropriado do seu sofá. Por que o meu? — Sua irmã está ai dentro, se vestindo. Sinta-se em casa. — não que eu precisasse ter dito. — E se tiver fome, tem comida na geladeira. Tchau.

Enquanto falava, Atena catara tudo o que precisava, desde sombrinha até as chaves do seu carro para jogar tudo dentro da sua bolsa de couro envelhecido e literalmente velha de tanto o uso. A maior ameaça que Afrodite fazia na garota de cabelos loiros era dizer que trocaria aquela sua velharia por uma Gucci, as bolsas preferidas da Bonequinha de Luxo, ultimo modelo, vinda de Paris, o que fazia Atena sempre esconder ou levar sua amiga inseparável consigo quando Afrodite encontrava-se em seu apartamento. E não fora diferente, na verdade, durante aquelas semanas, quase que a perdera. Mas, fora mais rápida e a puxara antes que fosse para lixo.

– Hey, eu vou com você.

Atena o olhou, alarmada.

– Não vai, não.

Poseidon sorriu.

– Ah, vou sim. Não quero ficar no apartamento de vocês sem alguém conhecido.

– Você conhece Apolo, isso já vale, tchau e não me siga.

– AFRODITE, ESTOU INDO — gritou ele, já ao seu lado e a empurrou para fora, após roubar o molho de chaves da mão dela e trancar a porta assim que estiveram de frente a escada. Atena recebeu-as de volta logo que Poseidon terminou. — Para onde você vai agora?

Corando, ela abanou a cabeça, em sinal de que não diria e começou a descer os lances cheios de degraus meio escuros pela luz que enfraquecia. Se meu pai me visse aqui, daria um chilique. Mas, Poseidon parecia irredutível com o assunto.

– Não me diga que vai para um local de orgias?

Ela deu uma olhadela ameaçadora sobre o ombro para ele que sorria, totalmente relaxado ao segui-la. Se eu pudesse, te matava agora. Como você pode ser legal uma hora e chata na outra?

– Se você vai a esse tipo de lugar, desculpa, mas não os frequento. E você não vai comigo.

– Palestra?

– Estou te ignorando.

– Jogar jogos inteligentes com os amigos?

Ótimo modo de chamar meus amigos de nerds, pensou ela enquanto empurrava a porta do hall e saia para pequena varanda que ia de um lado a outro, a chuva torrencial caindo de modo a não se ver um palmo a sua frente. Como dirigirei desse jeito?

– Algum centro de artes?

– Não. Poseidon, você nunca vai acertar.

Atena virou-se na direção em que estava seu carro e passou a andar rapidamente. Ele não vai me deixar em paz.

– Comprar um cachorro?

– Eu já tenho dificuldades demais com Aquiles, não, obrigada.

– Hum... Está ficando mais difícil. Locar um filme?

– Pra isso que existe internet.

– Comprar um livro?

– Estou com um monte para ler.

– Achar uma roupa nova?

– Quem faz isso é a sua irmã.

– Arrumar o carro?

– De noite?

– Ir pra uma boate?

– Não.

– Roubar alguém?

– Não mesmo! — exclamou ela, parando para olhá-lo, com raiva. Ele sorria.

– Vender drogas?

– Não!

– Se divertir com as meninas da esquina?

– Não!

– Tira fotos?

– Não.

– Deixar de me beijar?

– Não.

Um sorriso vitorioso tomou conta dos lábios dele quando Atena notou que ele a fizera de boba, dando perguntas fúteis e rápidas para receber a resposta que desejava. E mesmo sabendo que fora impulso, Atena corou, ao perceber que aquilo não era de todo mentira. Mas, seu orgulho jamais admitiria. E a raiva da TPM em que encontrava cresceu a ponto dela bufar, dando as costas, indignada com aquela criança que aparecia pela primeira vez nele, e entrar debaixo da chuva, uma corrida até o carro, uma hora molhando as botas de camurça, outra tremendo de frio com a brisa gelada que anunciava a chegada do Inverno naquela parte do hemisfério.

Poseidon fechou quase que simultaneamente a porta com ela, sentado do lado do acompanhante, na frente, tão molhado quanto à garota de cachos desfeitos. Os pingos tamborilavam com força e ritmadamente contra o teto, logo as janelas embaçando-se enquanto Atena ligava o aquecedor, a espera que estivesse seca ao chegar lá.

– Então, vai me contar aonde vamos?

Irritada, ela virou-se para fitá-lo e suspirou. Ele sorria, claramente divertindo-se com sua raiva.

– Se eu te contar você cala a boca?

Ele pressionou os lábios em sinal de indecisão.

– Posso pensar, mas garanto que vai ser um avanço.

– Eu te deixo em casa agora, pode ser?

– Trato desfeito.

– Poseidon! Argh! — como ela diria para ele o que iria fazer agora? Mordiscou o lábio enquanto pensava, um tempo ficando sozinha, e assentiu, concordando contra sua vontade com os termos dele. Fitou os olhos verdes intrigantes. — Vai se comportar?

Um franzir de nariz por parte dele, tornando-o uma criança, pelo ponto de visto de Atena que não o entendia.

– Sim, mamãe.

Ela revirou os olhos e ligou o carro.

– Vou te levar, mas sei que vou me arrepender depois.



Poseidon não compreendia o que ela queria dizer até entrarem no estacionamento, infelizmente, lotado de um hospital e descer do carro para pegar uma das duas caixas que haviam da porta mala, lacradas e parecendo bastante pesadas. Atena não disse muito para sua pessoa, mostrando-se bastante calma em relação à estranha briga que tiveram, e que nascera do nada, apenas alguns fatos do que ele poderia ou não fazer. Alguns fatos que ele não entendeu, mas que assentiu enquanto andava atrás dela com a outra caixa de papelão na direção da atendente. Essa, uma mulher oriental de lisos cabelos negros, sorriu ao ver a loira, logo guardando no bolso em que estava escrito “Elisa Sayure (algo a mais que ele não conseguiu ler)” uma caneca prateada.

Atena deu um leve abraço na doutora, pelo que constava no bordado.

– Você sumiu, menina. – disse Elisa dando uma olhadela em sua direção. Ela é bonita. Sorriu fracamente, finalmente achando o peso daquela caixa enjoativo e agonizante. – E vejo que trouxe alguém com você. Eles sentiram muito a sua falta, tenho certeza de que adorarão te ver.

Os olhos cinza de Atena eram suaves ao encarar a oriental, numa espécie de amizade que Poseidon conseguiu denominar como antiga.

– Eu não pude vir, desculpa.

– Sem problemas, querida, vai precisar de uma credencial.

– Duas hoje, Sayure. – e apontou para sua pessoa. – Esse daqui é Poseidon Danniels, irmão da Dite.

Olhando sua imagem de lado a lado, Elisa sorriu para sua pessoa.

– É, são visíveis os traços dele em Dite. Os mesmo olhos verdes. – estendeu a mão. – Doutora Elisa Sayure, prazer conhecê-lo.

Apertou suavemente os dedos confiáveis e, de certa forma, fortes ao aperta os seus.

– O prazer é meu, Doutora.

E, Atena outra vez mais, daquele jeito que ele começava chamar de “dominadora”, segurou as rédeas.

– Tem problema eu pedir duas credenciais para vê-los?

– Sabe que não, querida. Aqui, você sempre faz bem a eles. E, Poseidon, divirta-se. Atena, sabe como fazer.

A loira sorriu ao assentir.

– Obrigada, Elisa.

– Eu quem agradeço, Hellys, agora, eu tenho que ir ali... Tenho uma cirurgia para cuidar. Se cuidem. Tchau.

Retribuindo o tchau que ela lhe dera e vendo-a ir embora enquanto perguntava-se o que ela queria dizer com divirta-se, assustou-se quando Atena olhou seriamente, nada amável, para seus olhos e entregou um pequeno papel para grudar na roupa em que se lia “Convidado” em vermelho.

– Não faça besteira, Poseidon.

– Eu nunca faço, Atena.

Ela semicerrou os cinza.

– Eu falo sério. Me siga, sem muito barulho.

E, com uma curiosidade que não era nada típica sua e nem sabia de onde vinha, Poseidon seguiu-a pelas portas de vidro, questionando-se porque mesmo fora com ela para aquele lugar e o que poderia encontra ali.



E ele só compreendeu do que se tratava ao enxergar, com uma certa compaixão anormal a si, Atena sorrir para cada uma das seis crianças deitadas em catres, cheias de agulhas intravenosas tomando soro e medicações. Em sua maioria com um tipo de chapéu feito de pano ou aqueles tecidos presos que Axel usa, bem coloridos, para esconder o que ele sabia que não havia ali: cabelos. Os trajes variavam de roupa do hospital a camisolas temáticas, mas nada era tão surpreendente quanto ver cada uma daqueles pequenos rostos se preencherem de alegria ao irem abraçar Atena ou quando a loira ia beijar a cabeça de algum que não podia se levantar, chamando cada um pelo nome.

Poseidon sorriu, em algum ponto, encantado, ao colocar a sua caixa ao lado da que ela havia trazido e vê-la brincando sobre algo com alguns deles, levando-os a rir. Foi quando, depois de passar por cada criança que não deveriam ter mais que quatorze anos a mais velha, os olhos cinza encararam os seus ao segurar sua mão e puxá-lo para o centro, onde se achou um pouco incomodado, de um modo que nunca sentira antes ao ter a atenção daquelas inocentes olhos infantis sobre si.

– Pequeninos, esse daqui é Poseidon Danniels, um grande amigo meu. – e quase pode vê-la emendar “só por agora” que o fez sorrir para os pimpolhos. – Ele nunca veio a um lugar como esse, então, façam ele se sentir a vontade, ok?

E foi como dizer que venderiam balinhas. Incrivelmente, após aquilo, todos os menores vinham atrás de sua pessoa e o abraçavam dizendo o nome. Uma vez foi uma linda menininha de admiráveis e sofridos olhos azuis que trajava um camisolão da Barbie, com não menos que sete anos de idade, mas completamente diferente das crianças que ele se acostumava a ver nos dias atuais, falar com sua pessoa. Ela ainda tinha aquela inocência, aquela alegria infantil apesar da clara visão de que lutava diariamente com o câncer. Era uma experiência única estar na frente de uma heroína tão pequenina e o fez se sentir honrado ao ter de agachar para conseguir passar os braços pelo pequeno e magro corpo que exemplificava tudo o que ela combatia. Mas, o sorriso, de real felicidade, o atingiu mais do que qualquer outra coisa que pudesse ter sentia ao soltá-la um pouco para encarar aquele rostinho.

– Qual é o seu nome, Barbie? – brincou com ela, vendo um pequeno rosado de satisfação preencher a bochecha pequena.

– Sou Merlany, mas meus amigos me chamam de Mel. Então, pode me chamar de Mel.

Seu coração sentiu algo estranho ao pensar que Atena fazia aquilo todo tempo, quer dizer, era o que deduzira ao ver a familiaridade com que contava as histórias, brincava e os levava a rir. Algo que não estava acostumado. Algo bom que o fez desejar ter levado a sua maquina para fotografar aquela pequena fada a sua frente, sorrindo e mostrando o que era viver a vida de verdade. Beijou suavemente o topo da mão minúscula entre as suas, a mão que quase podia ver que um dia, se tivesse um filho, teria. Um pensamento completamente inusitado para seu mundo sempre louco.

– Sou Poseidon, Mel. Você que brincar?

E era como avisar que estavam dando sorvetes para todos. Logo, não se encontrava brincando somente com Merlany, mas também com Thomás, um menino inquieto que insistia em discutir com a garota de olhos azuis; e com Lila, uma garotinha tímida que segurava uma pequena bonequinha que deveria se parecer muito com ela em tempo melhores. Era tão trágico e ao mesmo tempo tão emocionante encontrar-se envolto de um amor que ele sabia que eles não recebiam sempre, entre tratamentos de quimioterapia e remédios demarcados, enquanto divertia-se em se esconder com eles, algo bem difícil em um hospital, e rir da cara de Atena ao levar um susto que foi dado por todos eles juntos. A mulher de olhos cinza revirou estes para então correr atrás de cada um e fazer cócegas. Era um som que Poseidon demarcou como delicioso naquele lugar tão frio e que sempre continha a ele o cheiro de morte, um som que o fez pegar Atena no colo ao impedir de ser agarrada pelos menores e que o fez encará-la com mais suavidade, algo dentro de si se alegrando ao ver aquele rosto sério se abrir em um sorriso de cumplicidade e ternura que nunca havia visto antes nela, tudo isso para então rir ao Thomás segurar o pé da mesma e dizer:

– Está com você.

Então, provando-se uma perfeita criança, Atena tocou seu rosto levemente e piscou.

– Está com Poseidon.

E pulou de seu colo, fazendo todas as crianças gargalharem enquanto corriam dele, até que, cansados, ao menos os dois mais velhos, abriram as caixas, sentados em um circulo de forma a todos poderem participar, e passaram a entregar os presentes que Atena havia comprado. Um bom modo de gastar dinheiro, pensou ele ao receber um beijo de Lila na bochecha ao ganhar uma nova boneca de forma que era encantador vê-la segurando as duas, sem deixar a outra de lado. Terminado o conteúdo das caixas, Atena, surpreendentemente, escorou em sua pessoa que se encontrava encostado na parede, o único que fazia isso, e com a cabeça pousada em seu ombro, começou a ler um pequeno livrinho ao mesmo tempo em que todas as crianças se amontoavam ao redor deles ao ponto de Poseidon ter de colocar Mel em seu colo. Foi um instante de risos das caras de Atena, sorrisos das falas dele e muita admiração naqueles olhos infantis vidrados nas histórias, uma admiração que Poseidon sabia que devia ser ao contrário ao saber de tudo pelo que elas passavam e o quão difícil deveria ser. Uma admiração que o levou a querer sempre estar por ali e que o fez sorrir ao ver todas as crianças deitadas no chão mesmo, algumas dormindo e outras fechando e abrindo os olhos lentamente. A clássica soneca da tarde que era mesclada aos medicamentos que tomavam, e com os esforços que fizeram, ele sabia que não demoraria muito a acontecer, mas viu-se sorrindo ao ajudar Atena a colocá-los na cama, sendo a primeira, Lila, que dormira em seus braços calmamente e da qual deu um beijo na testa da mesma, a acariciar aquele rosto que não deveria sofrer tanto e prometer que voltaria ali para vê-la.

Ao final, só havia Lucy, a mais velha das crianças, trocando os canais da televisão e que sorriu para eles com a mesma mão que segurava um pequeno aparelho de som que Atena havia lhe dado ao dizerem que iriam embora. Aquilo se tornava inesquecível enquanto caminhavam para fora, para o carro, onde não chovia mais, após se despedir da Doutora Elisa, e andarem calmamente. Nenhuma briga em mente, nem nada parecido.

Atena sorriu para sua pessoa quando pararam de frente ao carro dela. Os olhos cinza delicados e suaves como uma tempestade que não seria cruel ao cair.

– As crianças gostaram muito de você.

Poseidon sorriu de volta.

– Dei o meu melhor... – suspirou. – Queria ter trazido minha maquina.

– Outro dia você poderá voltar.

Então, ele soube o que queria. Desejava mostrar a ela seu outro lado. Um lado inimaginável. E sorria ao encarar aqueles olhos com satisfação.

– Vamos, Atena, vou te levar a um lugar.

Notas finais
Eu já disse que adoro Poseidon fofinho e lindo assim? Own *---*