Notas iniciais
*assoviando* A vida é linda, a vida é bela ;)
Sim, eu estou suuuuper paz e amor, mas, tem uma explicação *-* MILLLLEEEEEEEEEEEEEEEE, muuuuuito, muuuuito obrigada meeeeeeeesmo pela recomendação que eu acabei de ver quando entrei aqui *-* Ownt, sabe que não vivo sem você não sabe? Claro que sabe, vive me dizendo isso kkkkkk Anyway, obrigada, por ter me dado esse meega presente. Por isso e por ter me aguentado taaanto, esse capítulo aqui vai pra você, fofolete!
Com vocês, o capítulo da Mille (ou My ^^) ;)
Divirtam-se.

[Música — Take It All — Adele]

- Hoje está com cara de que vai chover. – dizia Poseidon enquanto abria a porta da Mansão dos Danniels, a casa mal assombrada como ele e sua irmã tinham o costume de chamar, para Atena entrar. – Acho que vai precisar de um saquinho de gelo ai, certo?

Atena assentia ao retirar a blusa de frio dele e colocar sobre uma cadeira no hall, segurando a lateral do corpo a fim de não demonstrar nenhum sinal de dor. E Poseidon nem precisava ser um médico ou psicólogo para ver o orgulho que inflava naquele coraçãozinho, não se deixando demonstrar fraca diante de qualquer pessoa. Uma das tantas qualidades que ele começava a notar sobre aquela garota de cabelos loiros.

Poseidon pousou a chave do carro e da casa sobre um aparador, tirando os sapatos, antes de encaminhar-se, com ela o seguindo, finalmente parecendo apreciar a antiquada casa em seu interior. Sem parar, deixando-a aproveitar os quadros e as fotos que haviam comprado há muito tempo, em dias que seu pai ainda interessava junto com sua mãe sobre artes, caminhou até o freezer, apanhando um conjunto de quinze bloquinhos de gelo dentre carnes, batatas fritas e outras coisa congeladas, e assim o feito, colocou tudo dentro de um pano, fazendo uma trouxinha enquanto pensava, pela primeira vez, depois de muito tempo ser ir naquele “castelo”, em sua mãe. Aquela adorável mulher de cabelos cor de fogo, olhos amêndoas mais amáveis do que qualquer outra pessoa poderia ter que sempre fazia cookies para eles nos dias de neve, usando as horas em que não trabalhava para trazer felicidade àquelas crianças tão solitárias sem os pais por perto, quase sem vê-los crescer. Um sorriso cresceu na boca de Poseidon com essas recordações. Lembrava-se do cheiro do chocolate derretendo, sua mãe escondendo deles para não comerem até que esfriasse, já a fazer uma segunda porção, pedindo a ajuda dos dois irmãos para apanhar um ingrediente ali, provar a massa crua daqui, jogar farinha no cabelo de Afrodite e beijar Poseidon na testa com os lábios molhados de cacau quase liquido, sujando-os. Divertindo-se.

O garoto de olhos verdes suspirou, a admirar aquele cômodo onde gastara o melhor tempo de sua vida quando pequeno, sorrindo.

Se respirasse fundo, ainda conseguia recordar o perfume de lilases que sua mãe usava. Ainda podia vê-la, com seu avental, perguntando com uma voz doce que contava história a eles todas as noites: “Como foi à escola?” e escutava-os, sempre com um sorriso no rosto, descrever contos bobos do dia, como Poseidon pegando a massinha de Dionísio e Afrodite rindo por ele ter sido colocado no cantinho da vergonha por causa disso. Era alegria.

Poseidon apoiou-se no balcão, virando-se em direção da porta.

Um sorriso cresceu. Quando tinha dezesseis anos, entrando por aquele vão, com uma bolsa jogada de qualquer jeito em um ombro, imitando com caretas tudo o que sua mãe brigava com ele logo atrás, seguindo-o para reclamar do mau comportamento. Ele sentia falta daquilo. De sua mãe reclamar, reclamar, e depois ir até ele, deitar-se ao seu lado, mesmo mais velho, e acariciar seus cabelos enquanto explicava o porquê de ter feito todo o show, levando-os a rir no final.

Se pudesse voltar no tempo... Trazer toda aquela felicidade, aquele brilho nos olhos de seu pai ao ver a esposa... De receber abraços só por ter tirado lindas fotos, a única que o apoiou... Aprender como fazer petit gateaus, sempre um fracasso... Mostrar sua namorada nova, vendo-a inspecioná-la com perguntas simples que o faziam sorrir por dentro... Sua mãe.

Suspirou.

Ela gostaria de Atena, pensou ele, olhando para seus pés, as lembranças que por anos prendera, vendo o sol depois de tantos dias trancado, aspirando àquela materialização dentro da cozinha, sussurrando falas de sua mãe em sua mente... Fazendo-o recordar porque escolhera aquele lugar. Não havia sido ao acaso, como sempre dizia, queria ter coragem de colocar o pé dentro dessa casa após a partida da pessoa que mais amava no mundo. E havia conseguido. A vitoria preencheu seu peito repleto de emoções há muito não sentidas. Suspirou. Havia conseguido graças a Atena. Tudo por ela.

Poseidon percebeu que se desligara, fitando uma janela com uma convicção divertida para Atena que o fitava e o que fez sacudir a cabeça, voltando para a realidade. Ele sorriu, sua atenção voltando-se para aquela garota admirável, parada de braços cruzados contra a parede, os lábios repuxados em um sorriso curioso. Essa, ele sabia, era a melhor qualidade que tinha.

Então, ele lembrou o que havia ido fazer por ali. O que não incluía relembrar coisas, disso todos tinha certeza. Sorriu desculpando-se ao mesmo tempo em que entregava o pacote frio e meio molhado para uma Atena quieta. Seus olhos encontraram-se com os dela, lendo neles que ela vira algo que talvez não devesse, que se preocupava com o fato de ter entrado em um momento intimo. Fatos que ele nem se quer levou em conta, feliz por ela encontrar-se ali, segurando, mesmo sem saber, aquela barra de voltar a um lugar que sua mente temera despedaçar se ficasse por um segundo se quer, acalmando aquele fluxo de imagens... Saudáveis, sim, agora eram boas.

- Desculpe, acho que havia prometido gelo – brincou Poseidon, escondendo-se atrás do seu sorriso. – Ficou meio aguado.

Os cabelos dela acariciaram os ombros ao sacudir, em sinal de “sem problemas”.

- Não estava sentindo dor.

Claramente, era uma mentira que ele pôde facilmente descolar da voz dela e que o levou a sorrir gentilmente. Então, recordou porque haviam ido para lá. Andava esquecendo muito facilmente o que deveria fazer. Pediu para que fossem para a casa de arvore, falando que lá teriam mais privacidade e sentiria-se melhor, só apanhando algumas coisas que havia pegado no apartamento dela que poderiam ser uteis e depois, com Atena segurando o gelo contra o hematoma, caminharam, conversando um assunto fútil e sem problemas sobre o clima e o filme que passaria na televisão naquele dia, para o local onde tudo havia mudado, sem pressa alguma. Poseidon adorando caminhar pelo gramado em que aprendera a cavalgar e a fazer guerra de neve e dividir aquilo com Atena, sorria a cada palavra que saia da boca rosa dela, fazendo-o rir ou pensar em assuntos importantes de economia e fome na África. Era incrível que Atena soubesse sair de um tópico descrevendo a vida da Chanel até que Buffalo Bill’s havia ganhado o campeonato passado, um leque de inteligência que o fazia apenas olhá-la, achando-a... Perfeita.

Poseidon sacudiu a cabeça ao pensar nisso. O que diabos está calculando, mente estúpida? O que está planejando?

Mas, antes que pudesse ter sua resposta, chegaram a arvore correta e tiveram de subir. Foi um pouco doído para ela, mas, sem emitir um sinal de que queria ajuda, Atena chegou ao topo e Poseidon foi logo atrás, fechando a porta ao passar.

Atena jogou-se na cama assim que teve a chance enquanto ele continuava a andar, apanhando uma coisa ou outra, como suas duas câmeras espalhadas por ali e alguns relatórios, com as fotos dela também em um papel pardo.

- Pode ir começando – avisou Poseidon, sabendo bem que Atena compreenderia sobre o que ele queria dizer. – Só estou arrumando um negocio aqui, mas estou te ouvindo.

Um pesaroso e tenso silencio estabeleceu-se após seu discurso, claramente a mostrar o quanto Atena escondia de todos e o que ele tanto desejava saber, sem entender o porquê daquela intensidade de conhecer a historia de uma amiga.

Poseidon trocava o cartão de memória, guardando-o cheio junto com as fotos, no instante em que ela começou, sua voz hesitante.

- Vou te dar três perguntas.

Surpreso com as condições aquela altura do campeonato, Poseidon só pode olhá-la, com as sobrancelhas erguidas.

- Pensei que fosse dizer tudo.

Atena deu de ombros.

- Você nunca me disse tudo, não há porque que eu faça isso. Seria injusto.

Era definitivamente um bom argumento. E nem havia como rebater. Aceitando a condição, ele pensou bem antes de fazer a primeira, das três que teriam. Chegava a ser irônico como um gênio da lâmpada.

- Muito bem... De onde você vem? – Poseidon encarou-a quase a assistindo procurar uma resposta bem formulada para ele. – E não pode ser evasiva.

- Por que não? – perguntou ela.

Poseidon quem deu de ombros essa vez. Sua carta de volta.

- Por que eu sempre falei tudo que estava relacionado com as perguntas que me faz.

Ambos sabiam que era justa aquela regra.

Um pouco relutante, Atena assentiu e suspirou, os olhos tornando-se azuis, fato que ele percebia sempre acontecer quando queria esconder algo ou sentia-se afetada. Estava aprendendo bem a lê-la.

- Nasci em Frankfurt, Berlim, na Casa dos Hellys, no dia 14 de Fevereiro.

Um sorriso escapou de seus lábios.

- No dia dos namorados nos Estados Unidos.

- Todos parecem lembrar-se disso – revirou os olhos. – Enfim, como eu dizia. Morei em Londres, aos arredores do Japão e fugi de casa, como você escutou, quando estávamos em Nova York, o melhor lugar que pude encontrar. Pessoas demais sempre é um bom modo de desaparecer de um pai furioso.

Uma resposta completa, Poseidon anuiu, aceitando a explicação, achando surpreendente que ela já tivesse ido a tantos lugares. Mas estranho o fato de falar com certo nojo. Tenho mais duas. E já sabia a próxima.

- Por que fugiu?

Atena não olhava ao responder, brincando de apertar o machucado.

- Vamos pensar hipoteticamente.

- Do modo que quiser.

- Há quatro pessoas, Karla, a mãe, Cathy, a filha, Loan, o pai e Chris, o filho. Eles moravam falsamente felizes, se aturavam, fingiam que se amavam e nunca brigaram. Chris e Chaty nunca se deram bem pelo fato de Loan gostar mais da filha do que do filho, mandando-a fazer um intercambio e uma faculdade de administração e outra de contabilidade para tomar o posto de dono das empresas Fulano. Chris bate em Cathy, Cathy cansa daquele lugar e resolve que queria viver sozinha. Chaty rouba o dinheiro do cofre que só ela e Loan sabiam a senha, levando consigo o suficiente para pagar qualquer faculdade ao menos por cinco anos. – Atena suspirou, fechando os olhos. – Cathy diz que odeia Karla, diz que ela é uma vadia e que nunca a amou porque só Chris era filho dela. Karla expulsa Cathy de casa e com o dinheiro que Cathy tem, ela vai pro aeroporto, só com cinco mudas de roupas e uma bolsa cheia de dinheiro, e compra a passagem para o primeiro lugar que pode. Liga pro seu amigo, Jack, que morava naquele lugar, logo depois de descer no aeroporto e pede a ajuda dele para esconder-se. Jack e Lola a escondem de todos os homens de Loan que a procurava e assim Cathy some por cinco anos, feliz e contente, com um final que seria feliz, fazendo sua faculdade de Botânica. Até que Cathy vê Chris outra vez e tudo vai por água a baixo e sabe que Loan não demorará a vir em sua presença. E essa é a historia de Cathy.

Não foi difícil para Poseidon trocar os nomes dos personagens que conhecia, como Shark ou Ares, o irmão dela, Apolo e Artemis, pelo fato de sempre estarem juntos, já que Afrodite ainda não vivia ali. E, claro, Cathy ser Atena. Nesse mesmo ano, Poseidon e sua família seguravam a dor e a tristeza da morte da mulher da casa. Era incrível como o tempo podia ser tão... Complexo e interessante. Enquanto Atena fugia de um lado para ir atrás de seus sonhos, Poseidon afundava-se em uma quase depressão. O destino podia ser cruel.

Ele sentou-se em uma cadeira que havia puxado do outro cômodo e virou-se na direção dela, que deitada, olhava para o teto, algumas cândidas lagrimas escorrendo pelo canto do rosto belo e sem expressão. Uma página em branco.

- Eu te entendo.

- Não sei se concordo.

- Por quê?

- Simples, o fato de duas pessoas nunca terem a mesma perspectiva, sabe? – respirou fundo. – Não desconsidero o que você passou, mas não dá para entender. Assim como nunca saberei como é ter uma mãe, entende?

- Claro, Paciente Atena.

Com essa brincadeira descontraída, ela sorriu fracamente, mas o suficiente para ele também abrir um, feliz por quebrar aquele gelo que se formava.

- Você tem mais uma pergunta.

Revirou os olhos para impaciência dela. Eu quero digerir e saber fazer a pergunta certa.

- Estou pensando.

- Pense rápido.

- Por acaso isso daqui é “Show do Milhão”?

O sorriso na boca feminina ampliou.

- Nem sabia que você recordava disso.

- Nem eu sabia. – os dois riram. – Acho que tenho a próxima questão pronta, chame o Banqueiro.

- Pergunte.

Poseidon segurou a mão dela, quente e pequena, entre as suas enormes. Devagar, enquanto pensava na melhor forma de perguntar aquilo, traçava as linhas da vida, como muitos brincavam, na palma aberta e macia com seus dedos, sentindo aquela estranha intensidade que descarregava em seu coração e o fazia praticamente correr.

- Atena. – sussurrou ele. – O que você pensa sobre mim?

Escutou-a engolir a seco. Os olhos cor do céu lá fora se apagaram, tornando-se concreto, impenetráveis enquanto o fitava de volta, parecendo levar a sério. Poseidon achou-se uma menininha ao repassar o que havia dito em sua mente.

Então, Atena suspirou, puxando-o para perto de um jeito que Poseidon deixou-se ser levado até encontrar-se meio inclinado sobre o pequeno corpo e o suficiente próximo para ela colar sua boca macia contra a dele em um beijo calmo, que o atingiu em algum lugar, lá no fundo. Que o fez sentir-se de um modo estranho, aquele modo da noite anterior. E apenas sentindo isso, que Poseidon segurou o rosto bonito entre as mãos, afagando as bochechas e amaciando a boca delicada com a sua rude, prendendo-se naquele encanto que começaram em um ponto impossível de descobrir, mas que tomava forma, como ele tomava cada respiração que saia daqueles pulmões. Os dedos pequenos dela pousaram em seu peito, acima de seu coração, enquanto procurava descobrir o que ela queria dizer ao usar aquela linguagem maravilhosa. Sua língua adocicada pelo gosto da pasta de dente que passou a perceber que Atena usava, seu ar mesclado ao cheiro inconfundível de morango dos cachos loiros e nada mais havia. Só o suspirar daquela garota que entrou de forma abrupta em sua vida, do modo mais imprevisível possível quando se separaram, seus olhos encontrando-se no caminho, amarrando-os em uma corda invisível.

Poseidon tentava entender o que era isso. O que via naqueles olhos. O que sentia.

E ela parecia fazer o mesmo, os olhos cinza perdidos, como os seus também deveriam estar.

Então, a verdade abateu-se sobre eles, a realidade dando um tapa na cara de ambos e os fazendo soltarem-se, meio embaraçados, corados, murmurando “Esquece” juntos.

Um sorriso cresceu no rosto dos dois jovens com aquela sincronicidade, interiormente adorando todo aquele clima bizarro que aparecia. Foi quando Poseidon ia perguntar sobre seu questionamento anterior ao beijo que Atena começou a falar ao mesmo tempo. Eles riram, a partir aquele bloco de gelo.

- Você primeiro – disse Poseidon, sendo cavalheiresco.

Atena assentiu.

- É sobre sua... Pergunta. — Ele fez um aceno para que continuasse. Um suspiro vindo dela. – Responderei depois quando eu...

- Entender – finalizou, com um sorriso, pensando a mesma coisa. – Por enquanto, vamos nos manter... Longe.

- Sim, essa é uma boa ideia.

- Só até tudo estar normal.

- Isso.

E como que sendo contrariados por seus corpos, Poseidon deitou-se ao lado dela, aproveitando-se daquele espacinho macio e quente naquela casa gelada, adorando senti-la pousando a cabeça em seu peito e passou a acariciar os cabelos loiros, logo após entregar o que havia trazido do apartamento: um conjunto de trinta folhas que Poseidon lera e surpreendera-se com a tese que ela havia criado para apresentar no próximo dia, na aula do Professor Maxwell.

- Não acredito que trouxe – disse ela, ao receber, com um mega sorriso.

Poseidon deu de ombros, sendo humilde, enquanto mexia no seu computador a procura da melhor foto, inspirando-se em cada olhada e forma do corpo daquela que agradeceu muito por ter apanhado sobre a mesa o trabalho.

- De nada – tocou os lábios no topo da cabeça dela que passou a ler o projeto, deitada contra ele, super concentrada. – Não quero que tire noite baixa por minha culpa.

E assim, com cada um fingindo prestar atenção em seus devidos deveres, quando na verdade pensavam sobre o beijo que dividiram, sobre o peso daquele fato, ficaram a tarde juntos. Quietos.

E eles mal sabiam que só estava começando.

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Autora ouvindo música clássica:

É tão bom, tão relax... Anyway, uma surpresinha pra vocês hj ^^

Notas finais
Musiquinha triste *pensando*