Four Seasons
34 Photograph.
Notas iniciais
Anyway, estou recompensando aqui, pra você, como meu presente de aniversário, Caixetinha esse capítulo totalmente dedicado a você.
Toda a felicidade do mundo e do Olimpo pra você ;)
Boa leitura.
[Música — Photograph — Nickelback] (tão irônica .-.)
– Estou acumulando ao menos uma Cordilheira dos Andes de tanto trabalho por causa dos sábados e domingos que saímos — dizia Poseidon, deitado ao seu lado, Atena e ele olhando, sem nada para fazer os veios do teto. Ela podia notar o material com que fora feito, percebendo e apreciando o modo como a madeira era arranhada a fim de dar um charme rústico. Era incrível o que algumas aulas podiam fazer com você.
Devagar, ela sorriu.
– Eu tento terminá-los assim que finalizo o meu dia na Universidade.
– Mas chegamos praticamente... O que... Onze da noite?
– Meia-noite — ela virou-se para olhá-lo. Poseidon já a fitava. — Uma péssima que acontece quando está na faculdade. A vida social some.
Poseidon fez uma careta engraçada.
– Meus amigos dizem que nem sabem mais meu nome pelo tempo que não os vejo.
Atena deu uma risadinha, pousando as suas mãos sobre o estomago, curiosa sobre o que ele dizia. Melhor, diga-me quando ela não se encontra ansiosa por novas informações? Era tão dela que precisaria de tortura psicológica para retirar daquele espírito.
– Como mantive somente aqueles quatro comigo, alimentando-os no meu apartamento, não tenho um problema assim.
Os olhos verdes tornaram-se brandos.
– Você não é muito de sair, né?
– Não. — Atena deu de ombros. — Sempre fui mais a nerd do que a popular.
– Mas aposto que muitos garotos que você achava idiota queriam namorar contigo.
Ela revirou os olhos cinza para o sorriso safado dela, achando muita graça que ele pensasse. Uma garota com cabelos mal cuidados, que usava aparelho e os óculos, além de ficar o dia todo ajudando seu pai com contabilidade, nunca seria alguém com quem meninos namorariam. Ou ao menos, era assim que pensava.
– Nunca fui uma Nicole Kidman da vida. Estão te enganando, Poseidon. — ela sorriu. — Lamento informar que eu só era a capitã do time de xadrez.
O nariz dele enrugou-se, o que a fez rir da cara de não muito legal.
– Serio? Clube de Xadrez?
Ela deu de ombros, uma vez mais.
– Eu era boa. — então adicionou, com uma pitada de sarcasmo. — E também de matemática, física, química e astrologia.
– Agora só falta me dizer que gosta de Senhor dos Anéis.
– Eu gosto. Tolkien é o máximo, nem venha reclamar.
– Não estou ouvindo isso. Deixe-me dar um jeito nisso.
Então, com rindo, Atena foi puxada pelos braços dele até tocarem seus lábios, afogando suas reclamações. Aquele sentimento estranho outra vez. Era realmente interessante como se davam bem, conversando, logo após desistirem de estudar, de fingirem que conseguiam concentrar-se naquilo, e ter trocado papeis e tecnologia, por carne e beijos. Nesse momento, Atena sorria enquanto tocava seus lábios aos dele, sentindo as mãos masculinas e calosas no final de suas costas nuas, seus corpos nus tocando-se. Uma rápida passagem de que não iriam mais ficarem juntos, que não mais se pegariam, parecia ter ido por água a baixo. E nenhum deles reclamou com o que fizeram minutos atrás, muito pelo contrário, chegaram a repetir. Ela perguntou-se se sexo era tão viciante quanto se mostrava ser, ou se era só pelo fato de encontrar-se com o Deus das Preliminares. De verdade, não sabia o que responder, além de adorar passar os braços pelo pescoço dele, escorando somente a parte de cima de seu corpo no peito forte, sentindo os carinhos que ele fazia ao mesmo tempo em que a beijava. Um arrepio subiu.
– Não devíamos... — deu um selinho na boca firme e máscula. — Estar... Nos beijando.
Uma risada saiu da boca embaixo da sua.
– Não deveríamos fazer muitas coisas e, no entanto fazemos.
– Poseidon filosófico?
– Meu outro lado da moeda.
Atena sorriu enquanto afastava-se, para olhar os olhos esverdeados que sorriram para sua pessoa, as mãos do dono deles prendendo um fio revoltado da sua juba atrás de sua orelha, uma troca interessante de delicadeza que ela começava a gostar. Até mais do que deveria, muito acima do que poderia, e cá estava, divertindo-se em dividir uma cama com ele, enrolada somente pela colcha branca usada mais cedo. Pousou o queixo sobre o tórax que subia e descia. Poseidon era mais sexy e irresistível do que ela pensara.
– Então... — começou ele, deslizando o dedo pelo seu braço. — Não deveríamos transar, certo?
Mesmo acostumada com aquele modo despojado inerente de Poseidon, ela corou com a palavra. Ainda achava-se extremamente tímida em relação a falar sobre atos íntimos, principalmente divididos com aquele homem.
– Era parte do progresso que tentaríamos.
– Somos péssimos seguidores da lei.
– Verdade... Você é preso e eu fujo de casa... — ambos riram. — Uma grande historia para contarmos aos nossos amigos.
– Um ladrão que rouba uma linda garota.
Ela fez uma careta, negando, os cabelos caindo levemente por seus ombros.
– Não, isso é um tremendo clichê de Romeu e Julieta.
– Então... Você não é romântica?
– Nem um pouco. — revirou os olhos. — Qual é? Amor não existe, é ser inocente acreditar nisso. O mundo de hoje só quer saber de dinheiro, essa é a verdade que todos querem esconder.
Ela pôde ver a surpresa que tomou aqueles olhos cor de jade ao mesmo tempo em que um sorriso aparecia no canto meio avermelhado da boca dele. Parecia que outra vez tinham pontos diferentes.
– Colocando em outras palavras, você acredita que só existem interesses por trás de um casamento.
– Somos humanos, vivemos a escolher, a fazer as melhores ideias para nosso futuro. — ela deu de ombros. — Por que uma mulher com filhos ficaria com um cara pobre de uma historia quando tem um cara rico que poderia dar todo o conforto e segurança para seu progenitor crescer e tornar-se alguém bom?
Poseidon riu da ideologia dela, Atena vendo o quanto soara interesseira. Mas, ao vê-lo tocar seu rosto, ela notou que ele não pensara aquilo, levando a serio sua metáfora, sua hipótese.
– Nesse caso, eu concordo com você... Mas, e se fosse o caso de você gostar de alguém? Uma universitária, sem qualquer problema além de estudar?
Era clara a implicação dos dias que passaram juntos bem ali, naquela ultima oração. Prevendo que suas palavras seriam essências, Atena pesou-as bem antes de dizer, com um tom doce e agradável, tom que aprendera com seu pai para bajular os sócios da empresa.
– Eu negaria. — tocou o rosto dele com os dedos. — Nunca deixaria isso continuar. Seria impetuoso e louco demais amar alguém na fase em que decidiria a minha vida. E mesmo se gostasse, o afastaria. — suspirou. — No mundo onde cresci, não há lugar para amor verdadeiro, só para dinheiro e uma parcial felicidade de quando consegue expandir seu negocio. Além do mais, não acredito no amor.
A voz dele foi tão suave quanto a sua fora ao sussurrar, segurando seus olhos aos dele.
– Quem te fez ficar assim?
Atena retesou-se. Estavam entrando em um assunto delicado, passando a cordinha amarela de "Crime Scene" que circundava seu coração e sua mente. E Atena não queria mesmo isso. Nunca dissera, nem diria, o que acontecera. Claro, já era obvio que pelo fato de não ter uma mãe, tudo mudara. No entanto, sempre havia segredos dentro dos próprios segredos, partes omitidas ou convertidas em algo mais... Saudável para continuar a vida. E esse era um desses tópicos.
Fugindo daquele questionamento, como também dos olhos verdes que a fitavam com certa... Tristeza, Atena empurrou-se para fora do circulo que os braços malhados dele faziam e sentou-se, enrolada no pano branco, de costas para Poseidon. Não poderia olhá-lo agora, não queria que visse o que havia em seus orbes cor das nuvens que esparramavam a chuva lá fora e nem desejava explicar aquela parte da sua história.
Quanto menos ele soubesse, melhor seria, e era com isso que Atena encobria sua caixinha de segredos, guardada ao canto de sua mente e que pedia para ser aberta, uma razão que ela não compreendia. E nem iria.
Ela levantou-se, sem dar uma olhadela se quer para Poseidon na cama, e começou a procurar sua roupa. Em segundos, estava vestida, dentro do banheiro, olhando-se no espelho enquanto tentava arrumar a juba que era seus cabelos loiros. Seu coração doía de um jeito que não compreendia, como se tivesse preso um animal ali que com garras tocava as laterais da sua prisão, deixando estranhas marcas. Fatos do passado que a atormentavam. E que desejava esquecer.
Se Poseidon não tivesse entrado naquele assunto.
Abaixou-se para cuspir a água que havia colocado na boca e ao voltar viu-o, de braços cruzados e rosto plácido, sem denunciá-la por sair do seu lado ou qualquer acusação que pudesse fazer, somente a encarando com olhos nobres e cor da grama, escorado no batente, fato que Atena começava perceber ser uma de suas manias. Quase podia ouvi-lo dizer: O que seria da vida sem manias? Mas, nem isso a fez sorrir, parada, retribuindo com intensidade aquele olhar.
– Atena. — murmurou ele, com a voz relaxada. — O que você tem tanto a esconder?
Segredos que ninguém deve ouvir ou saber, pensou ela, contudo, só o que fez foi negar com a cabeça.
– Não vamos falar sobre isso.
– Atena...
Ela virou-se com tudo, sentindo-se a beira de explodir, o que a fez pensar que talvez estivesse na TPM e enfrentou-o, mesmo com sua pouca altura, calando-o.
– Poseidon, não somos nada, não tenho o porquê de dividir com você minha vida.
Os olhos dele tornaram-se aquele mar calmo e espelhado, sem mostrar nada, retribuindo todo aquele sentimento que estourava dentro dela, amedrotando-a.
– Você está certa. — disse ele por fim para a surpresa da garota que já pensava em desculpar-se com a grosseria. Ele respirou fundo antes de dar um daqueles sorrisos calmantes e de quem não quer nada com a vida. Foi como se Atena finalmente compreendesse como ele escondia todas as emoções, independente da força que elas continham. Poseidon ergueu as mãos em um "Pare", tão bom ator que ela quase acreditou que ele ria. — Prometo não tocar mais no assunto confidencial. Área 51.
Seu peito doeu, algo acontecendo, no momento em que Atena deu um passo para frente. Ele recuou.
– Eu não...
– Atena, relaxe, eu entendi. Não deveria ter forçado um assunto que você sempre negou.
– Poseidon.
Em um rompante, ele colou sua boca a dela, dando um beijo bem artificial, que não chegou se quer a tocar aquele ponto que Atena sempre notava tocar, e sorriu ao soltar-se.
– Vamos, já são quase oito horas e você ainda tem que comprar pizza. Acho que vou deixar por minha conta.
E assim, enquanto dizia, ele afastava-se, deixando uma Atena perplexa e sem entender o que acontecia consigo mesma.
O que eu fiz?
[...]
O caminho foi realmente tenso quando desceram do jipe com Atena segurando as duas pizzas em mãos, relembrando que a única hora em que Poseidon conversara com ela fora ao dizer que pagaria aquela rodada por sempre estar indo lá, uma forma de recompensar. Caminhavam lado a lado, cada um na sua, ela pensando em que diabos a fizera reagir com tanta agressividade a uma pergunta. De fato, não era de seu feitio agir, sempre fora educada e polida, aprendendo desde cedo que precisaria ser uma ótima oradora para conseguir lidar com os fatos da vida. Mas, Poseidon... Ela sacudiu a cabeça... Ele a deixara no extremo entre o desabafar e o medo de romper aquela fina linha que a mantinha com suas ideologias. E isso a fizera agir instintivamente, ainda que não achasse aquela resposta o suficiente para aplacar o modo grosseiro como se dirigiu a ele no banheiro. Fora algo feio e ruim, algo que os mexera, tocando uma peça do domino que os fazia segurar com os dedos o que quer que fosse aquele entorpecimento em seus corações. Ou aquela agonia que Atena agora sentia.
Ela suspirou, odiando que Poseidon apenas sorrisse para ela quando trocavam olhares e resolveu que era hora de dar um passo naquilo. Eram amigos, não podiam simplesmente deixar estar daquele modo. Não de longa data, mas isso não mudava o fato de tornarem-se amigos.
– Poseidon.
– Agora não, Atena.
Ela mordeu o lábio inferior ao sentir a pancada daquilo mesmo encoberta por uma camada de delicadeza cavalheiresca.
– Quando então?
Escutou-o suspirar.
– Mais tarde, não estou bem, acabei de receber a noticia de algo péssimo. Poderei não ser tão... Educado.
Um peso parcial foi tirado de seus ombros ao saber que não somente aquela briga boba acabara com suas conversas. Começaram a subir as escadas, o cheiro de calabresa e banana preenchendo os locais por quais passavam.
– Então... — Atena olhou para seus próprios pés. — O que aconteceu?
– Meu agente não conseguiu pegar as fotos que eu mandei para ele. Vou ter que ir lá.
– Quer que eu vá com você? — perguntou ela, incerta.
Poseidon negou com a cabeça, sorrindo, cortês.
– Não deixarei você ver as fotos, só depois, quando eu te mandar à vencedora.
Ela sorriu fracamente com isso.
– Então, não vai ficar para a pizza?
– Até ia, mas agora, vou ter que ir lá. O diretor do evento exige quatro fotos permanentes. Não posso deixar escapar.
Ela assentiu, notando que haviam chegado à porta do 302, cor de chumbo e cheio de figurinhas de todos aqueles que já estiveram ali, apenas amigos e conhecidos que criaram aquela arte. Poseidon fitava um Dexter com tubos de ensaio em mãos ao despedir-se, dando um beijo em seguida na testa dela, meio frio, assim como ela encontrava-se.
Uma péssima coisa que acontecera.
Ela o chamou, sua voz soando alta naquele silencio, quando ele descia os primeiros degraus, a blusa de couro negra movendo-se a cada passo. Ele olhou para tráso cabelo negro jogados de qualquer jeito sexy e olhos verdes silenciosamente divertidos, o de sempre. Atena notou o quão bonito ele era.
Sorriu, corando.
– Vai vir aqui amanha?
Um sorriso também apareceu na boca dele ao dar de ombros.
– Vamos ver o que acontece.
E com essas palavras, após Atena concordar, sem saber se isso era bom ou ruim por causa daquele clima ruim, assistiu-o sumir na esquina da escada antes de segurar com uma mão as caixas e com a outra abrir a fechadura. O local estava silencioso quando adentrou, trancando com a chave de Artemis cheia de lua na parte de dentro e pousar a pizza sobre a mesa de centro.
– Apolo? Hermes? Dite? — gritou, retirando a blusa de frio de Poseidon, algo que pegara emprestado. — Art? Venham comer.
– Eles não estão aqui, Atena Hellys.
Atena estacou ao escutar aquela voz em suas costas. Virou rapidamente e o que viu a fez deixar cair à jaqueta no chão com um baque surdo na madeira, seus olhos expandindo-se e seu coração travando. Aquele, definitivamente, era o inferno na terra. E ela não sabia o que dizer, além de:
– Pai?
Um homem de incríveis olhos azuis relâmpago, trajando um terno risca giz, sorriu friamente e assentiu.
– É agradável que ver que está bem depois de tantos anos. — prendeu as mãos para trás, como costumava fazer com os empregados. — E temos muito o que dividir. Espero que não esteja cansada, pois vamos ter uma longa conversar.
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Autora pensativa:
Agora é a hora! UHUUUL, vai Zeus *risada maléfica* Finalmente.
Sério, o Nyah devia ter algum depositivo pra gente deixar o capítulo previamente pronto só pra postar automaticamente no dia que a gente escolhesse lá .-. Eu tava pensando que não sei quando poderei postar de novo, acho que essa semana está beem mais apertada, mas tentarei ;)
Beijinhos e espero que tenham gostado do "Domingão da Nívea"
Nivea
;D
Ps²: Parabéns mais uma vez, Caixetinha ;)
Ps: Como eu amo vozes malvadas *voz de Zeus* Não esqueçam dos recados*
Beleza?
;)
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