Four Seasons
35 Hanging By A Moment.
Notas iniciais
[Música — Hanging By A Moment — Lifehouse]
- Então... É aqui que tem vivido? – perguntava Zeus, com seus passos calmos, andando pelo cômodo pequeno. Atena sentia-se quase sufocada com tanto poder que ele emanava. Era como entrar em uma câmara cheia radiação gama, adentrando sua pele e machucado seus órgãos, começando pelo coração. E só quem já esteve na presença de pessoas importantes sabe o que é sentir o peso de cada palavra dela como se fosse a sua vida de quem diziam.
Compatível e inacreditavelmente, era assim que Atena respirava, fracamente, enquanto terminava de absorver a explicação que seu pai havia dado sobre o porquê de estar ali e do que mais tinha feito. Sua garganta encontrava-se fechada quando apoiou a cabeça nas mãos, prendendo os dedos sem unhas grandes no couro cabeludo, sem acreditar que aquele quem a deu vida simplesmente havia chegado e acabado com tudo. E com um só estalar de dedos, quase que automaticamente pelo celular.
E estavaa ali, com ela, vistoreando seu apartamento com olhos sagazes e sem emoção, uma verdadeira folha de papel em branco, que diferente dessa, não amassava se apertasse, fazia era machucá-la mais, como ouriços expandem-se, espalhando seu veneno no machucado.
Seu pai era a pessoa mais influente do mundo. Só podia!
Por que Atena não estaria surpresa se de fato ele o fosse? Ela suspirou, passando a palma no rosto e fitando uma pilha de livros sobre a escrivaninha antiga que todos adoravam. Ainda não queria acreditar no que havia escutado, não mesmo!
- Sim... – respondeu Atena, sem emoção, sua cabeça perdida em pensamentos. – É aqui que vivo.
- Que vivia – corrigiu com um sorriso divertido que faria qualquer outra pessoa acreditar naquelas palavras ditas com tanta alegria. Claro, ele quem estava ganhando o sorvete, não ela. Zeus parou a sua frente, forçando-a a fitá-lo, aquela posição de estar subordinada ao seu ancestral era incrivelmente visível naquele minuto. Os olhos cor de relâmpago, na matiz próxima ao azul, que Atena, odiosamente, herdara, encarou-a com seriedade. E outra vez, a garota de cabelos loiros era somente uma criança birrenta que não havia ganho o presente desejado. – Vai seguir o que eu disse?
-Voce quer dizer o que voce ordenou? – reestruturou Atena, com uma careta.
Os ombros largos, encobertos pelo terno risca giz impecável subiram e desceram.
- Como voce quiser escutar, querida.
- Não me chame de querida. – ela tinha nojo de quando ele dizia aquela palavra. Parecia até que a amava. Ele não ama ninguém alem do dinheiro e do poder, essa é a verdade. – Mas, em relação ao que voce disse, eu tenho alguma outra solução?
O Todo-Poderoso, como Atena e Apolo costumavam chamar, sorriu sarcástico. O mais engraçado era que Zeus sempre fora muito expressivo e ela tinha certeza de que Poseidon não gostaria de tirar fotos dele, não mesmo.
- Sempre há.
- Não com voce. – suspirou, vendo que falava demais. – Eu vou, pai. Se prometer cumprir a outra parte do trato.
- Sempre cumpro com minhas palavras.
- É bom que seja assim.
- Ao acaso, Atena, isso foi uma ameça? – a voz era mortalmente calma, do tipo que usamos para comentar que a roupa do dia estava bonita. E ela pode notar a nota, bem ao fundo, de que ele encontrava-se surpreso e reagia em igual. Atena, isso é gelo, quebradiço, não pise no lugar errado.
Atena negou com a cabeça.
- Apenas estou avisando o que não quero que aconteça.
- Caso contrário?
- Caso contrário o que?
Zeus deu uma olhadela nas roupas que a filha usava, quase viu a repugnância ao notar que os olhos dele não viam nenhuma marca improtante.
- Caso contrário, filha – sorriu. – O que vai acontecer? Se eu quebrar com nosso tratado?
Ah, agora Atena sorriu, e muito, usando seu clássico repuxar de lábios ao estilo Curinga. Seja delicada.
- Creio que a nossa empresa, já que vai me dar um dia, poderia me dar um bom dinheiro caso seja vendida, não poderia?
Ela tocara no ponto certo. Amor, ódio, raiva... Nada disso funcionava com Zeus. Agora, falasse algo sobre derrubar seu poderio, seu império e era como atiçar fogo dentro da água, sem nem precisar de óleo boiando.
Os olhos brilharam, como raios deviam fazer, ao escutar tais palavras e ele estendeu a mão grande e que muitas vezes batera em seu irmão.
- Nada vai acontecer, prometo pelo Estige.
Estige nada mais era que o cofre onde ficava a grande parte do dinheiro e das joias de família, claro, as escrituras de todas as empresas tambem. Nem Atena sabia onde ficava, mas podia notar o peso daquela promessa, a ponto de apostarem o futuro deles.
Ela pousou a sua delicada mão para um aperto firme e seguro. Aquela era a maior promessa que Zeus poderia dar, e ninguém que a escutava ficava sem receber o que fora barganhado.
Um sorriso formou-se em sua boca.
- É sempre bom vê-lo, papai. – a ultima palavra dita acidamente. – Tenho quatro dias.
- Somente quatro dias, nada mais. E eu quem agradeço, filha.
Então, como se do nada fossem simples estranho, Atena viu seu pai sair do apartamento em passos relaxados, apanhando um celular dentro do bolso e já discando, antes mesmo de fechar a porta atrás de si, sem dar nenhuma olhada para trás. Ela deixou-se cair de volta no sofá que havia levantado, com um suspiro alto e com os olhos cheio de lágrimas.
Mas que porra de pai que tenho, pensou ela, segurando a cabeça, sem acreditar. Um pai poderia ser simplesmente bom demais, ou como o dela, um inferno. Só não sabia, até hoje, que ponto ele poderia ir para conseguir o que desejava. E talvez o preço fosse alto demais. Muito mais do que Atena pensou que seria quando Zeus a encontrasse, pois não tinha duvidas de que um dia bateria de frente com aqueles olhos azuis que davam medo, não era tão ingênua a ponto de achar que para sempre seria a Rapunzel escondida em sua torre afastada da civilização. Só não esperava que fosse tão cedo ou tão... devastador.
Então, engolindo as lágrimas, engolindo seu orgulho e engolindo toda a sua raiva, Atena apanhou o telefone e ligou, para quem menos queria e de quem mais precisaria agora para resolver seus planos.
O bip se fez por sete vezes antes de atender enquanto Atena olhava para o pequeno papel que seu pai havia deixado, ordenando que desse uma ligação a ele, sobre a mesa, perguntando-se se haveria discado errado no momento em que a voz disse. Havia muito tempo que não a escutava.
- Bóreas Dellus.
Sabia que ele reconheceria a sua, como havia feito com a dele e suspirando disse.
- Sou eu, Atena Hellys. Preciso de sua ajuda.
E perguntou-se onde iria parar com aquela loucura.
[...]
Poseidon respirou fundo ao escutar que ganhara mais duas fotos na semana de Fotografia de um animado e feliz William, seu empresário, quase seu representante enquanto encontrava-se fora, o que era muito usual. William mostrava o que havia conseguido, sentado ao seu lado, tentando fazê-lo concentrar-se naquela dádiva. Mas até mesmo Poseidon via o fracasso que estava sendo. Ele tentava, jurava que tentava, mas não conseguia, sua mente no convite que havia acabado de ganhar, que recebera antes de saber da noticia das sete fotos que teria como destaque em seu “estande”. Estava mais para um projeto enorme do que só um estande. Iris Dellacroix, sua idealizadora do marketing, também colocava para ele as ultimas fotos que haviam vendido, mostrando o quanto conseguiram no ultimo leilão e os próximos dias em que teriam uma parte da Barneys dedicada ao seu trabalho, com roupas que o estilista Alexander Wang baseara-se para criar a nova coleção. Ambos diziam que seria um ótimo investimento em sua carreira.
E não era nesse assunto que Poseidon encontrava-se, finalmente indo pegar uma garrafa de cerveja na geladeira e parando na batente da porta de seu apartamento que mal via, notando como ele parecia uma sala de cirurgia com tanta coisa nova e nada aconchegante.
O apartamento de Atena é bem melhor que o meu, pensou ele amargamente enquanto via seus dois assessores conversando entre si, prevendo o que seria melhor fazer até que ambos pararam e o fitaram.
Iris, hoje com olhos azuis, uma vez que seu maior hobby era comprar lentes coloridas, sorriu amavelmente, olhando-o como quem olha um filho. E era mais ou menos isso que ela era para ele, afinal, fora com aquela mulher de vestido branco e moderno com quem começara toda a sua carreira e ganhara destaque em momentos que ninguém via seu talento.
- Vamos lá, Poseidon. – disse ela, com voz relaxada, pousando as mãos sobre as coxas em sinal de estar escutando-o. – O que está te incomodando?
William em sua ultima roupa da moda, com mocassins bem limpos, o exemplo que a elite adorava e que tanto ajudava Poseidon, também sorriu, esse como pressionasse menos.
- É por causa de termos de encontrar as outras duas fotos?
Quem dera que fosse isso! Os cantos de seus lábios subiram com a graça em sua mente.
- Não. Não é nada, podem continuar. Acho que estou apenas... – bagunçou o cabelo com uma mão – Cansado demais. Um pouco de pressão e ansiedade pelo campeonato que está chegando, entende?
Não era de todo mentira, de fato encontrava-se ansioso para saber como seria, no entanto, também havia sua parcela de verdade inventada, que no caso era o fato de estar cansado. O que na realidade o atormentava era como havia ido embora da casa de Atena. Haviam sido frios, distantes e completamente idiotas. Sem duvida, foram estúpidos, brigando por causa de um pequeno pedaço de história não contada. Sentiu-se um retardado ao ter pressionado-a e com certeza viu a verdade nas palavras que ela lhe disse. Mas era amigos e amigos não devem terminar assim, certo?
Diga isso para seu orgulho, Poseidon.
William assentiu ao mesmo tempo em que Iris pousava o portfólio com as fotos que iriam concorrer sobre a mesa de centro de vidro fume. Ela sorriu.
- Podemos continuar isso amanha, deixá-lo descansar é uma ótima ideia. Não acha, Will?
O homem favoritinho da elite concordou, dando de ombros.
- Não temos nada para fazer além de cuidar de voce, então, é sem problemas, só temos que entregar até terça feira.
E como que um passe de mágica, Poseidon sabia bem o que queria fazer. Assentindo para eles, dizendo que agradecia muito a colaboração e a compreensão, ajudou-os a guardar tudo que abriram e os seguiu até a porta, conversando animadamente, até Iris lhe dar um beijo na bochecha e William bater em seu ombros, com um aceno e os dois irem embora, de mãos dadas. O seu casal de empresários.
Assim que esteve sozinho, Poseidon correu para apanhar sua blusa de couro favorita no seu quarto, abrindo a porta de correr branca com rapidez, e pegando, na volta, a chave da sua moto. Precisava sair, precisava relaxar... Precisava de mulheres.
[...]
Atena continuava sentada no teto do seu prédio, um dos mais antigos entre os demais arranha-ceus que haviam envolta, com seus quedradinhos de neon ligados a formar um grande cenário colorido. Podia escutar o som de carros freando, acelerando. Da sirene da polícia procurando alguém. Da vizinha gritando com o filho de treze anos. A vida continuando sem muitos problemas, brincando com o tempo.
Mas não era assim que ela sentia-se, após comer aquela amarga porção de verdade e da tristeza que era ter Zeus como pai, sentada na beirada, com os braços apertando suas pernas contra o peito e lágrimas caindo enquanto o vento gelado da noite a sua volta brincava com seus cabelos loiros. Poderia ser bem o dia em que o diabo veio em forma de gente para ela, o verdadeiro inferno na sua vida. O pior dia de sua vida.
Ela apertou os lábios, sentindo o gosto de sal das gotas, relembrando o que sua melhor amiga costumava falar:
Se descer pelo lado esquerdo e for salgada, são lágrimas que vieram do coração que não aguentava mais tanta dor.
E de fato o era. Aquele quem bombeava sua vida, retorcia-se, de raiva e indignação encolhidas em que nada poderia ajudar naquele momento, seu corpo desejando muito que houvesse uma saída para o poder que o dinheiro poderia dar, e nem mesmo sua mente inteligent e rápida achava algum furo constitucional ou próprio para deter aquele... evento.
Estava assim, pensando sobre próximo passo que teria de dar após a ligação que havia feito para Bóreas, esse que arrumou todo o necessário, no instante em que escutou a porta de emergência cor de tomate ser aberta com seu usual ruído de velho, um ranger de ferrugem das engrenagens. Não virou-se para ver, aproveitando aquele tempo para secar o seu rosto molhado com a borda de seu moletom puído e bronze, sua armadura em dias frios e de luta, o máximo que podia. Não queria que ninguém a visse chorar por conta de seu pai. Ou pelo que não podia ir contra. Sempre haveriam aquelas perguntas “o que houve?” ou “voce está bem?” que só a fariam chorar mais ao notar os olhares piedosos na situação.
O desconhecido sentou-se ao seu lado e o cheiro que veio a fez dar uma olhadela, para ter a certeza de era quem ela pensava. Um braço passou-se a sua volta, puxando-a para mais perto, aquecendo-a enquanto o perfume masculino mesclado a maresia só aumentava. Atena aspirou o cheiro convidativo de Poseidon. Sabia que ele mexia em seu cabelo, como estava acostumando a sentir, ao mesmo tempo em que sorria, dividindo a linda visão da cidade acordada e em movimento. Mentalmente Atena agradeceu por ele estar ali, dando-lhe o carinho que queria. Ela sabia que ele merecia a verdade, no entanto, não poderia dizer. Pra ninguém. Havia sido parte de seu acordo.
- Está meio frio aqui em cima, não acha? – perguntou ele, minutos de silencio depois, contra seus cabelos.
Ela sorriu, de olhos fechados, adorando o corpo dele esquentando o seu. Suas mãos congelavam e ela nem se quer havia notado isso.
- Nada que não possa lidar – bricou ela, encolhendo-se no abraço dele. – Ok, eu admito, aqui está um gelo.
Ele riu baixinho.
- Obrigada por admitir.
- Como voce me achou aqui?
- Apolo achou a pizza em cima da mesa, sem um pedaço e disse que voce não iria embora sem finalizar uma inteira.
Uma risadinha escapou de sua boca arroxeando.
- Ele disse isso mesmo?
- Não, estou zoando, ele disse que havia vindo aqui antes porque você sempre sobe quando quer pensar.
- Ao menos ele não estava errado.
Ela escutou-o suspirar.
- Então quer dizer que voce estava pensando... Sobre o que filosofava?
Como diria para ele aquilo que havia escutado de seu pai sem quebrar as regras? Ela sabia que não havia como fugir. Respirou fundo, o ar enregelando seus pulmões ao descer ao mesmo tempo em que as mãos dele esfregavam seus braços, esquentando-a por atrito.
- Desculpa, não posso dividir. – exalou. – De verdade.
- Sem problemas, Bond. Temos que ter nossos segredos.
- Obrigada... Por entender... Sabe?
Sentiu a boca dele tocando sua têmpora em um beijo.
- Não por isso.
Um silencio calmo plainou sobre eles, com Atena tentando achar alguma faceta ou algum ponto em que podia dizer para ele tudo aquilo que guardava e que tanto queria compartilhar. Mas, no final, quando ambos já viam seu próprio ar solidificando em uma nuvenzinha branca, aquelas que vemos em filmes, que se aproximaram mais, usando seus corpos para manterem o calor, ela viu que seria sem saída. Então, sem saber se teria direito aquela curiosidade, ela suspirou.
- Poseidon?
- Sim? – murmurou ele em seu ouvido.
- O que você está fazendo aqui?
Não fora dita com aspereza, muito pelo contrário, com uma gratidão mal escondida. A risada dele esquentou sua pele onde tocou.
- Nem mesmo eu sei.
- Obrigada por vir.
- Hoje você está agradecendo demais.
Ergueu os olhos para fitar o verde sorrindo em sua direção.
- Acho que é porque voce está fazendo um bom ato.
Ambos riram da brincadeira.
- De qualquer forma – disse ele. – Não precisa agradecer, eu quem devia estar fazendo isso por ter me suportado todos os dias.
- Isso foi uma verdadeira luta.
- Bobinha. – beijou-a no topo da cabeça. – E eu vim aqui porque não conseguia resolver meus problemas. Acho que acabamos nós dois sem sair do lugar.
- Sem dúvida. – suspirou. – Mas, então, o que aconteceu para fazê-lo vir me ver?
- Eu não conseguia prestar atenção nos últimos retoques da Semana de Fotografia, minha mente não parava. E resolvi que uma saída de moto faria algo bom, também pensei em ir a uma festa que sabia que estava acontecendo... – riu baixinho. – Mas no final, sabe o que pensei?
Ela fechou os olhos, sentindo o peito dele subir e descer contra seu ouvido, forte e potente o barulho do rufar da vida.
- O que pensou?
- Para que eu vou a uma festa se tenho uma sexfriend?
- E, com essa cara de pau, veio aqui pedir sexo?
Os dois riram.
- No começo, sim. – um pequeno silencio cortado pelo som de buzinas. – Mas, depois de te ver tão emo, toda tristinha, não quis isso. Só queria alguém para conversar. E... Você é a única amiga verdadeira que tenho aqui.
Mesmo escutando a verdade nas palavras ditas de modo divertido, Atena não podia deixar de zoar dele. Era sempre legal fazer isso com ele.
- Isso que chamo de uma declaração de amizade gay.
Dessa vez, ele gargalhou, alto e totalmente singela que fez Atena sorrir por ter conseguido essa proeza.
- Eu tenho que concordar. – respirou fundo, ainda rindo. – Isso foi gay.
- Não seja preconceituoso.
- Hey, foi você quem começou.
- Eu sei.
- Então...
- Mas eu não conto.
Os dois amigos riram com aquela resposta chula, esquecendo seus problemas temporariamente. No instante em que Atena teve seu queixo erguido e Poseidon a olhou com os orbes verdes alegres, quase brilhando pela lua, um sentimento tocou seu coração. Ele sorriu, acariciando seu rosto. E nada poderia ser melhor do que ser consolada quando tanto precisava. Ainda mais para aquele que se tornava um grande e importante amigo. Em todos os sentidos.
- O que acha de darmos uma volta de moto para relaxar?
O sorriso foi rápido em sua boca feminina e logo assentia.
- Eu iria adorar.
[...]
Já faziam meia hora que Poseidon estava parado, escorado em sua moto com uma Atena quietinha ao seu lado, sentada e ambos encarando as ondas indo e vindo, quebrando na beirada da areia esbranquiçada pela lua. Não diziam nada, aproveitavam somente a brisa e o som calmante para suas mentes conturbadas.
Ou ao menos, era isso que ele fazia enquanto pensava o que faria dali uma semana quando não estivesse mais perto dela. Sabia que seria estranho, pois sempre o era ao ir de um lado ao outro depois de fazer uma boa amizade, mas... O que poderia esperar dela? Atena não parecia o tipo de pessoa que ligasse e respondesse todas as mensagens do celular. Nem mesmo sabia se continuariam se falando. Tudo bem que muitas vezes era ele quem não fazia questão de procurar quem conhecia, mais também não era aquele quem esquecia. E Atena não era alguém fácil de esquecer.
Um sorriso apareceu em seu rosto com esse pensamento.
Ela nem se quer acredita no amor! Brincou consigo mesmo, impressionado que uma menina que lesse tantos (prováveis romances) não acreditasse em algo tão... “essencial”. Claro, ele tinha uma noção de que alguém fizera isso, alguém quebrara suas ilusões e transformou o amor em um verdadeiro Cérbero ou um personagem d’ A Divina Comédia. E mesmo querendo descobrir, viu-se calado, recordando da briga que tiveram aquela manha. Era incrível como a mesa rodava, tão mais rápida que o próprio tempo. Uma hora separados, outra procurando paz juntos.
E paz era o que ele mais queria.
- O que está pensando?
Poseidon de supetão emergiu de seus problemas e olhou para Atena, encolhida dentro do seu casaco, com os olhos azuis fitando seu rosto, sorrindo. A pouca luz de um poste meio longe fazia parecer um halo entorno dos cabelos loiros, parecendo a Poseidon, ironicamente, um anjo daqueles de Michelangelo.
Suspirou.
- A Semana de Fotografia não sai da minha cabeça. – admitiu ele, desviando o olhar para lá longe, para o manto prateado sobre a água. – Estou... Ansioso.
- Relaxe – sussurrou com um sorriso na voz. – Você vai se sair bem.
- Tão confiante assim de que ganho?
- Tem que ser, né? – suspirou. – E você vai levar Afrodite junto?
Poseidon deu de ombros, lembrando que deveria pensar nisso ainda.
- Creio que ela vá ficar. Não acho que a Bonequinha de Luxo desista de sua faculdade de moda por causa de um evento... – sorriu. – Só se fosse um desfile do Giorgio Armani, ai ela nem dava adeus para vocês.
Escutou-a soltar uma risadinha. Aquilo acalmou seus nervos, saber que um tentava distrair o outro e conseguiam.
- Não duvido disso, já fui carregada para um uma vez. Não era o paraíso, mas até que foi... Divertido.
- Ainda bem que você não a conheceu no Ensino Médio. Eu sofri um pouco com ela.
Os dois riram. Afrodite era mesmo única.
Então, surpreendendo e os fazendo rir mais, a barriga de Atena roncou, alto e como um leão rugindo.
- Alguém está com fome – brincou ele, secando algumas gotas de escapavam de seus olhos verdes enquanto a olhava. – Está a fim de comer alguma coisa?
Ela ergueu as sobrancelhas, um sorriso de pura incredulidade e diversão nos lábios.
- E você ainda pergunta? Melhor irmos ou eu vou acabar te comendo.
Poseidon riu ao vê-la corar da besteira que havia falado. Ele piscou.
- Eu adoraria.
Fale com o autor