Four Seasons
20 Paradise
Notas iniciais
Mas, vim aqui postar, né?
Se divirtam.
[Música — Paradise — Coldplay]
- Estou aqui embaixo – falou ele, há segundos atrás, quando Atena atendera, já a espera da ligação às sete e meia da manha de um domingo nada igual ao dia anterior, com chuvas. O clima estava quente no instante em que ela saiu do prédio, levando tudo o que ele dissera ser necessário para passarem a manhã, à tarde e voltarem de noite para onde que fosse que Poseidon a levaria. A bolsa pesava pelas comidas que carrega, já que Poseidon se encarregaria do resto, e no momento em que entrou no jipe vermelho de fronte ao seu prédio com um cara de Ray-Ban, shorts e blusa cavada branca, parecendo um jovem enquanto escolhia uma música boa, os usuais cabelos negros despenteados, Atena suspirou, agradecendo por colocar aquele peso sobre qualquer outro lugar que não fosse um de seus ombros. O calor abafava, fazendo-a suar imperceptível, e beijava sua pele branca como acido beija madeira, corroendo tudo, ainda mais para a garota de cabelos loiros cacheados nada acostumada com tamanha força de raios contra sua cabeça. Mas, ao menos seus olhos encontravam-se protegidos por óculos de sol, e tirando isso, o short e a blusa regata de mesma cor da dele, mostravam toda e qualquer parte que ela queria esconder do Grande Astro. Poseidon sorriu do arfar dela. Tocava Paradise, a música predileta dela do Coldplay. Não que ela fosse dizer, contudo, o era.
- Pronta para um dia de aventura? – brincou ele, dando partida naquele monstro rugidor.
- Se o sol estiver assim... – suspirou. – Ele vai me matar antes de chegarmos.
- Quem mandou se esconder em sua toca da leitura? – Poseidon debruçou-se sobre o volante enquanto esperava para poder entrar na via. – Eu sabia que um pouco de vitamina D faria bem a você.
- Engraçadinho. – Atena fez uma careta – Aonde vamos?
Ele sorriu ao passar a marcha.
- Logo, logo, vai descobrir.
- Quem, em sã consciência, sai no domingo sagrado de descanso para universitários?
- Uma garota com QI muito alto que não precisa estudar e um louco que poderá se ferrar com isso. Mas... – deu de ombros. – Quem liga?
Rindo, ele pegou a principal. E ninguém sabia para onde a levaria.
Uma hora e meia depois tiveram de descer do carro, no meio do mato, após guardar o mesmo embaixo de uma arvore, e puseram-se a caminhar. Atena não era uma aventureira nata, demorara muito a começar apreciar as expedições que Zeus, seu pai, fazia com os amigos e nunca gostara das caçadas de leão na África com seu irmão, Ares, um cara endemoniado que amava encher o saco da irmã nerd e a mais ex-promissora da família. E isso tudo, a fez odiar muito caminhar horas e horas dentre a floresta. Ela a assustava. A Mãe Natureza, a assustava. Sentia-se sempre pequena demais em um mundo tão grande onde era uma das presas mais fáceis sem arma ou qualquer outro equipamento para se proteger, e o fato de já ter ficado de madrugada dentro de uma, que todos diziam ser amaldiçoada e cheia de lobos, fazia-a passar longe de locais remotamente parecidos. Claro, o Bosque dos Esquilos era apenas um que entrava, e só se estivesse com Aquiles ou Artemis. Sem alguém vivo e palpável, nada feito.
Um calafrio subiu pela sua espinha ao notar o topo das arvores, filtrando a luz do sol como um grande escudo jasmim que prometia te manter dentro da capsula, o silencio daquela imensidão cheia de arvores menores que se arrastavam em suas pernas, ou nos braços, muitas quase a machucando caso Poseidon, um visível aventureiro, não segurasse. Atena seguia atrás, com Poseidon liderando como se soubesse cada passo que dava, onde cada arvore ficava e até mesmo para onde o sol nascia, algo praticamente impossível com um local tão fechado. De vez em quando, conversavam enquanto adentravam mais e mais no âmago daquele mar, e Atena não se sentia tão medrosa assim. Em um momento, Poseidon chegou a perguntar-lhe se se encontrava bem, não querendo admitir o medo, ela apenas assentiu e sorriu, dizendo para continuarem. E mesmo com uma expressão de preocupação, eles continuaram, passo a passo, com cuidado para não pisar em nada que os ferisse.
Já deviam ter andado mais ou menos uma hora, Atena não sabia, pois, por indicações dele, ela não levara o relógio, passaram a escutar o som de riacho e a garota de cabelos loiros viu-o sorrir em sua direção, os olhos verdes brilhando pela aventura, as covinhas se fazendo nas bochechas, e o tornando uma grande criança que levou Atena a sorrir em resposta. O espírito dele fazia-a ansiar para saber o fim e quando ele apanhou sua mão, trançando seus dedos muito maiores para ajudá-la, aquela ansiedade intensificou, juntamente com um coração dando tantos tropeços quanto sua dona naquela terra abatida e sofrida, cheia de buracos escondidos por plantas rasteiras. Era um inferno no meio do paraíso, disso ela tinha certeza.
- Já estamos chegando – prometeu ele, abrindo a ultima relva e sorrindo. – Bem vindo ao meu cantinho.
E só o que Atena pode fazer foi ficar sem fala. Era o lugar mais esplendido que ela já havia visto, o que não eram muitos, mas isso não vinha ao caso. Arvores altas, bicentenárias sem duvida, escondia entre seus ramos um alto e desgastado rochedo de tom cinza brilhante, o que sua mente inteligente e rápida fez perceber ser calcário incrustado. Uma tremenda joia com mais de trinta metros de altura, banhada por uma água raivosa e veloz, escorrendo dentre o feixes que fizera com o tempo. A cascata caia lá de cima, o arco-íris dispersando por todos os locais ao redor, a cada gota que revidava na muralha e era pega pelos raios de Sol e caia, em salto livre, até uma piscina funda e cristalina muito viva por plantas coloridas ao fundo entre peixinhos e folhas. A toda volta, terra branca, igual a da praia, dispersava em montes entremeados por flores incríveis e pequenas veias vindas todas da grande artéria transparente. Era... Magnífico. Quase impossível de ser descrita por sua vista.
Um som de obturador, algo alto naquele silencio corrompido somente pelas infindáveis palavras sopradas pelo vento nas folhas e pelo gargalo da cachoeira, soou e Atena virou-se para ver o que era. Sorriu, a revirar os olhos, ao ver Poseidon tirando fotos dela com uma câmera bem diferente da que usaram outra vez. Esta era amarela, uma lente ainda maior, e ele nem parecia sentir o peso dela enquanto segurava, ajustando-a se preciso, a cada vez que apertava o botão prateado de capturar.
- Só mais uma, prometo – brincou ele, levando-a a arquear a sobrancelha, para então guardar a maquina, desmontando-a. – Disse que era só mais uma.
- E por sorte eu não duvidei.
Ele sorriu de forma calma.
- Você é um poçinho de expressões.
- Isso foi um elogio, ou me chamou de redonda?
Uma risada baixa saiu dos lábios dele enquanto fechava o zíper da bolsa grande, ao estilo camping ou mochilão, que parecia estar cheia. Do que? Nem ela sabia.
- Foi um elogio – concentrou-se em retirar outros objetos de outra parte da bolsa. – Agora, vou precisar que você me ajude aqui. Você tem medo de altura?
Ela franziu o cenho, após por a sua no chão ao lado da dele, e começar a empilhar tudo o que ele lhe passava.
- Não, nunca tive. Por quê?
Um sorriso sapeca.
- Ainda bem, ou tudo teria ido por água a baixo. Literalmente.
Atena riu, sua voz ecoando um pouco pelo tamanho do monte de pedra que verberava qualquer som, e tratou de abrir as caixinhas. Corda e mais corda foram os principais participantes dessa brincadeira, seguida de milhares de prendedores, estacas, luvas, cintos e... Ela não precisou de muito para saber o que aconteceria. Ela fitou-o, pasma.
- Você tá falando serio?
As sobrancelhas negras se arquearam.
- Pensou que eu estivesse brincando?
- Mas... – engoliu a seco. – Não é meio... Alto demais?
Um sorriso nos lábios dele que a fizeram sentir-se boba.
- Relaxe, Atena, você está com um cara que faz isso desde que tem dez anos de idade – e ele não se gabava, apenas assinalava os pontos. – Agora, levante-se, que eu vou te arrumar primeiro, antes de me arrumar. Vai ser o máximo.
Depois de cordas quase a enforcando, cintos machucando-a no começo, e luvas extremamente presas, claro, tudo um exagero por parte dela que temia aquilo, Poseidon, na frente, com a bolsa dela que se encontrava mais pesada, começou a caminhar, testando cada pedra.
- Siga o que faço, pise onde eu piso – advertiu ele, segundos antes de terem começado a passar dentre a água e a pouca pedra não lodosa e escorregadia. Claramente, ela escutou-o, o que fez considerar que Atena não fosse tão cabeça dura assim, e seguiam agora, segurando-se contra a parede até ele achar o local correto para subirem. Já era a sétima vez que subia aquele local, escalar era sua vida nos dias de vagabundagem, e nunca cairá, nenhuma vez. E ele apoiava-se nisso para não temer pela vida de sua companheira de loucuras que parecia mais assustado que um coelho pronto para ser devorado por um lobo do Ártico. Então, ao achar a pressão que suas mãos podia fazer sob o buraco pequeno na terra, começou a subir. Devagar, prendia as estacas com golpes fortes e precisos, dando uma estrada para Atena passar enquanto a si mesmo ia olhando cada local, polegada por polegada antes de permitir que ela subisse.
- Não entre em pânico – avisou ele, rodando a corda deles na primeira vareta presa – Ou você vai derrubar a mim e, consequentemente, você. Se precisar de ajuda, me avise.
Escutou-a engolir a seco e viu-a assentir no instante rápido que olhou para baixo, assistindo-a colocar o pé no local em que havia posto, os dedos finos e femininos envolvendo com precisão a madeira, para então, impulsionar-se. Se ela seguisse naquele ritmo, Poseidon tinha quase certeza de que não demorariam muito. E uma subida cansativa nunca é boa com bolsas.
A cada vez que cravava uma estaca e deixava o espaço livre, Poseidon passava para o próximo desnível que o manteria no lugar, e não faltava mais que cinco metros, com vinte de ar abaixo até as rochas do lago e a própria água que os machucaria naquele caso, quando Atena, que seguia bem seu ritmo, sem reclamar ou dizer algo, concentrada demais para conversar, puxou sua corda com um grito baixo de surpresa. Instantaneamente, ele encarou-a, meio pálida ao erguer os olhos para os dele. A estaca, um pouco frouxa, boiava na piscina cristalina e os dedos dela prendiam-se fracamente na pedra. Seu coração tremeu. Por pouco, não haviam caído. E era culpa dele isso ter ocorrido. Não tenha pressa, Poseidon.
- Você está bem? – perguntou ele com uma falsamente calma, como médicos falam ainda que os pacientes estejam em coma.
Ela assentiu, engolindo a seco.
- Só levei um susto. Acho que coloquei força demais.
- Não, devia estar mal colocada, desculpe.
Um sorriso trêmulo apareceu no rosto dela, o fundo como uma sombra pálida em relação aos olhos cinza meio arrasados com o medo.
- Não foi culpa de ninguém. O que faço agora?
Foi a vez dele sorrir.
- Continue escalando, não olhe para baixo, e confie em suas mãos.
- O máximo que minhas mãos fazem é lavar louça – fez uma careta enquanto ele ria. – Garanto que a força não é o forte delas.
- Eu não posso descer sem machucá-la, então, vem devagar. Apoia um pé nessa pedra da esquerda... Isso, agora a mão nesse vãozinho bem aqui... Nada mal, cozinheira. O pé direito nessa elevaçãozinha, force sua panturrilha, não a coxa. Isso ai.
E então, ela voltou a pegar a estaca do próximo nível. O sorriso de gratificação o fez sorrir de volta e piscar.
- Vamos, Poseidon, continue, estou morrendo com essa bolsa nas costas.
- E eu quem levo a mais pesada.
Ambos riram, suas gargalhadas retumbando contra o céu azul sem nuvens e a manta verde que começava a ficar para trás a cada passo que davam. Foram mais dez minutos, entre desamarrar corda, segurar-se com mais força quando se inclinava para fora e logo, Poseidon chegava ao topo. Um suspiro saiu de seus lábios com gosto de sal. Estava no seu local secreto.
- Me dá uma ajudinha aqui?
Com uma risada, vendo Atena segurando-se na beira do precipício, ele apanhou a mão dela e puxou-a até que estivesse bem firmada na pedra meio lisa por conta da água.
E se lá embaixo Atena surpreendera-se, em cima era ainda mais bonito.
Ela aproximou-se do pequeno declive de rochas a sua frente e brindou-se com a visão. Mais largo e mais brilhante que o inferior, no andar debaixo, o grande rio ampliava-se em uma visão magnífica. Uma extensa fita de seda azulada incrustada de diamantes que resplandecia no sol de uma da tarde traçando de lado a lado a planície que ela nem sabia existir no mapa. E talvez não estivesse, porque uma maravilha tão preservada era uma gloriosa paisagem. E ali em cima, o rio passava mais calmo, bem mais profundo, no entanto tão limpo quanto à piscina, mas a força não deixava enganar pela aparência. Árvores, não tão altas, mais perto de ser uma tundra com flores, meio acetinada pelo tapete de capim e grama, dispersavam-se além-horizonte, onde nem os melhores olhos poderiam enxergar. Uma infinidade de cadeias montanhosas cobertas por macios e grossos cobertores cor dos olhos de Poseidon ao fundo, o mesmo que parou a seu lado e suspirou. A brisa amena, sem um pingo de poluição, soprou em seus cabelos negros, como também nos seus loiros, e ambos fecharam os olhos para aproveitarem essa sensação. Era como beber água depois de dias no deserto. Uma emoção unicamente proporcionada pela natureza e seus vassalos.
- Esse lugar é lindo – murmurou ela, já a escutar, minutos depois, o som da maquina dele. E dessa, nem se importou, apreciando o mapa disposto a sua frente. – Quando você encontrou?
- Eu tinha sete anos no dia em que meu pai resolveu que era hora de mostrar o local onde meu avô, assim seu avo e o tataravô, e o tarataravó dele vinham desde que seus progenitores cresceram. – um suspiro. – É um local sagrado pela minha família e por tal fato compramos essa propriedade.
Os olhos dela expandiram-se com a informação ao virar-se para encará-lo.
- Isso daqui tudo é da sua família?
Ele sorriu, escondendo-se atrás de sua câmera ao mesmo tempo em que se divertia entre ela e a paisagem.
- Sim. Tudo o que o sol toca é o nosso reino, Simba.
Mesmo sendo totalmente infantil o que ele falara, Atena deu uma risada baixa antes de caminhar até ele e colocar a mão, tampando a lente, contra a mesma.
- Vamos, Scar, estou morta de fome – sua barriga confirmou, levando-os a rir – Estou morta de fome.
- Bem visível.
Então, guardada a maquina, ou assim ela pensava, sentara-se sobre uma arvore, onde o rio passava a poucos metros deles, uma constante demonstração do poderio da água e da beleza, e começaram a arrumar o que trouxeram sobre uma toalha de piquenique xadrez que divergia do branco ao vermelho, uma infusão de cores. Maça, uva, morango, Cheetos, Ruffles, Coca-Cola, suco de laranja, sanduiches naturais, granola, barrinhas de cereal, água, e muito mais foi posto sobre o pano. Atena somente retirou os que mais demorariam a estragar, como barras de cereal e um Cheetos, alem de duas garrafas de água.
- Vou guardar, mais tarde estaremos com fome e ninguém pode cair desse precipício – explicou ela quando Poseidon perguntou o que fazia ao colocar aqueles de volta a bolsa. – Vocês, homens, sentem incrivelmente mais fome.
- Gastamos mais.
E ela fingiu não notar a segunda intenção que havia em suas palavras.
Logo, sentados lado a lado, começaram a comer, Atena atacou primeiro um sanduiche e Poseidon, uma Ruffles.
- Você deveria ser mais saudável – dizia ela, sobre o assunto que conversavam de calorias, totalmente inesperado para o momento. – Uma vez que vive escalando.
- Calma, Atena, garanto que não ficarei gordo. Tenho muitos modos de perder peso.
Dessa vez, Atena corou e escutou-o rir.
- Não precisava saber disso, Poseidon, viveria sem essa.
- Eu sei. – ele riu. – Mas ver você corada é divertido.
- Obrigada – ironia. – Você é um amor de pessoa.
- TPM.
Ela riu baixinho, dando uma abocanhada na dupla camada de pão entremeada de atum, alface, tomate e uma pasta que somente Artemis, que era quem tinha preparado, sabia fazer. Um silencio calmo, deslizando entre o murmurar de passarinhos por ali e o cair da cachoeira salvando a inércia em que se encontravam, cada um imerso em pensamentos. Atena pensava em como cogitara negar, na noite passada, não ir para onde ele a chamava. Eu teria sido uma estúpida, e aquela beleza só a provava que estava certa. Ele podia não ser o cara perfeito, um verdadeiro Don Juan, mas Atena estava começando a dar uma chance de ele provar seu ao contrario e encontrava-se gostando, claro, às vezes ele era um chato, mas ela também era e isso os igualava. Talvez não tanto, Atena não tinha o costume de dormir com muitos caras como ele fazia com as garotas, nem ser tão popular ou tão bonita, mas era interessante quando estabeleciam uma conversa. E Poseidon achava-se versátil, moldável a qualquer assunto que fosse, desde moda até física, essa ultimo, nem tanto. Quando paravam de falar, ela perguntava-se o que dissera fora estúpido, mas logo ele sorria e ela relaxava. E isso estava estranho. Ainda mais porque só o conhecia há um mês e uma semana.
- No que você está pensando? – a voz rouca e sempre divertida dele cortou seus devaneios e viu-se virando o rosto para encará-lo. Contrario a ela, Poseidon encarava algum ponto invisível. Ele é realmente bonito, talvez as garotas não sejam tão tolas assim.
- Na matéria de física que tenho para fazer.
Os olhos verdes fisgaram os seus com surpresa.
- Sério?
Aquela inocência a levou a rir dele e negar.
- Não, estou brincando.
E, imitando-a quando ficava nervosa, ele revirou os olhos, mordendo o canto da boca. Dessa, ambos riram estupidamente até a barriga doer, como se fossem grandes amigos que riem até mesmo se o outro respira estranho ou fizer algum som diferente.
Então, com a graça sumindo e os olhos sendo secados rapidamente, Poseidon encostou a cabeça contra a madeira da arvore que reencostava e encarou os olhos cinza dela. Como podia uma garota ser tão genialmente, literal, divertida? Ao mesmo tempo em que podia ser madura, também era imatura, lembrando-se de coisas que a maioria das meninas chamaria de criancice? Ele simplesmente não sabia responder, e seu coração errante também não. Era como afogar-se em um navio de tormenta, povoado por pensamentos intricados e intrínsecos com a história daquela misteriosa mulher sentada ao seu lado, fitando-o de volta. E não parava por ai. Como fotografo, mal podia crer que existisse alguém com cílios tão cor de ouro, nem uma boca vermelha sem precisar de batom ou até mesmo sorrisse com o coração quando queria, como ocorria agora. Os cabelos cacheados que se igualavam a molas e que o faziam querer sentir a textura, emolduravam o rosto pequeno e fino, traços aristocráticos que podia fazê-la ser feliz ou com raiva, bochechas que se coravam por qualquer coisa que falava e os olhos. Aqueles olhos.
Então, Atena desviou o olhar, corada, e ele quase riu pela leoa sem graça que ela parecera. Era uma linda e curiosa leoa, selvagem e majestosa, curiosa e precavida. Os antagônicos em uma pessoa.
- Poseidon?
- Sim?
Ela sorriu, sapeca, de um modo que ele não viu antes e piscou.
- Siga-me se puder.
Então, levantando-se com um pulo, ela correu com rapidez e pulou na água. Espirrou o liquido por todo lado, atormentando a superfície imóvel naquela parte. E na hora em que emergiu, a juba contra o pescoço, colando-se nela, ele riu. Para logo segui-la.
Notas finais
Beijinhos,
Nivea
;D
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