Notas iniciais
Sério, esse é um dos melhores capítulos, ever =D
Se divirtam.

[Música — Don't Stop The Party — The Black Eyed Peas]



Atena não tinha pensado no quão perigoso aquele caminho de volta entre as pedras escorregadias e ondas bravas poderia machucá-lo até notar o quão escuro encontrava-se perto daquele farol. E odiou-se por temer que Poseidon se machucasse. Havia sido ideia dele, ela entendia, mas seu coração não parava de pular, só que ela não sabia se era medo por ele ou algo a mais que não conseguia compreender. Mas, que, no entanto, a fez levantar-se, decida a ir atrás dele. Se poderia ser estupidez? Sim, ela sabia que era a merda de uma estúpida e idiota ideia, ainda mais para quem não tinha o costume de se aventurar assim. Algo que ela denotara que Poseidon detinha. Toda via, falasse isso para seus impulsos! Decidida que não ficaria como uma sonsa ali, Atena começou a caminhar em direção leste, por onde havia chegado, quando um forte clarão cegou seus olhos cinza. O som de rodar triturando cascalhos a levou a perceber que se tratava de um carro e que os faróis brilhavam em sua direção. Seja lá quem fosse que dirigia, não diminuiu a velocidade, mesmo ao vê-la, mas Atena não se moveu. Poseidon, naquele dia em especial, estava adorando encher o saco dela, ou talvez só fosse o fato de que ele tivesse forçado tanto seu medo de mar a sumir que o estresse da força usada dava as caras nesse momento.

Então, como uma luz que não achou o que desejava, o carro virou a direção e outros se seguiram atrás dele. Atena conseguiu contar uns quinze antes os estacionassem e desligassem aquele terrível som de monstros rugindo. Aparentemente, todos tinham ou um jipe ou um utilitário, enfim, todos pareciam prontos para o que vieram fazer. E como em um clipe, os integrantes, fossem motoristas, fossem passageiros, começaram a descer, pular ou escorregar das capotas, das traseiras ou do interior de cada carro, transformando aquele lugar pacífico em uma algazarra de música e conversas. Foi como estar em um verdadeiro pandemônio vindo do nada, quando um homem de estatura média, um pouco mais musculoso que Poseidon e de incríveis olhos arroxeados, que Atena pensou ser uma variação do azul, aproximou-se dela. Sua blusa era florida, trajava bermudas cor de areia e suas sandálias demonstravam bem que era um surfista, mas seu rosto avermelhado pelas horas de sol, provavelmente, e seus cabelos negros ondulados pareciam negar por completo isso. O desconhecido sorriu, um sorriso de querubim ao estar de frente a Atena. Ele estendeu a mão.

– Está meio longe de casa, moça. Prazer, sou Dionísio, como se chama?

Meio deslocada, sem saber o que fazer e louca para matar Poseidon por tê-la deixada sozinha, Atena limitou-se a apertar amigavelmente a mão quase infantil do tal Dionísio, uma figura muito bonita e intimidante.

– Sou Atena.

Então, antes que pudessem falar mais alguma coisa, Atena viu Poseidon vir em sua direção, com um braço passado pelos ombros de uma linda menina de longos cabelos negros, belos olhos cor de chocolate e um sorriso que todas as modelos deveriam ter, claro, sem um corpo magnificamente encorpado dentro de uma saia escarlate e blusa regata branca, peças normais que ficaram esplêndidas na mulher com o homem de olhos verdes, outra vez com o conjunto de antes, com bermuda bege e blusa azul da vinda. A baixo estima bateu, como havia cansado de fazer, na porta da Consciência de Atena. De repente, sentiu-se outra vez uma aluna de primeiro ano que usava óculos fundo de garrafa e nem um pouco bonita como as outras garotas costumavam ser na idade de ouro do ensino médio. Eles se completavam de uma forma que aplacou a raiva de Atena e a fez morder os lábios. Aquela garota era linda.

E como que ouvindo seus pensamentos, a tal menina com pele dourada (outro contraste que Atena notou ao fitar a própria tonalidade branca da sua) sorriu, de forma amável. Para melhorar a estima dela, a garota ainda era descolada. Era tudo o que Atena queria para um dia de pura TPM.

Poseidon soltou a mulher só para dar um abraço bem típico masculino em Dionísio.

– Hey, Mazello, como é bom te ver, cara!

– É você quem sempre some, Danniels. — brincou Dionísio, a voz alegre enquanto sorria com o amigo. — Finalmente voltou pra casa.

– Voltei. E olha quem eu achei no caminho... — Poseidon puxou a mulher de cabelos cor da noite para perto. — A adorável Ariadne.

– Seu safado.

A tal Ariadne revirou os olhos para os dois, também sorrindo, ao aconchegar-se a lateral do corpo de Dionísio. Atena relevou isso como grandes amigos que finalmente se encontravam. Poseidon era só o sorriso.

– Que isso, Maz! Só acompanhei nossa querida Ariadne até aqui.

Dessa vez, quem riu foi à mulher de olhos castanhos.

– Poseidon continua o cara cheio de charme, Dio.

– Imagino que sim. — Dionísio revirou os olhos. — Mas, conta ai, o que tá fazendo aqui?

Poseidon deu de ombros.

– Terminei minha excursão pelo mundo e decidi que era hora de voltar pra cá. Mas daqui a uma semana estou viajando outra vez.

– Fiquei sabendo disso, já escolheu a foto que vai trazer mais um premio para o orgulho de seus amigos, Dannis?

– Você nunca cansa de zoar da minha cara, não é, Maz?

– É para isso que os amigos servem, Dannis!

Os dois riram. Atena mordeu o lábio, sentindo-se meio excluída, atitude que pareceu chamar a atenção da Ariadne. E foi ela quem sorriu para a garota de cabelos loiros:

– E quem é essa, Dio?

Poseidon finalmente pareceu notar que o amigo dele já havia conhecido ela, mas tratou de passar um braço por uma tímida Atena e puxá-la para o circulo que os três haviam feito. Atena corou. Por que mesmo eu não fui para casa?, Era o que se perguntava diante dos olhos curiosos dos conhecidos de Poseidon.

– Essa é Atena, uma amiga de minha e da Bonequinha de Luxo. — disse o homem de olhos verdes, sorrindo para Atena. — E esses, Atena, são Dionísio e Ariadne, amigos meus desde a terceira série.

– Se ele continua um demônio como era antes, tenho dó de você, Atena. — Ariadne, que fez todos rirem disso, apertou a mão da garota de olhos cinza. — Prazer, sou Ariadne, esposa do Dio.

Ah, então ela não é mais uma mulher de Poseidon? Então, porque, de repente, Atena sentiu um peso a menos ao sorrir para aquela agradável mulher de cabelos negros?

– Prazer, sou Atena. E no fato de demônio, não sei, mas continua um louco.

Dionísio riu.

– Ele quem havia deixado você aqui esperando?

Atena deu de ombros.

– Mais ou menos.

– Bem típico dele.

Os quatro riram, deixando um clima mais agradável que combinava bem com a festa que ocorria mais atrás deles, onde, perto do farol, os participantes tinham atiçado uma fogueira e já dançavam, bebendo em copinhos coloridos o liquido vindo dos galões provavelmente de cerveja que alguns homens ainda descarregavam das caminhonetes estacionadas há pouco tempo.

– Hey, hey, cheguem de falar mal de mim. — disse Poseidon, com um sorriso sacana dele. — Vamos falar por que você esta aqui, Maz.

Dionísio apertou a sua garota devagar.

– Eu e Ariadne estamos vivendo por aqui agora. Sabe como é... Virando pai, casado e com um cachorro, temos que nos assentar em um lugar. Minha vida de loucuras chegou ao fim.

Ariadne bufou da cara do marido.

– E todos fingimos que não foi o Deus da Cerveja aqui quem planejou essa festa. — o grupo riu enquanto Dionísio revirava os olhos. — Só está casado, mas nada impede esse homem.

– Fala como se eu vivesse bebendo.

– Tecnicamente, amor, você vive fazendo isso.

Dessa vez, Atena não compreendeu por que o casal sorria, até Poseidon sussurrar em seu ouvido, a lufada quente do ar dele eriçando os pelinhos de sua nuca.

– Dionísio é um degustador de vinhos muito reconhecido nessa área, se deu bem enquanto enchia a cara no ensino médio.

Atena riu baixinho da frase de Poseidon, tentando não chamar atenção dos outros dois, o que foi em vão. Dionísio fez uma careta.

– O que ele disse para você, Atena? Que eu sou um bêbado com carteira assinada ou que eu vivia de PT no primeiro ano?

Poseidon quem riu.

– Na verdade, ele só me disse que você trabalhava com vinhos.

Os olhos cor de uva do homem se semicerraram.

– Ele nunca diz só isso.

– Era só o que faltava, uma mulher para acobertar Poseidon — brincou Ariadne, levando o grupo a rir. — Onde você encontrou esse filho de peixe ai, Atena?

– Ele é o irmão da minha vizinha do prédio onde moro.

– Você mora com a Bonequinha de Luxo?

Esse foi Dionísio.

Atena assentiu.

– Eu e ela estudamos na mesma faculdade.

– Uma garota da faculdade — Dionísio assobiou. — Vamos lá, Poseidon, diga onde você colocou a mágica vodu?

Poseidon revirou os olhos para a brincadeira, ainda que risse.

– Ela é só uma amiga e eu também estou na faculdade, esqueceram?

– Só estou surpresa por finalmente concordar que garotas inteligentes são melhores, Poseidon — atiçou Ariadne, com alguma piadinha interna que Atena não soube decifrar dessa vez. — De toda forma, gostei dela.

Atena não sabia se dizia obrigada ou alguma outra coisa do tipo, então, tratou apenas de sorrir e deixar com Poseidon, afinal, aqueles eram os amigos dele.

– Bem, sintam-se em casa — anunciou Dionísio com um aceno de cabeça. — Não bebam demais, nada de loucuras e, por favor, não pulem do precipício.

Uma risada baixa escapou dos lábios que ficavam arroxeados pelo frio de Atena.

– Tarde demais, Dio, ele já pulou.

Dionísio revirou os olhos,

– Só podia ser Poseidon — o dito cujo deu de ombros. — Cuidado com ele, Atena.

– Foi um prazer te conhecer. — disse Ariadne, sorrindo. — Nos vemos pela festa, Atena.

A garota concordou com um aceno, vendo-os afastar-se em direção do aglomerado de universitários e adolescentes dançando ao som de algum cantor de música eletrônica. Daquele ponto, Atena não conseguia acreditar que uma mulher jovem como Ariadne estava grávida, nem dava para ver a barriga dela ainda, e sua mente se recusava. Em geral, mulheres querem ser independentes, certo? Mas, com filhos, isso era meio impossível. Então...

– Ariadne casou com Dionísio por que estava grávida?

– Todos pensam o mesmo — disse Poseidon, finalmente deixando o braço escorregar do corpo de Atena que sentiu uma brisa fria sacudir o seu vestido. — Mas, não, descobri hoje mais cedo que conseguiram, depois de varias tentativas, terem um filho.

Isso ia contra todos os princípios de Atena. Ela mordeu o lábio ao abraçar-se.

– E com que ela trabalha?

– Ainda terminando a faculdade de Logística. O pai dela tem uma grande empresa nesse ramo. E quanta curiosidade é essa, Atena?

Ela ergueu os olhos para fitar os verdes divertidos e meio escurecidos de Poseidon.

– Ela não ganha dinheiro próprio?

– Dionísio dá tudo para ela — Poseidon deu de ombros, colocando as mãos dentro dos bolsos da bermuda. — Não há o porquê dela trabalhar, ainda mais grávida.

– Só é... Estranho. — Atena franziu o cenho com a mente a cem por hora. — Quer dizer, e se eles se divorciarem?

– Cada um segue o seu caminho. Eles sempre foram grandes amigos, acho que isso não aconteça. De qualquer forma, Dionísio faz o que todo homem deve fazer para a família: cuidar da casa.

O nariz afilado da garota de olhos azuis se enrugou.

– Isso é tão... Machista.

– Não, Atena, isso é amor. — então, visivelmente não querendo brigar por ideologias, assim como Atena não queria, ele mudou por completo o assunto. — Aceita um copo de cerveja?

– Hum... Não, obrigada.

– Você nunca bebe?

– Raramente, faz mal a saúde.

Poseidon riu.

– Isso é bem a sua cara. Mas, enfim, vamos... Aqui está ficando frio e perder uma fogueira é sacanagem.

E Atena deu um sorriso mínimo para ele, antes de caminhar em direção ao povo, perguntando-se o que mais poderia esperar daquele homem.



– Vira, vira, vira — era o que todos aclamavam envolta de Poseidon.

A sua camisa estava ensopada, colada ao seu corpo, seu rosto não estava muito diferente e quase não conseguia mais encher sua barriga daquela cerveja que virava de uma vez, competindo com Dionísio ao seu lado, também a segurar um tipo de corno de vidro que segundos atrás estava cheio até o topo, mas que gradativamente ia abaixando o nível a cada golada que dava. Pensou que ia explodir quando finalmente sugou só o ar e um viva ecoou pelo farol.

– E DANNIELS VENCE — gritou Ariadne, a juíza do jogo, o que era mais gasolina naquele monte de fogo.

– QUE A FESTA CONTINUE.

E, com essas palavras, Poseidon sacudiu o longo copo, levando todos a urrarem enquanto Dionísio dava tapinhas amigáveis na costa do homem de cabelos negros. Os dois amigos riram, divertindo-se daqueles bons tempos de ensino médio que recordavam e entregaram para Ariadne assim que pudera os cornos, afastando-se do circulo em que encontravam.

– Eu acho que a qualquer momento vou vomitar. — disse Poseidon, sentindo-se um pouco tonto. — Fazia muito tempo que eu não bebia tanto. Acho que não caiu muito bem.

Dionísio, ao seu lado, totalmente bem, como se não tivesse posto um pingo de álcool na língua, riu, ajudando o amigo quando esse deu uma pequena ondulada nos passos.

– Poseidon, o Bebedor, não é mais o mesmo, certo?

– A idade chega para todos, Maz.

Poseidon ainda ria com o amigo quando Atena aproximou-se, visivelmente deslocada entre aquele grupo, com uma cara de nojo e suspirou. E ele não sabia ser era pelo álcool, ou se era por ela parecer uma fotografa com sua maquina no pescoço, que Poseidon a viu ainda mais bonita. Talvez fossem os dois juntos. O que importa, era que Atena estava maravilhosa com a luz da fogueira apropriando-se da lateral esquerda do corpo dela. Assim que chegou perto, Atena estendeu uma barra de cereal.

– Não comemos nada hoje, acho melhor você engolir isso aqui, Poseidon.

– E eu não vou te segurar se você vomitar.

Revirando os olhos, Poseidon apanhou o que lhe era estendido e caminhou mais um pouco, para mais longe, até sentar-se em uma pedra, longe da mata que crescia envolta, já a abrir o pacotinho barulhento. Seu estomago revirou na primeira mordida, mas forçou-se a engolir tudo. Sabia que era verdade o que Atena dizia, e ainda tinha de voltar para casa, com segurança, para deixá-la no prédio sem quaisquer danos. Outro retângulo com sabor de morango apareceu a sua frente. Ele nem reclamou enquanto Atena o alimentava, e só percebeu que Dionísio tinha os deixado no momento em que ela tomou o lugar ao seu lado e teve de olhar para o rosto contraído e virado em direção à festa. Ela está com raiva. Incrivelmente, estava aprendendo a lê-la.

– Obrigada. — agradeceu ele, jogando dentro da bolsa deles os pacotes vazios e coloridos. — Eu estava precisando disso.

– Você é idiota por fazer isso com seu corpo.

– Atena, você deveria tentar, é divertido.

– Não, é prejudicial.

Poseidon suspirou. Ele sabia bem que aquilo iria acontecer, ou achava.

– Senhorita Saúde, isso daqui é diversão.

– Você é louco, sabia? — finalmente os olhos cinza dela encararam os seus, com um tipo de raiva neles. — Vive no limite, bebe demais, pula de penhascos, sobe cachoeiras... Não tem medo da morte?

E ela era a mulher mais magnífica. Poseidon sorriu enquanto a via reclamar do que fazia, achando o máximo daquela raiva encolhida que mostrava agora. Atena expressiva era muito mais legal que Atena entediada. Devagar, apanhou uma mão dela nas suas, segurando-a com força quando essa se debateu para sair de seu aperto, e começou a acarinhar devagar. Um choque estranho percorreu seu corpo anestesiado pelo álcool.

– Atena. — amaciou. — Eu posso morrer neste exato momento.

Ela revirou os olhos.

– Todos podemos, mas procurar a morte não é... Saudável.

– Eu não procuro a morte. — riu ele. — Eu apenas a convido para dançar.

– E um dia você morre.

Poseidon deu de ombros.

– Melhor morrer com varias lembranças do que vazio, entende?

– Na verdade, não. — A boca dela contrariou-se ao sorrir um pouco. — E nem vai conseguir dizer que é supernormal.

– Olha, eu tenho uma proposta para você.

– Nem vem com...

– Shh. — ele pousou um dedo sobre os lábios gelados dela enquanto fitava-os. Era impressão sua, ou havia mesmo gostado e beijá-la? E queria o fazer agora? — Escute primeiro. Vai ser bem simples. Se você beber...

– Não, nem pensar — Atena negou com a cabeça.

Poseidon riu ao segurar o rosto dela com a mão disponível.

– Inquieta demais, leoazinha. Escute. Se você beber um corno daquele todo, eu te dou aquele conjunto de livros de arquitetura que você tanto quer.

Atena mordeu o lábio, no que parecia ser uma forma de que pesava o que ele dizia, sem nenhum momento afastar os olhos dos dele. Poseidon quase podia vê-la fazendo cálculos se aquilo era uma boa ou uma enrascada, sem pressa alguma. Até que ela concordou, contudo, claro, não sem antes satisfazer uma curiosidade.

– Mas, e se você ganhar?

Poseidon riu enquanto a ajudava a se levantar, deixando tudo para trás e a trazendo para perto. O cheiro de morando do shampoo dela bem fraco sob o de maresia adentrou seus pulmões e acendeu o seu coração de uma forma louca. E ele não precisou muito para saber o que queria.

– Se eu ganhar... — sussurrou ele no ouvido dela. -... Você dorme comigo.

E não esperando uma acusação de que fora pega de surpresa, o que era claro no momento em que os olhos dela expandiram-se, travada no lugar, Poseidon aproximou-se, puxando-a, dentre os corpos que dançavam. Ainda acontecia a briga de quem bebia mais quando ele irrompeu da multidão frenética em direção a Ariadne com um sorriso. A garota de cabelos negros franziu o cenho ao ver algo atrás dele, mas acenou para que viesse para frente. Assim que o perdedor saiu, Poseidon puxou Atena para cima da caminhonete em que o evento acontecia e sorriu.

– O que você está fazendo, Poseidon? — perguntou Ariadne, acima do som dos gritos.

Atena olhava, corada, para o grande numero de pessoas a sua frente, mas Poseidon podia ver a firmeza de vencer que ela detinha ao apertar seus dedos presos aos dela. Poseidon piscou.

– Atena é a próxima competidora.

Então, ao escutar aquilo, o "inimigo" olhou para eles, nem um pouco bêbado, e quase despiu Atena. Por aquilo, Poseidon poderia ter esmurrado o cara, mas acreditava na garota que podia vencê-la, mesmo esta sendo duas vezes menos que o outro. Ou, talvez, não torcendo para que ela vencesse.

– Essa é a concorrente? — o homem de cabelos cor de fogo e olhos quase negros sorriu malvadamente para a garota.

Poseidon estava a ponto de rebater quando Atena mesma fez isso por ele, colocando uma mão na cintura e o olhando de cabo a rabo com nojo.

– Sim, sou eu. Por quê? Tem medo de perder para uma garota?

O público uivou, rindo do comentário da garota. Poseidon teria dado um beijo nela caso Ariadne não estivesse já entregando os cornos de um metro, cheios de cerveja, para cada um dos competidores. A sua amiga era uma leoa que não aceitava desaforo. Adorava aquela mulher.

– Vamos ver o quanto essa tal garota aquenta. Já ganhei de três, querida.

Atena revirou os olhos para o comentário do cabeça de fogo, sorrindo.

– Só espero que não vomite quando eu ganhar.

– Não se esqueça da nossa aposta, Atena — falou Poseidon, antes de ir se aconchegar em algum lugar bom. Seria a marca do século. Atena, a nerd, competindo com bêbados. Era divino.

E assim, com os universitários rindo e Poseidon sentado ao lado de Ariadne, sobre o capo da cabine, eles se arrumaram. Então, com o grito de "largada", ambos começaram a beber. Se Poseidon ali, era divertido, Atena virando o tampo era ainda mais. Com goles rápidos e longos, ela disparava na frente, cada vez mais certa de que iria vencer, o que Poseidon começava a perceber que perderia uma grande quantidade de dinheiro com aqueles livros, quando, do nada, ela perdeu o fôlego e ao tentar respirar outra vez, engasgou-se. Mas, ela não foi à única, o cabelo-de-fogo, como Poseidon começara a chamá-lo, também ocorreu isso. E ambos pararam, ela rindo, ele revoltado até que Ariadne desceu e foi ver como ambos estavam. Poseidon aproximou-se de Atena.

– Hey, você está bem? — perguntou ele, sorrindo para a garota.

Toda molhada, com o vestido muito mais colado do que sua blusa ficara quando competiu, o tecido praticamente transparente, ela assentiu, tentando não rir da situação e escondendo com os braços o sutiã rosa que destacava.

– Estou... — Atena deu de ombros. — Só estou parecendo um gato ensopado.

– Uma leoa ensopada soava melhor.

Ela revirou os olhos para sua brincadeirinha enquanto Poseidon retirava a sua blusa (muitos suspiros e gritos de "gostoso" das mulheres bêbadas) e entregava a ela. Atena nem se quer recusou, colocando por cima a regata azul. Grande como era, parou no meio das coxas torneadas dela, um pouco acima do vestido. E os sentidos dele, totalmente animalescos, ativaram-se ao notar que Atena usava uma roupa sua e ficara linda nela. Na verdade, quando Atena não era linda para ele?

– Ao menos esconde. — brincou ela. — Obrigada.

– Não seja por isso.

Ambos sorriram um para o outro no momento em que Ariadne começou a chamar a atenção de todos.

– Como os competidores não terminaram, fui forçada a avaliar de acordo com o conteúdo que tinha e nesse caso, quem vence é? Stuart.

O cabeça-de-fogo, agora Stuart, riu como um louco, ou como um bêbado, com os amigos, divertindo-se. Apesar de tudo, Poseidon pensou que seria injusto se batesse nele só porque Atena não ganhara ou quando ela nem parecia ligar para isso, sorrindo muito mais pelo estrago que fizeram na traseira do carro do que do titulo perdido. Stuart apertou com força a mão pequena de Atena.

– Da próxima, vamos até o final. — sorriu Stuart. — Foi uma boa partida.

Atena concordou, sentada na lateral do carro, tentando esconder as partes que ainda mostravam.

– Uma ótima partida, da próxima ganho.

– Veremos.

E assim, ele desceu do carro, urrando com os amigos e sumindo dentre a multidão. Poseidon olhou para Atena logo que aquela multidão começou a procurar novos competidores. Com os cachos meio secos, meios banhados em cerveja, parecia que havia tentando afunda-la na piscina, mas não conseguiram a cabeça dela. Era engraçado como tremia. Os olhos dela encararam os dele, sem qualquer sentimento se não diversão, antes de segurarem sua mão.

–Você tinha razão, beber é divertido.

Então, desse modo, ela o puxou. E ele não sabia para onde.

Mas, sem esquecer, a dívida dela com ele ainda estava bem acesa ali. E cada vez crescia mais e mais



Notas finais
Que tal deixar recadinho? ^^